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Conflict between domestic law and foreign case law

PART II – INTERPRETATION

6.3 Conflict between domestic law and foreign case law

Csikszentmihalyi (1996a) descreve o fluxo como uma experiência de intenso prazer durante uma atividade recompensadora em si mesma, ou autotélica. As pessoas procuram executar este tipo de atividades pois estas são imediatamente recompensadoras. A motivação para estas é assim intrínseca.

As atividades com potencial de gerar fluxo são muito diversas. Podem ser muito simples e de fácil execução (como mascar pastilha), ou bastante complexas (como dançar ou jogar xadrez), e podem ocorrer em qualquer nível de perícia da pessoa. O que se verifica neste caso é uma completa adequação dos skills da pessoa ao desafio (tarefa) apresentada, gerando um profundo prazer e divertimento (Csikszentmihalyi, 1996a).

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Estas experiências ótimas são subjetivas, embora possam ter impacto objetivo na vida das pessoas, por exemplo melhorando a sua performance.

Através da ocorrência do fluxo, o trabalho transforma-se de uma obrigação limitativa e dura, numa atividade geradora de prazer e motivadora por si própria. Não são precisos incentivos nem recompensas externos para o indivíduo a levar a cabo. Esta forma de trabalho é um estado que pode ser interessante quer para os colaboradores de uma organização, quer para a própria, combinando prazer e o desempenho na mesma atividade (Amherdt, 2005).

O trabalho pode então constituir uma experiência recompensadora em si mesma, independentemente de qual ele seja, levando os trabalhadores a altos graus de concentração, prazer e motivação intrínseca. A ocorrência deste tipo de experiências é mais frequente no trabalho (47% a 64%) do que no lazer (20%), pois é durante o primeiro que as atividades são geralmente mais desafiantes. No entanto, o trabalho é geralmente menos valorizado na obtenção de satisfação e prazer do que as atividades que perseguimos nos tempos livres. As razões podem ter origens várias: conotações negativas sobre o trabalho, construídas socialmente; estruturas de personalidade que poderão não procurar o desafio e superação; o menor grau de interação social durante o trabalho; uma menor estruturação da energia psíquica durante as atividades de lazer; o hábito de atividades mais passivas durante o tempo de lazer (como assistir programas de televisão). No entanto é precisamente durante a execução do trabalho que as oportunidades para uma maior prazer na atividade estão presentes (Csikszentmihalyi & LeFevre, 1989).

Csikszentmihalyi (1996a) refere as características que a atividade deve apresentar para que ocorra a experiência de fluxo:

1. Existência de objetivos claros, a cada passo – a atividade não tem exigências contraditórias, e a sua finalidade é clara.

2. Existe feedback imediato a cada ação – sabemos a cada passo executado a correção do mesmo.

3. Equilíbrio entre o desafio e os skills – a atividade é efetuada no pequeno intervalo entre a ansiedade de um desafio demasiado exigente, e o aborrecimento de uma atividade demasiado fácil.

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4. Fusão entre a consciência e a ação – existe uma concentração e foco totais no que estamos a fazer, o que permite a tal resposta em sintonia com o desafio. A clareza de objetivos e o feedback constante são os facilitadores desta fusão.

5. Exclusão de distrações – a concentração na tarefa e no instante presente é tão intensa que nos permite excluir as preocupações com tudo o resto.

6. Ausência de medo de falhar – estamos tão completamente envolvidos com o que fazemos, e de uma forma tão adequada, que não surge a preocupação de falhar.

7. Perca de autoconsciência – a envolvência total na tarefa elimina a preocupação com a defesa da nossa imagem aos olhos dos outros. Apesar disso, após a ocorrência do fluxo, o autoconceito sai reforçado, pois reconhecemos a superação de um desafio difícil.

8. Transformação do tempo – a passagem do tempo parece de alguma forma alterada. Pode parecer que o tempo decorreu de forma muito rápida, quase instantânea, ou de forma mais lenta que o habitual. A perceção pessoal do tempo parece desfasada da indicada pela medida objetiva do relógio.

9. Experiência autotélica – a experiência é prazeirosa e recompensadora em si mesma, e o indivíduo deseja executá-la, independentemente das recompensas externas de dela poderão advir.

Csikszentmihalyi (1996a) refere-nos que nas atividades mais prazeirosas, e conducentes ao fluxo, os participantes reportam um sentimento de descoberta, que é certamente algo presente no trabalho criativo. Por outro lado, quanto mais criativo for o problema em que os indivíduos trabalham, menos claro parece ser o objetivo a atingir, sendo esta uma das condições para a ocorrência do fluxo. Parece no entanto que os criativos possuem ou desenvolvem alguma forma de perceção do que fazer.

Muitas vezes o feedback durante o trabalho criativo parece ser auto feedback – muitos criativos internalizam as regras e os critérios do domínio, da sua área de trabalho, e do campo, da sociedade à sua volta. Desta forma podem dar feedback de qualidade a si próprios. Assim conseguem descartar ideias más ou desadequadas, que não irão desembocar em realizações de qualidade (Csikszentmihalyi, 1996a).

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O fluxo não ocorre em atividades demasiado fáceis para o executor. Elas requerem um certo grau de dificuldade e importância, e normalmente os criativos devem suportar uma primeira fase de árduo esforço antes de chegar ao ponto onde começa o fluxo, esse movimento sem esforço pela tarefa. A partir daí, o envolvimento é total e sobrevém um sentido de estar a fazer exatamente a coisa certa da forma certa, uma certa beleza na sua ocorrência. O prazer destes momentos ultrapassa qualquer recompensa extrínseca, e prolonga-se na atividade, e não apenas num final de sucesso. É o prazer da descoberta, do encontro da Beleza e da Verdade (Csikszentmihalyi, 1996a).

Utilizando uma amostra de não especialistas, constituída por adultos mais velhos, cujas idades variavam entre 60 a 94 anos, e com uma média de 15.5 anos de educação, Payne, Jackson, Noh e Stine-Morrow (2011) investigam a relação entre o grau de fluxo e o desafio cognitivo proposto. Encontram que no caso dos adultos com maior fluidez cognitiva, um maior desafio estava associado a um maior grau de fluxo. Esta relação apresenta-se inversa para os adultos com menor capacidade cognitiva. Estes resultados reforçam a importância do equilíbrio entre o desafio e as capacidades do indivíduo executor, para que o fluxo possa surgir. A experiência de fluxo não depende assim das características da atividade nem das características individuais, mas da boa adequação entre ambas.

É importante para que estas experiências possam ocorrer, que exista tempo para uma concentração intensa. Assim, muitas vezes o indivíduo sente necessidade de se isolar no seu trabalho, e muitos agradecem o esforço dos seus companheiros (especialmente referidas as esposas) por proporcionarem condições para que se possam concentrar completa e intensamente no seu trabalho. Durante o fluxo, não podemos dizer que sentimos felicidade. Tudo o resto está excluído da consciência. No entanto, após o mesmo, sobrevém um sentimento de felicidade, de bem-estar ou satisfação. Se a atividade que conduziu ao fluxo é complexa, e nos leva a novos desafios e ao crescimento pessoal e cultural, então podemos supor que quanto mais fluxo obtivermos nas nossas vidas, mais felicidade teremos, a longo prazo (Csikszentmihalyi, 1996a).

O fluxo ocorre em atividade seja de que tipo for (Amherdt, 2005; Bakker, 2005; Csikszentmihalyi, 1996a; Llorens, Salanova & Rodríguez, 2012; Snyder & Lopez,

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2007), e tem sido estudado em várias áreas: no desporto (Harmison, 2006), na relação conjugal (Graham, 2008), em situações de combate (Harari, 2008), na gestão (Covey, 2003; Garfield, 1992), em atividades de utilização da Web (Chen, Wigand & Niland, 1999) e em vários contextos laborais (Bakker, 2008; Csikszentmihalyi & LeFevre, 1989; Demerouti, 2006; Eisenberg, Jones, Stinglhamber, Shanock & Randall, 2005; Laneiro, 2011; Llorens, Salanova & Rodríguez, 2012; Nielsen & Cleal, 2010; Salanova, Bakker & Llorens, 2006).

Subjacente ao estudo do conceito de fluxo, está o da sua medição. Sendo uma experiência imediata e subjetiva, torna-se difícil a ela aceder, de forma externa e objetiva (Bakker, 2005; Jackson & Marsh, 1996; Laneiro, 2011; Llorens, Salanova & Rodríguez, 2012; Nielsen & Cleal, 2010). Para este fim têm sido utilizadas várias metodologias, quer qualitativas, com entrevistas em profundidade (Csikszentmihalyi, 1996a), quer quantitativas, através da aplicação de questionários, escalas e ESM (Experience Sampling Method), pedido a intervalos frequentes uma pontuação do grau de experienciação de fluxo que o indivíduo vive no momento (Bakker, 2005; Jackson & Marsh, 1996; Laneiro, 2011; Llorens, Salanova & Rodríguez, 2012; Nielsen & Cleal, 2010). Jackson e Marsh (1996) defendem a importância de combinar diversas metodologias no acesso a este tipo de experiências, difíceis de definir e de natureza holística.