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De acordo com Burrel e Morgan, a pesquisa social deve ser feita a partir da adoção de pressupostos no que se refere à natureza do mundo social e do modo como este será investigado. O pesquisador deve estipular pressupostos sobre os aspectos ontológicos do fenômeno a ser estudado, a natureza epistemológica do fenômeno, a natureza humana e especialmente a sua relação com o ambiente e, por fim, a natureza metodológica com a qual o fenômeno será tratado. (BURREL; MORGAN, 1982:1-3)

Assim, em termos ontológicos este trabalho investigará um tipo específico de organização – a organização de apoio às entidades sindicais, a OAES. Esta organização insere-se no sistema brasileiro de relações do trabalho e tem por finalidade apoiar os sindicatos de trabalhadores em suas atividades de representação de classe. A intenção deste estudo é investigar os processos de aprendizagem organizacional das OAES ocasionados a partir de eventos importantes de suas histórias. Espera-se ao fim do estudo obter uma melhor compreensão sobre o funcionamento e gestão deste tipo de organização.

Os processos de aprendizagem organizacional a serem estudados figuram entre os acompanhados pelas ciências sociais aplicadas. De acordo com as abordagens escolhidas para o direcionamento deste estudo, a revisão teórica evidenciou que os processos de aprendizagem são socialmente construídos e institucionalizados. Nesta visão, os indivíduos envolvidos criam suas próprias realidades a partir da interação com o ambiente, que também é criado pelos mesmos indivíduos. (MORGAN;SMIRCICH,1980:494) (MATURANA;VARELA, 2001:31)

Em termos epistemológicos, a abordagem solicitada deve abrir espaço para a verificação de conhecimentos mais relacionados à experiência do indivíduo pesquisado – as OAES -, em detrimento de uma abordagem que se preocupe com sua realidade externa. Assim, as abordagens estritamente positivistas de pesquisa foram descartadas a priori porque tendem a estudar os eventos humanos e sociais em busca de regularidades e verdades absolutas. Tais

procedimentos podem ser indicados para fenômenos típicos da natureza, mas não para os estudos dedicados às realidades sociais complexas.

Esse estudo tomará a abordagem fenomenológica de pesquisa como a mais adequada aos seus propósitos. Na fenomenologia, identifica-se que a essência do Homem é diferente da essência da Natureza, merecendo portanto formas diferentes de investigação daquelas utilizadas para o estudo dos fenômenos naturais. Para a fenomenologia, indivíduo e objeto devem ser estudados a partir da interação que ocorre entre eles (CHAUÍ, 1999:124). Tal definição é importante por também indicar a natureza interativa da relação entre o indivíduo e seu ambiente.

Na fenomenologia, por conta dessa interação o observador é parte do observado e deve atentar para a totalidade da situação estudada. Em sua pesquisa, o observador deve formalizar as interpretações dessa situação, desenvolvendo suas idéias a partir da indução (EASTERBY- SMITH et al, 1999:27). Conforme Burrel e Morgan, buscar a compreensão da realidade a partir do Interpretacionismo significa tentar entender o mundo como ele é a partir das experiências subjetivas dos agentes envolvidos na situação estudada. (BURREL;MORGAN, 1982:28)

No item a seguir, aprofundaremos os aspectos relacionados ao método desta pesquisa.

Método da pesquisa

Conforme Coltro, a abordagem fenomenológica “...utiliza-se fartamente de relatos descritivos das características do fenômeno em estudo; porém não de forma passiva, mas por uma reflexão que permita interpretar tais relatos, objetivando pôr a descoberto as características, as categorias, os sentidos menos aparentes, aqueles mais fundamentais do fenômeno” (COLTRO, 2000:42). Nesta abordagem, os fatos são descritos a partir da reunião dos dados a eles relacionados. Estes dados não devem ser apenas acumulados, mas sim compreendidos. A descrição serve então como etapa de aproximação do fenômeno estudado, que será submetido à análise/interpretação, após o que surgirá uma nova compreensão do mesmo.

A abordagem de pesquisa deste estudo - a fenomenológica - caracteriza-se pela observação direta, se possível com o envolvimento do próprio pesquisador. No que se refere às pesquisas em Administração, o recurso à abordagem fenomenológica faria com que a pesquisa fosse “...além das aparências das ações administrativas dos agentes que ocupam cargos em qualquer nível hierárquico...” e “...além das ações do próprio autor enquanto participante do mundo” (COLTRO, 2000: 44). Desta maneira, esta abordagem caracteriza-se pelo recurso a métodos variados para compor diversas visões sobre os fenômenos como, por exemplo, as entrevistas e a pesquisa participante.

Dada a dimensão da tarefa, os estudos realizados sob essa linha metodológica normalmente são feitos a partir de pequenas amostras, que, porém, são investigadas em profundidade e/ou ao longo do tempo. Tais métodos apresentam dificuldades como a demora na coleta de dados e a variedade de fontes de informações, bem como a pouca uniformidade dessas informações. Todavia, através da abordagem fenomenológica é possível examinar processos de mudança ao longo do tempo, viabilizando o ajustamento da pesquisa às novas questões e idéias surgidas durante os levantamentos. (EASTERBY-SMITH et al, 1999:32)

Nas pesquisas em Administração – um dos campos das Ciências Sociais Aplicadas -, dependendo do objeto a ser estudado é possível buscar apoio mais efetivo em técnicas quantitativas, sendo esse o exemplo de áreas como finanças e contabilidade. A pesquisa quantitativa preocupa-se com a precisão das informações que serão utilizadas para a análise. Conforme Godoy “... num estudo quantitativo, o pesquisador conduz seu trabalho a partir de um plano estabelecido a priori, com hipóteses claramente especificadas e variáveis operacionalmente definidas”. (GODOY, 1995:58)

Entretanto, em termos de aprendizagem organizacional, as fontes e os fatos de onde se originam as informações são pouco suscetíveis à mensuração por quantificação. Por lidar com conceitos abstratos como conhecimento, educação e comportamento, entre outros, é importante na pesquisa buscar a opinião das pessoas a respeito do que é pesquisado, seguindo, portanto, a lógica do construcionismo social interpretacionista.

O ponto de partida da pesquisa qualitativa é constituído pelas ”... questões ou focos de interesses amplos, que vão se definindo a medida em que [sic] o estudo se desenvolve. Envolve a obtenção de dados descritivos sobre pessoas, lugares e processos interativos pelo contato direto do pesquisador com a situação estudada, procurando compreender os fenômenos segundo a perspectiva dos sujeitos, ou seja, dos participantes da situação em estudo” (GODOY, 1995:58). Para Godoy, constam ainda como características importantes da pesquisa qualitativa o seu caráter descritivo, o enfoque indutivo para a análise dos dados e o papel do pesquisador como instrumento na busca do significado que as pessoas dão às coisas. (GODOY, 1995:62-63)

Independentemente de serem qualitativas ou quantitativas, as pesquisas podem ainda ser exploratórias ou descritivas. De acordo com Selltiz, as pesquisas exploratórias preocupam-se em “...familiarizar-se com um fenômeno ou conseguir nova interpretação deste, freqüentemente para poder formular um problema mais preciso de pesquisa ou criar novas hipóteses”. Nas pesquisas exploratórias a “...principal acentuação refere-se à descoberta de idéias e intuições”. (SELLTIZ et al, 1975:59)

Já as pesquisas descritivas teriam por objetivos “...apresentar precisamente as características de uma situação ou grupo, ou indivíduo específico (com ou sem hipóteses específicas a respeito da natureza de tais características); verificar a freqüência com que algo ocorre ou que está ligado a alguma outra coisa (geralmente, mas não sempre com uma hipótese inicial específica)” (SELLTIZ et al, 1975:59). Através das pesquisas descritivas, pode-se buscar a identificação ou confirmação de nexos causais entre os fenômenos estudados.

Para os casos de pesquisas exploratórias, o planejamento de pesquisa deve ainda possuir flexibilidade para viabilizar a consideração de muitos aspectos diferentes de um fenômeno. Em sentido diferente, os estudos descritivos devem ter por característica a busca de exatidão. (SELLTIZ et al, 1975:59)

A realidade das OAES - unidade de análise deste trabalho – é ainda praticamente desconhecida em termos de seu funcionamento e gestão. Por esta razão, a pesquisa realizada objetivou o desenho das características básicas das organizações estudadas e dos eventos que marcaram sua história, sendo, portanto, descritiva.

Ainda com respeito aos aspectos do método deste trabalho, cabe uma referência aos estudos de caso. Para Yin, os estudos de caso constituem uma estratégia de pesquisa. O autor define o estudo de caso como “...investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”. Segundo este autor, os estudos de casos se aplicam quando da necessidade de compreensão de fenômenos sociais complexos. (YIN, 2001:32)

De acordo com Yin, o estudo de caso “...enfrenta uma situação tecnicamente única em que haverá muito mais variáveis de interesse do que pontos de dados. Por conta disso, o estudo de caso baseia-se em várias fontes de evidências, com os dados precisando convergir em um formato de triângulo, e também beneficia-se do desenvolvimento prévio de proposições teóricas para conduzir a coleta e a análise de dados” (YIN, 2001:32-33). Com tais características, o estudo de caso aproxima-se do desenho das pesquisas qualitativas.

Conforme Flick, a triangulação é “...utilizada para indicar a combinação de diferentes métodos, grupos de estudo, ambientes locais e temporais e perspectivas teóricas distintas no tratamento de um fenômeno” (FLICK, 2004:237). O autor assinala que, em um primeiro momento, a triangulação foi empregada para validação de resultados alcançados com métodos individuais, mas, posteriormente, o foco de seu uso deslocou-se para o objetivo de enriquecer e completar o conhecimento (FLICK, 2004:238). Flick (citando Denzin25) enumera quatro tipos de triangulação: dos dados, do investigador, da teoria e da metodologia (FLICK, 2004:237-38). Esta pesquisa empregou a triangulação de dados.

As opções de realização de estudos de caso e pela abordagem qualitativa para a investigação da aprendizagem organizacional estão entre as mais freqüentes entre os pesquisadores nacionais. As Tabelas 1 e 2 contêm informações sobre as formas mais comuns de procedimentos metodológicos sobre aprendizagem organizacional entre artigos de autores nacionais. Os dados foram obtidos a partir de resumos de artigos divulgados em revistas nacionais e eventos acadêmicos da área de gestão e mostram que a pesquisa qualitativa e o estudo de caso são alternativamente as práticas mais comuns.

Tabela 1– Painel sobre produção acadêmica nacional em Aprendizagem Organizacional – Abordagem

Abordagem % Qualitativa 18 45,0 Quantitativa 4 10,0 Ambas 2 5,0 Não identificadas 16 40,0 Total 40 100

FONTE: resumos de artigos de autores nacionais em revistas (RAC, RAE, ReAd, RAUSP), livros e anais de eventos (ANPAD e SEMEAD) do período 1999-2004.

Elaboração: do autor e de Flávio Gama Lício (in LÍCIO, 2005)

Tabela 2 - Painel sobre produção acadêmica nacional em Aprendizagem Organizacional - Método

Método %

Estudo de caso 25 62,5

Estudo de caso múltiplo 5 12,5

Experimento 2 5,0

Surveys 6 15,0

Não identificados 2 5,0

Total 40 100

FONTE: resumos de artigos de autores nacionais em revistas (RAC, RAE, ReAd, RAUSP), livros e anais de eventos (ANPAD e SEMEAD) do período 2000-2004.

Elaboração: do autor e de Flávio Gama Lício (in LÍCIO, 2005)

Os dados deste levantamento apresentam resultados semelhantes ao estudo realizado por Antonello para o período 1997 a 2000 que também apontou como mais freqüentes os estudos de natureza qualitativa e os estudos de caso.(ANTONELLO, 2002:11)

A maior freqüência encontrada para a abordagem qualitativa e também para o método de estudo de caso nos dois levantamentos constantes das Tabelas 1 e 2 sugere a adoção do desenho básico usado para a pesquisa a ser aplicada neste trabalho, ou seja, uma pesquisa qualitativa descritiva realizada através de estudo de caso.

População e amostra

A unidade de análise desta pesquisa será composta pelas organizações que prestam apoio técnico às entidades sindicais dos trabalhadores brasileiros. Estas entidades desenvolvem e apóiam atividades de assessoria, pesquisa e educação em temas relevantes para o sistema de relações do trabalho no País. Como dado adicional, o movimento sindical está presente na direção política e financiamento destas organizações. Estas entidades começaram a surgir no Brasil da metade da década de 50 em diante, mas é só a partir dos anos 80 que a maior parte delas é criada, em um processo que acompanha a evolução das atividades sindicais no Brasil. Embora importante para o suporte das atividades sindicais, o universo das organizações pesquisadas é também relativamente restrito em termos de número de organizações se comparado ao total de entidades sindicais no Brasil. O Quadro 13 apresenta algumas das mais importantes organizações de apoio às entidades sindicais no Brasil.

Quadro 13 - Algumas Organizações de Apoio às Entidades Sindicais no Brasil

• DESEP/CUT – Departamento de Estudos Sócio-Econômicos e Políticos • DIAP – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar

• DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos

• DIESAT – Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho • ICT/CGT – Instituto Cultural do Trabalho

• INSPIR – Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial • INST/CUT – Instituto Nacional de Saúde do Trabalhador • Instituto Observatório Social

• Progetto Sviluppo • SASK

• Solidarity Center

Da população de organizações existentes com este perfil, duas delas foram destacadas intencionalmente para descrever o conjunto: o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos – DIEESE e o AIFLD/Solidarity Center. A melhor caracterização das organizações e as justificativas para suas respectivas indicações para a pesquisa serão apresentadas no capítulo 5 deste trabalho. Para tanto, os dados primários e secundários

obtidos nos levantamentos, bem como as entrevistas realizadas permitiram a apresentação do histórico de cada uma das organizações, assim como do contexto de sua participação no sistema de relações de trabalho no Brasil.

Preliminarmente, no entanto, salientamos a importância das duas entidades pesquisadas no meio sindical. O DIEESE é hoje a maior e mais antiga entidade voltada para o apoio técnico aos sindicatos brasileiros e conta atualmente com mais de 450 entidades filiadas de todas as regiões do Brasil.

O Solidarity Center, a segunda organização pesquisada, deu continuidade nos anos 90 a uma atividade de cooperação sindical entre a AFL-CIO (central sindical norte-americana) e os sindicatos brasileiros. O Solidarity Center sucedeu o American Institute for Free Labor Development - AIFLD (Instituto Americano para o Desenvolvimento do Sindicalismo Livre – Iadesil, segundo sua sigla em português) que, desde o início dos anos 60, era a organização que viabilizava esta cooperação. O escritório da entidade em São Paulo integra-se a uma rede de representações com sede em Washington D.C. (EUA) e atuação em todos os continentes. Entre as organizações congêneres de cooperação sindical de outros países no Brasil, é a única a manter uma representação fixa desde a década de 60.

As duas organizações têm ainda algumas características comuns que reforçam sua importância dentro do universo estudado:

a) são as mais antigas em funcionamento dentro dos seus respectivos subgrupos (organizações intersindicais e de cooperação sindical internacional, respectivamente);

b) desenvolvem atividades com todos os principais segmentos sindicais brasileiros, seja pelo critério de orientação política, seja pelo critério setorial;

c) desenvolvem atividades de apoio aos sindicatos que, dentro do sistema de relações de trabalho brasileiro, ajudam a compor o que seria um sistema de conhecimento sindical.

Ambas as entidades serão estudadas dentro de uma perspectiva longitudinal, ou seja, através de comparações de suas respectivas situações ao longo de um determinado período. Conforme Ruas e Antonello, a utilização da perspectiva longitudinal é interessante por permitir o estudo

dos “processos de aprendizagem organizacional referindo-se ao como, ou seja, as formas de aprendizagem”.(RUAS;ANTONELLO, 2003:207)

Técnicas de coleta de dados e instrumentos

Conforme Lakatos, as técnicas são “...um conjunto de preceitos ou processos de que se serve uma ciência. São também as habilidades para usar esses preceitos ou normas, na obtenção de seus propósitos” (LAKATOS, 2001:107). As técnicas devem dar sustentação à busca de dados para as pesquisas. Segundo a autora, as técnicas de coleta de dados podem ser de dois tipos: a documentação direta e a indireta. A documentação direta consiste no levantamento de dados no próprio local em que os fenômenos acontecem. A documentação direta pode ser realizada através da pesquisa de campo e/ou da pesquisa de laboratório. Conforme a autora, em ambos os casos, é possível utilizar técnicas de observação direta intensiva (observação e entrevista) e direta extensiva (questionário, formulário, medidas de opinião, p.e.).(LAKATOS, 2001:43)

Lakatos define as entrevistas como “...uma conversação efetuada face a face, de maneira metódica...”, ”... que proporciona ao entrevistador, verbalmente, a informação necessária”. Segundo a autora, a entrevista pode ser estruturada, desestruturada ou através de painel (LAKATOS, 2001:107). Dentro das pesquisas qualitativas, as entrevistas semi-estruturadas são aquelas de uso mais comuns, existindo, no entanto, diversos tipos delas (focais, semipadronizadas, centralizadas no problema, com especialistas e etnográfica). (FLICK, 2004:89)

A documentação indireta utiliza fontes de dados recolhidos por outras pessoas – podendo ser material já elaborado ou não. Esta divide-se em pesquisa documental (fontes primárias) e pesquisa bibliográfica (fontes secundárias).(LAKATOS, 2001:43)

Nas Tabelas 3 e 4 a seguir encontram-se tabulações realizadas entre os estudos de caso do painel de artigos de autores nacionais sobre aprendizagem organizacional no período 1999 a 2004. O objetivo foi verificar a freqüência com que alguns instrumentos de pesquisa são utilizados nos estudos de caso, especialmente no que se refere aos tipos de entrevistas aplicadas.

Tabela 3 - Painel sobre produção acadêmica nacional em Aprendizagem Organizacional Estudos de Caso

Instrumentos de coleta de dados Nº %

Apenas Entrevista 11 61,1

Apenas Análise documental 1 5,6

Entrevista + Análise documental 3 16,6

Entrevista + Observação 1 5,6

Entrevista + Análise documental + Observação 2 11,1

Total 18 100

FONTE: resumos de artigos de autores nacionais em revistas (RAC, RAE, ReAd, RAUSP), livros e anais de eventos (ANPAD e SEMEAD) do período 2000-2004.

Elaboração: do autor e de Flávio Gama Lício (in LÍCIO, 2005)

Tabela 4- Painel sobre produção acadêmica nacional em Aprendizagem Organizacional Entrevistas em estudos de caso

Entrevistas em estudos de caso %

Entrevista (não definida) 1 5,6

Entrevista estruturada 6 33,3

Entrevista semi-estruturada 10 55,5

Entrevista não estruturada 1 5,6

Total 18 100

FONTE: resumos de artigos de autores nacionais em revistas (RAC, RAE, ReAd, RAUSP), livros e anais de eventos (ANPAD e SEMEAD) do período 2000-2004.

Elaboração: do autor e de Flávio Gama Lício (in LÍCIO, 2005)

A primeira constatação na Tabela 3 é que a entrevista é o instrumento principal para a quase totalidade dos estudos de caso deste painel. A segunda constatação é que ela é utilizada normalmente de maneira combinada com outros instrumentos, merecendo destaque a análise documental. Na Tabela 4 nota-se que, entre os estudos de caso, as entrevistas semi- estruturadas são as mais freqüentes, constando a seguir as estruturadas.

Opções metodológicas desta pesquisa

Seguindo a tendência delineada em um grande conjunto de artigos sobre aprendizagem organizacional e demonstrada na tabelas anteriores, dadas as especificidades de objetivos e objeto de estudo, consolidamos então as opções metodológicas desta pesquisa. Ela foi feita na qualidade de um estudo descritivo com aspectos qualitativos. O método de pesquisa foi o de estudo de caso enfocando duas organizações nas quais realizaram-se o levantamento e análise de dados através de fontes documental e bibliográfica e de entrevistas semi-estruturadas.

O primeiro passo da coleta de dados foi a pesquisa bibliográfica para buscar conhecimentos e informações já coligidos em outros estudos sobre estas organizações. O segundo passo foi a pesquisa documental que consistiu na busca de dados das próprias organizações em seus documentos internos ou de divulgação externa.

Após o levantamento documental, foram realizadas 29 entrevistas com técnicos e dirigentes relacionados às duas entidades pesquisadas.As entrevistas foram realizadas com o recurso a roteiros semi-estruturados com questões abertas cuja formulação baseou-se nas escolhas conceituais realizadas na parte téorica deste trabalho. Os roteiros empregados nas duas entidades foram devidamente pré-testados e constam do Apêndice 8.

As entrevistas semi-estruturadas desta pesquisa aproximaram-se do tipo proposto por Flick: centralizada no problema. Este tipo de entrevista utiliza um guia com questões e estímulos narrativos e orienta-se por três critérios: “a centralização no problema (ou seja, a orientação do pesquisador para um problema social relevante); orientação do objeto, isto é, que os métodos sejam desenvolvidos ou modificados com respeito a um objeto de pesquisa; e finalmente, orientação no processo de pesquisa e na compreensão do objeto de pesquisa” (FLICK, 2004:100). As entrevistas foram gravadas e transcritas para que fosse possível a tabulação e análise das informações ali contidas, segundo as categorias destacadas no capítulo teórico desta tese.

Na definição da amostra de entrevistas optou-se pela seleção gradual da estrutura da amostra no processo de pesquisa. Esta definição é feita pela “amostragem teórica”, que, conforme

Flick, foi desenvolvida por Glaser e Strauss e não se baseia em critérios estatísticos usuais.26 Os indivíduos e ou grupos são selecionados segundo “seu nível (esperado) de novos insights para a teoria em desenvolvimento em relação à situação da elaboração da teoria até o momento. As decisões relativas à amostragem visam àquele material já utilizado e do conhecimento dele extraído”. (FLICK, 2004:79)

Desta forma, adotou-se como critério inicial para escolha dos entrevistados o exercício de