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CONCLUSIONS

In document Unmet Surgical Need in Malawi (sider 63-72)

5 RESULTS AND SUMMARIES OF PAPERS 5.1 Paper I:

8. CONCLUSIONS

educação e leitura. Esposende: Câmara Municipal de Esposende: Biblioteca Manuel de Boaventura,

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facto de a escola de hoje não atender às expectativas de leituras do aluno, facilitando livros fora da sua realidade. É no professor que reside a busca do conhecimento e a intuição para saber como lidar com as suas turmas. O papel do professor torna-se, assim, fundamental quando se sabe que a criação de raízes de hábitos de leitura e o desenvolvimento das habilidades cognitivas que facilitam a compreensão leitora têm uma relação direta com a primeira infância e consequentemente com o grau de interesse das crianças com o ato da leitura. António Prole reforça esta ideia, sobretudo no que se refere à leitura de textos literários:

“É necessário que os professores tenham a consciência que esta leitura regular e continuada de estórias, não é algo lateral, uma espécie de intervalo de leitura entre a exigente actividade de ensinar as crianças a ler com destreza. A leitura literária é parte integrante do processo de aprendizagem leitora, quer como instrumento facilitador da descodificação, quer como meio para o desenvolvimento de hábitos de leitura e de competências essenciais para a compreensão leitora.”19

O professor tem de saber auscultar os problemas que os alunos lhe apresentam e, ao mesmo tempo, saber escolher os livros que lhes despertem a atenção, tendo em conta que as suas temáticas, a escrita e o próprio conteúdo dos textos estejam intimamente relacionados com a turma. Deste modo, a escola tem de estar, cada vez, mais preparada para lidar com o livro e saber democratizar a prática da leitura.

Para haver uma política de democratização é necessário que a escola respeite a prática da leitura estimulando e apoiando as crianças e jovens proporcionando momentos de prazer e encantamento para que estes consigam interpretar e compreender todos os fenómenos que os rodeiam.

Nesse sentido, a escola procura reforçar a sua própria liderança reconhecendo as suas fraquezas e melhorando cada vez mais as suas potencialidades, pois a escola enquanto instituição tem de ser dinâmica e dar continuidade ao projeto educativo. A escola tem de criar lideranças, boas e eficazes, para que possa exibir um rosto forte e autoridade para responder a todas as dificuldades.

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1.2.2 – Contexto da biblioteca escolar/centro de recursos

O utilizador que habitualmente frequenta a biblioteca escolar/centro de recursos já está acostumado a ser participativo na sala de aula e depois vai à procura de informação necessária para realizar os seus trabalhos ou simplesmente vai à procura de um livro para ler.

Para que os objetivos sejam alcançados, é importante que o espaço reservado à biblioteca escolar/centro de recursos seja agradável e acolhedor e que permita um acesso fácil à informação que se pretende:

“O espaço fala e o sujeito interage e dialoga com o espaço e nesse espaço. O espaço de uma BE está hoje orientado e organizado de modo a que o aluno–leitor se sinta acolhido e predisposto a aí permanecer. Há pois preocupações com as dimensões do espaço, com a adequação do mobiliário e dos equipamentos ao fim a que se destinam e ao público–alvo, e com a adequação dos documentos aos utentes. Há também a preocupação com as actividades a desenvolver pelo aluno–leitor nesse espaço e que podem ser actividades de recepção/compreensão ou de expressão, mais espontâneas ou mais estimuladas.”20

Assim, todo o ambiente que envolve a biblioteca escolar/centro de recursos é muito importante para o seu utilizador pois é um espaço que está preparado, especialmente, para os estudantes, onde estes podem desenvolver todos os seus projetos voltando sempre que seja necessário. Este espaço deve promover hábitos de leitura, através de atividades de caráter lúdico, facilitar a leitura lúdica, ajudar e apoiar as atividades curriculares, sendo considerado por toda a comunidade escolar como um recurso de educação e, ao mesmo tempo, de divertimento.

Como defendem Manuel António Esteves e António Prole, entre outros estudiosos, a biblioteca escolar/centro de recursos é o espaço adequado para fazer uma descolarização da leitura e do próprio livro onde todas as leituras são possíveis em função da liberdade de escolha. Considerando a complementaridade entre a biblioteca escolar/centro de recursos e sala de aula, alunos e professores poderão criar uma rotina que seja saudável e proveitosa para ambas as partes, visto a biblioteca escolar/centro de recursos ser o local ideal para a concretização de atividades e também para lecionar aulas. Jaquelina Laureano Duarte, estudiosa de hábitos de leitura dos estudantes e do importante papel da biblioteca escolar/centro de recursos, afirma:

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“[…] este complemento assume outra vertente, a de que perante a actual organização do tempo escolar e das aulas, os docentes vêem-se obrigados a proceder a escolhas que poderão ser complementadas pelo trabalho autónomo dos alunos o espaço da biblioteca escolar, que envolverá, igualmente, a leitura recreativa.”21

Mesmo que em ambos os espaços físicos, sala de aula e biblioteca escolar/centro de recursos, a leitura seja desenvolvida, na sala de aula o processo de leitura é acompanhado pelo professor para que a compreensão do conteúdo do texto seja entendido pelos alunos mas, em relação ao processo de leitura que é desenvolvido na biblioteca escolar/centro de recursos podemos afirmar que é uma leitura mais autónoma chegando mesmo a ser lúdica, pois a variedade de livros é maior fazendo com que os alunos tenham opção de escolha. Em ambos os espaços os alunos desenvolvem as suas competências leitoras fazendo com que o contacto com o livro seja possível.

Sendo assim, a biblioteca escolar/centro de recursos tem de facilitar a leitura de todos os documentos que possui, não esquecendo que o livro nunca vai perder o seu estatuto, antes vai adquirir uma complementaridade com os outros suportes que foram integrados no fundo documental. Cada vez mais, na sociedade de informação e conhecimento não se pode estabelecer uma oposição entre as novas tecnologias e o livro, mas antes em fazer uma associação entre as tradicionais competências de leitura com as novas tecnologias, que hoje em dia, são muito importantes para a nossa sociedade.

Na verdade, atualmente, como salienta a estudiosa Jaquelina Laureano Duarte, vivemos numa crise de capacidades de leitura, mais de que uma crise de leitura. As grandes barreiras de dificuldades existentes na leitura, mais concretamente nos jovens, prendem-se com a dispersão e desfragmentação pois, através das novas tecnologias e com a leitura em novos suportes, vai complementar o ato de leitura. Deste modo, a biblioteca escolar/centro de recursos tem como objetivo principal reforçar a importância da leitura como busca da informação e documentação, nos seus diversos suportes e ao mesmo tempo estimular os hábitos de leitura apoiando, inclusive, a leitura lúdica. Como já sugerimos, no espaço físico da biblioteca escolar/centro de recursos a leitura é descontraída e sem qualquer tipo de pressão, pois é um espaço que oferece todas as condições aos seus utilizadores, alunos, professores e funcionários, para que estes se relacionem com vários tipos de textos, fazendo jogos, podendo mesmos ser encarada como uma atividade alternativa. Este espaço permite o acesso ao livro e a todos os

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suportes que difundem a palavra escrita, fator indispensável na aquisição de hábitos de leitura, particularmente quando nem todas as famílias têm um relacionamento benéfico com a leitura, no contexto de um país como o nosso que ainda apresenta elevados níveis de iliteracia.

A biblioteca escolar/centro de recursos apresenta-se como pilar em todas as atividades de leitura desenvolvidas na escola, indo sempre ao encontro dos programas curriculares, contemplando questões muito pertinentes da nossa sociedade atual, como por exemplo, a cidadania, a inclusão, os níveis do sucesso escolar, direitos cívicos e pessoais, etc.. Tudo isto vai contribuir para a própria imagem da escola, pois a biblioteca escolar/centro de recursos tem como principal missão criar e manter nas crianças e jovens hábitos de leitura e, ao mesmo tempo, de aprendizagem. Como afirma ainda a estudiosa Jaquelina Laureano Duarte:

“A biblioteca escolar […] possibilita o acompanhamento do aluno nas suas escolhas, podendo o professor responsável e os outros professores que aí colaboram proceder a uma mediação do acto de ler. Não basta facultar os materiais de leitura para despertar o gosto, há que proceder a um acompanhamento, daqui a importância que assume o serviço de referência numa biblioteca.”22

Todo este processo de mediação, que é de extrema importância, também se destina aos professores, pois eles também necessitam de orientação e ajuda visto desconhecerem a totalidade da literatura produzida. A estudiosa Maria Helena Frias Espírito Santo também partilha da mesma ideia, pois a biblioteca escolar/centro de recursos, através desta atitude mediadora, “procura” potenciais utilizadores promovendo várias estratégias de marketing passando pelas atividades que aí são projetadas, como por exemplo: a imagem do livro; a organização da própria biblioteca escolar/centro de recursos, etc., nunca esquecendo o seu importante papel pedagógico. A biblioteca escolar/centro de recursos passa a ser encarada como um espaço de intimidade, de reflexão, de sossego e, ao mesmo tempo, de convívio facilitando a compreensão de toda a comunidade escolar da importância dos hábitos de leitura e do próprio ato de ler. Jamais poderemos esquecer que este espaço, de extrema importância para a escola, é o local ideal para aceder a qualquer tipo de informação de uma forma democrática possibilitando todos os alunos a acederem aos diversos suportes e, particularmente, às novas tecnologias de informação e comunicação, permitindo também o acesso atualizado e diário com a leitura de revistas e jornais. Este tipo de leitura informal

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poderá incentivar os utilizadores a visitarem o espaço, mesmo que por curtos períodos de tempo, instituindo hábitos de consulta.

Concordamos plenamente com a ideia sugerida por Jaquelina Laureano Duarte quando afirma que a biblioteca escolar/centro de recursos é um espaço ideal onde toda a comunidade escolar pode usufruir da leitura em todas as suas dimensões: informativa; formativa, lúdica; utilitária e comunicativa. Por conseguinte, não só a escola, mas também o Governo têm como obrigação promover a importância do papel da leitura. Para que isso aconteça é importante a existência de uma boa e eficiente rede de bibliotecas escolares.

1.3 – O papel da família

Como vem sendo sugerido ao longo deste capítulo, o enraizamento dos hábitos de leitura é um processo muito moroso e que deve iniciar-se na primeira infância, muito antes da aprendizagem formal da leitura. Daí o papel da família ser de extrema importância, pois os pais são considerados os modelos ideais para as crianças, que muitas vezes imitam as suas ações e os seus comportamentos. Os pais são os principais mediadores para a criação de hábitos de leitura.

Sendo assim, o contacto com o ato de ler é essencial, contudo nem sempre existe um ambiente envolvente propício para que o processo de leitura seja desenvolvido. Deste modo, o papel dos pais, em particular, e de toda a família, em geral, é de extrema importância para o desenvolvimento do gosto pelas estórias que os livros contêm, contribuindo para que haja uma aprendizagem mais eficaz da leitura, da escrita e da língua portuguesa. Como salienta Manuel António Esteves:

“A leitura depende em larga escala do encorajamento e do exemplo fornecido pelos pais. Mais, os pais estimulam a leitura dos filhos, dando-lhes livros, levando-os a bibliotecas e livrarias, ajudando-os a escolher os livros, ou seja, é importante que os pais mantenham a estimulação à leitura dos filhos, não bastando dá-la quando as crianças são pequenas. Parece, pois, importante o papel dos pais no processo de leitura.”23

Parece ser um facto garantido que o processo de contar estórias é importante para o desenvolvimento das capacidades leitoras e intelectuais das crianças, pois é em casa que elas são educadas e têm mais liberdade em escolher os livros que querem ler,

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não estando condicionadas às exigências, por exemplo, das escolas, bibliotecas escolares/centro de recursos, bibliotecas públicas, entre outras. Deste modo, as crianças irão aprender a interpretar as estórias contidas nos livros de diversas formas e entender o valor e o significado de cada palavra, pois mais tarde, quando as usar irá certamente melhorar as suas aptidões linguísticas.

Quando os pais leem uma estória aos seus filhos estão, simplesmente, a ler, praticando, deste modo, o ato de leitura. Tendo em consideração este contexto, a leitura é um momento de partilha e intimidade entre o adulto e a criança. A cumplicidade deste momento é de extrema importância para que a criança reconheça que é necessário criar hábitos de leitura. Deste modo, os livros passam a ser os objetos mediadores entre a criança e o adulto, mas mais tarde são as estórias que irão ter o papel principal, pois começam por ser interiorizadas pelas crianças até que estas sejam capazes de ler. Mesmo antes de saber descodificar a escrita a criança é considerada um leitor ativo que é capaz de transformar e criticar. É neste momento decisivo que a criança inicia a sua aprendizagem adquirindo as suas capacidades leitoras. Sendo assim, o objetivo dos pais (complementando o papel dos profissionais de informação e dos educadores) é proporcionar às crianças a experiência de manterem uma relação com as personagens das estórias que lhes são contadas, visto as crianças se identificarem com elas.

Os pais são a chave para o desenvolvimento das capacidades leitoras dos seus filhos, pois lendo para as crianças faz com que estes fiquem incentivados para a leitura ao longo da vida. Esta partilha de leituras entre pais e filhos vão ajudá-los a compreender os seus objetivos e, ao mesmo tempo, a interessarem-se mais pelas atividades escolares dos mesmos. É essencial que os pais incentivem a leitura através da compra de livros, visitas a bibliotecas; livrarias; feiras do livro.

Concluindo este capítulo, é importante reforçar a ideia de que a escola deverá estar sempre aberta e disponível ao diálogo entre os alunos e as suas famílias, professores e professores bibliotecários participando ativamente na promoção dos hábitos de leitura.

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2 – O PAPEL DA BIBLIOTECA ESCOLAR/CENTRO DE RECURSOS

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