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Conclusions and further research

Os dados foram inseridos em uma matriz e a associação entre a ocorrência e dominância de bambus com as diversas variáveis consideradas foi verificada pelo teste do Qui-quadrado, realizado no programa SAS (SAS, 2002). Adicionalmente, dados observacionais referentes a 4 anos de monitoramento das áreas e informações resultantes dos demais Capítulos foram considerados para a discussão dos resultados.

5.3 Resultados

De modo geral, o tratamento estatístico adotado não demonstrou haver associações diretas entre as variáveis, com o teste do Qui-quadrado sendo significativo apenas na relação entre bambus e as classes de uso da terra de 1962. Assim, com base no conjunto amostral, realizou-se também a contextualização dos ambientes de ocorrência preferencial dos pontos de campo, a partir da análise da freqüência destes em cada variável, visando embasar a discussão sobre a distribuição dessas florestas com bambus.

Inicialmente, dos 140 pontos de campo, 98 são referentes à área amostral 01 e 42 à área amostral 02. Na área amostral 01, em 53 pontos foram observados bambus, sendo 33 referentes à ocorrência dominante de taquaruçu apenas (22) ou associado à outra espécie de bambu (11). Os

taquarapoca (01) e ocorrência de caraça (07), taquarapoca (02) e taquaruçu (04). Na área amostral 02, apenas 03 pontos possuem ocorrência dominante de taquaruçu, 03 com ocorrência de taquaruçu e 02 com ocorrência de taquarapoca. Os 140 pontos serão relacionados ao seu ambiente independente da área amostral, considerando apenas dominância (43), ocorrência (18) ou ausência (79) de bambus, também independente da espécie.

Em relação as variáveis ambientais, considerando as classes de pedologia, grande parte dos pontos de campo com domínio de bambus ocorre em solo C (24) e NL (11), contudo, estes são os mesmos relacionados aos pontos de ausência de bambus, com 28 e 31 pontos respectivamente. Considerando a litologia, 48 pontos de domínio de bambus ocorrem nas classes de F (29) e MM (11), sendo que a ausência de bambus ocorre preferencialmente na classe MMQ (32) e F (26). Para as unidades de geomorfologia, 21 dos pontos de dominância estão na classe 221 e 17 na classe 114, enquanto que 50 dos pontos de ausência estão na classe 221. Esses resultados estão apresentados de acordo com a legenda da Metodologia.

Para as variáveis climáticas, considerando que foram utilizadas as médias por área amostral, os pontos de dominância estão, em sua maioria (40), na região com temperatura de verão entre 20 e 21º C e de inverno entre 14 e 15º C, com precipitação entre 1550 e 1600 mm. Os pontos de ausência de bambus estão tanto na região com temperatura de verão entre 20 e 21º C e de inverno entre 14 e 15º C, com precipitação entre 1550 e 1600 mm (45) como na região com temperatura de verão entre 15 e 16 º C e de inverno entre 21 e 22 º C, com precipitação entre 1700 e 1750 mm (34).

Para os dados topográficos, também associados à área amostral, os pontos sem dominância de bambus ocorrem em altitudes menores que 300 m (22), entre 300 e 600 m (21) e maior que 600 m(36) e declividades menores que 10º (31), entre 10 e 20º (30) e maior que 20º (18). Os pontos com dominância de bambus ocorrem em altitudes menores que 300 m (03), entre 300 e 600 m (06) e maior que 600 m (34) e declividades menores que 10º (09), entre 10 e 20º (20) e maiores que 20º (14).

Em relação à distância dos pontos aos vetores, as áreas com bambus estão a <100 m (27), entre 100 e 400 m (13) e > 400 m (3) das estradas, a <100 m (19), entre 100 e 400 m (23) e > 400 m (1) da drenagem e a <500 m (2), entre 500 e 1000 m (14), entre 1000 e 2000 m (15) e > 2000 m (12) dos núcleos. As áreas sem bambus estão a <100 m (38), entre 100 e 400 m (40) e > 400 m (1)

das estradas, a <100 m (39), entre 100 e 400 m (37) e > 400 m (3) da drenagem e a <500 m (11), entre 500 e 1000 m (15), entre 1000 e 2000 m (29) e > 2000 m (24) dos núcleos.

Para as variáveis históricas, como comentado, apenas a relação entre bambus e as classes de uso da terra de 1962 mostrou ser significativa. Com base no o conjunto amostral, observou-se que, independente da data das fotos aéreas, as áreas com bambus ocorrem na classes 4 predominantemente (Figura 5.1), considerando-se que na interpretação visual de fotos aéreas, 203 diferentes seqüências de classes foram mapeadas, sendo que 32 foram contempladas no levantamento de campo. Destas 32 seqüências, 20 continham classes 1,2 ou 3 nas 3 datas iniciais da interpretação, ou seja, no período até 1981, mais relacionado às atividades de perturbação.

Figura 5.1 - Seqüências de classes das fotos aéreas com respectivos valores totais referentes à dominância (DB), ocorrência (OB) e ausência de bambus (AB)

Para estes dados históricos, a dificuldade foi, além de analisar a relação do bambu com as classes de cada ano, analisar a relação das classes considerando o aspecto temporal, ou seja, a dependência entre as classes das diferentes datas. Dessa forma, foi realizada uma análise de tendência, sendo a dominância ou ausência de bambus resultado da seqüência de classes. Nessa análise ficou novamente evidente a relação da ocorrência de bambus com a classe 4 da interpretação das fotos aéreas, independente do ano analisado, porém com alguns dados pontuais demonstrando a possível conversão de áreas antropizadas para floresta com bambus, bem como a situação estável das florestas sem bambus no período analisado, como pode ser observado nos exemplos da Figura 5.2. to tal 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 11 14 12 23 13 34 21 13 22 13 22 34 23 44 24 43 24 44 24 45 25 44 31 13 31 34 32 33 32 34 33 33 33 34 33 44 34 44 35 44 43 34 44 43 44 44 44 45 51 11 52 34 53 44 54 44 54 55 55 44 55 54 55 55 AB OB DB Seqüência

Figura 5.2 – Gráficos da análise de tendência considerando as classes de cobertura da terra por data de foto, para as situações resultantes de dominância de taquaruçu e taquarapoca (a), dominância de caraça (b), dominância de taquarapoca (c), dominância de criciúma (d), dominância de taquaruçu (e) e ausência de bambu (f)

5.4 Discussão

De acordo com os dados discutidos no Capítulo 3, com a caracterização da vegetação do PEI e os dados observacionais nos 4 anos de Projeto, as florestas com bambus concentram-se na região entre a Sede, bases Carmo e Alecrim, com ocorrências em direção as bases São Pedro e Funil. Nessa extensa área, a variabilidade, tanto de solos, quanto de geomorfologia, não parecem caracterizar a dominância de bambus, como foi demonstrado nas análises.

Considerando apenas o trecho da área amostral 01, entre a Sede e Base Carmo, é possível observar no mapeamento detalhado realizado com a imagem QuickBird no Capítulo 4, a distribuição das manchas de bambus formando um mosaico na paisagem juntamente com áreas de floresta sem bambus. A delimitação dessas manchas não parece estar condicionada às variáveis ambientais, sendo nessa região associadas, predominantemente, aos neossolos litólicos e as serras e morros altos com topos aguçado da unidade de morros e escarpas das Serras do Mar e

(a) (b)

(c) (d)

Paranapiacaba (SÃO PAULO, 2008). Mesmo quando consideradas as duas áreas amostrais, distintas em relação à dominância de bambus, não há um padrão de solos, ou de unidades geomorfológicas, que caracterize essas paisagens, delimitando bordas das manchas, como foi observado em algumas situações no Acre (VIDALENC, 2000).

Da mesma forma, não foi observado um padrão entre a distribuição de bambus e os dados climáticos, altamente relacionados com a topografia das duas áreas amostrais. Apesar dessa paisagem com bambus estar distribuída de forma predominante na área 01, o mesmo padrão foi observado em trecho da área 02, na região da Base Funil principalmente, com características climáticas e topográficas distintas da região da Sede.

Apesar da não associação direta entre os dados climáticos e topográficos e dominância de bambus, esses fatores possivelmente interferem nas fenofases dessas plantas, como observado no PEI para G. tagoara, cujo ciclo reprodutivo teve início nas altitudes mais elevadas, em direção as regiões mais baixas, reportando as ondas de florescimento relatadas por Nelson et al. (2006) na região Amazônica e por Franklin (2004) na Austrália Adicionalmente, parâmetros climáticos e topográficos são bases de modelos de ocorrência de espécies, como o mapa de distribuição geográfica potencial do G. tagoara para o Brasil, baseado em dados de precipitação, temperatura e altitude (Araujo, dados não publicados), que se mostrou coerente ao apresentado por Bystriakova et al. (2004). Contudo, as diferenças climáticas e topográficas entre as duas áreas amostrais nessa escala de trabalho, não apresentaram restrição à ocorrência das espécies G.

tagoara e C. oxylepis, que, conforme discutido no Capítulo 3, estão presentes tanto na região da

Sede quanto na Base Funil.

Assim, enquanto as variáveis ambientais são comumente empregadas na delimitação dos nichos ecológicos de espécies, as variáveis históricas, relacionadas às diferentes formas de perturbação, seriam possíveis desencadeadoras do processo de dominância de espécies já inseridas naturalmente nesse ambiente florestal. O domínio por bambus é frequentemente associado às áreas de florestas perturbadas (CAMPANELLO, 2004; JUDZIEWICZ et al., 1999), sendo possivelmente o caso do PEI, que possui histórico intenso de corte raso da vegetação para atividades de agricultura. De acordo com os dados levantados neste trabalho, as áreas com domínio de bambus são as mesmas citadas por antigos moradores e identificadas em fotos aéreas históricas com maior foco de perturbação no período anterior à criação do Parque.

vegetação natural a partir de usos agrícolas rotacionais, podem apresentar, em função da relação entre o tempo de pousio e de plantio, um equilíbrio dinâmico, com manutenção da composição das unidades de uso e cobertura ao longo do tempo (METZGER 2003). Contudo, para Nascimento (1994), que analisou a vegetação próxima da sede de Intervales, o uso intenso do solo no passado resulta na necessidade de um intervalo maior de tempo para o desenvolvimento de cada estágio sucessional, a despeito da distância da fonte de propágulos. Assim, no PEI, o período de pousio na área pós colheita seria propício para a colonização por espécies de hábito agressivo, como é o caso do bambu, de ocorrência natural nessa região de Mata Atlântica (RIZZINI, 1979). Para Fantini e Guries (2000), uma das conseqüências da grande alteração antrópica que esse bioma sofreu é a disseminação de espécies que apresentam alto potencial para se tornarem invasivas quando em condições propícias para a dispersão e crescimento, como é o caso das clareiras abertas, onde os bambus seriam competidores das espécies pioneiras, agindo muitas vezes como inibidores destas (TABARELLI; MANTOVANI, 1999).

O sistema de corte e queima empregado nas atividades de roça também poderia interferir no processo de regeneração dessas áreas. Nos campos de altitude em Minas Gerais e Rio de Janeiro, Safford (2001) observou a regeneração rápida da vegetação pós-incêndio, especialmente de arbustos e bambus, com a maioria dessas espécies sobrevivendo ao incêndio.

Se considerarmos as classes referentes às atividades antropicas, ou seja, classes 1,2 e 3 das 3 datas iniciais de fotos aéreas, aproximadamente 1500 ha se converteram em classe 4 em 2000, cujas áreas estão associadas à ocorrência dominante de bambus atualmente, demonstradas nos exemplos dos resultados da Figura 5.2. Adicionalmente, considerando a tendência de conversão das classes 1, 2 e 3 em classe 4, e a distribuição dessa mesma classe espacialmente associada às áreas identificadas como de maior atividade antrópica no passado, na região entre a Sede, Carmo e Alecrim, essa classe 4 poderia ser reflexo de intervenções anteriores ao período analisado no Capítulo 2. De modo similar, das mesmas classes 1,2 e 3 das 3 datas iniciais de fotos aéreas, 20 % delas foram convertidas em florestas com bambus, de acordo com o mapeamento realizado para a área em comum com a imagem QuickBird.

Adicionalmente a essas perturbações de corte raso da floresta realizado para as atividades de roça, o PEI passou por um período de intensa atividade de exploração de palmito, durante a década de 70 e início dos anos 80. Essa atividade, apesar de não ter sido mapeada, pela resolução

espacial e temporal das fotos aéreas e pela própria distribuição difusa da exploração, ocasionou alterações na vegetação do PEI, especialmente na época da fábrica, como discutido no Capítulo 2, em que foi formada uma frente de trabalho de aproximadamente 100 pessoas para retirada em larga escala dessa espécie. Com a retirada do palmito indiscriminadamente, sem manejo, como foi relatado por antigos funcionários, há alteração da estrutura da vegetação, com abertura de pequenas clareiras contíguas, alterando a luminosidade no interior da floresta. No Acre, a espécie de bambu é favorecida por modificações causadas ao ambiente florestal, sendo que a abertura do dossel proporciona uma maior abundância de colmos de bambus considerando o nível populacional (SMITH, 2000).

No Parque Estadual Carlos Botelho, vizinho de Intervales, o mesmo padrão de ocorrência dominante, principalmente de G. tagoara, foi observado (ARAUJO, et al., 2006; LIMA et al.; 2007). Nessas áreas, não há sinais evidentes de perturbações como grandes deslizes de terra ou similares às atividades de roça de Intervales, conforme análises realizadas com fotos aéreas históricas de 1962 e 1981 (observação pessoal), contudo, esse Parque também possui histórico de exploração intensa de palmito. Para Fantini e Guries (2000), G. tagoara é encontrado em alta densidade onde houve grande extração de madeira.

No PEI, especificamente na região entre a Sede e São Pedro, de acordo ainda com relatos de antigos funcionários, a retirada do palmito ocorreu concomitantemente à abertura da estrada que liga essas bases no início da década de 80. Assim, de modo similar às clareiras abertas para atividades de roça, essas áreas seriam ambientes propícios para o estabelecimento de bambus. A distribuição atual das manchas de florestas com bambus ao longo do trajeto entre a base do Carmo e São Pedro, que não estão associadas à perturbação por atividades de roça, conforme o histórico de fotos aéreas, reforça essa possibilidade.

Outro fator de perturbação discutido no Capítulo 2 foi a geada de 1975, que impactou intensamente a vegetação da região do PEI, bem como culturas agrícolas daquela região (LACATIVA, 1983). De acordo com os antigos moradores, extensas áreas de floresta ficaram com aspecto de queimado, abrindo assim, grandes clareiras. Contudo, segundo as informações levantadas, a geada afetou predominantemente a região da Sede ao Carmo, sendo de menor impacto no Alecrim e praticamente nulo na região de Saibadela, corroborando Lacativa (1983), que apontou faixas entre 500 e 800 m acima do nível do mar como pontos de concentração de geada. Além disso, afetou principalmente as áreas de baixada, ou seja, as mesmas áreas mais

frágeis. Não houve um consenso entre os antigos moradores se após a geada o bambu permaneceu ou aumentou, porém, considerando que eventos reprodutivos de G.tagora e C.oxylepis ocorrem após período do inverno, conforme observações em campo, deve-se considerar a possibilidade dessas plantas terem persistido após a geada e estendido sua área de ocupação. A adaptação a condições adversas é frequentemente observada nessas plantas, como relatado por Vidalenc (2000), em que Guadua weberbaueri permanece verde durante toda a estação seca, ao contrário das gramíneas herbáceas que coocorrem nas áreas desmatadas, possivelmente em função de seu sistema radicular mais desenvolvido.

De acordo com o mapeamento realizado a partir das fotos aéreas, observa-se a distribuição da classe 4, referente à floresta perturbada, predominantemente na região entre a Sede, Carmo e Alecrim. De toda a área mapeada do PEI, aproximadamente 1000 ha são referentes às áreas associadas à classe 4 em todas as datas analisadas. Considerando que nessa região não há variabilidade ambiental evidente que justifique a ocorrência de fisionomia florestal distinta, e considerando também a relação existente entre a classe 4 do mapeamento das fotos aéreas e a ocorrência dominante de bambus no período atual, independente da data analisada, é possível inferir sobre uma possível ocupação histórica por bambus, ou uma área propensa a ser ocupada, com essas plantas distribuídas no sub-bosque e sub-dossel dessa floresta perturbada, como foi observado em campo para algumas espécies. Antigos funcionários e moradores da região confirmam a presença dessas florestas com bambus desde a década de 50, mas divergem sobre a extensão e dominância dessa formação.

De 1962 a 2000 houve acréscimo da área associada à classe 4, sendo parte referente à conversão da classe 5, de floresta não perturbada, para esta de floresta perturbada, ou seja, a classe 4, com possível ocupação histórica por bambus, estaria em constante dinâmica associada à presença dessas plantas, relacionada a possíveis episódios de expansão e retração de manchas de bambus em relação à vegetação. No Capítulo 3 foram descritos os ciclos de diferentes espécies de bambus se sobrepondo ou intercalando, resultando em uma dinâmica florestal particular, com alterações na paisagem em função da dominância dessas espécies.

Na área mapeada como bambus na imagem QuickBird, apresentada no Capítulo 4, as clareiras identificadas como internamente sincronizadas possuem tamanhos entre 15 e 30 ha, predominantemente, consideradas grandes em relação a outros estudos. Lima (2007) delimitou

clareiras em campo, associando as maiores, com 1,1 e 1,7 ha, à presença dominante de bambus, enquanto Martins et al. (2004) descreveu clareiras abertas após morte de bambus com dimensões entre 35 m2 a 454 m2 (0,0035 a 0,0454 ha), com a maioria considerada pequena, ou menor que 100 m2.

Apesar do produto de alta-resolução, a imagem QuickBird poderia estar mascarando descontinuidades das manchas nessa área do PEI, com a ocorrência de muitas clareiras pequenas contíguas, ocasionando o mapeamento apresentado. Contudo, em campo são observadas extensas áreas abertas após a mortalidade maciça da população de bambus, o que dificultaria a dispersão de propágulos, possibilitando novamente a colonização da área aberta por essas plantas, e aumentando o efeito de borda da floresta sem bambus, fragilizando essa vegetação, e abrindo possibilidades da expansão da floresta com bambus. Devido ao hábito escalador dessas plantas, formando uma rede de colmos em torno das árvores remanescentes, em áreas com bambus a queda de um indivíduo arbóreo precipitaria a queda maciça de outros, ocasionando o efeito dominó, típico de florestas com lianas (JUDZIEWICZ et al., 1999).

Por outro lado, como a maioria dos bambus são plantas florestais, são vulneráveis a desflorestamento, com essa vulnerabilidade aumentando em função dos ciclos de floração simultâneos e conseqüente morte da população (BYSTRIAKOVA et al., 2004), com possível retração dessa vegetação e alteração da dimensão de suas bordas.

Como comentado, os eventos de perturbação seriam possíveis desencadeadores do processo de dominância dos bambus já inseridos no ambiente, assim, devem ser considerados os fatores bióticos associados ao próprio processo de estabelecimento e permanência dessas plantas. Enquanto a abertura de clareiras é um evento mantenedor da dinâmica florestal (BROKAW, 1987), com a cicatrização ocorrendo a partir de uma seqüência de sucessões, o estabelecimento dominante e permanente dos bambus acarretaria em alterações no processo de colonização.

A rápida taxa de crescimento e a reprodução clonal das espécies de bambu desempenham um importante papel na estrutura e regeneração florestal (GRISCOM; ASHTON, 2003). Segundo Tabarelli & Mantovani (1999), nas clareiras com mais de 30% de cobertura de bambu, a densidade e a diversidade de pioneiras é menor. Para esses autores, a altura do dossel adjacente e a cobertura de bambu funcionam como barreiras à chegada de luz solar direta ao chão das clareiras, podendo afetar a germinação, o crescimento e a sobrevivências das pioneiras.

espécies. No PEI, na fisionomia de floresta com bambus, independente da espécie dominante, o padrão estrutural encontrado é caracterizado por dossel descontínuo e baixa densidade de indivíduos arbóreos de médio e grande porte. Ambas as espécies dominantes parecem ocasionar alterações no micro-clima da floresta, que refletem na dinâmica sucessional, interferindo, consequentemente, na diversidade local.

No caso específico de G. tagoara, uma das espécies dominantes nesse período do Projeto, em levantamento realizado em uma parcela permanente de 10 ha no Parque Estadual de Carlos Botelho, vizinho ao PEI, foram encontradas 158 espécies em ambiente com bambu e 206 espécies em ambiente sem dominância desse bambu, com diferença mais pronunciada considerando plantas jovens, sendo que o hábito escandente (trepador) dessa espécie causa danos físicos aos indivíduos, especialmente para classes de DAP > 5cm (LIMA et al., 2007). Nessa mesma área, G.

tagoara exerceu influência negativa sobre estabelecimento de plântulas, tanto do ponto de vista

qualitativo como quantitativo, exceto para Euterpe edulis (ROTHER, 2006).

O processo de regeneração após o estágio de floração é um período importante para a manutenção da população de bambus, especialmente para as espécies monocárpicas com hábitos de floração maciça (MAKITA, 1998), como o caso de G. tagoara. Para esta espécie, a regeneração por sementes durante e após o ciclo reprodutivo gera um denso banco de plântulas (ARAUJO et al., 2007), que persiste no sub-bosque por longo tempo (ver JUDZIEWICZ et al., 1999), desencadeando o processo de estabelecimento dominante com abertura de clareiras, muitas vezes geradas a partir da mortalidade da própria população anteriormente estabelecida, reiniciando o ciclo de dominância. As perturbações no dossel resultariam tanto no aumento de recursos para recrutamento de plântulas quanto no favorecimento de novos clones (BYSTRIAKOVA et al., 2004).

A combinação do rizoma paquimórfico de espaçadores longos com a plasticidade morfológica e o rápido crescimento dos colmos de G. tagoara permite classificar sua forma de crescimento clonal como uma integração das estratégias falangeal e guerrilheira, conferindo um grande potencial de crescimento oportunista (TERRA, 2007). A delimitação das manchas com bambus na imagem QuickBird, associadas predominantemente a presença de G. tagoara e C.

se expandiriam lentamente de forma agregada, conforme características de rizomas paquimórficos.

De modo geral, a distribuição das florestas com bambus do PEI parece estar condicionada aos vetores de perturbação considerados neste trabalho. Assim, com base no conjunto de dados apresentados neste documento, propõe-se um modelo conceitual preliminar de ocorrência dominante de bambus no Contínuo Ecológico de Paranapiacaba, baseado na associação de fatores de perturbação (Figura 5.4).

Figura 5.4 - Modelo conceitual de dominância de bambus no Contínuo Ecológico de Paranapiacaba; as espessuras das