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As aulas 2 e 3 seguiram a mesma temática da aula 1, ou seja, a variação linguística na língua portuguesa. Tais aulas foram geminadas, daí a escolha por descrevê-las e analisá-las conjuntamente.

A CLP começou a aula 2 perguntando aos alunos o que eles haviam entendido do vídeo da aula anterior. Após respostas negativas acerca da compreensão, ela retomou o assunto e focou na problemática da língua informal e formal, dando exemplos de cada caso. A docente, para suscitar a participação da turma, perguntou aos alunos se as pessoas se comunicam da mesma forma; estes responderam que não: eles relataram, por exemplo, que no WhatsApp escreviam diferente. A docente deteve-se às explicações da linguagem formal e informal, exemplificando com alguns contextos de uso, tais como: entrevista de emprego, internet, igreja. Após essas explicações e retomada do assunto da aula anterior, a professora trabalhou a leitura teórica do assunto no livro didático.

Posteriormente, ao abrirem os alunos o livro na página indicada, a professora pediu para alguém se predispor a ler o texto, o qual versava sobre a variedade padrão da língua; ninguém quis ler, a professora, então, perguntava a alguns alunos em específico se poderiam ler, mas a resposta era negativa, até que uma aluna se predispôs. Algo deve ser observado: os alunos quase nunca queriam ler os textos, principalmente quando a prática era em voz alta.

A aluna que leu o trecho indicado pausava constantemente sua leitura, revelando não a dominar, atentando, essencialmente, para a oralização, leitura de palavra por palavra, descuidando, assim, o sentido; o segundo e terceiro alunos ao lerem também tiveram os mesmos equívocos, especialmente quanto à translineação. Nesse momento, após o término da leitura pela discente, a professora explicou o que aquele trecho informava. Mais uma vez não se fomentou a autonomia do discente, não se questionou sobre o tema do parágrafo lido, não se vinculou às questões sociais para a fomentação do letramento crítico, por exemplo.

A leitura dos conteúdos teóricos é bastante feita em voz alta na escola. Muitos professores, principalmente os de língua, enfocam os textos do cotidiano ou literário para compreensão textual. Os trechos de explicações de conteúdos formais também devem constar nesse rol de possibilidades; são por eles que os alunos têm acesso ao conhecimento formal da maioria das

disciplinas, é o livro didático, em especial, que veicula esses tipos de textos, de modo que os docentes, por sua parte, precisam atentar para o fomento da compreensão textual. Trabalhar o entendimento das questões que tratam sobre o tema nos textos teóricos é de suma importância; não se sugere ler trechos e, em seguida, explicá-los: é necessário problematizá-los, relacioná-los aos conhecimentos prévios dos alunos, a fim de que, de forma autônoma, estes possam acessar os sentidos do texto, aprendendo a ler.

A partir dos exemplos dados pela CLP, alguns alunos emitiam sua opinião, questionavam à professora sobre alguns usos, davam outros exemplos de linguagem formal e informal; a professora aproveitava esses momentos para expandir a compreensão do assunto a partir do conhecimento dado pelos alunos, bem como introduzir novos conceitos e diferenciá-los ao mesmo tempo: norma padrão, variedade padrão e norma de prestígio.

Para uma exemplificação do discurso escrito na norma padrão da língua portuguesa, no livro didático havia uma entrevista dada por uma socióloga. Segundo a professora, a norma padrão é escrever, falar corretamente. Porém, quais as características de um texto escrito corretamente? Após a leitura, a docente não promoveu a compreensão e análise do texto lido, tampouco aprofundou suas características formais e discursivas, esta apenas as comentou através da explicação que seguia ao texto, o qual versava sobre o preconceito ao homem do campo, um adequado mote para trabalhar outros preconceitos: o linguístico, por exemplo. No entanto, a professora somente elucidou que aquele texto estava de acordo com os postulados da norma padrão. Para concluir a aula e verificar o aprendizado dos conceitos, a professora leu um texto de uma conversação entre um pai e um filho. Nessa atividade, não houve a ativação do conhecimento prévio, tampouco trabalho com hipóteses e antecipação do conteúdo e características do escrito. Através desse trabalho, de maneira inevitável os alunos poderiam inferir, por meio de seus conhecimentos de mundo, o tipo de linguagem que, comumente, permeia uma conversa entre pai e filho; não houve, por exemplo, questionamentos sobre questões socioculturais insertadas no discurso e na situação comunicativa. Após a leitura, a professora, mais uma vez, explicou o texto, apresentando, aos alunos, as repostas que estes, através de sua autonomia, poderiam chegar com sua orientação.

Na aula 3, houve, de maneira mais intensa, o trabalho com o livro didático. As atividades passadas eram sobre o tema que se estava estudando. Nesse momento, a professora apenas orientou os alunos quando havia alguma dúvida. Na seção destinada à avaliação do material didático, nos dedicaremosàs questões propostas nesta aula, avaliando sua relação com o fomento dos multiletramentos e, em especial, com o letramento visual.

Estas aulas, assim como a anterior, estavam orientadas pelas concepções linguística e psicolinguística da leitura. Com determinados textos a CLP ativou, de modo sutil e tímido, os conhecimentos prévios dos alunos, no entanto não fomentou hipóteses, corroborando, assim, para o não tratamento do falseamento ou afirmação de ideias que emanariam dos discentes. Em outros momentos, a concepção instaurada revelou-se linguística, posto que havia apenas a leitura de trechos teóricos e textos de exemplificação, como se o significado fosse único e est ivesse encerrado naqueles escritos. Em nenhum momento, igualmente, houve o trabalho com os multiletramentos, com o letramento visual nestas aulas.

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