O trabalhador em contexto de trabalho, age influenciado, não só pelas condições da situação de trabalho, como pelo espaço físico, ou pelo sistema técnico e/ou organizacional, mas também, e de modo determinante, pelas suas condições de vida.
A evidência de haver menos estudos nesta área, quando, por exemplo, comparados com os fatores físicos, não lhe atribui menos valor, antes pelo contrário, devido à sua diversidade, conferiremos um campo mais alargado a este item.
62 Como já referimos, atualmente denomina-se Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
63 Jornal Diário de Notícias, disponível em: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id= 2380078&page=-1 Consultado em 10 de novembro de 2013.
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As disfunções do foro psicossomático, a perda de autoestima, problemas familiares e de enquadramento socioprofissional (Caetano & Vala, 2002 citado por Sousa, 2005), apresentam-se como fatores de risco no contexto profissional, produto dos mesmos, contudo, invisíveis. Segundo Assunção (2003), citado por Sousa (2005), “os resultados que o trabalho
apresenta sobre a nossa saúde, são maioritariamente silenciosos e não apreendidos pelo
saber estritamente médico”. Referimo-nos, em concreto, ao gueto onde podemos encontrar
os fatores de risco também denominados psicossociais (Sousa, 2005, p. 47).
Segundo a OIT (2007), a vida dos trabalhadores europeus (genericamente) está a mudar a um ritmo cada vez mais acelerado e é cada vez maior o número de pessoas que sofrem de stresse. A prova disso é que em 2020 o stresse será, previsivelmente, a principal causa de incapacidade global, no entanto, a violência associada à intimidação no local de trabalho suscitam cada vez mais preocupações. Embora afete todas as profissões e setores de atividade, é mais comum nos setores da saúde e dos serviços, podendo levar à perda da autoestima, a ansiedade, a depressão e até mesmo em última instância, ao suicídio (Amaro, 2012, p. 10).
Citamos, a título de exemplo, um inquérito inserido num estudo literário sobre riscos psicossociais que a Agência Europeia (2007), através do Observatório Europeu dos Riscos realizou para ajudar a “antecipar o conhecimento dos riscos novos e emergentes”, e, no respetivo relatório, elencou os 10 fatores de risco mais importantes identificados nos inquéritos (Figura 9), por ordem descendente (Amaro, 2012, p. 10). Por outro lado, o mesmo documento ora referido, revela que os riscos psicossociais são frequentemente resultantes não só de transformações técnicas ou organizacionais, mas também de transformações socioeconómicas, demográficas e políticas incluindo o atual fenómeno da globalização. Os dez principais fatores de risco - ditos psicossociais, atrás identificados pelos peritos, podem agrupar-se,64 nas cinco áreas seguintes: novas formas de contratos de trabalho e insegurança
no emprego; a mão-de-obra em envelhecimento; intensificação do trabalho; exigências emocionais elevadas no trabalho e a difícil conciliação entre a vida profissional e a vida privada.65 Destes, salientamos a mão-de-obra envelhecida, que é referida pelo Centro
Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional, numa nota informativa, nos seguintes termos: “em 2060, só haverá duas pessoas em idade ativa (faixa dos 15-64 anos)
64 Como descrito pela revista Facts n.º 74/2007.
65 O relatório completo intitulado “Expert forecast on emerging psychosocial risks related to occupational
safety and health” está disponível no site da OSHA e foi consultado em 10 de novembro de 2013, disponível
FATORES DE RISCO NO PATRULHAMENTO DA GNR EM AMBIENTE OPERACIONAL |53| por cada pessoa com mais de 65 anos, na União Europeia. Este rácio é atualmente de quatro para um. Os efeitos do envelhecimento da população já estão a fazer-se sentir no mercado de trabalho. Parte significativa das gerações que nasceram nas décadas de 1950 e 1960 estará reformada daqui a uma ou duas décadas.” (2013, p. 1)
Referimos, ainda, outro risco que apesar de não estar apontado no Quadro II, se assume como de elevada importância, aos dias de hoje. Referimo-nos ao stresse, que é causado pelos mais diversos fatores, e surge quando um profissional percebe que não consegue lidar com as exigências impostas que trazem ameaça ao seu bem-estar, pois “todo
aquele que tem uma profissão conhece a tensão que se gera entre o trabalho e a vida
pessoal” (Grun, 2005, p. 5, citado por Amaro 2012, p. 8). Segundo o mesmo autor, existem
outros agentes organizacionais, que são, também eles, potenciadores de estados de stresse, como por exemplo a carga burocrática hoje exigida às Instituições; o medo de conflitos e a falta de instrumentos adequados de gestão relacional para os resolver, a falta de reconhecimento pelo trabalho, e estruturas físicas desajustadas (2012, p. 8). Magalhães (1999) aponta que os sintomas mais frequentes em trabalhadores que sofreram sessões de gestão de stresse são a insónia, dores de cabeça, no pescoço, costas, palpitações, fadiga irritabilidade, baixa concentração, diminuição da autoestima e ansiedade.
4,56% 4,38% 4,25% 4,25% 4,19% 4,13% 4,07% 4,06% 4,00% 4,00% Contratos precários no contexto de um mercado de trabalho instável Maior vulnerabilidade dos trabalhadores no contexto da globalização Novas formas de contratos de trabalho Sentimento de insegurança no emprego Mão-de-obra em envelhecimento Horários de trabalho longos Intensificação do trabalho Fraca produção e externalização Exigências emocionais elevadas no trabalho Dificil conciliação entre vida profissional e a vida privada
Fonte: Amaro, 2013 (Elaborado a partir da AESST, n.º 74,/2007).
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Na figura 7 podemos observar alguns fatores, que podem influenciar os níveis de stresse, mas que constituem segundo o autor, fatores de risco psicossociais.
Intimamente ligado ao stresse, outro fator de risco que devemos considerar, segundo diversos autores, é o burnout (Amaro, 2012, p. 8). Sendo inclusive designado como o termo mais adequado para caracterizar a resposta ao stresse laboral, uma vez que este se refere a uma síndrome com características associadas ao esgotamento e à exaustão em resposta ao stresse profissional (Silveira et al. Citado por Costa, 2011, p. 37).
No entendimento de Duarte (2012, p. 20), o Burnout é formado por três dimensões relacionadas, mas independentes. A exaustão que consiste no desgaste emocional e físico, caraterizado pela falta de energia e entusiasmo, a frustração e tensão; o sentimento de perda de realização profissional, autoavaliação negativa em relação ao seu trabalho, a exaustão e, por último, a diminuição de energia pessoal, são considerados como os sintomas nucleares. Salienta-se que, cada causa e sintoma, dependem das características da pessoa e das circunstâncias em que esta se encontre, colocado que o grau e as manifestações são diferentes de caso para caso (Benevides & Pereira, 2001, Citado por Costa, 2011 p. 34).