A história, os princípios, a construção e a revisão da Classificação da Biblioteca do Congresso são tratados nas subseções que seguem.
4.5.1 História
A Library of Congress (LC), a Biblioteca do Congresso foi fundada por ato do Congresso americano em janeiro de 1802 (com uma coleção de 740 livros adquiridos pelo Senador Samuel Dexter nos anos anteriores) e, em abril, o
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bibliotecário John Beckley estava apto a publicar o primeiro catálogo, no qual o arranjo das estantes era por tamanho.
Em 1812, uma abordagem de assunto foi aplicada pela primeira vez à coleção, a classificação usada sendo a da Library Company of Philadelphia, uma biblioteca de pesquisa independente. Essa classificação baseou-se numa adaptação do sistema de Bacon, usado na Encyclopédie de Diderot e d’Alembert. A LC usava somente 18 das 31 classes principais da Philadelphia, e cada classe de livros era subdividida por tamanho e arranjada alfabeticamente. Em 1814, a LC foi incendiada pelos britânicos e a maioria da coleção perdida. Thomas Jefferson oferece ao Congresso a sua coleção organizada por um sistema próprio de 44 classes principais, novamente embasada na classificação de Bacon/d’Alembert e em 1815, o Congresso compra a coleção. O desenvolvimento da Library of Congress Classification (LCC), Classificação da Biblioteca do Congresso pode ser traçado desde o final do século XIX, mais precisamente a partir de 1897, quando se começou a discutir um plano de reorganização de todo o acervo da LC, tendo em vista a construção da nova biblioteca. Em 1899, Herbert Putman (novo bibliotecário da LC) e equipe, encarregados do projeto, consideraram a adoção de um novo esquema classificatório, já que na época estavam disponíveis sistemas classificatórios bibliográficos, em adição a esquemas filosóficos, como o de Bacon. Os esquemas considerados foram: Classificação Decimal de Dewey, Classificação Expansiva de Cutter e o Esquema Halle de Hartwig (Hartwig’s Halle Schema utilizado na biblioteca da universidade alemã de Halle). Dessas diferentes possibilidades, a Classificação Expansiva de Cutter foi escolhida por ser a mais apropriada para as necessidades do Congresso e porque Cutter mostrou mais disposição do que os outros dois compiladores a fazer modificações em seu sistema para acomodar a Library of Congress. A CDD foi rejeitada sob o argumento de que era um ‘sistema limitado e feito para acomodar a notação, e não a notação se acomodar à classificação’. Em 1901, uma decisão é tomada e o objetivo inicial é mudado de “encontrar a melhor solução para a coleção e não criar uma nova classificação” para “desenvolver um novo sistema de classificação especificamente para a LC”. Está claro, um século mais tarde, que a Classificação Expansiva teve uma considerável influência no novo esquema - principalmente na ordem das classes - e que a nova classificação teve ampla difusão (BROUGHTON, 2004, p. 144).
concebida para uma biblioteca única184, sem expectativa de vir a ser usada em qualquer outra. Entretanto, desde as guerras mundiais, principalmente desde a Segunda Guerra Mundial, muitas bibliotecas americanas decidiram mudar para a LCC, alegando a sua crescente popularidade entre bibliotecas universitárias e de colleges. Um forte fator na decisão de adaptar as suas coleções a uma nova classificação foi também a possibilidade de fazer uso do serviço de fichas da LC, evitando o trabalho de recatalogação dos livros nas diferentes bibliotecas. Houve um esforço para mostrar que a mudança se justificava não só pelo aspecto prático dos custos, mas também por ser teoricamente aceitável e rigorosa. Com o tempo, transformou-se num dos três esquemas dominantes no mundo ocidental. A fragilidade do esquema está na carência de alguma conexão maior entre as classes; não há facetas comuns nem índice geral. Isso costuma ser superado pelo bibliotecário, que usa a Lista de Cabeçalhos de Assunto da LC, uma prática frequentemente inevitável, porém não muito segura.
A LCC é mais aplicada a grandes coleções de bibliotecas universitárias e nacionais, ainda que ela seja a escolha preferida de inúmeras bibliotecas públicas ou escolares, principalmente nos Estados Unidos, sendo largamente utilizada nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Grã-Bretanha.
4.5.2 Princípios
É difícil discernir qualquer princípio teórico na LCC, a despeito dela apresentar algumas características distintas: é única, por ser uma classificação desenvolvida, tendo somente uma coleção em mente e é fundamentada na maior coleção de livros do mundo. É evidente que ela não almeja uma organização sistemática do saber. Pretende, tão somente, ser uma ferramenta para uma organização prática das obras da LC - primazia da prática sobre a sistematização. A sua estrutura é ditada pela organização da biblioteca e não por considerações teóricas. Esse aspecto pragmático retoma o ideário de Dewey. Isso significa que, na LCC, as considerações são em relação a grupos de livros e não a grupos de assuntos, ou seja, existe a primazia dos livros sobre as disciplinas. Tal fato é visível na construção das tabelas da LCC. A ordem alfabética é usada excessivamente, o
que é um reflexo da preocupação americana com palavras em oposição à
classificação de conceitos (relembrando a corrente do nominalismo), e é uma
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A LC, biblioteca que congrega dois grandes objetivos: ser a Biblioteca Nacional e a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.
desvantagem particularmente no uso de tecnologias. A LCC está frequentemente mais preocupada com localização nas estantes e não com classificação ou recuperação de informação.
4.5.3 Construção
O esquema segue, aproximadamente, as classes principais de Cutter, exceto para Artes, que se encontra no meio do esquema em vez de no fim. Pouca atenção é dada à ordem das classes principais, visto que a LC é completamente departamentalizada. Cada classe é trabalhada separadamente, a vantagem é que o esquema acomoda bem literatura de imaginação (ficção) e as necessidades potenciais de usuários; boa para grandes bibliotecas com poderosas coleções.
Observa-se que as críticas, os problemas de construção e necessidades de adaptação para muitas bibliotecas que têm adotado a LCC são irrelevantes para a LC, tendo em vista que o esquema foi concebido para determinada biblioteca.
A LCC conta com 21 classes principais, que vão de A a Z (quadro 34), e a sequência de ordenação da LC, iniciada pelas Humanidades, seguida das Ciências Sociais, reflete naturalmente a sua origem de especialidade em legislação e áreas afins. Quando a LC incorporou a coleção pessoal do presidente Thomas Jefferson depois do incêndio, expandiu o seu acervo para Artes, Ciência e Tecnologia.
A General Works
B Philosophy, Psychology. Religion C Auxiliary Sciences of History
D History (General) and History of Europe E History: America (General)
F History: America (EE.UU)
G Geography. Anthropology. Recreation
H Social Sciences
J Political Science
K Law L Education M Music and Books on Music
N Fine Arts
P Language and Literature
Q Science R Medicine S Agriculture T Technology U Military Science V Naval Science
Z Bibliography. Library Science. Information Resources (General).
QUADRO 34 - CLASSES PRINCIPAIS DA CLASSIFICAÇÃO DA BIBLIOTECA DO CONGRESSO FONTE: Batley (2005, p. 60-69).
Segundo vários autores, entre eles Maniez (1993, p. 114), Penna (1960, p. 174), San Segundo Manuel (1996, p. 93) e Serrai (1977, p. 281), a LCC é efetiva, expansiva e permite grande atualização. Porém, as suas classes, desde a sua criação, estão impregnadas de valores, conceitos e tópicos americanos (o que coloca os Estados Unidos no centro do universo185); ela é pouco sistemática e o seu esquema enumerativo resulta em rigidez e falta de hospitalidade. O sistema está composto de classificações específicas para cada matéria e, entre elas, não existe conexão. A independência de cada grupo temático geral é grande, pois, desde o projeto primitivo, equipes especializadas trabalham isoladamente (o que explica o fraco grau de inter-relacionamaento entre classes) e publicam suas tabelas de modo totalmente independente. As várias classes do esquema devem ser consideradas separadamente, como um esquema individual, mas com a ampla garantia literária
(literary warrant) de todos. Assim, um assunto (disciplina, classe) pode estar sendo
publicado em sua décima edição, enquanto outros estariam em suas terceiras ou quartas edições.
Cabe frisar que não se trata de um sistema classificatório conjunto e unitário; ao contrário, é um conjunto ou série de classificações amplas e especiais, que não constituem, em consequência, um compêndio de disciplinas do conhecimento, ou seja, o sistema é composto de classificações específicas para cada disciplina, entre as quais não existem interconexões. Inclusive as divisões (de forma), que trazem de modo subjacente a noção de faceta e de categoria, são próprias de cada classe, o que torna o esquema muito volumoso.
4.5.4 Revisão
A Cataloging Services Division da LC é responsável pela manutenção e administração geral da classificação, sendo uma enorme publicação multi-volumes - volumes individuais que são atualizados quando necessário. Em 2002, surgiu a Classweb, uma versão online da LCC, que convive com a versão impressa. Alterações e adições à classificação são documentadas no Cataloging Services Bulletin e incorporadas na Classweb (http://www.loc.gov).
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