pode ver abaixo:
Ana:
Compras na cantina da escola (2ª a 6ª feira) __________ 2,00 por dia = 10,00 Ônibus para a escola (2ª a 6ª feira) ida e volta_ ___________3,50 x 5 = 17,50 Saída aos sábados com as amigas _____________________________ 15,00 Algumas compras na semana _________________________________ 15,00 Cinema no domingo ________________________________________10,00 Carlos:
Compras na cantina da escola (2ª a 6ª feira) __________ 3,00 por dia = 15,00 Ônibus para a escola (2ª a 6ª feira) ida e volta ____________3,50 x 5 = 17,50 Balas e doces (3 vezes por semana) _____________________2,00 x 3 = 6,00 Saída aos sábados com a turma ________________________________10,00 Aluguel de videogame _______________________________________ 8,00 A partir destas informações, responda:
a) O dinheiro que Ana e Carlos receberão de mesada será suficiente para seus gastos durante o mês, considerando que todas as semanas eles gastam a mesma quantia?
b) Que corte nos gastos semanais você sugere que deveria ser feito para eles gastarem apenas o que ganham de mesada? Faça as contas.
c) Quantos reais os irmãos economizariam se na ida e na volta da escola eles fossem a pé com a mãe de seu amigo Tiago, que mora na casa ao lado da sua?
Fonte: Campos, 2012, p.75-76.
A tarefa sugere que Carlos e Ana são irmãos e recebem uma mesada. O valor não é suficiente para as despesas, o problema a ser resolvido envolve a análise e a tomada de decisão sobre cortes no orçamento. Uma das características desta tarefa é que os estudantes podem tomar diferentes decisões, fato que contribui para criar vários caminhos de resolução.
Destacamos ainda que os dados são apresentados propositalmente em unidades de tempo diferentes, isto é, as despesas de Carlos e Ana foram calculadas semanalmente, mas eles recebem um valor mensal para seus gastos pessoais.
Nas outras três tarefas apresentadas em Campos (2012) continuamos discutindo as tomadas de decisões de Carlos e Ana. Na segunda tarefa intitulada Fazendo Economia os alunos são convidados a efetuar novos cortes no orçamento com o objetivo de poupar parte da renda para uma compra futura e na terceira, que recebeu o título Grande Ideia, discutimos a possibilidade de aumentar a renda. Finalmente, na tarefa Fazendo o próprio orçamento, solicitamos aos estudantes que desenvolvam seu próprio orçamento.
As tarefas presentes em Vital (2014) foram aplicadas a alunos do 8º ano do Ensino Fundamental e foram criadas com o intuito de abordar na sala de aula uma temática presente no cotidiano das famílias de todos os alunos: a inflação de preços.
A primeira das sete tarefas tem como objetivo introduzir o tema inflação de preços a partir do que os alunos podem dizer sobre o tema, ou seja, somente com o que eles vivenciam no dia a dia.
Quadro 2: Tarefa 1
Tarefa 1: Pergunta disparadora. Inflação de Preços
As tarefas a seguir têm como objetivo esclarecer o que é inflação e como ela influencia na nossa vida, da nossa família e de nosso país.
Antes de começar nossas leituras, gostaria de saber o que você sabe dizer sobre inflação de preços.
Campos, Vital e Silva 99
A segunda tarefa tem como objetivo expor a definição de inflação de preços e, principalmente, verificar nas falas dos alunos as diferentes interpretações em relação ao texto e questionamentos apresentados. Para isso, decidimos realizar poucas intervenções durante a aplicação dessas duas primeiras tarefas.
Quadro 3: Tarefa 2
Tarefa 2: O que é inflação de preços?
A inflação de preços ou simplesmente inflação é o processo de aumento contínuo e generalizado de preços dos bens e serviços negociados em um país. Contínuo porque o aumento dos preços ocorre ao longo de meses, anos e até décadas. Generalizado porque ele acontece no preço da maioria dos bens e serviços, tais como, alimentos, automóveis, aluguéis, passagens de ônibus, gasolina, cafezinho e pão francês. Estas duas características são importantes para se dizer que houve inflação.
Para discutir:
Considerando o texto anterior, responda:
a) Se há um aumento de preços num dado mês por algum motivo e há estabilidade de preços nos meses seguintes, podemos caracterizar inflação?
b) Se apenas os preços das hortaliças e frutas aumentam num período do ano enquanto o preço da maioria dos demais produtos permanece inalterado, podemos caracterizar inflação?
Fonte: Vital, 2014, p.57
As primeiras intervenções foram realizadas nos encontros seguintes, após realizarmos uma análise da produção escrita dos alunos. A partir deste momento apresentamos a terceira e a quarta tarefas que discutem, respectivamente, as causas e as consequências da inflação.
Na quinta tarefa propomos aos alunos analisar os efeitos da inflação sobre o ganho mensal de um trabalhador e, para refletir sobre todos os pontos discutidos até aqui, propomos na sexta tarefa situações cotidianas de famílias que vivem num cenário econômico de hiperinflação e de famílias que vivem numa situação oposta, ou seja, a inflação se encontra sobre controle.
Para a concretização da última tarefa os alunos deveriam realizar uma pesquisa sobre o que foi debatido nos encontros anteriores e, para isso, incitamos a realização de uma reflexão com alguns membros da família que provavelmente sentiram no dia a dia as consequências da hiperinflação no Brasil nas décadas de 1980 e início da década de 1990. Diante destas considerações, a dinâmica de nosso workshop poderá ser concebida a partir de três momentos principais. Inicialmente, discutiremos a importância do desenvolvimento de materiais didáticos para o tratamento da Educação Financeira Escolar na Matemática da Educação Básica. Na sequência, apresentaremos as tarefas e solicitaremos aos participantes que busquem resolvê-las procurando soluções que poderiam ser apresentadas por um estudante da Educação Básica. Finalmente, ao compartilharmos as soluções apresentadas, delimitaremos e discutiremos características destas tarefas que as tornam diferentes dos exercícios tradicionalmente apresentados aos estudantes em aulas de Matemática.
100 Campos, Vital e Silva
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A perspectiva de inserção da Educação Financeira no ambiente escolar abre um novo campo de pesquisa para os educadores.
Neste texto buscamos discutir que os materiais a serem utilizados por professores são um dos aspectos centrais desta proposta. Nossa perspectiva é contribuir para que os estudantes desenvolvam estratégias para resolver situações financeiras do cotidiano e refletir sobre as tomadas de decisões operando com orçamento, planejamento e gestão financeira.
As tarefas apresentadas neste texto são parte do processo. Entendemos que os temas abordados devem ser retomados ao longo do processo de ensino por meio de novas tarefas com grau crescente de complexidade. Nosso objetivo, como pode ser percebido, não é oferecer apenas informações aos estudantes, mas problematizar situações visando contribuir para que o estudante amplie suas reflexões sobre as tomadas de decisões financeiras.
Destacamos que se trata de um material a ser utilizado não apenas no momento de uma pesquisa. Esperamos que professores possam aplicá-las em situações cotidianas de sala de aula ou mesmo tomá-las como sugestão para elaboração de novas propostas.
REFERÊNCIAS
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introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto Editora.
Campos, M. B. (2012) Educação Financeira na Matemática do Ensino Fundamental:
uma análise da produção de significados. 179p. Dissertação (Mestrado em
Educação Matemática). Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora. Cóser Filho, M. S. (2008) Aprendizagem de Matemática Financeira no Ensino Médio:
uma proposta de trabalho a partir de planilhas eletrônicas. 135p. Dissertação
(Mestrado em Ensino de Matemática) Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
Gravina, R. C. (2014) Educação Financeira Escolar: orçamento doméstico. 130p. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática). Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora.
Lins, R. C. (1999) Por que discutir teoria do conhecimento é relevante para a Educação Matemática. In: Bicudo, M. A. V. (org.), 75-94. Pesquisa em Educação
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Lins, R. C. (2008) A diferença como oportunidade para aprender. In: XIV ENDIPE
Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino, Trajetórias e processos de ensinar e aprender: sujeitos, currículos e culturas. vol. 3, 530-550, Porto Alegre:
EdiPUCRS.
Lins, R. C. O (2012) Modelo dos Campos Semânticos: Estabelecimentos e notas de teorizações. In: Angelo, C. L. et al. (orgs.), 11-30. Modelo dos campos semânticos
Campos, Vital e Silva 101
Novaes, R. C. N. (2009) Uma abordagem visual para o Ensino de Matemática
Financeira no Ensino Médio. 205p. Dissertação (Mestrado em Ensino de
Matemática). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
Silva, A. M. (2013) Sobre a dinâmica da produção de significados para a matemática.
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Silva, A. M. & Powell, A. B. (2013) Um programa de Educação Financeira para a Matemática Escolar da Educaão Básica. In: XI ENEM Encontro Nacional de
Educação Matemática. Curitiba.
Vital, M. C. (2014) Educação Financeira e Educação Matemática: Inflação de Preços. 199p. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática). Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora.
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