atenção Vasconcelos e Gomes (2012), nas décadas de 1991 e 2010, os níveis da taxa de mortalidade infantil caíram para 16,2 óbitos de menores de um ano por 1000 nascidos vivos e a expectativa de vida ao nascer ultrapassou 70 anos, chegando a 73,5 anos em 2010. E como consequência da diminuição do ritmo de crescimento populacional (de 2,5% entre 1970 e 1980 e de 1,2% entre 2000 e 2010), o tempo para se duplicar o tamanho da população aumentou para 40 anos (VASCONCELOS; GOMES, 2012).
5.4.1 Representação espacial das taxas de mortalidade e do índice regional de mortalidade
Todos os mapas que se encontram no presente trabalho foram feitos em escalas diferentes porque as amplitudes das taxas entre os sexos são diferentes, sendo utilizada a mesma escala, em vista disso, a visualização das áreas com as taxas torna-se de difícil identificação. A Figura 5.2 ilustra espacialmente as taxas de mortalidade por DAC do Semiárido para ambos os sexos. Observando o mapa com os resultados dos homens, pode-se notar que a cor de maior intensidade (que representa as taxas entre 66,11 a 85,00 óbitos por 100.000 habitantes) foi predominante, apenas nos municípios de Minas Gerais. Os municípios dos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Piauí. Alagoas e Sergipe, que estão localizados nas áreas de cor mais clara, ficaram abaixo desses valores. No mapa das mulheres é observado que a cor predominante foi a de tonalidade mais clara (que representa o intervalo de 30,28 a 45,91 óbitos para cada 100.000 habitantes). As regiões que apresentaram valores mais elevados no caso das mulheres foram às localizadas nos municípios dos Estados de Minas Gerais e Alagoas. As taxas de mortalidade por DAC foram mais elevadas para os homens quando comparados com as das mulheres.
Figura 5.2 – Mapas das taxas da mortalidade por Doenças do Aparelho Circulatório
para os municípios do semiárido para ambos os sexos, 2010.
Fonte:Laboratório de Estudos Demográficos - LED - DE/UFPB.
O mapa da Figura 5.3 ilustra os resultados das taxas dos óbitos dos homens e das mulheres por causa de morte por Doenças Hipertensivas. Os resultados dos homens na cor escura, mostram que os municípios do Estado de Minas Gerais obtiveram resultados acima de 11,30 óbitos por 100.000 habitantes indicado que essa área é a mais preocupante em relação aos óbitos relacionados a hipertensão arterial, as demais localidades do Semiárido, representada pela cor de tonalidade mais clara ficaram abaixo desses valores. No mapa das mulheres, observou-se que os resultados mais elevados foram os dos municípios dos Estados que obtiveram valores acima dos 8,25 óbitos para cada 100.000 habitantes que foram os municípios dos Estados de Alagoas e Minas Gerais.
Figura 5.3 – Mapas das taxas da mortalidade por Doenças Hipertensivas para os
municípios do semiárido para ambos os sexos, 2010.
Fonte:Laboratório de Estudos Demográficos - LED - DE/UFPB.
A Figura 5.4 ilustra os resultados para a mortalidade por Doenças Isquêmicas do Coração para ambos os sexos. As regiões que as taxas obtiveram níveis mais elevados em relação aos homens foram as dos municípios dos Estados do RN, PB, PE e MG, todas com valores entre 21,54 e 26,00 óbitos por 100.000 habitantes do sexo masculino. No mapa das mulheres, as maiores taxas de mortalidade por essa causa foram encontradas nos municípios dos Estados do RN e de PE. As mortalidades nessas regiões ficaram no intervalo de 13,03 a 16,00 óbitos por 100.000 habitantes.
Figura 5.4 – Mapas das taxas da mortalidade por Doenças Isquêmicas do Coração para os municípios para ambos os sexos, 2010.
A Figura 5.5 ilustra os resultados para a mortalidade por Infarto Agudo do Miocárdio para ambos os sexos. Pelo observado no mapa dos homens os municípios que se encontram nos Estados do RN, PB, PE, PI, AL e MG obtiveram as maiores taxas de mortalidade por IAM ficando no intervalo de 20,51 a 25,00 óbitos por 100.000 habitantes. No mapa das mulheres, as maiores taxas ficaram no intervalo de 12,71 a 15,00 óbitos por 100.000 habitantes, e elas se encontram nos municípios que formam os Estados do RN, PE, AL e SE.
Figura 5.5 – Mapas das taxas da mortalidade por Infarto Agudo do Miocárdio para os municípios do semiárido para ambos os sexos, 2010.
Fonte:Laboratório de Estudos Demográficos - LED - DE/UFPB.
Os mapas da Figura 5.6 mostram os resultados para os óbitos dos homens e mulheres por Doenças Cerebrovasculares, a terceira mortalidade mais elevada por Doenças do Aparelho Circulatório, na região semiárida do Brasil, quando analisada como um todo e a segunda em relação às mulheres. Como observado no mapa dos resultados dos homens, as áreas de maior preocupação por esse tipo de morte são as que se localizam os municípios dos Estados de Alagoas e Minas Gerais com indicadores acima 17,96 mortes por 100.000 habitantes do sexo masculino. Como já mencionado, o mapa com os resultados das mulheres está com escala diferente da dos homens para que seja possível uma melhor visualização da espacialidade dos resultados. Como observado, os óbitos femininos foram mais elevados no intervalo de 13,68 a 20,00 óbitos por 100.000 habitantes do sexo feminino, esses valores
foram registrados nos municípios que se localizam no Estados de Alagoas, Bahia e Minas Gerais.
Figura 5.6 – Mapas das taxas da mortalidade por Doenças Cerebrovasculares para os municípios para ambos os sexos, 2010.
Fonte:Laboratório de Estudos Demográficos - LED - DE/UFPB.
A Figura 5.7 ilustra espacialmente os resultados dos Índices Regionais de Mortalidade. Através deles é feito comparações da mortalidade nos municípios do semiárido com o próprio semiárido. Valores do IRM abaixo de 1 significa que a mortalidade no município está com um nível mais baixo que a do semiárido; se maior que 1 significa que os níveis são mais elevados, o que não é bom, pois a população do semiárido é maior em relação a qualquer município que a forma; e se igual a 1 significa que não há diferença entra as taxas. As áreas representadas pela cor mais intensa indicam que os municípios dessas localidades estão com um nível mais elevado de morte por Doença do Aparelho Circulatório, quando comparadas com os resultados do semiárido indicando que foram nessas áreas que os níveis de mortalidade foram mais elevados.
Observando o mapa com o índice dos homens é notado que os municípios dos Estados do Piauí, Paraíba, Pernambuco, Minas Gerais e Alagoas foram onde os valores ficaram acima de 1, ou seja, são eles que estão aumentando os níveis da mortalidade por DAC na região do semiárido em relação aos homens. Já no mapa das mulheres, os municípios que obtiveram resultados do IRM acima de 1 foram os dos Estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Bahia e Minas Gerais,
o que mostra que nesse caso foram eles que elevaram as taxas de morte por DAC das mulheres habitantes do semiárido brasileiro.
Figura 5.7 – Mapas dos Índices Regionais da Mortalidade para os municípios para ambos os sexos, 2010.
Fonte:Laboratório de Estudos Demográficos - LED - DE/UFPB.
5.5 Resultados da regressão
Na utilização do método de regressão beta foi necessário fazer uma transformação dos valores da variável resposta que estavam em percentual, ou seja, no intervalo de 0% a 100%, e passá-las para o intervalo de 0 a 1. As variáveis foram renomeadas com a seguinte nomenclatura: Doenças do Aparelho Circulatório (doenac), Índice de Gini (indgini), Percentual de Domicílios com Banheiro e Água encanada (pdbaenc), Percentual de Domicílio com Energia Elétrica (pdenele), Esperança de Vida ao Nascer (espvidnas), IDHMRenda, IDHMEducação, Probabilidade de Sobrevivência até 60 anos (prbrev), Taxa de Fecundidade Total (taxfecu), Razão de Dependência (razdep), Taxa de Envelhecimento (tenve), Rendapercapita.
5.5.1 Análise da modelagem
No primeiro modelo gerado para o sexo masculino pela regressão beta utilizou-se as treze variáveis explicativas mais a resposta. Para escolher qual seria retirada do modelo foi observado qual das variáveis não obteve significância em
relação à variável resposta e daquelas que não tiveram significância foi retirada a de menor associação com o grupo de causas de morte por Doença do Aparelho Circulatório. A primeira variável retirada foi a Razão de Dependência com p-valor de 0,098. Adotou-se o mesmo procedimento para retirar as demais variáveis até que o modelo final resultasse com todas as variáveis significativas. Desse modo, a sequência das variáveis retiradas do modelo foi a Renda per capita (p-valor =0,813), IDHMEducação (p-valor = 0,745), Taxa de Fecundidade (p-valor =0,581), Índice de Gini (p-valor = 0,325), e Percentual de Domicílios com Banheiro e Água Encana (p- valor =0,069).
Na Tabela 5.6, são encontrados os resultados do último modelo de regressão para os homens com as seguintes variáveis significativas: Percentual de Domicílios com Energia Elétrica, Esperança de Vida ao Nascer, Probabilidade de Sobrevivência e Taxa de Envelhecimento. Para o percentual de domicílios com energia elétrica, o coeficiente angular foi igual a -0,0101. Esta magnitude indica que quanto menor o número de domicílios sem rede elétrica maior a probabilidade de um indivíduo do sexo masculino morrer no semiárido por DAC com um nível de significância de 0,05. A esperança de vida ao nascer obteve um coeficiente de 0,0311, esse valor que foi positivo indica que, quanto maior o tempo médio de vida dos homens maior é o risco de ocorrer um óbito por alguma Doença do Aparelho Circulatório, a significância desse resultado foi de 0,05. O coeficiente para a probabilidade de sobrevivência até 60 anos de -0,0389 indica que, se a sobrevivência do homem que nasce no Semiárido diminui, a mortalidade por Doença do Aparelho Circulatório se torna mais elevada. A taxa de envelhecimento quando relacionada com a mortalidade por DAC para os homens obteve um coeficiente angular de 0,0489. Desse modo, tem-se que quanto maior for a taxa de envelhecimento na região mais elevada é a probabilidade de falecer por alguma DAC, a significância foi de 0,01.
Em relação às mulheres, a primeira variável a ser retirada do modelo de regressão foi o Percentual de Domicílios com Energia Elétrica com p-valor de 0,883, na sequência foram retiradas: Razão de Dependência, Taxa de Envelhecimento, Renda per capita, Índice de Gini e Taxa de Fecundidade com os respectivos p- valores (0,883), (0,808), (0,724), (0,496) e (0,282).
As variáveis que permaneceram no modelo das mulheres foi o Percentual de Domicílios com Banheiro e Água Encana com um coeficiente angular de -0,0086, o que indicou uma associação negativa com a variável resposta, então, quanto menor
for o percentual dessa variável maior a mortalidade por DAC. Outra variável que mostrou se significante em relação à mortalidade por DAC foi o IDHMRenda com um coeficiente angular de 3,3900, e como ele foi positivo, a partir disso, conclui-se que quanto maior for o índice da renda dos habitantes do semiárido, mais elevada é a mortalidade por DAC em relação as mulheres do Semiárido.
Ainda observando a Tabela 5.6, pode-se notar que o único indicador que foi o mesmo para os modelos, ou seja, para homens e mulheres foi a Probabilidade de Sobrevivência até 60 anos, ambas com coeficiente angular negativo.
Tabela 5.6 - Coeficiente de regressão, desvio padrão e p-valor das Doenças do
Aparelho Circulatório das microrregiões do semiárido, por sexo, 2010. 7
Indicador Coeficiente
Desvio
padrão p-valor
M F M F M F
Percentual de domicílios com
rede elétrica -0,0101 -00010 -2,0070 -0,1470 0,0447* 0,8833 Esperança de vida ao nascer 0,0311 -0,0045 2,1110 -0,1600 0,0347* 0,8732 Probabilidade de
Sobrevivência até 60 anos -0,0389 -0,0281 -3,2390 -3,3830 0,0023** 0,0007*** Taxa de envelhecimento 0,0489 0,0024 2,8700 0,3530 0,0041** 0,7244 Percentual de domicílios com
banheiro e água encanada 0,0033 -0,0086 1,8210 -3,2020 0,0687 0,0014** IDHMRenda 1,6754 3,3900 0,4780 2,4670 0,6325 0,0136*
Fonte: Resultados da análise de regressão.
Nota: (*) p-valor<0,05; (**) p-valor<0,01; (***) p-valor<0,001.
A seguir são mostradas as equações, sem os interceptos e os pseudo R- quadrado3 dos modelos de regressão. Como observado, os resultados do pseudo R-
quadrado tanto do modelo dos homens quanto do modelo das mulheres foi baixo, indicando que, o modelo dos homens explicou 11,09% da ocorrência da mortalidade por DAC e o das mulheres 21,35%. Esses resultados indicam que para aumentar a capacidade de explicação dos modelos, é necessário o incremento de outras variáveis de qualidade de vida, possivelmente, em trabalhos posteriores.
Equação dos homens:
pdenele
,
espvidnas
,
prbrev
,
taxfecu
.,
doenacM 00101 00311 00389 00489
Pseudo R-quadrado = 0,1109 = 11,09%.
3 O pseudo R-quadrado é o resultado que indica o quanto o modelo explica a ocorrência da variável
Equação das mulheres:
pdbaenc
,
IDHM Renda
,
prbrev
.,
doenacF 00086 33900 00281
Pseudo R-quadrado = 0,2135 = 21,35%.
As Doenças do Aparelho Circulatório, no Brasil, constituem-se como a maior causa de mortalidade na população em geral e nos adultos (BRASIL, 2009). Os resultados do presente estudo mostram que o Semiárido segue a mesma tendência do Brasil com os resultados dos percentuais de mortalidade de 31,7% e 40,0% para homens e mulheres, respectivamente; seguido pelas causas externas para homens e neoplasias para mulheres com os valores de 16,1% e 13,4%, respectivamente.
As taxas de mortalidade, que são um importante indicador de desenvolvimento de uma determinada região, relacionam o óbito por determinada causa diretamente com o contingente populacional. Os resultados encontrados para o Semiárido revelaram níveis elevados da mortalidade por DAC apesar delas virem diminuindo no Brasil. Evidencias para esse fato podem ser encontradas na pesquisa de Mansur e Favarato (2012). Esses pesquisadores mostram que mesmo estando os níveis das taxas de mortalidade pelas Doenças do Aparelho Circulatório em ritmo decrescente ao longo do tempo, elas ainda são as mais elevadas do Brasil e demais regiões, como os dos resultados encontrados para o Semiárido.
Estudos desenvolvidos por Santos e Paes (2014) mostram que variáveis socioeconômicas estão associadas com a mortalidade por Doenças do Aparelho Circulatório. Nesse estudo, as variáveis, Percentuais de Domicílio com Banheiro e Água Encanada e Taxa de Probabilidade de Sobrevivência até 60 anos mostram-se significantes em relação à mortalidade por DAC dos homens idosos. No presente trabalho, essas mesmas variáveis apresentaram associação com a mortalidade por DAC para as mulheres e para os homens apenas a última foi significativa. Destaca- se que em Santos e Paes (2014), o grupo etário foi restrito aos idosos e para esta pesquisa foi o dos adultos.
Outros trabalhos como o de França e Paes (2008) mostram que variáveis de renda estão associadas com as causas de morte dos adultos quando motivadas pelas doenças crônico-degenerativas, a exemplo das Doenças do Aparelho Circulatório, o que dá sustentabilidade aos resultados encontrados no presente estudo em relação a variável IDHMRenda que se apresentou significante em relação a mortalidade das mulheres. No estudo de França e Paes (2008), os dados de
mortalidade não foram desagregados por sexo, como no presente trabalho, então, talvez, por esse motivo esse indicador de renda tenha sido significante em relação apenas às mulheres. O que pode significar que a mortalidade das mulheres por DAC é mais influenciada pelos níveis da renda que a mortalidade dos homens. Outros estudos mostram que em países desenvolvidos foram encontradas evidências da associação entre os níveis da mortalidade por DAC e indicadores socioeconômicos e que estudos ecológicos realizados nesses países, e também no Brasil, mostraram maior taxa de mortalidade por DAC nessas populações (ISHITANI; FRANCO; PERPETUO; FRANCO, 2006).
A pesquisa realizada por Belon e Barros (2011) mostra que na última década do século XX e nos cinco primeiros anos do novo milênio a esperança de vida ao nascer esteve associada com a mortalidade no Brasil para ambos os sexos, mas quando é observada a taxa de mortalidade por DAC foi evidenciado que quanto maior a esperança de vida maior a taxa de mortalidade por DAC. No presente estudo, verificou-se que apenas na mortalidade dos homens por DAC houve relação com a esperança de vida ao nascer e como foi observado nos resultados da pesquisa o coeficiente angular da regressão foi positivo, indicando que quanto maior for a esperança de vida maior é a probabilidade de uma pessoa vim a falecer por DAC, estando, assim, de acordo com os resultados encontrados no trabalho de Belon e Barros (2011), pelo menos em relação aos homens. Talvez pelo fato desse indicador ser global, e, com isso, a metodologia aplicada não tenha apresentado a mesma significância para a mortalidade das mulheres. Estudos de Alves e Barbosa (2010) mostraram evidencias de que a transição epidemiológica, no que se diz respeito ao envelhecimento da população brasileira, está ligada aos indicadores socioeconômicos como a taxa de envelhecimento, que no presente trabalho mostrou-se significante no que diz respeito à mortalidade dos homens em relação as DAC.
5.5.2 Analise de resíduos
Em seguida ao ajustamento do modelo é importante avaliar por meio de gráficos, se no mesmo existem pontos que podem apresentar comportamento atípico. Através dessas análises, pode-se afirmar que o modelo apresenta um bom ajuste. No Gráfico 5.1(a) dos indivíduos do sexo masculino foi mostrado que os resíduos versos os índices observados estavam bem dispersos, não mostrando
grandes distâncias entre eles o que indica não haver pontos de alavanca com comportamento atípico. O Gráfico 5.1(b) mostra o ajuste dos resíduos versos os valores preditos que também não mostrou pontos isolados dos demais. Ainda no Gráfico 5.1(c), observou-se os envelopes simulados para os resíduos das observações. O envelope simulado pode ser usado para decidir se os resíduos observados são consistentes com o modelo montado. Como mostra o gráfico 5.1(c), os resíduos encontram-se dentro dos envelopes, o que indica que o modelo está ajustado.
Gráfico 5.1 – Resíduos do modelo de regressão da mortalidade por DAC dos homens.
(a) (b)
(c) Fonte: Resultados da regressão.
Analisando o Gráfico 5.2(a) referente aos resíduos do modelo de regressão das mulheres foi observado que os pontos estão bem dispersos, indicando que eles não influenciam os resultados da regressão. O Gráfico 5.2(b) que representa o
resultado dos resíduos versos os valores preditos também mostram que os pontos estão bem distribuídos. Mas, ao se observar o Gráfico 5.2(c), pode-se notar que alguns pontos ficaram fora dos envelopes simulados, portanto, indicando que o modelo para as mulheres não estar bem ajustado nesses pontos. No entanto, como os dois gráficos anteriores satisfizeram as exigências, e para esse último, apenas alguns pontos destoaram do esperado, então foi decidido manter o modelo final com todos os pontos usados para sua obtenção.
Gráfico 5.2 – Resíduos do modelo de regressão da mortalidade por DAC das
mulheres.
(a) (b)
(c) Fonte: Resultados da regressão.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sabe-se que a mortalidade por Doenças do Aparelho Circulatório é a principal causa de óbitos no Brasil. Pelos resultados encontrados no presente estudo, o semiárido brasileiro segue esse patamar. Nesse sentido, é importante que os gestores da saúde tenham a informação não apenas dos níveis de mortalidade nas regiões que administram como, um município, microrregião ou o semiárido como um todo, mas que conheçam quais fatores estão relacionados com esse grupo de causa de óbito. Assim, estudos associados às tendências e níveis de morte por Doenças do Aparelho Circulatório (DAC), sendo ela uma causa tratável e postergável, tornam- se importantes ferramentas para o monitoramento, principalmente, em regiões como a do semiárido brasileiro, já que estudos nessa perspectiva são escassos. Essa constatação enfatiza que há necessidade de entender e fomentar o debate na viabilidade da criação de mecanismos que contribuam na/para a prevenção das DAC, de modo a possibilitar a diminuição dos seus níveis de mortalidade.
É notório que a saúde e o desenvolvimento de uma região estão relacionados à qualidade de vida do indivíduo. O aumento ou o declínio de determinado tipo de óbito estão associados a indicadores de desenvolvimento que podem contribuir na diminuição ou no aumento da mortalidade. Para verificar as possíveis relações mencionadas sobre a mortalidade por DAC, no Semiárido, fez-se necessário averiguar a qualidade dos óbitos. Pois mesmo que em estudos como o do IBGE (2009), realizados para o Brasil, tenham mostrado melhorias na qualidade dos registros de óbitos, ainda é imprescindível averiguar e corrigir os possíveis erros que os dados possam apresentar, com a finalidade de se obter indicadores mais confiáveis, e, consequentemente um melhor planejamento com bases mais sólidas para o desenvolvimento das ações voltadas para a melhoria da saúde pública.