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Conclusions and implications

In document Twitter as driver of stock price (sider 69-72)

Neste capítulo, teremos a oportunidade de discorrer sobre o percurso da pesquisa, os métodos utilizados, os estudos e autores com os quais dialogamos, além de apresentarmos os entrevistados. Pensar em um projeto de monografia e colocá-lo em prática foi um caminho um pouco árduo a trilhar, principalmente, pelo desespero de não saber o que pesquisar. Inicialmente, pensamos em algo como mídia, adolescentes e crianças, mas desistimos, devido à pequena experiência que temos com tais questões; assim, optamos por um tema com o qual temos maior contato e experiência. Gostaríamos de trazer alguma contribuição em relação à África, pois, na área de comunicação, não há muitos trabalhos sobre o tema, o que nos possibilita trazer algo diferente e de que a área precisa.

Começamos a analisar a hipótese de trazer alguma pesquisa mais concreta sobre Cabo Verde, mas o que pesquisar? Chegamos a uma primeira conclusão: deveríamos estudar sobre a saída dos estudantes cabo-verdianos para o exterior e os reflexos dessa migração para o país. Conversando com a orientadora, vimos que a pesquisa poderia ser realizada por outras áreas, pois nada indicava que se tratava de um projeto da área de comunicação social. Retomamos as leituras e contribuições de Eco (2009), quando afirma que o tema de uma monografia deve ser do interesse do pesquisador. Muitas vezes, o autor solicita ao leitor e futuro pesquisador para delimitar o tema depois de tê-lo escolhido, o que é muito importante para que o pesquisador não se perca no meio do caminho.

No processo de escolha do tema, encontramos Callon (2010); lê-lo foi de suma importância, principalmente, quando o autor comparou a sociedade com um imenso supermercado, em que todos passam pelas prateleiras cheias de mercadorias e fazem sua escolha. É praticamente assim que muitos pesquisadores se sentem, em um mercado cheio de mercadorias, sem saber o que escolher pelo vasto campo de opções. É um dos erros que o autor citou ser muito frequente nos pesquisadores, pois, às vezes, eles esquecem que se trata de uma monografia, de um único assunto, e tentam escrever sobre várias coisas ao mesmo tempo.

O livro Migraciones Transnacionales y Medios de Comunicación: relatos desde Barcelona y Porto Alegre, organizado por Denise Cogo, Maria Gutiérrez y Amparo Huertas (2008), por ser fruto de um estudo sobre migração e meios de comunicação, realizado na área de comunicação, foi de grande contribuição para esta pesquisa. Na leitura desse estudo, além de entrar em contato com alguns conceitos, também encontramos algumas noções de métodos que poderiam ser utilizados na pesquisa e no roteiro das perguntas para as entrevistas.

No inicio do livro citado, são apresentadas histórias de vida de pessoas que cruzam fronteiras, analisando-se as trajetórias de migração – de quem “deixa o lugar de nascimento” e “de quem chega ao lugar de escolha”. Numa abordagem interdisciplinar, os autores circunscreveram esse estudo na perspectiva de uma análise das trajetórias migratórias, em uma rede heterogênea configurada por distintas instituições, usos de tecnologias e saberes, entre outros componentes. Foram utilizadas como método de pesquisa as narrativas de 140 entrevistados e suas experimentações com o processo migratório, tomando-se como base a questão “Por que e como deixei meu país?”. Abordaram-se as implicações dos processos migratórios na composição das subjetividades migrantes, bem como as marcas identitárias e os processos interculturais instaurados nesses novos contextos de vivência. A perspectiva de mudança de vida emerge, praticamente, em todas as narrativas que buscam explicar os “porquês” de deixar o país de nascimento, como afirma Gorczevski et al. (2008).

Depois da visão de como poderia iniciar a pesquisa oferecida pela leitura do livro organizado por Cogo, Gutiérrez e Huertas (2008), entre outras contribuições, e dando prosseguimento ao percurso, chegamos às palavras-chave: comunicação, universidade, meios de comunicação, imigração e estudantes cabo-verdianos na Universidade Federal do Ceará (UFC). A escolha desses temas tem um significado muito importante, pois estou me formando em Comunicação Social – Jornalismo na UFC e sou imigrante e estudante de Cabo Verde em Fortaleza.

Com o interesse inicial e a grande vontade de começar a pesquisa, assim que o tema foi definido, começamos a fazer algumas perguntas exploratórias aos estudantes com os quais tínhamos alguma proximidade, para saber como era a vida deles em Fortaleza e como lidavam com a experiência de serem imigrantes. Com as perguntas exploratórias, percebemos que o campo de trabalho se achava em uma dimensão muito grande, pelo que não seria possível trabalhar, sendo a delimitação indispensável.

As conversas que estabelecemos com os estudantes proporcionaram uma proximidade maior; começamos a observar, pensar e agir de uma forma diferente, visando à pesquisa. Ficamos mais atentas a cada encontro, contato e conversa com os colegas, buscando uma forma, mesmo que inicial, de começar a esboçar a pesquisa. Dialogamos com vários africanos que já conhecíamos: uns estudam na Universidade Federal do Ceará (UFC), outros na Universidade de Fortaleza (Unifor), na Faculdade Nordeste (Fanor), entre outras instituições.

Aos poucos, foi preciso pensar e decidir com que estudantes trabalhar, para melhor delimitar a pesquisa, pois existem muitos africanos no Brasil e, mais especificamente,

em Fortaleza. Tentamos saber o número exato de estudantes no Brasil, entrando em contato com o Ministério da Educação de Cabo Verde, mas, infelizmente, não tivemos nenhum retorno da parte deles. Por saber que eles são muitos, e para poder focar melhor, escolhemos trabalhar só com os estudantes africanos que estão na UFC, por ser uma área familiar, onde poderíamos ter contato maior e mais rápido com os entrevistados; mesmo assim, as dúvidas em relação a quem escolher para trabalhar e um campo de trabalho muito aberto continuavam necessitando de uma delimitação.

Junto à Coordenadoria de Assuntos Internacionais (CAI) da UFC, pudemos saber o número exato dos estudantes africanos dentro da universidade, que corresponde ao total de 102, contemplando diversos Cursos. Os países representados por esses universitários são: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Nigéria, Quênia, República Democrática do Congo e São Tomé e Príncipe. Decidimos restringir ainda mais, optando por trabalhar somente com os estudantes cabo-verdianos, sendo eles 46, espalhados pelas diferentes áreas.

Tabela 1 - Cursos escolhidos pelos estudantes africanos:

Curso Número de estudantes

Medicina 5 Farmácia 4 Administração 4 Comunicação Social 3 Engenharia Civil 3 Arquitetura e Urbanismo 3 Engenharia Mecânica 3 Engenharia Química 3 Direito 3 Odontologia 3

Engenharia de Produção Mecânica 2

Biotecnologia 2

Ciências Econômicas 2

Engenharia Elétrica 2

Pedagogia 1

Psicologia 1 Engenharia de Teleinformática 1

Fonte: Tabela elaborada pela autora

Fazendo um mapeamento desses jovens, vimos que quase todos moram nos arredores do Campus da UFC, o que facilita o percurso entre a residência e a universidade. A maioria dos estudantes conhece uns aos outros e convive entre si sempre que possível. A média de idade desses jovens varia de 20 a 25 anos, sendo o maior número do sexo feminino (27) e 19 do sexo masculino. Dentro desse universo, esta pesquisa se restringirá a uma amostra de quatro estudantes. A seguir, são apresentados os critérios de escolha.

O recorte sobre os entrevistados levou em conta dois Cursos em especial, por não haver em Cabo Verde: Medicina e Farmácia, o número de estudantes por Curso, ficando Administração em terceiro lugar, depois da Medicina e da Farmácia, e um estudante da área de Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda. Tentamos escolher pessoas diferenciadas, não do mesmo sexo e nem da mesma área, para ter uma variedade maior de experiências e ver a relação com os meios de comunicação nos diferentes Cursos, não somente na comunicação, mas, ao mesmo tempo, ter a singularidade das experiências de cada um deles.

Depois de ter escolhido os entrevistados, gostaríamos de ressaltar que a indagação: “Como é a relação entre os cabo-verdianos e os meios de comunicação?” esteve presente nos primeiros passos do trabalho, ou seja, como eles se relacionam com os meios de comunicação depois de deixar o país de nascimento (conceito tratado no primeiro capítulo), tornando-se imigrantes e estudantes em Fortaleza? Assim sendo com o título: A relação entre Universidade, Migração e Comunicação: Um estudo com histórias de vida midiática de estudantes cabo-verdianos na Universidade Federal do Ceará . O objetivo é entender como os estudantes se relacionam com a universidade; quem são eles; o papel dos meios da comunicação na vida desses jovens; qual o uso que eles fizeram dos meios de comunicação antes da migração, durante o deslocamento e no presente momento; como os meios de comunicação deram maior visibilidade à universidade, oferecendo informações aos imigrantes universitários, contribuindo, assim, como um ponto de ligação entre os cabo-verdianos e a instituição; como se relacionam hoje com os meios de comunicação da universidade e como é o contato com as pessoas que ficaram em Cabo Verde; além de saber como acompanham as notícias do país de nascimento.

Com esses objetivos, chegamos à problemática da pesquisa e às perguntas que sustentam o trabalho: Tendo universidades, hoje, em Cabo Verde, por que muitos estudantes ainda saem para estudar fora? Como eles se relacionam com os meios de comunicação e qual foi contribuição destes no processo de imigração? Será que o contato com os meios de comunicação mudou depois da imigração? Quais as contribuições dos meios de comunicação nas vidas desses estudantes? Com que frequência acessam os meios de comunicação? Como os meios de comunicação interferem na relação dos estudantes cabo-verdianos com o país que escolhem para realizar a formação acadêmica? Como eles utilizam os meios de comunicação da universidade?

Para responder as inquietações que deram início à pesquisa e saber como eles vivem além fronteiras, tivemos como base os seguintes métodos: a história oral com a contribuição de Thompson (1992); ligada à ela está a história de vida, relacionada, posteriormente, à história de vida midiática dos estudantes, sendo esses dois últimos conceitos apresentados pela proposta metodológica de Bianchi (2008). Portanto, não poderíamos deixar de ouvi-los através das entrevistas. A pesquisa documental, a pesquisa bibliográfica e a observação também fazem parte dos métodos utilizados.

Na história oral, como havíamos mencionado, contamos com as contribuições de Thompson (1992). Segundo o autor, o método história oral é o testemunho oral fornecido por pessoas, sendo uma prática muito antiga, transmitida durante muitos anos, podendo ser em forma de testamentos, autobiografias, diários, entrevistas etc, utilizados por muitos estudiosos, particularmente, sociólogos, antropólogos e ainda por jornalistas, pois ambos escrevem história. Utilizando a evidência oral, juntamente com outras fontes, ajudam na compreensão da vida, pois partem das experiências do particular de cada indivíduo. Trata-se de um método muito antigo, utilizado até os dias de hoje; mas, segundo o autor, há a oposição à evidencia oral, já que ela se baseia muito mais em sentimentos do que em princípios:

[...], a história oral cresceu onde subsistia uma tradição de trabalho de campo dentro da própria história, como com a história política, a história operária, ou a história local, ou onde os historiadores têm entrado em contato com outras disciplinas de trabalho de campo, como sociologia, antropologia ou pesquisa sobre dialetos e folclore. (THOMPSON, 1992, p. 98).

A história oral estabelece uma relação íntima com a história de vida, pois, de acordo com Bianchi (2008), a história de vida é fortemente marcada pelas histórias, memórias, lembranças e vivências que podem ser lembradas e partilhadas, ou não, como alegrias, dores, ressentimentos, ódio, amores e dissabores. Enquanto que, na voz de Galindo Cáceres, citado por Grisa (2003), a história de vida é considerada uma “técnica” em sua

relação com o método de História Oral:

A concepção de Galindo Cáceres, citado por Grisa (2003), ao recomendar a história de vida como algo mais que um instrumento ou técnica de indagação (pois teria uma intenção cognitiva geral voltada para o social e para o cultural), inserta-a como uma opção de aprendizagem, de experiência e de comunicação que envolve dois sujeitos: o investigador e o investigado. Há um indivíduo que se aproxima do outro para conhecer sua interioridade, além do prático e do imediato. Assim, o objetivo da história de vida não se constitui apenas em conhecer os ciclos de vida de um sujeito, buscando acontecimentos interessantes neles. O processo de utilização da história de vida tem por base a ideia da reflexividade, da consciência do investigador como tal e de sua configuração de mundo. Os próprios investigadores tornam-se objetos de questionamentos e, à história de vida se impõe uma tarefa de reflexão e reconstrução da vida vivida, da experiência sintetizada. (GRISA, 2003, apud GORCZEVSKI, 2007, p. 48).

Por outro lado, a história de vida midiática é um método de natureza múltipla, sendo constituída pela abordagem de diferentes áreas, nomeadamente a história. Hoje em dia, muitas coisas nos separam uns dos outros, porém, alguns aspectos ainda nos unem. Os fatos sociais que vivenciamos constituem um dos pontos que nos unem, pois os presenciamos e acompanhamos durante o passar do tempo, constituindo, assim, parte da história das sociedades e de cada pessoa em particular. Nessas histórias diversificadas, também estão incluídas as histórias midiáticas que construímos e compartilhamos ao longo da vida. Nas trajetórias com as mídias, é necessário destacar um ponto importante, que se relaciona com sua natureza processual e inacabada, construída a cada nova escuta, leitura, acesso, assistência, agregando esses novos dados ao repertório que já dispomos, com a possibilidade de construir a nossa memória midiática e midiatizada, como lembra Bianchi (2008):

Midiática porque é a partir dos subsídios que as mídias ofertam que ela vai construindo o seu repertório, como notícias, imagens, sonoridades, personagens, elementos que fazem parte do acervo midiático. Midiatizada porque vai além do acúmulo de informações obtidas pelos meios de comunicação. O relacionamento cotidiano e em trajetória com as mídias nos capacitam, nos instruem, nos possibilitam desenvolver habilidades nesse convívio. Nessa trajetória nos tornamos hábeis e competentes para trabalharmos, na perspectiva do receptor, com as lógicas midiáticas. (BIANCHI, 2008, p. 154).

Cada pessoa tem a sua história de vida (BIANCHI, 2008), mas a história midiática acaba unindo vários seres humanos, por poderem visualizar os mesmos fatos sociais em tempo real; com a internet. Com as novas tecnologias, é possível alcançar a muitos com a mesma mensagem e, ao mesmo tempo, fazendo com que indivíduos diferentes, muitas vezes, de cultura e sociedade distintas, tenham algo em comum. Isso pode ser observado mais adiante nas entrevistas em que um único acontecimento, o atentado do dia 11 de setembro 2001, nos Estados Unidos, marcou mais de um entrevistado.

“A memória se enraíza no concreto, no espaço, gesto, imagem e objeto. A história se liga apenas às continuidades temporais, às revoluções e às relações entre as coisas” (NORA, 1984, apud BOSI, 2003, p. 16). Para Bosi (2003), a memória se alimenta de imagens, sentimentos, ideias e valores, e a memória pública tende a influenciar as consciências individuais. Tentamos trazer, nesse momento, a contribuição de Bosi (2003) em relação ao conceito de memória social e memória individual, mas não conseguimos ter acesso à obra completa. Temos outra noção de memória:

[...] como um fenômeno coletivo e social que deriva de processos seletivos (conscientes ou inconscientes) de construção em que os sujeitos articulam transformações constantes na interação com os demais sujeitos e com o mundo, incluindo as tecnologias de comunicação. A memória configura-se como um elemento constituinte das identidades culturais, concebidas como processos plurais, instáveis e ambivalentes, na medida em que a memória permite processos permanentes de (re)articulações e (re)negociações identitárias intra e inter- individuais e coletivas. (BONIN, 2006; POLLACK, 1992, apud COGO; BRIGNOL, 2010).11

Portanto, sabemos que a memória não segue uma linha reta e contínua, livre de obstáculos; ela sofre várias mutações constantemente, devido a seu caráter subjetivo e o tempo, não é favorável, deixando a memória debilitada na medida em que vai passando:

A interrelação entre processos midiáticos e memória nos permite perceber o quanto as mídias se convertem em cenários cotidianos de reconhecimento social na medida em que se encarregam de construir, expressar, oferecer e selecionar imaginários sociais relacionados a modos de ser, a expectativas, a desejos, a temores, a esperanças que aparecem (re)construídos pela memória. (COGO; BRIGNOL, 2010).12

Depois de falar da memória midiática e midiatizada, gostaríamos de trazer o conceito de cidadania comunicativa, resultado da democratização do acesso e participação dos indivíduos das diversas sociedades quanto à propriedade e à distribuição dos recursos comunicacionais, o que possibilita também aos migrantes participarem nesses processos comunicacionais, com o compartilhamento de marcas culturais. (COGO; BRIGNOL, 2010).13

Voltando um pouco mais às histórias de vida, continuamos dizendo que elas são construídas a partir do que os receptores consomem, principalmente, com o aumento considerável da centralização cada vez mais forte dos meios de comunicação entre as pessoas,

11Artigo intitulado “Recepção midiática e cidadania das migrações transnacionais em Barcelona e Porto Alegre”

publicado na Revista Signo y Pensamiento, Número 56, Ano de 2010. (Artigo sem número de páginas).

12

COGO; BRIGNOL, 2010.

Disponível em: <http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120-48232010000100014&script=sci_arttext>, Acesso em: 27 fev. 2013.

13

quer como forma de informação ou simplesmente de entretenimento, por vezes, criando a identidade de pessoas ou grupos, com a mudança das formas de ser, portar e ver as coisas ao redor, através de um mesmo fato, são criadas várias histórias, diversas formas de ver e interpretar o que se vê nos meios de comunicação.

Os meios de comunicação foram entrando na vida dos receptores, tornando-se parte da cultura da sociedade e contribuindo também para a própria formação e construção da identidade de indivíduos e de grupos. Para Sodré (2006), só é possível ter uma compreensão melhor daquilo que a midiatização faz nas sociedades em geral e nos indivíduos de uma forma particular: através do conceito de ethos. (SODRÉ, 2006, apud BIANCHI, 2008, p. 157):

O ethos, então configura uma maneira de organizar uma série de fatores que compõem o nosso cotidiano, hábitos, costumes, regras, valores, ou seja, um conjunto organizado de características construídas e articuladas no curso da própria vida dos indivíduos.

Continuando com a apresentação dos métodos, gostaríamos de falar da contribuição da pesquisa documental e da bibliográfica, sendo esta diferente da pesquisa documental, mas ressaltando que ambas são muito próximas. O que as torna diferentes é a natureza das fontes: a bibliográfica utiliza fontes seguras, reconhecidas e que já tiveram um tratamento empírico, enquanto a documental utiliza fontes que não tiveram nenhum tratamento. Com isso, ao utilizar a documental, corre-se um perigo, pois o risco de errar é bem maior, ou seja, requer-se uma análise mais cuidadosa. As duas utilizam o documento como objeto de investigação, sendo a bibliográfica uma fonte secundária, e a documental uma fonte primária, por ser a matéria bruta. A bibliográfica, por exemplo, utiliza livros publicados e reconhecidos, enquanto a pesquisa documental pode utilizar um diário de uma pessoa ou uma filmagem. Examinando suas características, ficam bem claras as diferenças entre ambas, nas palavras de Almeida et al. (2009).

A documental “[...] vale-se de documentos originais, que ainda não receberam tratamento analítico por nenhum autor. [...] é uma das técnicas decisivas para a pesquisa em ciências sociais e humanas.” (HELDER, 2006, p. 1-2, apud ALMEIDA; GUINDANI; SILVA, 2009, p. 3).

Oliveira (2007) faz uma importante distinção entre essas modalidades de pesquisa. Para essa autora a pesquisa bibliográfica é uma modalidade de estudo e análise de documentos de domínio científico tais como livros, periódicos, enciclopédias, ensaios críticos, dicionários e artigos científicos. Como característica diferenciadora

ela pontua que é um tipo de “estudo direto em fontes científicas, sem precisar recorrer diretamente aos fatos/fenômenos da realidade empírica”. Argumenta que a

principal finalidade da pesquisa bibliográfica é proporcionar aos pesquisadores e pesquisadoras o contato direto com obras, artigos ou documentos que tratem do

tema em estudo: “o mais importante para quem faz opção pela pesquisa bibliográfica

é ter a certeza de que as fontes a serem pesquisadas já são reconhecidamente do

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