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CONCLUSIONS, IMPLICATIONS AND FUTURE RESEARCH

Discutir o perfil das mulheres atendidas pelo PMM no IFMA é fundamental, pois no espaço em que a política pública se desenrola, podem-se identificar aproximações e diferenças com relação a outras localidades do país. É no contexto da prática que o sujeito universal pensado pelos documentos do PMM encontra suas multiplicidades e se conecta a um sujeito real, neste caso, mulheres de diferentes etnias, classes sociais, geracionais, arranjos familiares.

Sob essa perspectiva, os dados a seguir foram coletados a partir do roteiro de entrevista elaborado por esta pesquisadora e categorizados quanto à faixa etária para se pensar nas possibilidades de inserção produtiva das mulheres, estado civil, quantidade de filhos por indicar a necessidade de inserir a família em programas vinculados à Assistência Social e a responsabilidade pela renda da família possui destaque, porque a trajetória do PMM indica a presença de mulheres nestas condições no programa.

Optamos por não representar graficamente os dados referentes à etnia, pois a grande maioria se declarou da cor parda, mas registramos esses achados em números no texto. Cabe destacar que as questões da etnia são importantes por se constituírem marcadores sociais de in/exclusão, quando se articulam gênero e classe numa perspectiva de interseccionalidade.

A pesquisa revela os dados coletados a partir das narrativas de 15 (quinze) mulheresque participaram do PMM entre os anos de 2012 e 2013, buscando compreender o alcance do Programa no que tange à inclusão produtiva e educacional das egressas. Os dados referentes a 05 (cinco) das egressas do ano de 2014 (turma na versão PRONATEC)também foram coletados, pois se pretende analisar se a incorporação do PMM ao PRONATEC evidencia resultados diferentes das turmas dos anos de 2012 e 2013, totalizando 20 (vinte) mulheres entrevistadas.

As mulheres beneficiadas pelo PMM residem em comunidades do município de Timon consideradas periféricas e de risco social. Em sua maioria se declaram pardas, duas mulheres negras, e uma mulher se autodeclarou branca. A faixa etária se concentra entre 28 e 46 anos, que atendem à faixa etária orientada pelo Programa em âmbito nacional, já têm filhos, algumas casadas, outras, não, e com diversos níveis de escolaridade, mas com a predominância do Ensino Médio Completo. Vale destacar que 85% das mulheres são

assistidas por programa de transferência de renda, o Programa Bolsa Família (PBF), que passou a ser pré-requisito a partir da incorporação do PMM ao PRONATEC. Vejamos:

Gráfico 2 - Faixa etária das entrevistadas

Fonte: Elaborado pela pesquisadora com base no instrumental de entrevistas (2016).

O Programa Mulheres Mil é direcionado às mulheres que se encontram na faixa etária a partir dos 16 anos. Nesse sentido, as beneficiárias investigadas se enquadram nesse pré-requisito do programa, uma vez que atendem ao critério que se refere à idade. Com isso, as alunas egressas participantes da pesquisa mostram uma predominância da idade que incorpora a fase dos 31 aos 40 anos, correspondendo a 65% das alunas, seguida da faixa etária que engloba 41 a 50 anos, com um total de 20%. As beneficiárias que fazem parte do período de 21 a 30 anos reúnem 15% das alunas. Lembramos que não encontramos mulheres com menos de 18 anos participando. O percentual apresentado aponta que o PMM considera uma fase da vida mais extensa, não limitando a participação de mulheres que se enquadram em fases da vida diferentes, englobando um público de idade bem variada.

Outro aspecto analisado nessa pesquisa é o estado civil das alunas ao ingressarem no programa. Com relação ao estado civil, 70% das mulheres são casadas e 30%, solteiras. Todavia não houve relato da condição de união estável, viuvez ou divórcio.

Nesse sentido, apresentamos abaixo o gráfico que mostra os dados relativos à situação das beneficiárias.

0 2 4 6 8 10 12 14

21 a 30 anos 31 a 40 anos 41 a 50 anos

Gráfico 3 - Estado civil das interlocutoras da pesquisa

Fonte: Elaborado pela pesquisadora com base no instrumental de entrevistas (2016).

Mais um elemento analisado do perfil das participantes dessa pesquisa é a quantidade de filhos. Para tanto, o gráfico abaixo apresenta essa realidade das egressas.

Gráfico 4 - Quantidade de filhos das interlocutoras da pesquisa

Fonte: Elaborado pela pesquisadora com base no instrumental de entrevistas (2016).

As beneficiárias, ao ingressarem no programa, apresentavam um número de filhos pequeno, sendo observado um equilíbrio nos dados, em que 10% têm de 0 a 2 filhos e 40% com dois ou três filhos. Esse panorama é marcado pela redução das taxas de fertilidade,

30% 70%

Estado civil

Solteira Casada 10% 10% 40% 40%

Filhos

0 1 2 3

decréscimo da média de filhos e do número de mulheres com filhos, aumento da chefia feminina nos lares e também pode está associado à maior participação feminina na força de trabalho, indo ao encontro dos dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que mostram um declínio na quantidade de membros da família. O número de filhos por mulher caiu 26% nos últimos 14 anos no Brasil, passando de 2,39 filhos por mulher para 1,77, entre 2000 e 2013. Junto à queda na taxa de fecundidade, aumentou o percentual de mulheres sem filhos no país.

Quando questionadas sobre alteração na renda familiar mensal, depois de concluído o PMM, obteve-se o seguinte gráfico:

Gráfico 5 – Renda familiar das egressas do PMM

Fonte: Elaborado pela pesquisadora com base no instrumental de entrevistas (2016).

É importante destacar que apenas 02 (duas) das entrevistadas não participam do Programa de Transferência de Renda e que 06 (seis) das mulheres entrevistadas têm como renda mensal apenas o Benefício Bolsa Família. Os dados quanto à renda das egressas ainda revelam que as políticas públicas sociais geram efeitos apenas de caráter emergencial e compensatório, havendo um deslocamento da noção de universalidade de direitos das políticas sociais para o enfoque na pobreza. Assim, a abrangência internacional do Banco Mundial conduz não à universalização, mas ao reducionismo da concepção de universalidade.

30%

60% 10%

Renda familiar

Menos de 01 salário mínimo (PBF).

01 salário mínimo.

Afinal quem são essas mulheres? São mulheres, mães, estudantes e donas-de-casa, que chegaram aos portões do IFMA com o intuito de progredirem e reescreverem uma nova história de vida; são guerreiras de diversas idades, mas que têm em comum as mãos calejadas da luta diária; são sonhadoras que levam em suas bagagens conhecimentos práticos, adquiridos na busca pela sobrevivência no dia-a-dia. São, verdadeiramente, mulheres mil.

Apresentamos, nesse tópico, o perfil socioeconômico das egressas do PMM, com o objetivo de conhecer quem são, como vivem e em que nível se enquadra esse público no que se refere à situação social e econômica; ou seja, buscamos compreender a realidade dessa população.

O tópico seguinte revela os achados do PMM no que diz respeito às percepções do PMM do ponto de vista das egressas, sua inclusão produtiva e educacional, os quais se mesclam e revelam princípios explicativos sobre o contexto investigado.