probability events in power systems
3 CONCLUSIONS AND FUTURE WORK This paper proposes a qualitative framework for
Os testes de percepção, conforme relatado em seção anterior deste capítulo, são basicamente de dois tipos: discriminação e identificação. Os experimentos foram elaborados no Software Praat, versão 5.3.03 (BOERSMA; WEENINK, 2012) e as tarefas desenvolvidas de acordo com os modelos metodológicos apresentados em pesquisas prévias (FLEGE; MACKAY; MEADOR, 1999; FLEGE, 2003; THOMAS, 2011), com preferência para o trabalho com palavras que fazem parte da língua portuguesa, de acordo com preceitos do ASP
30 Como se trata de um recontato houve, também, o cuidado da substituição de alguns vocábulos e a inclusão
(STRANGE; SHAFER, 2008; STRANGE, 2011). Cada um dos experimentos desenvolvidos na pesquisa é descrito a seguir.
1) Teste de Discriminação (tipo AX)
A utilização deste teste no presente estudo teve por finalidade obter um diagnóstico do desempenho dos informantes no que se refere à distinção perceptual entre vogais médias abertas (/ε/, /o/) e vogais médias fechadas (/e/, /o/) em palavras que fazem parte do léxico do português. O teste, conhecido na literatura (FLEGE, 2003) como AX, consiste na apresentação de um par de estímulos aos sujeitos, os quais, após ouvirem, devem identificar se os dois estímulos são semelhantes (iguais) ou diferentes.
Para a realização do teste foram selecionados trinta pares de palavras dissílabas do português, quinze pares para cada vogal31. O informante foi solicitado a prestar atenção na realização da vogal da primeira sílaba e, com base em sua percepção, apontar se o som dessas vogais era semelhante ou diferente nas duas palavras. Quando possível, foram utilizados pares mínimos (ex.: soco – soco; sεca - seca) ou pares análogos (ex.: topo - tope; beco - bεca).
Dos quinze (15) pares selecionados, dez consideraram vogais fonéticas “diferentes” na primeira sílaba e cinco, vogais “semelhantes” na primeira sílaba. A avaliação do desempenho do grupo foi realizada com base nos pares com vogais diferentes (sogro – sogra), entretanto a inserção de pares com vogal “semelhante” na primeira sílaba, do tipo “foca – foco”, mostrou- se necessária por constituir uma forma de controle de confiança para o experimento. Dado ao fato de a tarefa envolver somente duas opções de respostas, no caso “diferente” ou “igual”, esses pares com vogal semelhante permitem diagnosticar possíveis tendências de resposta, isto é, as situações em que o informante tende a selecionar indiscriminadamente uma das opções, “igual” ou “diferente”, para todos os pares. Nesse caso, uma alta proporção de resposta “diferente” para os pares com vogal semelhante (selo - sebo), por exemplo, pode indicar uma possível tendência apresentada para tal opção de resposta pelo informante. Diante disso, o seu desempenho na discriminação de pares diferentes precisa ser avaliado com cuidado, de forma a considerar um possível viés.
Além dos quinze pares propostos, foram inseridos onze distratores, palavras com outras vogais que não foram analisadas, mas que, conforme referenciado em seção anterior32,
31 Cf. Apêndice E 32
servem para evitar que o informante venha a perceber o propósito da tarefa. Foram apresentados, então, vinte (20) pares com vogal diferente, dez (10) pares com vogal igual, e onze (11) distratores, totalizando quarenta e um (41) estímulos, com duas (2) repetições, correspondente a um total de oitenta e dois (82) estímulos. A FIG.15 a seguir ilustra a tela do experimento com as possíveis respostas.
Figura 15: Tela da tarefa de Percepção AX
Fonte : A autora - por meio do Software Praat (BOERSMA; WEENINK, 2012)
Quando apresentado aos estímulos, o participante foi incentivado a prestar atenção somente na pronúncia da vogal da primeira sílaba e a identificar se essa vogal foi “igual” (semelhante) nas duas palavras ou “diferente”. Um treinamento oferecido antes da realização do experimento, incluindo pares de palavras não utilizados na tarefa, reforçou aos sujeitos a instrução de que deveriam ignorar diferenças em outras posições da palavra (ex.: dedo - teto).
2) Teste de Identificação (1) – estímulos pré-selecionados
Este experimento teve a intenção de avaliar a habilidade dos aprendizes em identificar vogais médias do português, em contexto tônico, e estímulos produzidos variavelmente em contexto pretônico. Foram, dessa forma, incluído, no mesmo experimento tanto dados com vogais médias tônicas (cédula, pôster) quanto palavras com vogais pretônicas produzidas variavelmente (p[e]pino - p[i]pino; b[o]neca - b[u]neca). A análise, entretanto, foi conduzida separadamente para cada processo, a saber, contraste entre vogais médias e variação em sílaba pretônica.
As palavras selecionadas continham duas ou três sílabas. Os participantes foram incentivados a prestar atenção apenas na realização vocálica da primeira sílaba e, de acordo com sua percepção, indicar a vogal mais semelhante àquela que ouviu. Um treinamento
oferecido antes da tarefa orientou os informantes quanto às possibilidades de diferentes realizações para um mesmo som, em determinado contexto. Eles foram, assim, instruídos sobre o fato de que a vogal produzida não necessariamente corresponderia à vogal utilizada na grafia. Nesse sentido, seu julgamento deveria ser guiado pela sua percepção de oitiva e não pela forma ortográfica.
Os botões de resposta visualizados na tela do computador tinham como opção as sete (7) vogais do português. Não foram utilizados símbolos fonéticos e as vogais foram diferenciadas graficamente pelo acento circunflexo (^) para vogais médias fechadas (/e/, /o/) e pelo acento agudo (´) para vogais médias abertas (/ε/, /o/). Os participantes foram incentivados a marcar a vogal com o acento agudo (´) quando identificavam a vogal como aberta, e com o acento circunflexo (^) quando identificavam a vogal como fechada. Na FIG. 16 tem-se uma representação da configuração da tela do experimento.
Figura 16: Tela da tarefa de identificação
Fonte : A autora - por meio do Software Praat (BOERSMA; WEENINK, 2012)
Para compor o experimento, foram selecionadas sessenta (60) palavras com vogais médias em sílaba tônica (sede, cedula, copo, sopa) e sessenta e quatro (64) palavras com variação da vogal em sílaba pretônica (m[i]nina, b[o]lacha). Além das palavras com contraste ou variação, dados da análise, foram incluídos também alguns distratores com outras vogais (ex.: suco, cigarro, pacato). Em razão de o experimento ser longo e de as produções de vogais pretônicas serem repetidas, os estímulos foram aplicados uma única vez.
Dos sessenta (60) vocábulos selecionados com vogais médias tônicas, trinta (30) eram palavras com vogal média aberta (testa, bota) e trinta (30) eram palavras com vogal média
fechada (texto, sogro), sendo quinze (15) pares para cada vogal33. A análise foi conduzida com base nas palavras que continham vogal média aberta (cedula, fossa); no entanto, seguindo a mesma estratégia utilizada para a tarefa de discriminação AX, apresentada anteriormente, as palavras com vogais fechadas (sopa, sede), foram inseridas com vistas a dar um controle de confiabilidade ao experimento. Diante das respostas possíveis, considerando vogais tônicas, avaliou-se a possibilidade de o informante marcar indiscriminadamente vogal aberta “(é) – (ó)” ou vogal fechada “(ê) – (ô)” para todas os estímulos.
Mesmo sendo as vogais /e/ e /o/ reconhecidas facilmente por fazerem parte do sistema da língua nativa dos informantes, na expectativa de acertar e por não conhecer os contextos da L2 em que se aplicam vogais abertas ou fechadas, a tendência do aprendiz pode ser a de marcar “vogal aberta” mesmo em situações em que o estímulo é produzido com “vogal fechada”. Diante disso, faz-se necessário estar atento ao possível viés decorrente da seleção de uma única resposta.
Referente aos casos de variação, dos sessenta e quatro (64) vocábulos incluídos, trinta e dois (32) eram estímulos com produção variável da vogal média pretônica por Harmonia Vocálica, e trinta e dois (32) eram estímulos com produção variável da vogal média pretônica por Alçamento Sem Motivação Aparente. Alguns vocábulos foram repetidos, alternando a vogal produzida e também o falante.
Nesse caso, dados que tendem a ser produzidos no português variavelmente, tais como pepino e boneca, por exemplo, foram apresentados aos informantes uma vez como [p[i]pino] e [b[u]neca] e outra como [p[e]pino] e [b[o]neca]. Entretanto, em casos em que o alçamento não tende a ocorrer ou apresenta pouca recorrência (ex.: cebola / bolacha) manteve-se a pronúncia da vogal média. Em todos os casos, as vogais foram inseridas entre consoantes, ou seja, não foram considerados dados com pretônica inicial (ex.: enxada, escova), contextos em que a vogal tende a apresentar elevação categórica.
3) Teste de Identificação (2) – estímulo extraídos de fala espontânea
Este teste foi elaborado com base na literatura em Sociofonética (CLOPPER; PISONI, 2004; PRESTON; NIEDZIELSKI, 2010; THOMAS, 2002, 2011) e adaptado de acordo com as especificidades do presente estudo. Trata-se de um tipo de tarefa de identificação e tem por finalidade verificar a habilidade dos informantes em reconhecer estímulos variáveis. Para o
desenvolvimento da tarefa foram selecionados extratos de fala espontânea, geralmente frases curtas, com a palavra-alvo na última posição (ex.: eu não estudei nenhum período).
Ao ouvir a frase, o informante foi orientado a prestar atenção na produção da última palavra e clicar na opção semelhante àquela que ouviu, considerando a primeira sílaba da palavra. Duas opções foram apresentadas como possíveis respostas, uma com vogal média e outra com vogal alta. No exemplo referido “eu não estudei nenhum período”, as duas alternativas seriam “período”, “piríodo”. A FIG. 17 a seguir representa a configuração da tela do experimento, exemplificada com as duas formas, período ~ piríodo.
Figura 17: Tela da tarefa de percepção com fala espontânea
Fonte : A autora - por meio do Software Praat (BOERSMA; WEENINK, 2012)
A opção por trabalhar com fala espontânea atende à própria natureza do trabalho e tem por finalidade a representação de dados mais próximos da fala a que os informantes estão em contato em seu cotidiano. Isso implica, porém, uma limitação em relação aos contextos e ao número de vocábulos. Procurou-se selecionar o mesmo número de vocábulos para cada processo analisado, ou seja, vinte (20) para o processo de Harmonia Vocálica e vinte (20) para o processo de Alçamento Sem Motivação Aparente, contemplando as vogais /e/ e /o/. Entretanto, devido ao fato de ser o alçamento por harmonia mais recorrente em relação ao alçamento sem motivação, o número de dados produzidos com o alçamento das vogais médias varia de acordo com o processo, alçamento sem motivação ou harmonia. Quando possível, foram inseridos outros vocábulos com produção variável, e cada estímulo foi repetido por duas vezes. Da mesma forma que no experimento anterior, não foram consideradas pretônicas em contexto inicial, tais como escola, espeto, enxada.
Além desses dados, foram incluídos no experimento vocábulos com variação pretônica entre médias abertas e fechadas (ex.: mercado, mεrcado), não observadas no dialeto de Porto
Alegre, os quais tiveram apenas a função de distratores para desviar a atenção do informante com relação ao propósito da tarefa.
Ratifica-se que, na fase de treinamento, os informantes foram orientados a voltar sua atenção somente para a sílaba inicial da palavra. Como os estímulos foram extraídos de fala espontânea, por vezes, a produção variável poderia ocorrer também em outra posição da palavra, a exemplo de mosquitu. Nesses casos, procurou-se colocar, nas opções de respostas, a produção variável somente na vogal da primeira sílaba (ex.: m[o]squito, m[u]squito), e o informante foi orientado a ignorar diferenças em outras posições.