O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um indicador, que desde os anos 1990 vem sendo utilizado internacionalmente, principalmente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), - com a publicação periódica do Human Development Report - como forma de avaliar a situação social de países e regiões, através do monitoramento da evolução das condições de vida das suas populações ao longo das décadas. De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano e Condições de Vida da Região Metropolitana de Belo Horizonte, publicado em 1998, é um indicador sintético criado por um grupo de especialistas com o objetivo de substituir as medidas puramente econômicas do bem estar dos povos.
Para o cálculo do IDH é utilizado três dimensões de indicadores básicos, a longevidade (IDH-L), a educação (IDH-E) e a renda per capita (IDH-R). Para construir cada
um desses índices, é preciso, segundo o relatório acima citado, transformar os indicadores em índices, cujo os valores variam entre zero e um, de tal forma que valores mais elevados, ou seja mais próximo de um indiquem as melhores condições.
Após conhecer os índices, o valor do IDH é dado pela formula:
IDH = ((IDH-L + IDH-E +IDH-R)/3)
Para o PNUD os padrões de classificação do IDH se limitam entre os valores 0,500 e 0,800, querendo com isto dizer, que os abaixo de 0,500 são considerados de baixo desenvolvimento humano, os situados entre 0,500 e 0,800 e os acima de 0,800 são classificados de médio e alto desenvolvimento, respectivamente.
4.1.2.2 Índice Serviços Sanitários Urbanos
Apesar de que a experiência brasileira na realização de estudos na área ambiental para a formação de indicadores quantitativos e qualitativos de salubridade ambiental ser relativamente recente existe uma quantidade considerável de referências que retratam a preocupação com a situação sanitária nas diferentes regiões administrativas do Brasil.
Essa preocupação teve início nos anos de 1990, devido a consolidação em larga escala da inquietação com a problemática ambiental e também com a preocupação dos conceitos de saúde, tanto pela Organização Mundial da Saúde e também pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS), se produziram uma quantidade considerável de indicadores de qualidade ambiental e indicadores de salubridade ambiental, que tem por finalidade melhor avaliar as condições sanitárias nas diferentes cidades brasileiras. Entre elas, destaca-se o Índice de Serviços Sanitários Urbanos (ISU), desenvolvida por COSTA & MONTE MOR em 1997.
Para o cálculo do ISU toma-se como variáveis a taxa de cobertura água tratada, esgotos e serviços de coleta de lixo disponíveis aos ocupantes dos domicílios de uma unidade administrativa. Segundo COSTA & MONTE MOR (1997: 2006), “na construção do índice de
serviços sanitários parte-se do pressuposto de que, em teoria todos os domicílios deveriam ter acesso às redes de água e de esgoto, além da coleta direta e regular do lixo”.
Os índices da metodologia variam entre 0 a 100 e o valor 100 seria atingido quando uma região completamente urbanizada tivesse todos os domicílios conectados a rede geral de esgoto e água e com uma permanente coleta de lixo em toda sua área.
Na posse das variáveis, o cálculo do ISU de nível 100 (que é o desejado) seria encontrado, a partir de uma média aritmética não ponderada (Grau de atendimento sanitário (média entre atendimentos de água/esgotos e resíduos sólidos)/Domicílios urbanos ou GU) x 100 = 100.
De acordo com os autores da metodologia, quando ISU– GU3> 0 indica que o município tem uma situação sanitária acima do esperado, implicando que domicílios urbanos estão atendidos bem como parte dos rurais seriam atendidos por redes gerais de água e esgoto e coleta regular do lixo. No outro extremo, quando o ISU - GU< 0 indica uma situação pior que o esperado, ou seja, parte dos domicílios urbanos tem déficit em relação aos serviços sanitários urbanos.
4.1.3 Análise da Paisagem
Como forma de melhor entender as transformações que ocorrem na paisagem litorânea da área de estudo, foi realizada uma análise dos elementos materializados pelo “consumo” dos componentes naturais e pela introdução dos componentes considerados artificiais na área. O estudo será centrado fundamentalmente na avaliação da ocupação e do estágio de urbanização da planície costeira considerando a paisagem construída, através da análise temporal do processo em que se deu a evolução do espaço urbano de Lucena.
Para atingir o objetivo de analise das transformações paisagísticas, foram utilizados dois métodos, a classificação dos padrões de ocupação do litoral do território brasileiro segundo MACEDO (2002), e a análise da qualidade visual da paisagem proposta
3 Sendo que o grau de atendimento sanitário é o ISU e o número de domicílios urbanos é considerado como o
por PIRES (1996), além de uma análise empírica dos detratores da paisagem, considerando os danos causados ao meio ambiente.
4.1.3.1 Evolução dos Padrões de Ocupação da Paisagem
A proposta de MACEDO (op. cit.) consiste em analisar o estágio de urbanização e de consumo dos recursos naturais e paisagísticos, podendo ser classificado em quatro categorias distintas: (1) urbano rústico, caracterizado por pequenas aldeias de pescadores, que é um processo considerado, em relação à urbanização, como embrionário; (2) urbano consolidado, marcado por trechos da costa urbanizados de forma tradicional, nos quais as atividades turísticas são complementares as atividades de recreação do cotidiano urbano da cidade; (3) urbano balneário ou recreativo, caracterizado por ocupação da costa por loteamentos destinados exclusivamente para segunda residência, situados em municípios cuja atividade urbana principal está voltada para o turismo; e (4) urbano exclusivamente hoteleiro, constituída por assentamentos urbanos isolados, principalmente complexos hoteleiros.