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6 CONCLUSIONS

6.2 Conclusions

A hipótese Upstream-Downstream avançou ao comparar empresas domésticas e multinacionais em relação ao nível de endividamento. Os estudos posteriores à hipótese foram realizados considerando apenas as características no nível da firma, segregando as empresas domésticas das multinacionais. Entretanto, estes estudos não incorporaram as características dos países de origem e destino da internacionalização com a finalidade de identificar àqueles que são mais ou menos estáveis em relação ao país de origem da internacionalização.

No caso das empresas brasileiras que pretendem se expandir para outros países, se estas tivessem informações sobre os menos ou mais estáveis, poderiam deduzir as tendências do endividamento futuro com a finalidade de contribuir com a hipótese e ao mesmo tempo, com as definições estratégicas das multinacionais.

Outro ponto constatado nos trabalhos relacionados à hipótese Upstream-Downstream refere-se ao critério utilizado para classificar as empresas na condição de multinacionais. A metodologia empregada para determinar o grau de internacionalização utilizado nos trabalhos de Lee e Kwok (1988), Burgman (1996), Chen et al. (1997), Kwok e Reeb (2000), Mittoo e Zhang (2008) e Saito e Hiramoto (2010) consiste em aplicar medidas unidimensionais para medir o grau de internacionalização, tais como a proporção de receitas de exportação em relação ao total de receitas, ou a proporção de ativos no exterior em relação aos ativos totais.

Estes critérios podem ser considerados insuficientes para determinar a condição internacional da firma. Por exemplo, se uma empresa for internacionalizada por meio de uma fusão ou por meio de uma subsidiária no exterior, esta não é considerada numa amostra de estudos que utilizam como critério de internacionalização, a métrica do nível de exportação. Da mesma forma, os estudos que trabalham apenas com o critério de proporção de ativos no exterior em relação aos ativos totais, excluem aquelas empresas que se internacionalizam apenas por meio de exportação. Observa-se nestes estudos, a falta de critérios abrangentes para tratar das diferentes maneiras de se internacionalizar e assim, uniformizar as pesquisas com um critério mais condizente com a condição internacional da firma.

Os estudos no Brasil, desenvolvidos por Saito e Hiramoto (2010) empregaram como métrica do grau de internacionalização a proporção de receitas no exterior em relação às receitas totais. Conforme exposto anteriormente, este critério pode ser falho ao classificar as empresas como multinacionais, sendo que este critério multidimensional foi aplicado no estudo brasileiro por Pereira (2013). Além disso, os autores não mencionaram na pesquisa as características dos países para os quais as empresas expandiram seus negócios.

Conforme apontado por Fleury e Fleury (2011), a internacionalização consiste em um processo complexo e dinâmico, relacionado às empresas e aos países. Nesse sentido, desconsiderar as características institucionais e macroeconômicas dos países de origem e destino da internacionalização, pode trazer limitações aos estudos pelo fato de que os países são agentes importantes nesse processo.

Segundo Dunning (1993) as empresas podem escolher os países para se internacionalizar em função de características específicas que podem influenciar no seu desempenho e também no desempenho das subsidiárias. Dessa forma, observa-se que os países são agentes relevantes nesse processo e ao não considerá-los, abre-se uma lacuna teórica nos estudos de estrutura de capital de multinacionais, conforme demonstram os estudos posteriores a Kwok e Reeb (2000) que apenas validaram a hipótese em diferentes países sem apresentar contribuições teóricas e práticas. O estudo conhecido que avançou na hipótese foi Pereira (2013) ao inserir os modos de entrada nos modelos econométricos.

A partir de tais constatações este trabalho pretende, além de testar a validade da hipótese no Brasil, contribuir em dois aspectos relevantes: (a) adotar como metodologia o grau de internacionalização em sua forma multidimensional, contemplando tanto aspectos de proporção de ativos, receitas e funcionários no exterior; (b) inserir as características específicas dos países aos quais as empresas brasileiras se internacionalizaram (variabilidade institucional e macroeconômica).

A medida multidimensional do grau de internacionalização é adotada nas pesquisas da UNCTAD, nas pesquisas brasileiras realizadas anualmente pela Fundação Dom Cabral (FDC) e nas pesquisas com as transnacionais da Índia presentes no relatório Transnationality Ranking Indian Companies, (2011/2012). Este critério considera a média aritmética de três fatores: a proporção de ativos no exterior, o percentual de exportação e o percentual de funcionários no exterior. Dessa forma, entende-se que esta métrica é mais adequada para tratar da internacionalização do que as medidas unidimensionais empregadas em outros trabalhos.

Por exemplo, se as empresas brasileiras decidirem se internacionalizar para países da América do Sul, tais como Argentina e Chile, qual será o efeito sobre o endividamento? - Será upstream ou downstream? Com base nos pressupostos da teoria, a resposta para tais questionamentos será encontrada a partir da identificação de elementos que apontam para o nível estabilidade dos países. Assim, o presente estudo propõe considerar no modelo a variabilidade institucional dos países com a finalidade de avançar na teoria de Kwok e Reeb (2000) e subsidiar as multinacionais em suas definições estratégicas de internacionalização.

4 ASPECTOS METODOLÓGICOS

A pesquisa tem como finalidade encontrar respostas para questões mediante o emprego formal e sistemático do desenvolvimento de métodos científicos com o objetivo de aumentar a probabilidade de que as informações obtidas sejam aplicáveis de forma segura e imparcial (SELLTIZ et al., 1965; GIL, 2002).

Santos (2001) afirma que a pesquisa científica objetiva, em última análise, responder às necessidades humanas, embora seja uma atividade teórica, racional, deve portanto, desde o início assumir o formato de atividade intelectual planejada.

Marconi e Lakatos (2006) complementam que, tanto os métodos quanto as técnicas, devem adequar-se ao problema a ser estudado, às hipóteses levantadas e àquelas que se queira confirmar. Assim, entende-se que a pesquisa relaciona-se a um conjunto de procedimentos, indicados para solucionar um problema com fundamento em métodos racionais e ordenados.