Effects of temperature, triazole and hot-pressing on the performance of TiO 2 photoanode in a solid-state photoelectrochemical cell
7 Conclusions
A SADCC foi criada em Lusaka, durante uma reunião de Chefes de Estado e de Governo dos ELF, aos quais se juntaram o Lesoto, Suazilândia e o Malawi e o recém- independente Zimbabwe. No fim do encontro, todos eles assinaram uma declaração intitulada África Austral Rumo à Independência Económica, a qual ficou conhecida como a Declaração de Lusaka.
Subjacente à criação da SADCC estava a ideia dos estados membros de que não era possível continuar a oposição política à RAS, por via dos ELF, ao mesmo tempo que se colaborava economicamente com ela. A oposição ao regime sul-africano tinha que ser feita em todos os domínios. Assim, se os ELF eram vistos como a vertente política de combate ao apartheid, a SADCC passou a ser vista como a vertente económica. Ambas as organizações defendiam o mesmo objectivo, ou seja, o fim do apartheid. No caso da SADCC, e pese embora se apresentasse como uma organização económica, a prioridade, ao nível dos seus objectivos, era política. Embora possa parecer como uma contradição, a verdade é que os objectivos económicos da SADCC só poderiam ser alcançados se desaparecesse um grande obstáculo
229 Foi dentro dessa lógica que alguns membros, como David Smith, da Frente Rodesiana acabaram por votar, contra a vontade de Ian Smith, a favor do Acordo de Lancaster House.
Cfr. Ian Smith: The Great Betrayal. The Memoirs of Africa ‘s Most Controversial Leader, pp. 291-294. 230 A ZANU-PF venceu as eleições com 63% dos votos, obtendo 57 deputados; a ZAPU obteve 24% e 20 deputados; o UANC obteve 13% e elegeu apenas 3 deputados.
Luís Castelo Branco & Guilherme Zeverino: Portugal na Missão de Observação Eleitoral da União Europeia no Zimbabwe, p. 31.
político que era o do apartheid231. Nesse sentido, a grande prioridade da SADCC era
contribuir para a eliminação desse obstáculo.
Na Declaração de Lusaka, que serviu de documento base à nova organização, os estados signatários fizeram uma análise da situação económica da região. A libertação económica foi identificada como condição indispensável para a total libertação política.
Ao nível dos objectivos, a SADCC pretendia alcançar os seguintes232:
1. Redução da dependência económica, particularmente, mas não só em relação à RAS. 2. Criação de laços para uma genuína e equitativa integração regional.
3. Mobilização de recursos para promover a implementação das políticas nacionais, interestatais e regionais.
4. A acção concertada para garantir a cooperação internacional dentro do âmbito da estratégia de libertação económica definida.
Para além destes quatro objectivos explícitos, a SADCC tinha um quinto objectivo, este implícito, que visava o apoio aos movimentos de libertação que ainda actuavam na região, a SWAPO, o ANC e o PAC. A razão pela qual este objectivo estava implícito, prendeu-se com a necessidade de não legitimar eventuais ataques sul-africanos, os quais poderiam ser justificados por Pretória, caso existisse uma determinação explícita da SADCC em se opor ao regime político sul-africano.
Com o objectivo de quebrar a dependência face à RAS, a SADCC elaborou um programa de desenvolvimento multilateral, privilegiando o desenvolvimento do sector dos transportes e comunicações. A escolha deste sector, como prioridade máxima, deveu-se ao facto de entre os nove estados membros, seis não terem acesso ao mar233. Ao nível das trocas comerciais e por
razões de sobrevivência, os membros da SADCC tinham duas hipóteses, ou promoviam os corredores regionais234 ou utilizavam a rede de transportes da RAS, o que faria com que a sua
dependência em relação a Pretória não só não diminuísse, como acabaria por aumentar, com todos os custos políticos inerentes.
Para além dos Transportes e Comunicações, as atenções da SADCC também se concentraram noutros sectores, nomeadamente nas Relações Comerciais, Investimentos e Fluxos Migratórios, onde a dependência em relação à RAS era igualmente grande235.
231 Cfr. Luís Castelo Branco: Das Razões Políticas da SADCC às Razões Económicas da SADC, pp. 126- 129.
232 SADCC: Southern Africa: Toward Economic Liberation, p. 2. 233 Botswana; Lesoto; Malawi; Suazilândia; Zâmbia e Zimbabwe.
234 Em Angola existia o Corredor de Benguela; na Tanzânia o de Dar-es-Salaam; e em Moçambique existiam três corredores: Nacala, Beira e Maputo.
Se, do ponto de vista da solidariedade política, a criação da SADCC fez sentido, do ponto de vista económico, o seu aparecimento foi nefasto para os estados membros. A ideia de se querer avançar para a integração regional era quase utópica, não só porque excluía a potência regional, a RAS, como contava com a oposição aberta desta. Independentemente de considerações políticas, qualquer esforço de integração regional naquela altura deveria contar com a RAS, único estado da região com capacidade económica para servir de motor no esforço de integração regional.
O aparecimento da SADCC foi encarado como um claro desafio e ameaça pelas autoridades sul-africanas. Para além de ter posto em causa o projecto sul-africano da Constelação de Estados, a SADCC visava explicitamente reduzir a dependência dos seus membros face à economia sul-africana. A existência dessa dependência era considerada essencial por Pretória como forma de garantir o controlo da região. Se, através da Constelação de Estados, a RAS pretendia garantir o controlo sobre a região, com a SADCC, os estados membros pretenderam fugir a esse controlo e combater a influência sul-africana. Perante isto, a reacção sul-africana foi de clara oposição à nova Organização, a qual se traduziu numa campanha de agressão militar e desestabilização dos estados da região. Se até agora, a RAS tinha privilegiado o vector da cooperação no relacionamento com os estados da região, a partir da criação da SADCC, a RAS passou a privilegiar as acções de destabilização económica e militar.
A partir de agora, serão os militares a assumirem as orientações de política externa. Para os meios militares sul-africanos, a criação da SADCC era a prova de que a força económica sul- africana não tinha sido capaz de controlar os acontecimentos na região. Perante isto, acabou a fase da cenoura e passou-se à fase do bastão236. Esta mudança de atitude implicou a entrada
numa nova fase da ETN.