Can the dark triad predict behavior in the dictator and gangster games?
6. Conclusions and Discussion
Como complemento às leituras e ao trabalho de campo, acessamos, constantemente, informações a partir de fontes secundárias. Parte das fontes foi acessada antes mesmo da imersão em campo, servindo como material de estruturação e organização desta parte do trabalho de doutoramento. Nesse momento, anterior ao trabalho de campo, as fontes acessadas por meio da Internet foram majoritárias. Embora entendamos os possíveis riscos da utilização de informações provenientes dessa rede de informação, decorrente em especial da banalização de seu uso, consideramos importante esse instrumento de acesso complementar às informações sobre a área de pesquisa.
“Se os sites utilizados e disponibilizados forem de fonte reconhecida no meio acadêmico” (ALVES; CUSTÓDIO, 2005, p. 203), assim como no meio social, em nosso caso, nos movimentos sociais, este recurso, sem dúvida, pode contribuir com a análise científica. Nesse sentido, acessamos, inicialmente, assim como em todo o período do doutorado, os sites oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e da FUNAI (Fundação Nacional do Índio). O primeiro dispõe de dados atuais e históricos sobre a população nacional e o território rondoniense. O segundo, por sua vez, é central para o acesso aos dados da questão fundiária e agrária do país, apresentando não somente informações globais para o território brasileiro como também dados específicos relacionados ao estado rondoniense. O terceiro representou importante fonte sobre as questões indígenas do território rondoniense, pois disponibiliza informações específicas relacionadas à demarcação de reservas e situação fundiária das terras indígenas.
Para além dos sites oficiais, utilizamos também informações provenientes de Jornais Online, como: Agência Amazônica de Notícias, Resistência Camponesa e Notícias da Terra (CPT/Rondônia). Os sites dos jornais representam fontes importantes de informação, pois disponibilizam dados provenientes diretamente das áreas de conflito, apresentando a realidade antes de uma filtragem ideológica, realizada pelas mídias não-independentes. Também destacamos o Relatório DATALUTA, produzido pelo Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (NERA), na Universidade Estadual de São Paulo/Campus de
Presidente Prudente (UNESP/Presidente Prudente), sob a coordenação do Professor Bernardo Mançano Fernandes.
Durante o trabalho de campo, por outro lado, tivemos a oportunidade de acessar, em diferentes espaços, grande quantidade de informações sobre a questão da terra em Rondônia. Os arquivos do INCRA de Rondônia são valiosos, pois, antes de se tornar estado, o território rondoniense era, em larga medida, governado pelos presidentes desse instituto. Portanto, boa parcela da história da terra no estado está ali arquivada. Tivemos acesso às bases cartográficas dos projetos de colonização e dos assentamentos rurais do estado, assim como às informações sobre as políticas públicas direcionadas aos camponeses. Por outro lado, os dados jurídicos relacionados à questão agrária nos foram restringidos, o que reforça a suposição de que muitas irregularidades foram levadas a cabo no processo de colonização e regularização fundiária.
Os arquivos do CIMI/Rondônia (Conselho Indigenista Missionário/Rondônia) e CPT/Regional Rondônia (Comissão Pastoral da Terra/Regional Rondônia), por outro lado, nos foram completamente abertos. Estas organizações possuem um amplo acervo de informações sobre a questão da terra. A primeira delas tem seu arquivo focado na questão indígena rondoniense, onde é possível encontrar dados relevantes quanto à situação histórica e atual das comunidades indígenas do estado. Tais dados foram importantes para ilustrar a disputa territorial de diversas etnias com grandes latifundiários. O arquivo da CPT é amplo com relação à questão agrária rondoniense. Recortes de jornais antigos e cópias de documentos oficiais compõem uma história concreta da luta pela terra e dos territórios camponeses constituídos, sobretudo a partir da década de 1970.
Foram também relevantes os dados acessados no Museu Rondon, em Ariquemes/RO, e no Centro de Documentação Histórica, em Porto Velho/RO. No Museu Rondon, além de amplo acervo de peças do período da construção da linha telegráfica de Rondon e dos ciclos da borracha, estão arquivadas várias edições do extinto jornal O Parceleiro. Esse informativo revela importantes passagens da colonização agrícola e da luta pela terra, entre fins da década de 1970 e a década de 1980, período fértil no que se refere aos conflitos agrários em Rondônia. No Centro de Documentação Histórica, existe, também, um amplo acervo de documentos históricos e edições antigas de jornais, especialmente do Alto Madeira e de O
Guaporé. Informações apresentadas nestes jornais, ainda que não necessariamente citadas em nosso trabalho, foram importantes para adquirirmos uma compreensão histórica de formação territorial do estado.
Com relação ao jornal Alto Madeira, estivemos também em contato com seu editor e com um dos colunistas. Isto nos permitiu entender, de forma mais aprofundada, o caráter ideológico desse informativo. Aí conversamos informalmente, também, com seu proprietário, Sr. Euro Tourinho, antigo seringalista. O diálogo foi esclarecedor com relação ao processo de produção gomífera durante a Segunda Guerra Mundial, assim como no sentido de compreendermos a leitura feita pelos seringalistas do período de produção da borracha. Também contatamos um dos colunistas do jornal O Parceleiro, Montezuma Cruz. Esse jornalista, que hoje trabalha em Brasília, vivenciou os momentos mais violentos da colonização agrícola em Rondônia e nos ofereceu uma boa reflexão sobre esse período.
Outras fontes secundárias foram acessadas em diferentes espaços como, por exemplo, na Secretaria Estadual do MST, em Ouro Preto do Oeste/RO e no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Espigão do Oeste, em Espigão do Oeste/RO, onde obtivemos edições dos jornais Folha Pimentense (Pimenta Bueno/RO) e Tribuna Popular (Cacoal/RO). Para além das informações coletadas nestes espaços, foram relevantes para a pesquisa os documentos, relatos e fotos apresentados por acampados e assentados nas áreas pesquisadas. Como exemplo específico deste tipo de fonte, podemos citar o diário mantido por uma camponesa assentada no Projeto de Assentamento Padre Ezequiel que engloba todo o período acampamento, incluindo momentos de conflitos, despejos, entre outros.
De forma geral, todas estas fontes secundárias foram importantes para a construção da pesquisa. Embora não tenhamos recorrido às metodologias de análise do discurso ou da análise de conteúdo, entendemos ter sido relevante a utilização de tais fontes, particularmente dos recortes de jornais que revelam momentos importantes do processo de formação do território rondoniense, incluídos, ali, conflitos agrários, relatos de massacres de tribos indígenas, propaganda dos projetos de colonização, entre outros. Assim, entendemos que, em geral, tais dados foram complementares para a construção do trabalho, fornecendo elementos que instrumentalizaram, também, nossa compreensão da área de estudo, quando em campo, discussão que buscamos fortalecer a seguir.