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Conclusions

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Na realização deste estudo foi definida a técnica de inquérito que, conforme defende Fortin, designa

toda a actividade de investigação no decurso da qual são colhidos dados de uma população ou porções desta com o objectivo de examinar atitudes, opiniões, crenças ou comportamentos desta mesma população. (Fortin, 2003, p. 168)

Com o objetivo de obter dados de um número de participantes amplo, heterogéneo e imparcial, foram desenhados inquéritos transversais que, de acordo com Fortin (2003), consistem em examinar grupos de indivíduos em relação a um determinado fenómeno que acontece no momento dos inquéritos. Como instrumentos de recolha de dados foram aplicados dois questionários estruturados: um de respostas fechadas e um de respostas abertas. Estes questionários permitiram “colher informação factual” sobre os participantes, as suas atitudes, opiniões e interesses (Fortin, 2003, p. 249).

2.3.1QUESTIONÁRIO DE RESPOSTAS FECHADAS

Um dos vértices do trabalho aqui apresentado consiste na distribuição, recolha e análise de um questionário sobre hábitos e preferências de consumo dos participantes. Este questionário, foi distribuído por e-mail e através de publicações em redes sociais, como

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o Facebook, o LinkedIn e o Twitter. Neste caso particular, todos os procedimentos que envolveram a publicação, a distribuição e a recolha se cingiram às plataformas digitais. O questionário Transmedia Storytelling e o consumidor (conforme Anexo 1) esteve disponível online na plataforma Google Drive, entre 2 de fevereiro e 3 de março de 2015 (30 dias). Este questionário apresentou-se com o objetivo de tentar compreender qual o interesse do consumidor português em narrativas transmediáticas e como poderia a ficção nacional adaptar-se às necessidades dos consumidores. Dividido em quatro partes, o questionário tinha uma apresentação onde constavam os objetivos do mesmo e do estudo, assim como a apresentação da investigação, da investigadora e da temática abordada. Numa segunda parte, era solicitado o preenchimento de dados pessoais: idade, sexo, habilitações literárias e profissão e, na terceira parte, utilizando uma ‘escala gráfica’ (Fortin, 2003, pp. 256-257), pedia-se aos participantes que partilhassem hábitos de consumo de produtos de ficção em canais portugueses de sinal aberto. Por último, os participantes eram convidados a responder, através de uma ‘escala de Likert’ (Fortin, 2003, pp. 257-258), a 10 questões relacionadas com as preferências de consumo de produtos de ficção, sendo que estas se encontram ligadas aos princípios básicos de

transmedia storytelling (spreadability vs drillability, continuity vs multiplicity, immersion vs. extractability, worldbuilding, seriality, subjectivity e performance),

definidos por Jenkins (2009a; 2009b).

Numa fase anterior ao lançamento do questionário foi efetuado um teste-piloto a 11 pessoas: 6 colegas da turma de mestrado em Comunicação e Media e 5 professores da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais. Deste teste, e de acordo com os pareceres recebidos, resultaram as seguintes melhorias:

a) Acesso ao questionário: não solicitar apenas uma resposta por consumidor, pois isso exigiria que a pessoa preenchesse o questionário através de uma conta Google;

b) Texto de introdução ao questionário: reformular o texto por forma a apresentar os objetivos do questionário;

c) Dados pessoais: inclusão das questões relativas às habilitações literárias e à profissão;

d) Hábitos e preferências de consumo: especificar os canais generalistas abrangidos pelo questionário;

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e) Por haver semelhança entre algumas questões e por estarem a ser explorados conceitos específicos de transmedia storytelling, foram adicionados exemplos às questões 4, 7, 8, 9 e 10.

2.3.2QUESTIONÁRIO DE RESPOSTAS ABERTAS

O objetivo na construção deste questionário focou-se em tentar compreender a forma como as produtoras e as estações televisivas de transmissão em sinal aberto encaram as narrativas transmediáticas e qual é o seu entendimento quanto ao interesse do consumidor português nestas narrativas. Através desta abordagem intenta-se apreender que trabalho tem vindo a ser ou poderá vir a ser desenvolvido, no âmbito de transmedia

storytelling, na ficção nacional criada pelas produtoras de audiovisuais para os canais

generalistas portugueses de sinal aberto.

Após observação dos títulos inéditos de ficção nacional, conforme análise efetuada pelo Obitel (2014) (vide Tabela 1), foram convidados a participar os canais generalistas em sinal aberto – SIC, TVI, RTP1 e RTP2 (que, apesar de não ter transmitido ficção nacional no período em análise, está incluída nos canais generalistas em sinal aberto) – e as duas produtoras com o maior número de conteúdos de ficção nas referidas estações (a SP Televisão e a Plural Entertainement).

O questionário de respostas abertas Transmedia Storytelling na ficção portuguesa (vide Anexo 2) foi desenhado em consonância com os objetivos da investigação e foi enviado para os endereços de e-mail indicados pelos sujeitos, que submeteram as respostas por escrito, pelo mesmo meio. Os participantes responderam a um total de dez questões de respostas abertas, de forma livre e sem restrições na ordem das resposta ou de limite de caracteres. Este questionário pretende dar resposta às questões e aos objetivos da investigação e abordaram: o cenário atual da televisão portuguesa, o papel do utilizador no contexto de consumo e produção de conteúdos, o potencial interesse do consumidor, das produtoras e das estações televisivas em narrativas transmediáticas, as estratégias atuais e futuras para envolver o público, os constrangimentos e as limitações na utilização de transmedia storytelling na ficção nacional da televisão pública portuguesa em sinal aberto e as perspetivas para o futuro da televisão em Portugal.

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2.4T

RATAMENTO DOS

D

ADOS

O tratamento dos dados recolhidos foi efetuado através de análise mista – qualitativa e quantitativa.

No que diz respeito ao questionário de respostas fechadas, foi efetuada uma análise estatística descritiva. Das respostas recolhidas resultou um conjunto de gráficos, que permitem obter o retrato dos participantes, os seus hábitos no que diz respeito à frequência a que assistem a conteúdos de ficção nos canais generalistas nacionais em sinal aberto e as suas preferências de consumo de conteúdos de ficção. Os gráficos que daí resultaram permitem fazer uma análise sobre os hábitos e preferências consoante a idade, o sexo e as habilitações literárias.

Quanto ao questionário de respostas abertas, as três respostas obtidas foram codificadas por “Produtoras e Televisões”: PT1, PT2 e PT3; os indivíduos participantes são referidos como “Entrevistados”: E1, E2 e E3. Das estações televisivas e produtoras abordadas, apenas duas estações televisivas (RTP1 e RTP2) e uma produtora (SP Televisão) se disponibilizaram para responder às questões colocadas. As respostas a este questionário foram sujeitas a uma análise de conteúdos que visa descrever as opiniões e perspetivas dos participantes relativamente à televisão portuguesa em sinal aberto e à potencial aplicação de transmedia storytelling. Após uma análise inicial às respostas obtidas, foram determinados temas, categorias e subcategorias que permitiram apurar indicadores e/ou unidades de registo e unidades de contexto (vide tabela 2). Pelas características inerentes aos conteúdos em análise e pelo número reduzido de participantes não foram consideradas as unidades de frequência.

Tabela 2 – Análise ao Questionário de Questões Abertas

TEMAS CATEGORIAS SUB-CATEGORIAS

Cenário da televisão em Portugal

Propósito/ Objetivo/ Função

Financeiro Público/ audiências Cultural Entretenimento Educativo Informativo Apelativo Características atuais Especializada Programas

Papel da televisão face ao público Constrangimentos

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TEMAS CATEGORIAS SUB-CATEGORIAS

Papel atual do consumidor Passivo Ativo

Perspetivas para o futuro Consumidor Programas Transmedia Storytelling Consumidor Interesse Tipologia Constrangimentos e limitações Financeiros Modelo tradicional Conteúdos Interesse do consumidor

Interesse dos canais Timmings Mentalidade Falta de recursos humanos

Estratégias

Envolver os fãs Melhorar a audiência Mudar conceção dos programas

Potencial influência da utilização

Interesse do consumidor Cultura participativa

Nas produtoras e estações de televisão

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