A partir da análise dos resultados obtidos para os tubos de concreto com fibras, pode-se concluir que:
Houve um aumento da carga de ruptura e máxima pós-fissuração dos tubos de concreto com fibras de aço à medida que aumentou o teor de fibras de aço. Em todos os teores de fibras analisados, os tubos com fibras do tipo 80/60 coladas em pente ou soltas apresentaram melhores resultados de carga de ruptura e máxima pós-fissuração em relação aos tubos com fibras do tipo 65/35, coladas ou soltas. Os tubos com fibras do tipo 80/60 e 65/35, quando analisadas entre si o mesmo teor de fibras, houve melhor desempenho dos tubos com fibras soltas em relação aos tubos com fibras coladas, tanto para carga de ruptura como carga máxima pós-fissuração. Para os tubos com fibras que obtiveram melhores desempenhos, quando comparados aos tubos com fibras do tipo 65/35, analisando entre si coladas ou soltas, houve menores índices de absorção para os tubos com fibras do tipo 80/60 coladas no teor de 0,50% e com fibras soltas no teor de 0,25%. Tal comportamento pode ter ocorrido devido às fibras do tipo 80/60 possuir menor número de fibras por metro cúbico em comparação ao tipo 65/35. Para os tubos com fibras soltas nos teores de 0,38% e 0,50% obtiveram-se maiores índices de absorção. Isto pode ser explicado por ter havido maior distribuição das fibras soltas nos tubos, visto que os tubos com fibras soltas apresentaram maiores resultados de teores efetivos de fibras. Houve a determinação dos índices de absorção na região da ponta, meio e bolsa do tubo. Constatou-se neste estudo que a maior absorção ocorreu nas bolsas dos tubos, devido à vibração do equipamento não proporcionar compactação e adensamento homogêneo. Corroborado pelos maiores resultados de teor efetivo de fibras nas bolsas dos tubos, ou seja, maior presença de fibras nessa região.
Resumindo, houve melhor desempenho dos tubos de concreto com fibras do tipo 80/60, coladas no teor de 0,50%, e com fibras soltas em todos os teores analisados, pois atingiram as mínimas carga de ruptura e máxima pós-fissuração, estabelecidas pela NBR 8890 (ABNT, 2007). Deste modo mostrando-se tecnicamente viáveis quanto à substituição dos tubos de concreto com armadura convencional. É claro que somente válida para tipo de equipamento para produção dos tubos, tipos de tubos, tipos de fibras, teores de fibras e dosagem dos concretos
utilizados nesse estudo. A dosagem do concreto e relação água/cimento foi constante para todos os exemplares e não houve uso de aditivos. Por ventura para dosagem do concreto e relação água/cimento distintos e/ou uso de aditivos, poderia haver melhores resultados de desempenho para os tubos de concreto com fibras soltas e coladas do tipo 65/35 e 80/60. O concreto com fibras foi produzido como o rotineiramente empregado pela empresa para fabricação dos tubos de concreto simples e armado.
Quanto aos ensaios complementares, pode-se dizer que:
Para a resistência à compressão axial, a adição no concreto das fibras de aço, do tipo 80/60 ou 65/35, coladas em pente ou soltas, provocou diferença não significativa, conforme análise estatística realizada pela ANOVA, visto que as fibras de aço não têm finalidade principal de melhorar o desempenho do concreto quando submetido à compressão.
Para a resistência de tração por compressão diametral, a adição no concreto das fibras utilizadas na pesquisa gerou uma tendência de acréscimo de resistência. De acordo com análise realizada pela ANOVA, a adição das fibras do tipo 80/60 coladas e soltas em todos os teores, e do tipo 65/35 soltas nos teores de 0,38% e 0,50%, provocou diferenças significativas.
No fator de tenacidade, a análise realizada pela ANOVA, apontou que a adição no concreto das fibras provocou diferença significativa:
entre si das fibras do tipo 80/60 e 65/35, pois as fibras do tipo 80/60 coladas em pente nos teores de 0,38% e 0,50% e soltas em todos os teores, apresentaram melhores resultados quando comparadas com as fibras do tipo 65/35, coladas ou soltas em todos os teores;
das fibras soltas do tipo 80/60 no teor de 0,50% em relação a todos os teores de fibras coladas do mesmo tipo;
Para as fibras soltas do tipo 80/60, quando analisados entre si somente os teores de fibras coladas ou somente teores de fibras soltas, a adição no concreto das fibras provocou diferenças não significativas. Deste modo poderia ser utilizado concreto com fibras coladas no teor de 0,38% e com fibras soltas no teor de 0,25%, visando minorar o consumo de fibras e custo do compósito.
Para as resistências residuais, de acordo com os resultados da análise pela ANOVA, a adição no concreto das fibras provocou diferenças significativas entre si das fibras do tipo 80/60 e 65/35, tendo em vista que as fibras do tipo 80/60 em todos os teores, tanto das coladas em pente como soltas, em relação às fibras do tipo 65/35, em todos os teores, coladas ou soltas, que houve diferenças significativas nos resultados de resistência residuais, ƒr,1 e ƒr,3,sendo as diferenças significativas
mais acentuadas as resistência residual ƒr,3, pois esse estágio do comportamento do
compósito, é essencialmente, conduzido pela atuação das fibras, que vão deslizando ou rompendo-se, no progressivo aumento da abertura das fissuras.
Na análise realizada pela ANOVA, tanto ƒr,1 como ƒr,3, apontaram que houve
diferença não significativa entre si dos teores de fibras, quando analisadas somente coladas ou somente soltas. Deste modo poderia ser utilizado concreto com fibras coladas no teor de 0,25%, como também concreto com fibras soltas no teor de 0,25%, visando minorar o consumo de fibras e custo do compósito.
Para a resistência à compressão modificada das amostras oriundas do ensaio de flexão pela JSCE, conforme os resultados da ANOVA, a adição das fibras no concreto provocou diferenças significativas para as fibras do tipo 65/35 soltas nos teores de 0,25% e 0,50% e do tipo 80/60 soltas e coladas em pente nos teores de 0,25% e 0,50%. Enquanto que as fibras do tipo 80/60 ou 65/35, coladas ou soltas, quando comparadas entre si para o mesmo teor, seja 0,25% ou 0,50%, apresentaram diferenças não significativas. Para o concreto com fibras soltas ou coladas do tipo 80/60 ou 65/35 no teor de 0,25% houve uma tendência de maior resistência à compressão modificada, enquanto que no teor de 0,50% ocorreu uma tendência de menor resistência à compressão modificada.
Para a resistência à compressão modificada das amostras oriundas do ensaio de flexão pelo RILEM, conforme os resultados da ANOVA, a adição das fibras no concreto provocou diferenças significativas para as fibras do tipo 65/35 soltas nos teores de 0,25% e do tipo 80/60 soltas e coladas em pente nos teores de 0,25% e 0,50%. Enquanto que as fibras do tipo 80/60 ou 65/35, coladas ou soltas, quando comparadas entre si para o mesmo teor, seja 0,25% ou 0,50%, apresentaram diferenças não significativas, com exceção para as fibras do tipo 80/60 no teor de 0,50% que apresentaram diferenças significativas, quando comparadas entre si coladas e soltas. Também uma tendência de aumento e redução da resistência nos
teores de 0,25% e 0,50%, respectivamente, tanto para as fibras do tipo 80/60 como do tipo 65/35.
Sugestões de trabalhos futuros:
Novos estudos de tubos de concreto com fibras produzidos com materiais semelhantes ao utilizado nessa pesquisa;
Análise de tubos de concreto com fibras de maiores dimensões;
Estudo de reforço misto de fibras de aço e tela metálica ou mistura de fibras de aço e poliméricas nos tubos de concreto;
Análise comparativa de custo entre tubos de concreto com fibras de aço e com armadura convencional;
Avaliação do desempenho de tubos de concreto e corpos-de-prova com fibras de aço usando aditivos.