Como visto anteriormente o livro “Cinema Zero na Cidade Média” compreende assuntos da antropologia, cinema, consumo, lazer, cidadania, identidade e contracultura. Para isso separou-se nesse capítulo as teorias entre Lazer, Identidade, Consumo e Conteúdo das Apresentações.
Mas, antes, para entender as escolhas é necessário se dizer que muitas teorias trabalhadas aqui são retiradas da Antropologia Urbana, recolhidas dos livros do Profº José Guilherme Cantor Magnani que é coordenador do Núcleo de Antropologia urbana da USP.
O jornalismo enquanto meio se apropria de algumas dessas técnicas que aliadas à apuração do comunicador podem gerar frutos interessantes e originais. Pois, assim, como para o jornalismo que não é sensacionalista, “não é o exotismo de práticas e costumes que chama a atenção da Antropologia: trata-se de experiências humanas” (MAGNANI; TORRES, 2000, p. 21). Os alvos para o recolhimento dos relatos são denominados “informantes qualificados” (p.113). Esses são descobertos por meio de conversas, observação e indicações. Os questionários antropológicos empregados no passado só captam dados de uma ideologia “idealizada e dominante” (p.113). Por isso é optado por se envolver com o objeto estudado para compreender seus fundamentos e atuações e dentro dele conseguir eleger as fontes que são os “informantes qualificados” da antropologia e entrevistá-las com base no proposto pela pauta, porém com
38 conhecimento prévio e empatia com seus entrevistados, que agora fazem parte do seu convívio social.
Alcançar a proximidade com as fontes e com o público é tarefa de primeira ordem para ter condições de conseguir relatos convincentes que, utilizados como reportagens, pretendem ser verossímeis enquanto pesquisa e matéria de comunicação.
O que caracteriza, portanto, o verossímil, é a semelhança. É verossímil todo discurso que está em relação de semelhança, de identificação, de reflexo com o outro. O verossímil é por juntos dois discursos diferentes, um dos quais se projeta o outro que lhe serve de espelho e se identifica com ele por cima da diferença. (Kristeva, in Barthes ET alli 1972, p.66, apud MAGNANI, 1998, p.54)
A semelhança, logo, é o atrativo que se pretende obter em qualquer produto voltado ao público. Dessa forma o livro aspira conseguir identificação com o mesmo público que vai às salas de cinema pesquisadas, com o público que sente falta de opções de cinema e cultura – e talvez esses sejam o principal alvo e com as pessoas que só veem filme dentro de suas casas. No geral é um livro calcado nas entrevistas do público de certas salas de cinema para o público do cinema como um todo.
O livro que trabalha também o cinema visto pelo prisma do lazer - mesmo nas salas estudadas que não se localizam nas periferias propriamente, mas no centro da cidade - pauta-se, sobretudo, nas observações do pesquisador/jornalista que figura como mais um participante daquela apresentação de filmes e faz questionamento de interesse das próprias pessoas. Muitas delas, posteriormente, sabendo que se trata de um projeto com outros públicos, se interessam em ter contato com o material completo e saber mais de outros lugares com filmes diferenciados. A vontade de sair de casa e assistir um filme em determinado local pode ter vários motivos, entre eles o modo que as pessoas se relacionam com o todo, desde suas palavras, o modo como agem e como se preparam para ir a determinado lugar.
Os resultados obtidos por observação e participação nas manifestações de entretenimento que constituem o lazer nos bairros da periferia contrastam, como se pode perceber, com as monossilábicas respostas obtidas quando se tenta abordar o tema apenas por questionários, com suas perguntas à queima roupa e fora de situação. A resistência em falar de questões supostamente irrelevantes, como os momentos de encontro e diversão, é substituída por múltiplos e expressivos códigos: as pessoas falam com o corpo, com a roupa, com as regras e formas de organização; e também com a palavra. (MAGNANI, 1998, p.137)
39 O Lazer
O entretenimento nas cidades é parte fundamental na vida social, pois são nos momentos de lazer que as pessoas formam vínculos umas com as outras. Para MAGNANI (1998), existem dentro da cidade as relações que se dão “em casa” e “fora de casa”. O interesse da pesquisa fica por conta de analisar como os laços entre as pessoas se formam a partir de apresentações de cinema que se configuram como espaços “fora de casa”. Também compreende a formação de pedaços que são lugares intermediários entre a casa e o fora de casa. Esses locais são onde se desenvolvem uma sociabilidade básica entre as pessoas, não tão profunda quanto os laços familiares e nem tão superficial quanto às impostas pela sociedade. Portanto, as apresentações de cinema gratuitas devem ser vistas como um espaço fora de casa, mas não podem ser entendidas enquanto pedaço em sua plenitude, pois são sujeitas a públicos que podem variar. No caso do Cine Extinção, o local pode ser considerado como parte de um “pedaço” por seus frequentadores, que também são consumidores da loja Extinção. Mas antes disso, tanto o Cine Extinção, quanto os outros cinemas gratuitos pesquisados e citados, são participantes do que é definido como “Circuito”. Por serem contíguos na paisagem urbana são compreendidos como um todo por conta de serem apresentações de cinemas gratuitas. Na cabeça do consumidor de cinemas gratuitos, eles podem formar um circuito único de cinema alternativo ao cinema tradicional.
Circuito: une estabelecimentos, espaços e equipamentos caracterizados pelo exercício de determinada prática ou oferta de determinado serviço, porém não são contíguos na paisagem urbana, sendo reconhecidos em sua totalidade apenas pelos usuários: circuito gay, circuitos de cinemas, circuito de arte, circuito esotérico [...]. (MAGNANI; TORRES, 2000, p. 45)
O exemplo da idealização, por parte do organizador, do Cine História, deixa clara a vontade de suprir a falta de cinemas educativos e com temáticas funcionais para os jovens que estudam. Dessa forma se criou essa apresentação conforme um arranjo local de produção e cooperação entre estudantes, funcionários públicos e Estado para proporcionar lazer em meio ao aprendizado.
O Cine Extinção se formou em torno de um público frequentador de uma loja que funciona como sebo, brechó e agora, Cinema “contracultural”. As pessoas que
40 frequentam a loja e o cinema são nada mais cidadãos que se utilizam daquele espaço para se unir e encontrar habitantes com mesmos gostos. Com a finalidade de desfrutar momentos de sociabilidade em meio ao caos da rotina. O arranjo feito pelo Cine Extinção proporcionou àquele público uma oportunidade dentro da cidade única.
A cidade também preserva lugares de lazer, que seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento [...] criam modos e padrões culturais diferenciados [...] arranjos que os moradores fazem nela para viver. (MAGNANI; TORRES, 2000, p.19)
Assim, é possível compreender que ao mesmo passo em que a cidade e seus moradores são nivelados culturalmente, ela cria arranjos culturais diversificados para suprir a falta de opções culturais que alguns habitantes sentem. Geralmente essas opções são contraculturais ou ligadas a eventos ligados ao Estado. Porém, os incentivos e realizações feitas pelos últimos agem de maneira pontual na sociedade e não encaram os verdadeiros problemas de aculturação das massas.
A formação das relações humanas é sujeitas ao espaço físico. De alguma forma as relações são sujeitas pela proximidade em que os locais se encontram dos cotidianos das pessoas. A facilidade de locomoção ajuda a formar essas redes de sociabilidade que se ordenam voluntaria ou involuntariamente. No entanto se existem esses cinemas gratuitos é porque algum público o anseia. Nesse caso mesmo que haja um determinismo geográfico facilitador de acesso a certos bens, cabe aos comunicadores alardearem as possibilidades de acesso à cultura e incentivo ao desenvolvimento em todos os lugares necessários. Mesmo que o lazer seja entendido como um hábito cada vez mais praticado dentro de casa, nada substitui a experiência de uma prática cultural compartilhada. Relacionar-se por identificação ou prazer pelo cinema significa ir contra ao que nossas rotinas inconscientemente nos impõem.
É a prática social de seus habitantes que confere ao espaço urbano sentido e significação. Na urdidura física do espaço da cidade – aparentemente um dado, na fixidez de seus acidentes, matéria de geografia – na verdade se entrelaça outra trama, tecida com os mais variados laços sociais – relações de parentesco e vizinhança, práticas comuns de trabalho, vínculos religiosos, lealdades políticas, hábitos compartilhados de lazer – para compor as extensas redes de sociabilidade que constituem, propriamente, a vida social. (MAGNANI; TORRES, 2000, p. 305)
41 O lazer deve ser entendido como parte principal em nossas vidas assim como o trabalho e a família. Sem a vida social o ser humano se fecha em seu mundo e não consegue perceber o quanto perde não dedicando tempo necessário ao entretenimento. Porém, quando o dedica, mesmo que seja por pura distração, não deve se subjulgar a qualquer coisa que lhe é oferecida. O que se tem a fazer é subverter a lógica do consumo para o consumo consciente que realmente atenda as necessidades da vida nas cidades e garanta que as pessoas não se isolem em seus mundos particulares.
Identidade
As entrevistas com o público e que servem como base da reportagem junto ao relato da vivência e observação jornalística, entende que as pessoas que frequentam determinados lugares possuem, além da vontade de se entreter e obter conhecimento, a necessidade de ir a lugares em que haja certa identificação da pessoa com o filme, ambiente, localização e o restante do público. De maneira inconsciente as pessoas vão a apresentações culturais que satisfaçam seus anseios por cultura.
Em última instância, a cultura pode existir sem consciência de identidade, ao passo que estratégias de identidade podem manipular e até modificar uma cultura que não terá então quase nada em comum com o que ela era anteriormente. A cultura depende em grande parte de processos inconscientes. A identidade remete a uma norma de vinculação, necessariamente consciente, baseada em opções simbólicas. (CUCHE, 1999, p. 176)
Porém a ideia de identificação das pessoas é formada quando ela se torna uma frequentadora assídua e sente a necessidade voluntária de ir a certas salas de cinema em relação a outras. É notável no decorrer do trabalho que o mesmo público se repete nas apresentações pesquisadas e a postura consciente de sua vinculação com o local. Essas mesmas pessoas têm uma postura crítica perante as salas de cinema convencionais. Mesmo as frequentando também, os entrevistados julgam as salas de cinema do shopping inferiores em experiência e conteúdo.
Para não se reduzir a uma abordagem puramente simplista se pretendeu conversar com o público diretamente e traçar entre suas semelhanças e diferenças seu
42 caráter como público formador daquela apresentação, de maneira complexa pautada no sentido de identificação que cada indivíduo relatou de sua vivência no local.
Adotar uma abordagem puramente objetiva ou puramente subjetiva para abordar a questão da identidade será se colocar em um impasse. Seria raciocinar fazendo a abstração do contexto relacional. Somente este contexto poderia explicar porque, por exemplo, em dado momentos tal identidade é afirmada ou, ao contrário, reprimida. (CUCHE, 1999, p. 181)
No entanto, é necessário esclarecer, que não é oportuno atribuir ao público uma identidade. Os frequentadores enquanto conjuntos humanos contribuem para o perfil da apresentação, porém é o sentido de identificação pessoal que é o alvo dessas entrevistas e não o de identidade. Entender o porquê esses indivíduos recorrem às apresentações de filmes fora de salas de cinemas e optam por apresentações feitas em telas retráteis, dentro de lojas, acomodadas em bancos, no chão ou cadeiras de praia, é o alvo das entrevistas. O conteúdo do filme, muitas vezes, é primordial para aquele público, mas entende-se que ao assistir o filme não é só apenas a sua reprodução que conta. Toda a experiência envolvida, desde ir a pé para ver o filme e até a possibilidade de debate ou aprendizado com o filme e a proximidade com os organizadores (além de não gastar nada para isso) contam valores inestimáveis que comparados aos altos custos, filas e conteúdo inferior de filmes, agregam pouco ou servem somente como alvo de uma lógica de consumo capitalista.
Ao analisar três locais diferentes é possível perceber o apelo social que cada um possui. Diferente do que se pensa, esses locais mesmo sendo diferentes em todos os sentidos fazem parte de um circuito de cinemas gratuitos que, pelo menos em certo período do tempo, ofereceu para a comunidade de Bauru cultura sem custos. Com certeza esses locais, mesmo com público reduzido, dependem dele para funcionar. Não existira filme sem não houvesse quem os consumisse, portanto, no mesmo tempo em que esse pequeno público que se interessa por apresentações gratuitas se envolve com os lugares, elas também são responsáveis pela afirmação do local enquanto ponto de cultura alternativo ou até contracultural.
43 Se a identidade é uma construção social e não um dado, se ela é do âmbito da representação, isto não significa que ela seja uma ilusão que dependeria da subjetividade dos agentes sociais. A construção da identidade se faz no interior de contextos sociais que determinam a posição dos agentes e por isso mesmo orientam suas representações e suas escolhas. Além disso, a construção da identidade não é uma ilusão, pois é dotada de eficácia social, produzindo efeitos sociais reais. (CUCHE, 1999, p. 182)
Os “efeitos sociais” mesmo que em escala reduzida, são determinados pela presença de quem assiste aos filmes. Para esses lugares não é necessário grandes quantidades de espectadores, nem mesmo a preocupação qualitativa do que é passado, pois para a manutenção dos locais é apenas exigido um público fiel e dotado de desejo de participação e envolvimento com a apresentação.
O consumo cidadão
Para o antropólogo Nestor García Canclini, nós somos consumidores do século XXI e cidadãos do século XVIII. O título de um capítulo encontrado no seu livro “Consumidores e Cidadãos” fornecem fundamentos para criticar a evolução das sociedades enquanto estruturas pautadas na economia frente às demandas sociais do Estado. O autor propõe uma rearticulação do público com o privado, pois as sociedades atualmente são multifacetadas e oferecem diversas demandas sociais, por exemplo: cultural, ecológica, racial etc.
Ao repensar a cidadania em conexão com o consumo e como estratégia política, procuro um marco conceitual em que possam ser consideradas conjuntamente as atividades do consumo cultural que configuram uma noção de cidadania, e transcender sua abordagem atomizada com que sua análise é agora renovada. (CANCLINI, 2008, p.37)
A necessidade de repensar o consumo e utilizá-lo de forma cidadã é ordem primordial dentro dos Estados modernos. A estrutura política e econômica vigente cria um abismo para os reais anseios da população em favor do livre mercado. Esse abismo não é questionado por grande parcela da sociedade, pois não é visível e não é compreendido como parte de uma luta cidadã que deve ser diária. A alternativa para o debate sobre as necessidades do povo deve ser levantada em partidos, sindicatos e
44 associações de base, mas a participação cidadã não acompanha o crescimento da massa média de pessoas.
No caso do cinema e seu potencial de “mobilização de massas”, como diria BENJAMIN (1990), é dever dos filmes enquanto obra de arte e entretenimento, dirigir- se ao público e despertar valores, contrapor ideias, agregar conhecimento, ou seja, cumprir seu papel social. A alta arte, mesmo que dentro de museus, representa historicamente dados de uma época. Um espetáculo sinfônico cumpre sua tarefa de oferecer entretenimento e cultura ao representar pelas óperas, canções e musicalidade a história e a cultura de um país. Ambos os exemplos possuem vertentes populares e de valor elevado, é necessário saber encontrar essas ofertas. Então, por que os filmes, mesmo que vistos em cineclubes, em casa ou em cinemas não devem cumprir sua função de oferecer cidadania? Contraposta às outras artes, pode ser entendida até como mais acessível, dessa forma sua utilização, mesmo que em países como Brasil, pode ter aspectos funcionais de cidadania.
Somos subdesenvolvidos na produção endógena para os meios eletrônicos, mas não para o consumo. Por que este acesso simultâneo aos bens materiais e simbólicos não vem acompanhado de um exercício global e pleno da cidadania? (CANCLINI, 2008, p.41)
O consumo cidadão no geral corresponderia a uma harmonia em diversos níveis entre sociedade, meio ambiente e cultura. Mesmo não possuindo materiais para desenvolver o consumo nas bases necessárias para essa “harmonia” as pessoas consomem os que lhe é oferecido. Pensar o consumo é desenvolver e produzi-lo, mesmo que utilizando suas bases, voltados aos interesses sociais.
Dentro das cidades as identidades são fragmentas pelo consumo e disso decorre um “nivelamento cultural”, CANCLINI (2008), que torna as identidades fragmentadas sem núcleo na família, na cidade ou nação.
Ao mesmo tempo em que nas grandes cidades os centros históricos perdem peso, as populações se disseminam: os jovens encontram nas cidades, em vez de núcleos organizadores, margens que se inventam para si. (CANCLINI, 2008, p.48)
O cinema, dessa maneira, é útil para formar cidadãos contestadores, pode ter fins práticos como o Cine História, pode oferecer entretenimento e conhecimento como o
45 Cine Sesc e ser contracultural como o Cine Extinção. Os objetos estudados na pesquisa são em partes essas “margens que se inventam”. Elas são criadas a partir da falta de opções. Atendem ao sentido nobre de serem gratuitas e não entrarem na lógica de consumo do mercado, mas, sim, do consumo cidadão e formador de opinião.
Conteúdo dos filmes
Neste relatório não consta a relação de filmes observados na época da pesquisa, pois isso fica para o livro. Muito menos pretende julgar a qualidade dos filmes exibidos. O foco aqui é observar os conteúdos dos filmes por meio de sua produção e veiculação. A tendência dos filmes exibidos na cidade de Bauru é por filmes hollywoodianos. Para CANCLINI (2008, p.133), “diante das dificuldades de sobrevivência do cinema, surgiu uma tendência em acentuar esta transnacionalização eliminando-se os aspectos nacionais e regionais”. Portanto os filmes produzidos nos Estados Unidos são produzidos de maneira híbrida para atender o maior número de consumidores em todo o mundo.
Várias décadas de construção de símbolos transnacionais criaram o que Renato Ortiz denomina uma cultura internacional popular, com uma memória coletiva feita com fragmentos de diferentes nações. (CANCLINI, 2008, p.68)
Essa “memória internacional popular” prejudica a produção e veiculação de filmes de arte ou autorais com temáticas locais. As fronteiras entre o nacional e o estrangeiro e entre o tradicional e o moderno são relativizadas e se perde em conteúdos com discussão de problemáticas locais, o que reduz e muito o potencial cidadão e de entretenimento do cinema.
No entretanto, as culturas regionais persistem. E mesmo o cinema global de Hollywood deixa um curto espaço para os filmes latino americanos, europeus e asiáticos que, por sua maneira de representar problemáticas locais, captam o interesse de diversos públicos. (CANCLINI, 2008, p.133)
46 A observação acima compreende uma análise cabível a cidades de grande porte. Assim acontece nas cidades obsevadas por CANCLINI (2008, p.157), São Paulo, Bogotá, Cidade do México e Montevidéu, como exemplos. Porém, a realidade das cidades médias como Bauru é diferente. Na cidade é possível encontrar estreias de filmes nacionais, porém essas são comédias vinculadas a programas humorísticos da televisão brasileira, como o filme que passou em janeiro em Bauru “As Aventuras de Agamenon, o Repórter”, ou E aí, comeu?, que estreou em junho, ambos vinculados à Globo Filmes e com artistas da emissora , além de filmes de ídolos nacionais como o filme do lutador Anderson Silva, “ Como Água”. O espaço dedicado ao cinema nacional é o do puro entretenimento, dificilmente algum filme que trabalhe temática local ou cultura nacional terá chance de competir com os “blockbusters”. Enquanto isso, para citar como exemplo, nas quatro salas de exibição Cine’n Fun do Alameda Quality Center e nas cinco salas do Multiplex do Bauru Shopping se exibiram os filmes: Imortais, A Fera, Missão Impossível 4 – Protocolo Fantasma, Alvin e os Esquilos 3, Gato de Botas, Noite de Ano Novo, As Aventuras de TinTim, Sherlock Holmes – O jogo de sombras e o citado anteriormente, As Aventuras de Agamenon, o repórter. Com exceção do último filme que é nacional, todos os outros são produções dos Estados Unidos. Nos meses subsequentes a fórmula se repete e pode ser comparada aqui com as exibições de maio, que são em ambos os cinemas: Homens de Preto 3, Battleship – A Batalha dos Mares, Plano de Fuga, Piraras Privados, Os Vingadores, 12 Horas, Um