O índice de eficiência agronômica foi calculado neste estudo com base na produção de matéria seca e fósforo acumulado da parte aérea de plantas de milho (Tabela 14). Observa-se que as fontes e as doses de fósforo influenciaram o índice de eficiência agronômica nas duas condições de acidez de solo estudadas.
Na presença de calcário no solo observa-se que os índices de eficiência agronômica de matéria seca foram superiores na maior dose de P, obteve-se eficiências de 46,4 e 17,0 para as fontes precipitadas (FP1, FP2). No entanto, observa-se que os índices de eficiência agronômica em relação ao fósforo acumulado foram superiores nas duas maiores doses aplicadas das fontes precipitadas. O FR, tanto para matéria seca como para P acumulado, apresentou valores de eficiência agronômica muito reduzida na presença de calcário no solo.
Na ausência de calcário no solo observa-se que os índices de eficiência agronômica de matéria seca foram também mais expressivos na maior dose testada. No entanto, deve-se considerar que estes resultados foram alcançados em função da redução da produção de matéria seca com SFT na ausência de calcário, ou seja, em condição de acidez do solo inadequada a este fertilizante, favorecendo os mecanismos de insolubilização de P e reduzindo o crescimento das plantas.
Tabela 14. Índices de Eficiência Agronômica (IEA) das fontes de fósforo, com base na produção de matéria seca e fósforo acumulado da parte aérea de plantas de milho, nas condições de presença e ausência de calcário.
Massa de matéria seca Fontes Doses de P SFT FP1 FP2 FR --- % --- Presença de calcário 40 100 14,2 12,9 0,6 80 100 40,4 14,4 3,8 120 100 46,4 17,0 1,8 Ausência de calcário 40 100 40,0 28,6 40,1 80 100 91,4 59,6 78,6 120 100 106,7 76,7 95,3 Fósforo Acumulado Presença de calcário 40 100 23,6 21,8 3,4 80 100 54,9 29,8 8,1 120 100 53,6 29,8 4,4 Ausência de calcário 40 100 58,3 43,9 54,4 80 100 90,2 55,3 77,8 120 100 65,6 76,5 72,7
SFT: Super Fosfato Triplo; FP1: Fosfato Precipitado 1; FP2: Fosfato Precipitado 2; FR: Fosfato Reativo.
Destaca-se que dentre as fontes fosfatadas estudadas a fonte FP1 obteve as melhores eficiências agronômicas em relação à matéria seca e fósforo acumulado, nas duas condições de acidez de solo estudadas. A fonte FR apresentou índices superiores de eficiência agronômica de 95,3 e 72,7 % para matéria seca e P acumulado, respectivamente, na ausência de calcário no solo (Figuras 9 e 10).
Blanco et al. (1965), trabalhando com o fosfato de Araxá e outros fosfatos, em três condições de pH verificaram que na faixa de pH 4,7 - 5,0 houve melhor aproveitamento desses fosfatos. Alguns estudos tem demonstrado a maior eficiência das rochas fosfatadas em condições de acentuada acidez, que pode ser atribuído à constituição dos fosfatos naturais, que contém a fluorapatita que se decompõem em meio ácido para formar fosfato monocálcico e outros compostos solúveis. Korndörfer et al. (1999) avaliaram o comportamento agronômico de fosfatos naturais (Arad-FNA, Marrocos- FNM e Gafsa- FNG) quanto à produção de grãos de milho comparando com o superfosfato triplo (SFT). Concluíram que a capacidade do FNA, FNM e FNG em fornecer P para o milho foi de 60, 80 e 97%, respectivamente, quando comparados com o
SFT. Os autores sugerem que com o passar do tempo os fosfatos naturais melhorem ainda mais sua eficiência em relação à fonte de alta solubilidade, devido ao efeito residual.
Segundo Guedes et al. (2009), os fosfatos menos reativos, em geral, apresentam menor eficiência que os fosfatos solúveis em curto prazo; porém, a longo prazo, seu efeito residual é geralmente maior.
Ao testar diferentes fontes de P no estabelecimento de pastagens de P. maximum consorciadas com sorgo, Benício et al. (2011), verificaram que ao final do primeiro ano de implantação os tratamentos que receberam a fonte menos solúvel foram superiores, os autores atribuíram os resultados ao maior efeito residual da fonte.
Em trabalho realizado por Silverol e Machado Filho (2007) estudando a utilização de pó de granito para a fertilização de solos, observaram que os tratamentos que tinham quantidades significativas de pó de rocha, as plantas de milho desenvolveram adequadamente em comparação com a testemunha. Embora esse resultado seja inferior ao tratamento químico, altamente solúvel, evidencia a importância, em longo prazo, na melhoria da fertilidade de solos que apresentam sinais de degradação, especialmente das pastagens.
Os fosfatos de origem sedimentar, como o de Gafsa (proveniente da Tunísia), possuem alta reatividade (SYERS et al., 1986). No Brasil, esse fosfato é comercializado como fonte alternativa, de custo mais baixo, e tem apresentado maior efeito residual no solo, quando comparado aos superfosfatos (SOUSA et al., 2008).
A fonte padrão SFT, referência deste estudo foi a que apresentou as máximas eficiências agronômicas, corroborando o trabalho de Fontoura et al. (2010) que estudando a aplicação de superfosfato triplo e fosfato natural em sistema de plantio direto verificaram que o ST é mais eficiente do que os fosfatos naturais reativos em solos tanto no efeito imediato quanto na fase residual. A superioridade inicial do fosfato solúvel (SFT) em relação aos FNR é relatada por Oliveira Junior et al. (2008) e Scholefield et al. (1999).
Prochnow et al. (2004) verificaram que a EAR do FR aplicado conjuntamente com o SSP foi estatisticamente equivalente a utilização isolada do SSP, quando a mistura foi granulada, ao passo que, a utilização isolada do FR apresentou EAR de 1 e 30%, respectivamente, para o cultivo do trigo e do azevém. A partir das equações de regressão, os autores estimaram a eficiência relativa do FR quando na presença do SSP
(ERFR) verificando que no caso da variável matéria seca, a ERFR foi de 82 e 95%, respectivamente para o azevém e para o trigo.
Os adubos fosfatados acidulados apresentam solubilidades relativamente elevadas em água, como é o caso neste estudo da fonte SFT, razão por que têm alta eficiência agronômica quando comparados aos fosfatos naturais (PROCHNOW et al., 2004). O emprego de rochas fosfáticas necessita de pesquisas que assegurem a sua eficiência como fontes alternativas de fósforo, podendo substituir os superfosfatos em culturas anuais (KAMINSKI; PERUZZO, 1997).
Figura 9. Índice de Eficiência Agronômica em relação à matéria seca da parte aérea de plantas de milho, (a) na presença de calcário no solo e (b) na ausência de calcário no solo.
Figura 10. Índice de Eficiência Agronômica em relação ao P acumulado da parte aérea de plantas de milho, (a) na presença de calcário no solo e (b) na ausência de calcário no solo.