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É atribuído a Ernst Haeckel, zoólogo alemão, a criação da palavra ecologia, em 1866 (ESBJÖRN-HARGENS e ZIMMERMAN, 2009), mas o primeiro livro de ecologia foi publicado pelo botânico dinamarquês Eugenius Warming, que realizou estudos no Brasil durante três anos (WARMING, 1892), em Lagoa Santa, Minas Gerais (1863 – 1866), publicou uma obra importante em 1895, Plantesamfund - Grundtræk af den økologiske Plantegeografi, (Geografia vegetal ecológica) sendo este considerado o primeiro livro de ecologia.

Depois da criação da palavra ecologia, conforme relata Lago (1991), “esta ciência ficou quase sem desenvolvimento até praticamente a década de 30 do século XX”. Em

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1927, Charles Elton, naturalista inglês publicou uma obra clássica “Animal ecology”, que abordava a grande importância da teoria ecológica.

É interessante lembrar que Malthus (1798), com suas ideias sobre crescimento de populações e aumento da subsistência parece ter influenciado Darwin, cuja obra “Origem das espécies” (1858) tornou-se famosa. Nas obras de ambos vê-se um enfoque para o relacionamento entre os seres vivos e o ambiente em que vivem, mostrando que suas ideias já abordavam um pensamento ecológico.

Como percebe-se, o problema ambiental tinha um enfoque específico para as questões mais relacionadas com a biologia, ecologia e natureza. A questão ambiental da forma que é apresentada hoje, com enfoque social e econômico, além do natural, passou a ser discutida com maior frequência nas últimas décadas, principalmente após a Conferência Mundial sobre a Biosfera, em 1968. Antes disso, em 1962, um dos marcos da questão ambiental foi a publicação do livro de Rachel Carson, Primavera Silenciosa.

Também foram importantes a publicação de Population bomb, de Paul Ehrlich, em 1968, e o artigo The tragedy of the commons, de Garret Hardin, apresentado no Congresso da Sociedade Americana para o Progresso da Ciência, em 1967.

Um dos resultados da Conferência Mundial sobre a Biosfera, em 1968, foi a criação do Programa da Unesco, Man and Biosphere, lançado em 1971, que fomentou trabalhos importantes sobre a temática ambiental, mas pouco conhecido do grande público até hoje.

Também na década de setenta, mais precisamente em 1972, os relatórios do Clube de Roma e a publicação do estudo coordenado por Dennis Meadows, Limites do Crescimento, fomentaram o debate acerca das limitações do crescimento econômico como visto no item anterior e, ao mesmo tempo, preparou o ambiente para a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo.

Um ano após a conferência, o conceito de eco-desenvolvimento começou a ser apresentado por Maurice Strong e um de seus primeiros registros formais foi na Declaração de Cocoyoc4, como se observa: “Nós consideramos que o esforço presente da UNEP em

planejar estratégias e apoiar projetos para um desenvolvimento socioeconômico e ecológicamente responsável (ecodesenvolvimento) no nível local e regional constituem uma importante tarefa” [tradução do autor] (UNRISD, 2004, p. 18).

A partir de 1974, um dos principais responsáveis pela popularização do conceito foi Ignacy Sachs. Em 1975, também passou a ser trabalhada no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) a ideia de “desenvolvimento sem destruição”.

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A Declaração de Cocoyoc é o documento resultante do simpósio realizado no ano de 1974, em Cocoyoc, no México, organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUMA) e pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

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O conceito de desenvolvimento sustentável, tão difundido hoje, foi bastante apoiado pela organização não governamental International Conservation for the Nature (IUCN), no início da década de oitenta.

Também nessa época, em 1983, foi criada a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), sendo que o conceito mais difundido sobre Desenvolvimento Sustentável foi cunhado pela Comissão Brundtland, em alusão ao nome de Gro Harlem Brundtland, norueguesa que presidia a CMMAD. Em 1987, foi publicado o relatório “Nosso futuro comum”, também conhecido como Relatório Brundtland.

Mas foi com a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), a Rio – 92, que a temática ambiental ganhou proporções maiores. Três resultados importantes desse encontro foram a Agenda 21; o Programa Piloto para Conservação das Florestas Tropicais (PPG7); e a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudanças Climáticas (CQNUMC ou UNFCCC em inglês).

Em março de 1997, foi realizado também no Rio de Janeiro a conferência Rio + 5, de forma a verificar os desafios e avanços dos acordos firmados 5 anos antes, na Rio – 92.

Também em 1997, é válido lembrar a discussão e negociação do Protocolo de Kyoto, onde os países desenvolvidos se propuseram a reduzir as emissões de gases em pelo menos 5,2% em relação às emissões de 1990.

Já em 2002, em Joanesburgo, na África do Sul, foi realizada a Rio + 10, e o que se verificou foi que pouco se avançou nesta conferência se comparada com as outras (1992 e 1997).

Com o passar dos anos, as discussões sobre mudanças climáticas foram ganhando destaque, tanto pelas discussões acerca da não assinatura do Protocolo de Kyoto por parte dos EUA, como pelas discussões e relatórios promovidos pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas.

Entretanto, eventos climáticos severos como o furacão Katrina, que atingiu o sul dos EUA em 2005; o inédito furacão Catarina, ocorrido em março de 2004, como sendo o primeiro furacão do Atlântico Sul já registrado; as enchentes ocorridas na Índia e China em 2005, bem como as ondas de calor na Europa chamaram atenção de autoridades para os impactos que o aquecimento da temperatura global poderia acentuar se nada fosse feito.

Em 2006, o grande marco na área ambiental foi o lançamento do filme “Uma verdade inconveniente”, de Al Gore, que em conjunto com os relatórios dos Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC em inglês) foram indicados para o prêmio Nobel da Paz em 2007, dando maior força e popularizando de vez a questão ambiental no mundo.

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Também é válido registrar o relatório encomendado pelo governo britânico ao economista Nicholas Stern, o Relatório Stern, que em uma simulação para 50 anos, mostrou que investimentos na área ambiental para minimizar os impactos das mudanças climáticas poupariam perdas enormes no PIB.

Feito esse resgate histórico apresentando os principais marcos no processo de discussão do desenvolvimento sustentável, se percebe que a discussão teve início com estudos focados na ecologia (Haeckel e Darwin), passando pela preocupação da explosão populacional (Malthus e Ehrlich), adentrando nos alertas dos problemas ambientais e a vulnerabilidade da natureza perante a intervenção humana (Rachel Carson).

Após isso, o foco passou para os questionamentos de natureza econômica e às críticas ao crescimento econômico a todo custo (Clube de Roma e Estocolmo), avançando para o eco-desenvolvimento (Strong e Sachs) e também com o início das discussões de alternativas para os dilemas apresentados com a formulação do conceito de desenvolvimento sustentável (Brundtland e IUCN).

A partir daí, iniciou o processo de institucionalização da questão ambiental tendo como marco a Rio – 92 e seus diversos programas. Mais recentemente, a discussão tem sofrido uma forte transição para a área de mudanças climáticas.