Para o desenvolvimento deste módulo foram necessárias seis horas/aula, sendo que, esta carga horária foi dividida em dois encontros, cada um de aproximadamente três horas de duração. O segundo encontro se restringiu ao regaste das atividades realizadas no primeiro, como o conteúdo abordado, a importância deste módulo frente à temática do curso e comentários a respeito das dissertações elaboradas pelos alunos evidenciando alguns elementos importantes, como por exemplo, “o conceito de qualidade de vida e desenvolvimento humano”. O interesse em se discutir o conceito de qualidade de vida junto aos participantes se fundamentou na tentativa dos alunos perceberem como e de que maneira a energia pode proporcionar tais condições.
Segundo Encontro:
No segundo encontro, tendo-se por base as concepções que os alunos tinham a respeito do tema energia e a vinculação deste com o desenvolvimento da sociedade, como
também, já sabendo da necessidade de explorar alguns conhecimentos a respeito da matriz energética brasileira, foi disponibilizado à sala de aula um documentário sobre a construção da usina hidrelétrica das Três Gargantas na China. Uma das estratégias de ensino vinculada à abordagem CTSA é o tratamento de estudos de casos por meio de vídeos. Além do mais, os vídeos permitem que seja considerada uma diversidade de informações e pontos de vista, para compreensão do caso que está sendo discutido. (PEDRETTI, 2003; RATCLIFFE e GRACE, 2003).
O documentário intitulado, A Grande Represa da China, foi desenvolvido pelo canal fechado History Channel. O vídeo tinha duração de aproximadamente 60 minutos. O conteúdo veiculado pelo documentário versava a respeito da construção da maior usina hidrelétrica do mundo em termos de capacidade instalada, 18 200 Megawatts em relação aos 12600 Megawatts de Itaipu. No entanto, em relação à produção de energia anual Itaipu supera a usina chinesa, 100 milhões de MWh contra 84 milhões de MWh, respectivamente. A construção dessa usina culminou numa controvérsia entre os interesses políticos-econômicos e socioambientais. Tal documentário explora os diferentes argumentos produzidos para a defesa e o repúdio da construção da usina, utilizando desde argumentos que exploram a dificuldade de navegabilidade do Rio Yang Tsé, como, também, as milhares de mortes decorrentes das enchentes ao longo da história do país e, principalmente, a demanda de energia em um período que envolve uma taxa de crescimento de oito a dez por cento ao ano. Por outro lado os argumentos contrários à construção referem-se aos 196 sítios arqueológicos que serão destruídos, ao deslocamento de aproximadamente um milhão de pessoas que serão atingidas diretamente com a área inundada de aproximadamente 1084 quilômetros quadrados cobrindo a extensão de 600 quilômetros, além de a obra ter sido inicializada sem uma concessão ambiental. Ou seja, apriorísticamente era ilegal em termos ambientais.
Entretanto, o interesse também se pautava em analisar como os alunos iriam questionar e utilizar a diversidade de informações e a variedade de ponderações a serem feitas para análise do custo-benefício da instalação da usina. O objetivo desta etapa foi problematizar os riscos da construção de uma usina hidrelétrica, tensionando pontos de vista a respeito da necessidade de energia para o desenvolvimento da sociedade: indústrias, saúde, educação, navegabilidade e escoação da produção agrícola - assim como os riscos inerentes a qualquer desenvolvimento tecnológico e sua implantação: perda de sítios arqueológicos, perda da fauna e flora e os riscos de rupturas étnico-culturais da população local.
Antes de iniciar a sessão foi solicitado aos alunos que prestassem atenção nos diferentes discursos e os dados apresentados pelos especialistas, como por exemplo, os engenheiros chineses e americanos responsáveis pela obra, políticos em defesa da construção, historiadores e arqueólogos em defesa do sítio arqueológico, assim como os ambientalistas.
Após a exibição do vídeo foi realizado um pequeno debate no intuito de analisar se os alunos tinham percebido algumas concepções de ordem tecnicista nos diferentes discursos apresentados ao longo do vídeo, analisar através da estória quais seriam as concepções de desenvolvimento humano decorrentes. Foi possível observar algumas concepções. Logo em seguida foi solicitado aos alunos que fizessem uma dissertação a respeito do que tinham acabado de ser discutido.
Terceiro Encontro:
Retomamos alguns pontos sobre o que foi veiculado no documentário, uma breve sinopse, no intuito de recontextualizar os participantes frente ao tema e, continuamos a discussão a respeito de quais seriam as razões de ordem socioeconômica que iriam justificar a construção ou não da usina hidrelétrica. Durante o debate foi percebido a intenção de vários participantes em estabelecer um vínculo comunicativo5, no intuito de discutir o tema controverso em vista de almejar uma compreensão frente aos aspectos sociais, econômicos, ambientais e tecnológicos. Como também, outros que estavam interessados mais em uma performance estratégico-comunicativa, do que propriamente, em um comprometimento público, para com os outros participantes.
Grande parte da controvérsia frente às reais necessidades da construção da usina hidrelétrica permeou, muitas vezes, o conceito de qualidade de vida. Alguns participantes tinham uma visão um pouco mais humanística desenvolvimento humano, frente ao impacto que uma parte da população iria sofrer, enquanto outros versavam uma racionalidade tecnicista de qualidade de vida. Frente a este contexto, P programou uma aula a respeito das semelhanças entre concepções de desenvolvimento e a relação com o consumo de energia. Tal aula decorreu no quarto encontro como segue.