O magistério no Ensino Superior é visto pelos egressos como o melhor caminho, uma profissão privilegiada entre os diversos caminhos profissionais a serem seguidos. As justificativas encontradas em seus relatos se constituem no fato de esta profissão ser mais bem remunerada, sobretudo, nas Universidades Federais, melhor ambiente de trabalho no que diz respeito a estrutura física, equipamentos e, principalmente, as condições favoráveis para se dedicar a pesquisa e a aprendizagem contínua.
[...] então assim eu gosto muito desse habitus como Bourdieu fala: acadêmico, tenho-o bem incorporado, então eu sempre gostei e continuo gostando e pretendo continuar nisso. Por isso publico cadernos de livros, artigos, e não é nada que me dê dinheiro, mas me dá satisfação profissional e espero que no futuro breve eu possa passar em concurso para professor de universidade pública para enfim ter acesso a essa carreira já melhor. É uma carreira que precisa ainda melhorar, mas de fato tem um bom salário, que permite certo tempo extra sala bom e recursos para pesquisas para continuar progredindo na área além do ensino. (Egresso12, grifo nosso).
[...] mas minha insatisfação é mais referente ao público, da desmotivação que a gente tem, enfim nesse momento eu não estou satisfeita com a minha profissão. Talvez como professora universitária eu me sinta melhor e mais recompensada. (Egresso 4, grifo nosso).
[...] trabalhando como consultor tem mês que você ganha muito bem, mas tem mês que você ganha muito mal, então não tem carteira profissional assinada, e eu estou sempre viajando e fazendo várias coisas ao mesmo tempo, e eu acho que a área do ensino pode me trazer mais tranquilidade e estabilidade financeira e uma remuneração boa, pois um professor universitário com doutorado em uma universidade pública tem um bom salário. (Egresso 11, grifo nosso).
Entretanto, é preciso refletir sobre os pós e contra dessa carreira. Assim, as falas dos egressos revelam que alguns deles compartilham o anseio de lecionar no Ensino Superior. A profissão de professor universitário é pensada como algo hedônico, realização, melhores salários para poder ter uma vida mais confortável, uma ascensão do status.
Será que a profissão de professor universitário é tão vantajosa quanto os interlocutores desta pesquisa apresentam? Segundo professores universitários a carreira passa por uma série de desafios. Lecionar no Ensino superior não é um ―mar de rosas‖ como sugerem os egressos. Todavia, é importante compreender que ser professor universitário no Brasil representa ter um status social, uma vez que são pessoas que se capacitaram bastante e possuem grande conhecimento, consolidando a imagem de um intelectual. Pimenta e Anastasiou (2002), estudando as exigências atuais da profissão de docência no ensino superior consideram que esta profissão possui certo privilégio social.
Contudo, não há só pontos positivos. Ao investigar estudos sobre o magistério no ensino superior nota-se que a carreira é rodeada por situações de pressões e cobranças sobre sua competência. Segundo Morosoni:
Em síntese, o professor universitário, na última década, sofre uma marcante pressão, advinda da legislação, imposta pela instituição e buscada por ele, para sua qualificação de desempenho, no qual o didático passa a ocupar um papel de destaque. Advinda do governo com o fito de avaliar a qualidade do ensino superior, imposta pela instituição com o objetivo de obter credenciamento da mesma junto ao MEC e para captar os alunos e buscada pelo professor para a manutenção de seu emprego e aumento de remuneração, entre outros requisitos. (MOROSINI, 2001, p.13).
Apesar de serem 40 horas semanais, assim como no Ensino Médio, há uma grande sobrecarga de tarefas, tais como: orientações (graduandos, mestrandos e doutorandos), trabalho junto aos bolsistas, artigos para publicar, criação de projetos de pesquisas, leituras para a preparação de aulas e correções de trabalhos.
Os professores dessas instituições possuem mais responsabilidades do que as já citadas. Assim, também precisam participar de comissões, bancas de defesas, palestras, congressos, dentre outros eventos. São pressionados a terem produtividade e melhoria na formação do aluno, aprendizagem de novos recursos tecnológicos e a exercer por um tempo cargos burocráticos, como chefe do departamento ou coordenador de curso.
Além disso, percebe-se uma característica própria do universo acadêmico: a competitividade entre os professores. Existe uma competição para tentar se sobressair em relação ao outro. O lado positivo nisso é que a academia ganha por causa do aumento do conhecimento resultado dessa competição. Alguns egressos percebem essa competitividade como um problema e a compararam com a realidade escolar considerada diferente nesse aspecto.
[...] em 2012 fui chamada para dar aulas em uma faculdade privada e fiquei até o ano passado, foi bom também, toda instituição tem seus pros e contras, mas eu gosto de ensinar... Quando você passa por outras experiências de ensino, você verifica que apesar das dificuldades, você vê que na escola não tem tanta competição como na universidade, existe muito lá, mas enfim são opções que a gente tem que escolher. (Egresso4).
Nesse sentido, é plausível ter competência para exercer e se destacar. O que é ser competente? Segundo Tardif (2007), um professor competente é aquele que consegue fazer com que os alunos apliquem o que aprenderam, não é apenas transmitir o conhecimento. É imprescindível que esse aluno saiba o que fazer com o conteúdo que está sendo passado, torna-se criador e não um mero reprodutor de modelos já produzidos.
Ao observar os discursos dos egressos falando da questão salarial do professor do Ensino Médio, comenta como baixo comparado ao de um universitário, verificamos que na realidade não há uma expressiva diferença.
O piso salarial de um docente do Ensino Médio do Ceará com graduação é de R$ 2.468,61 reais podendo aumentar por tempo de serviço, titulações como mestrado e doutorado, para R$ 4,222,22 reais (equivalente a 40 horas semanais). Como podemos ver na tabela a seguir:
Tabela 8- De vencimentos dos professores da Educação Básica no Ceará
Fonte: retirado do site da APEOC.
Já o piso salarial do magistério no ensino superior em rede federal como professor auxiliar é de 4.366,98 reais podendo chegar a R$ 5.357,53 reais (40 horas semanais) com o doutorado. Ao olharmos esses valores não há uma discrepância tão significativa, é evidente que o profissional do Ensino Médio deve se especializar bem para ganhar um bom salário.
É perceptível que no Ensino Superior há uma autonomia maior por parte do professor, mais tempo fora da sala de aula para se aperfeiçoar e acima de tudo ele é mais reconhecido, já que é procurado por meios de comunicação para emitir opiniões e elaborar projeto e pesquisa em parceira com os governos ou órgãos Federais.
Como definimos a figura do professor universitário? Ele é um docente que exerce o ensino e a pesquisa juntos. Entretanto, segundo Nez e Silva (2010) indicam que ―alguns docentes bacharéis na educação superior, devido a sua
formação técnica, recebem conhecimentos específicos de seu curso e quase nenhum conhecimento sobre os saberes pedagógicos, os quais são necessários ao desenvolvimento das aulas‖. (2010, p. 5). Considera-se que os educadores que almejam essa profissão também cursem disciplinas de formação ligadas à docência, afinal esses professores devem possuir habilidades didáticas no Ensino superior isso não é exceção do Ensino Médio.
A qualificação é algo primordial para o exercício dessa profissão, uma vez que se espera uma atuação mais abrangente que somente a docência. Como confirma Weber (1989, p. 21): ―Logicamente ele vincula a titulação à capacidade e competência.‖ Segundo o mesmo autor, este profissional deve ser um bom pesquisador tanto quanto professor. Assim, é indispensável que seu desempenho seja amplo e suficiente as duas áreas.
Nos relatos dos egressos apreendemos o quanto eles anseiam pela oportunidade de seguir carreira no meio acadêmico. Até mesmo aqueles que são concursados e estão nas escolas como professores efetivos de Sociologia, comentam que sentem vontade de ir para o Ensino Superior. A vontade de ser professor universitário é consequência de uma imagem social concebida acerca da profissão docente na atualidade, portanto, é necessário destacar que essa imagem social do professor muda conforme o seu nível de conhecimento e formação, por conseguinte isso define as diferenças nos salários e o prestigio na carreira.
Compreende-se que o magistério na universidade estabelece um prestigio social superior a do Ensino Médio, também é responsável por criar uma segregação entre o pesquisador e o professor da escola, tornando os em duas classes distintas e hierárquicas.