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Os resultados apresentados pela classificação de rodólitos evidência o predomínio (20 PAs) dos rodólitos elípticos com baixa ramificação (IV). Ocorreram dois (2) PAs com presença de rodólitos elípticos e ramificados (II e III). Rodólitos Discoidais foram encontrados em oito (8) PAs sendo que três (3) PAs apresentaram-se com estrutura laminar fina e cinco (5) PAs apresentaram estrutura com baixa ramificação (Tabela 10).

Tabela 10: Classificações médias dos rodólitos segundo Bosence (1983a).

PA Classificação de rodólitos Forma Estrutura 1 Discoidal Laminar fina 2 Elipsoidal Ramificada IV 3 Discoidal Ramificada IV 4 Discoidal Ramificada IV 5 Elipsoidal Ramificada IV 6 Elipsoidal Ramificada IV 7 Discoidal Laminar fina 8 Elipsoidal Ramificada IV 9 Elipsoidal Ramificada IV 10 Elipsoidal Ramificada IV 11 Elipsoidal Ramificada II e III 12 Elipsoidal Ramificada IV 13 Discoidal Laminar fina 14 Discoidal Ramificada IV 15 Elipsoidal Ramificada IV 16 Elipsoidal Ramificada III 17 Elipsoidal Ramificada IV 18 Discoidal Ramificada IV 19 Elipsoidal Ramificada IV 20 Elipsoidal Ramificada IV 21 Elipsoidal Ramificada IV 22 Elipsoidal Ramificada II e IV 23 Elipsoidal Ramificada IV 24 Elipsoidal Ramificada IV 25 Elipsoidal Ramificada IV 26 Discoidal Ramificada IV 27 Elipsoidal Ramificada IV 28 Elipsoidal Ramificada IV 29 Elipsoidal Ramificada IV 30 Elipsoidal Ramificada IV

4.7.1 Análise Multivariada com os Dados dos Rodólitos

Foi gerada uma ACP e Análise de Agrupamento com os dados brutos das medidas dos três eixos dos rodólitos (Tabela 22, ANEXO 3), para comparar com os dados da classificação (Forma e Estrutura) e cálculos das dimensões (Diâmetro médio, Volume médio e Esfericidade média).

Observa-se na ACP (Figura 41), que a Componente Principal 1 divide os rodólitos com diâmetro médio maior do que dois centímetros do lado direito do gráfico, com os rodólitos mais esféricos (Esf) se posicionando no alto do eixo positivo. Os PAs que apresentaram diâmetro médio menor do que dois centímetros se posicionaram do lado esquerdo do gráfico, com os rodólitos classificados como Discoidal Laminar fino (DLf) se posicionando no extremo esquerdo do eixo negativo.

-4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 -0.8 -0.6 -0.4 -0.2 0 0.2 0.4 0.6 CP1 CP 2 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 Diâ < 2cm Esf DLf

Figura 41: Análise de Componentes Principais dos dados dos eixos dos rodólitos destacando os pontos similares quanto ao Diâmetro (D), Esfericidade (Esf) e classificação Discoidal Laminar Fino (DLf).

Tabela 11: Valores das Explicabilidades.

CP Autovalores %Variação %Var.Acum.

1 2,91 97,12 97,12

2 0,06 0,80 99,2

A Análise de agrupamento distribuiu os PAs com rodólitos maiores que dois centímetros (Dma) na parte inferior do gráfico e os rodólitos menores (Dme) na região superior do gráfico. Foi possível distinguir o primeiro grupo do gráfico como Discoidal Laminar Fina, e no centro do gráfico o grupo dos rodólitos com baixa esfericidade (Figura 42). 0 50 100 150 200 9 21 15 19 16 5 26 20 24 14 29 30 2 23 3 8 22 4 17 10 27 28 25 12 18 1 6 11 7 13 Distância P ont os am os tr ai s DLf DLf Dme Dme Dme Dma Esf

Figura 42: Dendograma da Análise de Agrupamento dos dados dos eixos dos rodólitos destacando os pontos similares quanto ao Diâmetro, maior e menor, do que dois centímetros (Dma e Dme), Esfericidade (Esf) e a classificação Discoidal Laminar Fina (DLf).

4.7.2 Distribuição Espacial da Classificação dos Rodólitos

Observa-se o predomínio dos rodólitos elipsoidais com baixa ramificação na região frontal dos recifes e pontos localizados na região sul do canal com ramificações (Nível II e III). Os rodólitos discoidais se distribuíram sobre os recifes (Crista e Retrorecife) e na área norte do canal, com pontos localizados classificados como estrutura laminar fina (Figura 43).

! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! 35°15'0"W 35°18'0"W 5°2 1 '0" S 5°2 4 '0" S 5 °27' 0" S 0 1 2Km Classificação de Rodólitos Discoidal Laminar Fina Discoidal Ramificada IV Elipsoidal Ramificada IV Elipsoidal Ramificada III Elipsoidal Ramificada II

Figura 43: Distribuição superficial das classificações dos rodólitos.

5 DISCUSSÃO

A área de estudo apresenta alta complexidade ambiental, sob influência da interação de vários aspectos (Geomorfológico, Fisiográfico e Ecológico). A coleta de sedimento utilizando amostragem em série facilitou o manuseio dos dados e interpretação espacial das características levantadas. O tratamento do sedimento em laboratório permitiu descrever com detalhes diversas características do sedimento.

A análise visual permite destacar a variabilidade da composição do sedimento e auxiliou na decisão das metodologias a serem adotadas para sua caracterização.

Os resultados obtidos da composição biogênica permitiram observar o predomínio de Algas calcárias no sedimento, característica comum na região Nordeste (Kempf, 1967/69; Kempf et al., 1967/69; França et al., 1976; Kempf, 1980; Coutinho, 1981; Testa & Bosence, 1999 e Dias, 2000).

Maiores valores de abundância relativa das Algas calcárias foram encontradas nas áreas mais expostas e sobre o recife, diminuindo significativamente à medida que se aproxima da costa. Segundo Testa & Bonsence (1999), existe uma correlação positiva entre algas calcárias e a concentração de CaCO3, o que também pode ser observado nas

análises das médias dos perfis apresentado neste estudo, enfatizando a importância das algas calcárias na produção de sedimentos carbonáticos.

Bem como França et al. (1976) e Tinoco (1989), foi possível identificar algumas associações faunísticas com base na distribuição dos vários organismos nas frações areia e cascalho.

Os foraminíferos foram abundantes nas áreas protegidas pelos recifes e próximo da costa. Assim como apresentado por Batista et al. (2007), apresentam cores escuras o que indica um constante revolvimento do sedimento associado a uma baixa sedimentação, além da presença de foraminíferos muito fragmentados, indicando um ambiente de alta energia.

Os Parrachos de Maracajaú apresenta baixa densidade e riqueza de espécies Martinez (2008). Os moluscos estiveram presentes em toda área, porém sem valores muito expressivos principalmente na área de recifes onde os valores de abundância relativa não ultrapassam 10%.

Os moluscos da classe Gastrópoda encontraram-se abundantes principalmente na área frontal dos recifes. Diferente dos estudos realizados nos recifes de Rio do Fogo e

Touros (Testa & Bonsence, 1999), onde os moluscos encontram-se mais abundantes em áreas protegidas pelos recifes. Apenas a classe Bivalvia, que não ultrapassou 3% em nenhum PA, apresentou maior distribuição na região central do canal protegida pelos recifes.

As espículas foram expressivas em apenas um ponto amostral, não havendo explicações plausíveis para esta ocorrência.

Os ouriços preferem habitats de substratos rígidos (Hickman et al., 2004), ou mesmo são sensíveis a siltes em suspensão e áreas de elevada turbidez da água (Matthews-Cascon & Lotufo, 2006). No presente estudo o filo Echinodermata, representado pelos espinhos de ouriços, se distribuíram principalmente nas regiões da crista e frontal dos recifes, não apresentando expressões muito significativas.

As análises Multivariadas permitiram analisar as similaridades entre os pontos amostrais quanto à composição biogênica, e destacar os grupos taxonômicos para compor a análise da Biofácies.

A Análise de Componentes Principais demonstrou flexibilidade para distinguir os grupos, porém apresentou maior subjetividade quando comparados com a Análise de Agrupamento. A análise de Agrupamento distinguiu bem os grupos com maior abundância relativa (Alga Calcária, filo Rhizopoda e filo Porifera), enquanto que a ACP permitiu delimitar grupos com baixa abundância relativa (classe Gastrópoda e filo Echinodermata).

A análise espacial da Biofácies permitiu observar o predomínio de algas calcárias, principalmente nas áreas dos recifes; uma presença expressiva do filo Rhizopoda em alguns pontos amostrais no canal de São Roque próximos da costa e protegidos pelos recifes; e pontos localizados de espículas de esponjas (filo Porífera), moluscos da classe Gastrópoda e espinhos de ouriços (filo Echinodermata).

Assim como observado por Lima (2002), nos recifes a concentração de CaCO3 é

mais elevada e vai diminuindo á medida que se aproxima da costa e, conforme já mencionado por França et al. (1976), o limite entre as fácies terrígenas e cárbonáticas é abrupto e o mesmo padrão é observado para as algas calcárias.

Uma característica importante também levantada por Batista et al. (2007) é a característica dos foraminíferos serem grandes, o que também pode estar auxiliando na produção carbonática deste ambiente recifal, principalmente nas áreas protegidas pelos recifes, onde se encontra maior abundância de foraminíferos e menor abundância de algas calcárias.

A precisão da metodologia de análise da concentração de CaCO3 apresentou

resultados satisfatórios, visto que foi possível comparar duas metodologias distintas (ataques com ácido clorídrico e triagem dos grãos), e foram observadas baixas diferenças entre os dois métodos (média menor do que 5%).

A média da análise granulométrica do sedimento na região da crista e frontal dos recifes apresentou uma granulação grossa e, assim como já citado por França et al. (1976), a área mais protegida pelos recifes evidenciou a presença de granulação um pouco mais fina. As médias obtidas no canal apresentaram um padrão longitudinal diferente das médias observadas nos recifes. Observa-se o predomínio da areia grossa na porção mais ao sul do canal, e a areia média mais ao norte.

A tendência do grau de seleção ser pobre e da curtose ser baixa evidencia a presença de sedimentos polimodais (Suguio, 1973). O que pode ser confirmado analisando os gráficos de distribuição granulométrica (Anexo 2.1).

Observando os valores de desvio padrão dos perfis foi possível distinguir diferenças nos pontos amostrais coletados sobre os recifes daqueles coletados no canal, permitindo inferir, segundo Suguio (1973), em diferentes agentes selecionadores. Na região do retrorecife e da crista se distribuíram os sedimentos mais selecionados e no canal se distribuíram os maiores valores de desvio padrão, isto é, sedimentos menos selecionados.

A assimetria em praticamente todos os pontos amostrais é negativa, com alguns pontos positivos principalmente na região frontal dos recifes. O significado físico da assimetria não pode ser interpretado muito facilmente, podendo refletir erros de amostragem bem como ação de agente com transporte seletivo (Suguio, 1973).

A análise comparativa entre as Classificações Faciológicas (Wentworth (1922) e Folk Ward (1957) apud Suguio (1973)) e as Análises Multivariadas (Análise de Componentes Principais e Análise de Agrupamento) permitiram destacar a importância expressa pela média e desvio padrão para agruparem os pontos amostrais similares. A Análise de Componentes Principais destacou melhor a classificação pela média, dividindo-os na Componente Principal Um (CP1) e a Análise de Agrupamento permitiu agrupar com maior facilidade a classificação quanto ao grau de seleção, formando dois grandes grupos, moderadamente selecionados e pobremente selecionados.

Observando os gráficos da distribuição granulométrica de freqüência acumulada em escala logarítmica e comparando com as populações apresentadas por Dias (2004) é possível constatar a presença da população de rolamento e arraste (retas com maior

horizontalidade no gráfico), presença de populações de saltação em pontos amostrais moderadamente selecionados (retas verticais) e poucas expressões de população de suspensão.

O Cascalho foi representado pelos rodólitos com presença de moluscos em alguns pontos amostrais, característica comum não só na região Nordeste do Brasil (Kempf, 1967; Kempf et al., 1967; França et al., 1976; Kempf, 1980; Coutinho, 1981; Testa & Bosence, 1999 e Dias, 2000 ) como em várias regiões do mundo (Bosence, 1983b; Bosence, 1985; Trifleman, et al., 1992 e Dias, 2000).

A análise espacial da distribuição do diâmetro médio dos seixos revelou padrões semelhantes da média das frações menores apresentada na análise granulométrica. Observam-se diâmetros maiores na região frontal e crista dos recifes, quando comparadas com os pontos amostrais protegidos pelos recifes, sobre o canal. Observa-se também o mesmo padrão longitudinal nos pontos amostrais presentes no canal, onde os diâmetros maiores encontram-se ao sul e os menores, ao norte do canal.

Os rodólitos mais esféricos se distribuíram em pontos localizados na região da crista e frontal do recife, os rodólitos discoidais se limitaram no norte do canal e região do retrorecife enquanto que os rodólitos elípticos predominaram na região frontal dos recifes e região sul do canal, fato que pode estar relacionado à influência da corrente local, visto que a ocorrência dos rodólitos também é controlada pela hidrodinâmica (Kempf, 1980; Bosence, 1983a).

Experimentos realizados utilizando modelos computacionais e testes com rodólitos em um tanque de ondas mostraram que os rodólitos elipsoidais são mais facilmente transportados, seguido dos esferoidais, sendo os discoidais os mais estáveis (Bosence, 1983a). Isto indica que possivelmente a região norte do Canal de São Róque e áreas protegidas pelos recifes apresentam sedimentos com maior tempo de residência.

Foram encontradas poucas áreas de rodólitos ramificados, o eu dificultou a análise da densidade de ramificações. As ramificações apresentam uma forte relação com batimento de ondas (Bosence, 1983a). Os rodólitos mais ramificados (Ramificação II ou III) foram encontrados no canal.

As análises Multivariadas permitiram destacar a importância do diâmetro médio dos rodólidos, separando os pontos amostrais com diâmetros maiores e menores do que dois centímetros, além de permitir destacar alguns pontos amostrais de menor esfericidade e rodólitos com classificação Discoidal Laminar Fina.

6 CONCLUSÃO

O presente estudo permitiu concluir que o complexo recifal do Parracho de Maracajaú é um ambiente carbonático dominado por algas calcárias em toda área, com presença de foraminíferos (filo Rhizopoda) principalmente no Canal de São Roque e pontos localizados de Gastrópodas e Echinodermata, na região frontal do recife, e Bivalvias no centro do canal.

A granulometria se distribuiu principalmente nas frações grossas dos sedimentos, sendo possível destacar uma área delimitada na região norte do canal classificada como areia média. O mesmo padrão de variação do diâmetro é observado nos rodólitos.

A grande fragmentação dos componentes bióticos e o predomínio de rodólitos elípticos com pouco ou nenhuma ramificação indicam um ambiente de alta energia hidrodinâmica.

As análises multivariadas permitiram determinar grupos similares quanto às características dos sedimentos, frisando que as duas análises, Componentes Principais e Agrupamento, foram importantes para a da distinção dos agrupamentos. As análises multivariadas dos componentes biogênicos auxiliaram na decisão dos grupos com predomínio de algas calcárias e os subdomínios do filo Rhizopoda, filo Mollusca, Porífera e Echinodermata. A análise Multivariada dos dados de granulometria, comparado com as classificações faciológicas, demonstraram a importância da Média e Desvio Padrão para formação de grupos similares.

A análise espacial utilizando interpolação de dados demonstrou as variações superficiais de cada característica levantada (Componentes Biogênicos, Concentração de Carbonatos e Granulometria), além da variação dos grupos similares levantados na análise Multivariada (Biofácies, Classificação Faciológica da Análise Granulométrica e Classificação de Rodólitos), permitindo distinguir diferenças nos padrões espaciais das características do sedimento, principalmente entre os Parrachos de Maracajaú e o canal de São Roque, destacando-se também padrões logitudinais presentes nas duas feições propondo indícios de fatores hidrodinâmicos.

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