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6. SUMMARY

6.4 CONCLUSION

A obesidade é um dos mais graves problemas de saúde pública mundial, tendo sua prevalência em ascensão. Vários especialistas já a caracterizam como uma epidemia, tanto em países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento (ADES e KERBAUY, 2002).

A OMS modificou a definição de obesidade em 2000 acrescentando ao termo “excesso de gordura corporal” o conceito de “aumento de morbidade”, quando o Índice de Massa Corporal - IMC (relação entre peso e altura ao quadrado) em adultos, estiver

25 acima de 25kg/m2 caracterizando sobrepeso e acima de 30kg/m2, obesidade (PINTO e CASTILHO, 2008).

A obesidade tem sua ocorrência em função da interação entre fatores ambientais e predisposição genética. Variáveis alimentares e o nível de atividade física são fatores responsáveis pelas diferenças na prevalência da obesidade nos diversos grupos populacionais (WHO, 2003). A obesidade constitui um fator de risco independente na parte cardiovascular e Hipertensão Arterial Sistêmica, além de relacionar-se a uma série de outros fatores de risco, como a dislipidemia, o Diabetes Mellitus, a resistência à insulina, distúrbios dermatológicos, doenças respiratórias do tipo apneia do sono, litíase biliar, distúrbios alimentares, dentre outros (LERARIO et al., 2002; LAMOUNIER e PARIZZI, 2007).

Gigante et al. (2009) em suas pesquisas buscaram estimar a prevalência de excesso de peso e obesidade e fatores associados. Utilizaram os dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL) do ano de 2006. A prevalência revelou um excesso de peso em 47% dos homens e 39% das mulheres, com 11% de obesidade em ambos os sexos. Diabetes, hipertensão arterial sistêmica e dislipidemias foram verificadas entre os indivíduos com excesso de peso e obesidade. Os autores constataram o efeito do IMC elevado sobre o diabetes, a hipertensão arterial sistêmica, a dislipidemias, com risco na presença de dois ou mais desses fatores. Foram identificados fatores associados à obesidade e sobrepeso, o que justifica medidas de controle e prevenção por meio de políticas públicas.

Lamounier e Parizzi (2007) na resenha da obra de Anjos (2006) destacaram a “transição nutricional” no Brasil reforçando a importância clínica-epidemiológica da obesidade para saúde pública, enquanto epidemia global que também vem afetando a população nacional. Os autores ressaltam ainda a importância e o impacto da doença para os indivíduos e para a coletividade, chegando a uma despesa anual na casa de 1,5 bilhão de reais, com internações hospitalares, consultas médicas e medicamentos, sendo 600 milhões através do Sistema Único de Saúde, representando 12% do orçamento gasto com todas as doenças. Além disso, por ser um fenômeno que vem acometendo todas as faixas etárias em vários países do mundo constitui um dos mais graves problemas nutricionais, devido as suas graves consequências biopsicossociais. Anteriormente, atingia apenas adultos, agora afeta crianças e adolescentes.

26 Tendo em vista que a obesidade tem como uma de suas complicações o diabetes, Vasques et al. (2007) avaliaram a influência do excesso de peso corporal obtido através do IMC e da obesidade central pela circunferência da cintura, no perfil lipídico sanguíneo e na glicemia de jejum. Encontraram maiores níveis glicêmicos e de triglicérides entre os indivíduos com excesso de peso e adiposidade central, também encontraram menores níveis de HDL associados com o excesso de peso. Verificaram a associação entre perfil lipídico inadequado e excesso de peso e/ou adiposidade central, reforçando a necessidade de intervenção nutricional e clínica para redução de complicações crônicas entre os diabéticos tipo II.

É importante ressaltar que a obesidade é uma doença multifatorial comum, na qual fatores genéticos e ambientais se interagem. A principal razão para a presente epidemia da obesidade parece estar relacionada com modificações ambientais que geram um excesso de consumo calórico e uma diminuição do grau de atividade física (CERCATO, 2006).

Mendonça e Anjos (2004) destacam as mudanças econômicas e nutricionais interferindo no sobrepeso/obesidade da população brasileira nos últimos trinta anos. A economia brasileira, a partir da década de 70, apresentou um crescimento na indústria de bens duráveis, além da industrialização dos produtos agropecuários, com transição da mão-de-obra extrativista para o setor de comércio, sociais e serviços, reduzindo o gasto energético populacional. Houve uma redução do gasto de energia justificado pela diminuição do esforço no trabalho doméstico, somado ao aumento do uso da televisão como principal meio de lazer e o uso de veículos motorizados para o deslocamento. Mudanças nos padrões alimentares tradicionais ocorreram devido à migração interna dentro do país, aumento da alimentação fora de casa, crescimento da oferta de refeições rápidas, além do aumento do acesso e utilização de alimentos industrializados/processados. Para os autores, o combate efetivo do sobrepeso e da obesidade passa pela implementação de projetos e programas governamentais e organizacionais, quer por intermédio de ações individuais, quer coletivas. Ressaltam que apenas listar passos não garante a adesão da população a um estilo de vida saudável. Devido à transição nutricional mundial e no Brasil, combater a fome continua sendo importante, mas também combater a obesidade deve fazer parte de uma mesma política que inclua educação nutricional, distribuição de renda com melhor

27 conhecimento e mais acesso a alimentos de qualidade nutricionais (LAMOUNIER e PARIZZI, 2007).

Coutinho et al. (2008) caracterizou a transição nutricional do Brasil como um dos maiores desafios para as políticas públicas que atendam à integralidade do indivíduo abordando a promoção da saúde. Defende a criação de uma agenda única de nutrição capaz de corrigir esse grande problema de má nutrição que passa pela desnutrição, mas atualmente, ganhou força com a obesidade que gera impacto na qualidade de vida das pessoas além de ter um custo significativo para o Sistema Único de Saúde.