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Como foi referido anteriormente, ser professor implica assumir um trabalho potencialmente stressante e ansiogénico cujas consequências negativas podem resultar em sintomas de exaustão emocional, de despersonalização e de perda de realização pessoal no trabalho, próprios do síndroma de burnout. No entanto, em Portugal e em particular no 1º Ciclo, estão por determinar os níveis de incidência da ansiedade e do burnout que contribuem para o desenvolvimento de mal-estar. As questões que se colocam nesta dissertação podem então ser equacionadas da seguinte forma:
Quais os níveis de incidência da ansiedade e do burnout enquanto indicadores de mal-estar em professores do 1º ciclo?
Por outro lado, sabemos pelo contacto com o fenómeno, que muitos professores, conseguem reagir adaptativamente face às dificuldades reais e previsíveis da profissão o que nos leva a considerar que poderão desenvolver uma reacção de engagement opostas ao burnout. Este enfoque actual, baseado numa psicologia positiva
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emergente, visa a compreensão dos recursos e formas óptimas de funcionamento em vez de se centrar nas tradicionais, fragilidades e disfuncionalidades humanas. Desconhecendo-se estudos que permitam determinar os níveis de incidência do engagement em professores portugueses do 1º ciclo do ensino básico, procurou-se responder a esta questão fundamental:
Qual a incidência do engagement enquanto indicador de bem-estar em professores do 1º ciclo?
Também explicitamos a desarticulação teórico- empírica que marca o quadro explicativo da ansiedade e do burnout na docência, faltando modelos capazes de enquadrar teoricamente o estudo da ansiedade e do burnout e de orientar investigações dedutivas. Vimos que, muitos professores se sentem permanentemente ansiosos e esgotados pelas situações rotineiras da sua actividade profissional, muito provavelmente por fazerem interpretações negativas desses acontecimentos. Quando essas interpretações deixam de ser esporádicas e passam a ser permanentes, poderão estar associadas a esquemas precoces mal adaptativos, que, orientando o processamento da informação ambiental de uma forma disfuncional (enviesando a interpretação), constituem uma fonte de ansiedade e burnout (Beck, Emery, Greenberg, 1985; Heimberg & Barlow, 1991; Eysenk, 1997). Está no
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entanto por clarificar o papel dos esquemas precoces mal adaptativos como variável interveniente nas mudanças nos níveis de ansiedade, burnout e engagement, sendo esta uma outra questão a que se procura responder nesta dissertação:
Qual o papel, dos esquemas precoces mal adaptativos dos professores na relação ansiedade - burnout profissional e na relação ansiedade – engagement?
Como veremos no capítulo quatro os esquemas precoces mal adaptativos são crenças incondicionais, que o indivíduo desenvolve, acerca de si mesmo e dos outros e que orientam o processamento de informação ambiental de uma forma disfuncional. São verdades “a priori”, implícitas e tomadas como certas. A irrefutabilidade das estruturas mais profundas é por conseguinte uma necessidade real (Young, 1990, 1999).
Uma característica fundamental dos esquemas precoces mal-adaptativos, que pretendemos salientar, é a sua (dis)funcionalidade prática em termos de organização de emoções. Os esquemas precoces mal-adaptativos constituem-se como verdades à priori, tomadas como certas pelos professores, que determinam as suas emoções face às situações.
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Considerando estas reflexões, a tese que procuramos demonstrar neste trabalho assenta em três pontos estruturantes:
- Os esquemas precoces mal adaptativos constituem-se como preditores significativos dos níveis de burnout e engagement.
- Os esquemas precoces mal adaptativos construídos pelos professores medeiam a relação ansiedade - burnout profissional.
- Os esquemas precoces mal adaptativos construídos pelos professores medeiam a relação ansiedade - engagement profissional.
Gostaríamos de ressalvar que as questões formuladas são importantes e actuais sendo uma investigação justificável do ponto de vista teórico e prático. Procuramos deste modo, clarificar os níveis de incidência da ansiedade, burnout e engagement nos professores do 1º ciclo do ensino básico num quadro onde destacamos o papel dos EPMA no Mal e no Bem-Estar dos Professores. Numa perspectiva reflexiva, actuativa e profiláctica desenvolvemos uma reflexão sobre estratégias de prevenção e
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actuação adequadas à especificidade socioprofissional dos professores portugueses do 1º ciclo.
Finalizamos esta introdução ao trabalho apresentando um breve resumo dos cinco capítulos que o compõem.
No capítulo Um, o primeiro da Fundamentação
Teórica; Mal-estar e Bem-estar docente faremos o
desenvolvimento histórico e conceptual do Mal-estar docente e do Bem-estar docente. Apresentamos uma perspectiva integradora do bem-estar docente, onde analisamos as inter- relações ocorridas entre as situações indutoras de stress, os mediadores cognitivos, as experiências de stress, as estratégias de resposta ao stress e as consequências das mesmas, no ambiente de trabalho e na saúde mental dos professores.
No capítulo Dois Ansiedade apresentamos os fundamentos teóricos da Ansiedade, estabelecendo as principais diferenças observadas na literatura entre a ansiedade normal e ansiedade patológica. São apresentados os principais indicadores de incidência da ansiedade na actualidade bem como a diferenciação conceptual entre o conceito de ansiedade e outros conceitos análogos. Terminamos com a apresentação da problemática do distress
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na profissão docente referindo a sua relevância em termos de níveis de incidência e de custos individuais e sociais, indicando alguns dos factores, pessoais, interpessoais, organizacionais e sociais, que contribuem para uma expressão tão marcada na docência.
No capítulo Três Burnout e Engagement apresentamos os fundamentos teóricos do burnout e procedemos à delimitação do conceito. São explicadas as principais características do burnout e apresentados os preditores observados na literatura relativamente ao sindroma. Explicamos os principais factores que têm permitido justificar a incidência do fenómeno do burnout na profissão docente e procedemos a uma tentativa de clarificação do fenómeno do engagement.
No Capítulo Quatro Esquemas Precoces Mal Adaptativos apresentamos os fundamentos Teóricos dos EPMA
no quadro da teoria de Beck (1985) e Young (1990, 1999). Explicamos o processo de funcionamento individual dos esquemas mediante três processos esquemáticos: evitamento, manutenção e compensação. Apresentamos algumas das principais condicionantes da profissão docente que podem conduzir muitos professores a terem sucessivas experiências negativas no seu quotidiano profissional, as quais podem contribuir para o desenvolvimento ou activação dos EPMA.
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No capítulo Cinco concretizamos o Estudo
Empírico sobre a incidência e os preditores da ansiedade e
do burnout profissional numa amostra de professores portugueses do 1º ciclo. Com esta análise destacamos as diferentes variáveis de ansiedade e EPMA que se assumem como preditoras significativas das três dimensões do burnout e clarificamos o papel que os EPMA construídos pelos docentes assumem na relação ansiedade – burnout e na relação ansiedade-engagement.
No capítulo Seis desenvolvemos um estudo empírico qualitativo e de natureza exploratória que decorreu de três entrevistas, realizadas a três sujeitos escolhidos da amostra de docentes do 1º ciclo anteriormente estudada. Com esta análise descrevemos o conteúdo funcional dos EPMAs de dependência funcional / incompetência e de modelos de falta de compaixão em 3 sujeitos com perfis distintos do ponto de vista do papel dos EPMA nas relação entre a ansiedade e o burnout e entre a ansiedade e o engagement.
No Capítulo Sete Conclusões do Trabalho apresentamos um resumo com as principais Conclusões do estudo realizado. Explicamos as implicações desta
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investigação para a prevenção da ansiedade, burnout e EPMA nos professores do 1º ciclo do ensino básico de modo a contribuirmos para a promoção do bem-estar-docente. Apresentamos as principais estratégias de prevenção e tratamento da ansiedade, burnout e EPMA nos professores do 1º ciclo do ensino básico. Elaboramos uma reflexão crítica sobre a prevenção da ansiedade, burnout, engagement e EPMA nos professores do 1º ciclo do ensino básico. Para finalizar são apresentadas as limitações do trabalho e apresentamos algumas linhas de investigação relevantes.
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