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16 [À margem de uma audição de piano]. Jornal Correio de Uberlândia, n. 2920, 10 de junho de 1950, p. 4.

Não eram somente as artes e nem só algumas benfeitorias que eram importantes para alavancar o progresso da cidade. As tecnologias que foram incorporadas em Uberlândia eram tidas também como importantes para o progresso. O rádio, por exemplo, foi considerado importante para o progresso a partir de 1939 (DÂNGELO, 2005), especialmente, quando irradiava programas culturais.

O concerto sinfônico com o maestro Lameira datado de 1941, por exemplo, “foi realizado no estúdio da radio Difusora e daí transmitido para toda rede de ouvintes da simpática PRC 6, que se tornou há muito um fator ponderável do nosso progresso cultural” (Jornal O Repórter, 12 de novembro de 1941)18.

Nesse aspecto, tal progresso estava relacionado a dois fatores: um que envolve a questão da rádio que chegava à cidade e outro que diz respeito à oportunidade de quem possuía o aparelho de ter acesso aos eventos culturais que eram transmitidos.

Além da rádio, o progresso da cidade estava ligado também a concertos e apresentações artísticas que aconteciam na localidade, destacando a presença de uma orquestra internacional em Uberlândia sob o patrocínio da empresa Diversões Triângulo Mineiro:

o progresso de Uberlandia e a ousadia da empresa local vão permitir que a nossa platéia, assista a um concerto de artistas consagrados nos paises mais cultos do continente americano e da Europa, apresentando musicas que nos são desconhecidas com a execução por um conjunto idôneo e dificil de ser conseguido (Jornal Correio de Uberlândia, 10 de janeiro de 1952)19.

É interessante ver que há uma comparação do progresso da cidade com o de outros países ditos “mais cultos”, apontando que Uberlândia estava no caminho do progresso, tendo o privilégio e a oportunidade de receber tais músicos estrangeiros.

A banda de música era tida como um símbolo do progresso na cidade desde o início das notícias jornalísticas em Uberlândia. Já no início do século,   

18 [Reprise do concerto sinfônico]. Jornal O Repórter, ano VIII, n. 435, 12 de novembro de 1941, p. 1.

19 [Desperta interesse a Orquestra Internacional]. Jornal Correio de Uberlândia, n. 3321, 10 de janeiro de 1952, p. 1.

mais especificamente, em 1908, o jornal “O Progresso” conclamava “o povo” a comparecerem na praça da cidade,

em massa, não só com sua presença mas tambem com seus calorosos applausos animar aquelle punhado de homens que luctando com innumeras dificuldades emprega todas as suas forças em prol do progresso da terra onde mora (Jornal O Progresso, 6 de setembro de 1908)20.

O progresso aqui também estava relacionado com a construção do coreto da cidade, local no qual a banda de música viria a se apresentar com certa regularidade. Além disso, os jornais convidavam a população para que comparecesse em grande número nas retretas da banda. Isso porque, nessa perspectiva, era importante que as pessoas “se tornassem educadas e adquirissem hábitos culturais”.

Essa ideia de progresso atravessou a primeira metade do século XX, sendo que, em 1951, o pensamento da banda como elemento de progresso para a cidade ainda continuava forte. Quando a banda para de tocar, e as autoridades políticas e religiosas passam a convidar bandas de outras cidades para alegrar os eventos da cidade, os jornais salientavam que a falta da banda local não alavancava o progresso da cidade, destacando que esses convites “não se daria(m) se [...] existisse uma banda nossa. A despesa seria bem menor e quiçá ficariamos bem mais satisfeitos. Portanto esperemos mais êsse passo que Uberlândia dá no setor progresso” (Jornal O Repórter, 17 de outubro de 1951)21.

Tal afirmação indica que o município pagava para trazer grupos musicais de outra cidade a fim de participarem de eventos em Uberlândia, isso porque houve um período em que deixou de se manter o grupo próprio da cidade. Além disso, no período estudado, os jornais noticiaram o desenvolvimento da cidade, seja pela criação de teatros, seja pelos elogios, ao comportamento das pessoas nas apresentações e até mesmo pela criação de entidades musicais. Como a “Sociedade Musical de Uberabinha”, em 192022, que tinha como objetivo organizar e manter uma banda e uma escola de   

20 [Música no jardim]. Jornal O Progresso, 6 de setembro de 1908, n. 51.

21 [Uberlândia cria uma Banda de Música]. Jornal O Repórter, n. 1392, 17 de outubro de 1951. 22 [Sociedade Musical]. Jornal A Tribuna, n. 80, 20 de março de 1921, p. 1.

música; a “Sociedade de Concertos Sinfônicos” em 192523; o “Centro Litero-

Musical” em 193524, que seria responsável pela organização de eventos e

audições de programas musicais e com declamações de textos e poesias, especialmente nas escolas; o “Grupo de Orfeão” em 193425 que é considerado

pelos jornais um grupo que colaborava para o “desenvolvimento artístico da cidade” (Jornal A Tribuna, 29 de agosto de 1934)26; a “Orquestra Sinfônica”27 que teve início por volta de 1941, sob a regência do Maestro Lameira que veio de outra cidade para preparar um concerto de obras nacionais na cidade (Jornal A Tribuna, 2 de novembro de 1941)28; o “Grupo Jazz Novo Mundo” de

1943 que era um conjunto da cidade que em nada teria “a temer o cotejo com outras que têm ocorrido à nossa cidade para alegar nossas festividades” (Jornal O Repórter, 22 de setembro de 1943)29; o “Conjunto Orquestral do

Liceu”30 formado por alunos do Colégio Liceu de Uberlândia, sob a direção de

Nicolau Sulzbeck; o “Centro Acadêmico Villa-Lobos” criado em 1957 pelos componentes do Conservatório Musical de Uberlândia (Jornal Correio de Uberlândia, 22 de agosto de 1957)31; e o “Conservatório Musical de Uberlândia” criado em 1957 (Jornal Correio de Uberlândia, 3 de julho de 1957)32.

Segundo os jornais, a criação dessas instituições foram ações consideradas importantes no setor do progresso da cidade em relação ao desenvolvimento cultural das pessoas. Cada órgão tinha sua característica e seu objetivo com um fim em comum que era o de desenvolver musicalmente as pessoas que viviam na cidade.

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23 [Sociedade de Concertos Symphonicos]. Jornal A Tribuna, n. 280, 22 de fevereiro de 1925, p. 5

24 [Centro Litero-Musical de Uberlândia]. Jornal A Tribuna, n.948, 20 de junho de 1935, p. 3. 25 [Formemos o nosso patrimônio artístico]. Jornal A Tribuna, pasta 14, n. 823, 29 de agosto de 1934, p. 1.

26 [Formemos o nosso patrimônio artístico]. Jornal A Tribuna, pasta 14, n. 823, 29 de agosto de 1934, p. 1.

27 Ao que tudo indica, principalmente pela falta de referência nos jornais, essa orquestra teve duração muito curta.

28 [Grande concerto sinfônico uberlandense]. Jornal A Tribuna, n. 1539, 2 de novembro de 1941, p. 1 e 4.

29 [Jazz Novo Mundo]. Jornal O Repórter, n. 618, 22 de setembro de 1943, p. 4.

Homenageada pelos alunos do Liceu ilustre educadora uberlandense]. Jornal O Repórter, n. 1.785, 19 de maio de 1953.

31 [Centro Acadêmico Villa Lobos: Conservatório]. Jornal Correio de Uberlândia, n. 4534, 22 de agosto de 1957, p. 6.

32 [Dia 13: Inauguração do Conservatório Musical]. Jornal Correio de Uberlândia, n. 4508, 3 de julho de 1957, p. 4.