A identificação dos recursos, preocupações e prioridades de cada família é uma etapa essencial para que os profissionais prestem serviços e apoios efetivamente centrados na família (Jung, 2012; Tomasello et al., 2010). Uma avaliação e intervenção que se pretenda centrada na família deverá atender e responder às preocupações de cada unidade familiar e, para tal, envolver ativamente os seus membros na sua identificação (Dunst & Trivette, 2009).
Ridgley e Hallam (2006) defendem que deverão ser criadas oportunidades para que as famílias partilhem todas as suas preocupações e prioridades num ambiente de respeito, de modo a assegurar que os apoios prestados se adequam a cada uma das famílias. Nesse sentido é extremamente importante procurar estabelecer e garantir uma comunicação efetiva e criar oportunidades para o diálogo informal, assim como, reconhecer e valorizar devidamente as qualidades da criança e da família, aspetos em
que se deverá alicerçar o desenvolvimento do plano de intervenção (P. J. McWilliam, 2012).
O modelo centrado na família destaca o papel central dos membros de cada unidade familiar nos processos de decisão acerca dos apoios e recursos mais adequados para promover o funcionamento e comportamento da criança, dos pais e da família (Dunst & Trivette, 2009).
A recolha de informação relativamente aos recursos e apoios naturais de uma família constitui incontestavelmente uma mais-valia na concretização de um apoio qualificado. Os recursos podem ser definidos como o conjunto ou tipo de oportunidades (como informação ou orientações) e experiências existentes numa comunidade e que possibilitam a um indivíduo ou família a obtenção dos resultados pretendidos (Jung, 2012). Em termos globais, estes diferenciam-se dos serviços (que valorizam e se centram quase unicamente no apoio a um nível formal), por serem mais acessíveis, de maior proximidade, capazes de se expandir e renovar, bem como, por enfatizarem as competências coletivas e individuais e os apoios informais e formais (Trivette, Dunst & Deal, 1997). De salientar que o modo como a identificação dos referidos recursos é levada a cabo terá repercussões no reconhecimento das prioridades por parte da família (Dunst & Trivette, 2009).
Mediante práticas de capacitação e de corresponsabilização, os profissionais de IP deverão fomentar oportunidades para que as famílias participem ativamente na mobilização dos recursos, serviços e apoios de que necessitam para atingir os resultados que pretendem (Bruder, 2004; Dunst & Trivette, 2009).
Cada família tem diferentes caraterísticas, preocupações e prioridades, que variam ao longo do tempo, pelo que é necessário individualizar a intervenção, um aspeto que é assegurado e operacionalizado através do PIIP. No processo de PIIP, família e profissionais deverão trabalhar em equipa para planificar uma intervenção adequada aos recursos, preocupações e prioridades de cada unidade familiar (Almeida, 2009; Keen, 2007).
Dunst (2005) indica que as preocupações das famílias enquadram a maior parte dos aspetos e situações que, posteriormente, retratarão os objetivos do plano de intervenção. Um conhecimento aprofundado das prioridades da família e comunicar essa informação a todos os participantes no processo de desenvolvimento do plano de intervenção é o primeiro passo para assegurar que as mesmas sejam efetivamente abordadas e respondidas (P. J. McWilliam, 2003d).
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Tendo em conta as preocupações e prioridades das famílias, e em função delas, o profissional de IP deverá ter em especial consideração o modo como o apoio será prestado (emocional, informativo e material), bem como a qualidade desse mesmo apoio (Dunst & Trivette, 2009; Jung, 2012).
No que concerne ao apoio emocional, este é promotor de uma relação de confiança e colaboração entre família e profissionais, requerendo fundamentalmente da parte destes últimos positividade/otimismo, orientação para a família como um todo, simpatia, sensibilidade e capacidade de resposta (Jung, 2012; R. McWilliam, 2012b). As redes sociais informais constituem, habitualmente, a fonte de grande parte do apoio emocional necessário para as famílias (Jung, 2012; Serrano, 2007).
O apoio informativo é um dos mais requeridos pelas famílias e corresponde a proporcionar informações a vários níveis, como por exemplo, o diagnóstico da criança, dados relativos aos marcos de desenvolvimento, os recursos e serviços disponíveis na comunidade, bem como, estratégias para promover o desenvolvimento (Jung, 2012; R. McWilliam, 2012b).
Relativamente ao apoio material, este integra recursos financeiros, de saúde, alimentação, segurança, transporte e equipamento de acessibilidade, necessários ao funcionamento e progressão das famílias em direção aos respetivos objetivos. O apoio prestado pelos profissionais a este nível poderá efetivar-se de diferentes modos, incluindo a ligação de uma dada família aos recursos da sua comunidade (Jung, 2012).
As diferentes categorias de apoio acima referidas poderão ser de cariz informal ou formal, consoante a fonte de que provenham (Jung, 2012; Serrano, 2007). Mais especificamente, os apoios informais são prestados pela família alargada, vizinhos, amigos, bem como, outras pessoas e grupos de pessoas que sejam parte integrante da vida de uma família, por razões diversas que não as necessidades especiais da sua criança. Por outro lado, os apoios formais são providenciados por pessoas, grupos de pessoas ou instituições formalmente estruturados para dar resposta às preocupações e prioridades únicas das famílias (Dunst, Trivette & Deal, 1988). De acordo com as evidências atuais os apoios prestados pelas redes de apoio sociais informais são mais úteis para as famílias do que os apoios das redes formais (Dunst & Trivette, 2009; Jung, 2012; Serrano, 2007). Como tal, primariamente, na planificação da intervenção e nos apoios de IP, dever-se-á ter por base os apoios informais existentes e os recursos da
comunidade de uma dada família e, somente se necessário, de um modo complementar selecionar apoios de cariz formal (Jung, 2012).
No processo de identificação dos recursos, preocupações e prioridades da família destacam-se dois instrumentos ou métodos de excelência, nomeadamente, o Ecomapa e a Entrevista Baseada nas Rotinas (EBR), por assentarem na participação ativa dos membros da família, bem como, pela riqueza e pertinência da informação obtida a partir da sua utilização (Jung, 2012; R. McWilliam, 2012a).
O Ecomapa, desenvolvido por Ann Hartman, em 1975, consiste num diagrama representativo das ligações, recursos e apoios de uma família, bem como, da intensidade das suas relações. Tendo subjacente à sua elaboração o diálogo e a reflexão, este instrumento possibilita obter a perspetiva de uma família relativamente às suas relações e recursos, um aspeto particularmente relevante para a elaboração do PIIP. Com base na referida informação, é possível desenvolver um plano de intervenção que a família se sinta apta para implementar, partindo dos recursos de que a mesma dispõe, assim como, daquilo que já faz ou pretende fazer (Jung, 2012).
A EBR corresponde a uma entrevista semiestruturada a pelo menos um dos pais, que fornece uma descrição rica e detalhada do funcionamento da criança e dos membros da sua família, no seu dia-a-dia, e que possibilita, ainda, estabelecer uma relação positiva e proactiva entre a família e os profissionais (R. McWilliam, 2012a; T. Boavida, Akers, R. McWilliam, & Jung, 2015). Assim, constitui uma ferramenta essencial para o desenvolvimento de um plano de intervenção funcional, centrado na família, focado nas rotinas diárias, e que responda às preocupações e prioridades da unidade familiar, possibilitando assim o desenvolvimento da criança (nomeadamente, da sua autonomia, envolvimento e relações sociais) e, simultaneamente, uma participação efetiva dos membros da família durante a avaliação, planificação e implementação da intervenção (R. McWilliam, 2010, 2012).
Segundo Jung e Grisham-Brown (2006), a informação obtida a partir de entrevistas baseadas nas rotinas e das observações nos contextos naturais da criança e da família permite a definição de preocupações e prioridades contextualizadas e funcionais, que poderão ser diretamente traduzidas em objetivos para o plano de intervenção.
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