O programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 21, foi utilizado para analisar as estatísticas dos dados desta pesquisa. O primeiro passo da análise foi a limpeza dos bancos de dados com a retirada de sujeitos que não responderam ao menos 50% do instrumento. No caso desta pesquisa, nenhum sujeito foi eliminado. A amostra em que as análises do estudo foram realizadas ficou composta pelas respostas dadas por 215
sujeitos, sendo 177 membros das equipes e 38 coordenadores, totalizando 38 equipes, conforme descrito na seção 6.2 (participantes). Em relação aos dados ausentes ou dados
missing, não foi utilizado qualquer método de transformação em decorrência da baixa
magnitude encontrada nos itens. Deste modo, as análises estatísticas utilizadas no estudo se valeram do método de exclusão pairwise em todas as ocasiões.
O passo seguinte foi a inspeção quanto à normalidade da distribuição das respostas, que foi realizada com o banco das respostas individuais. Nesta etapa, buscou-se realizar ajustes nos itens que apresentassem índices de simetria acima dos valores recomendados (caso necessário), conforme descrito na seção 6.3 (instrumentos).
Após esse procedimento, foram realizadas as análises fatoriais exploratórias para as escalas utilizadas na pesquisa, a fim de reunir evidências de validade e confiabilidade das medidas no contexto da amostra em que foram aplicadas. Até este momento, os dados considerados são as respostas individuais, visto que a agregação destas respostas em escores da equipe deve atender a alguns pressupostos que serão explicitados a seguir. As análises fatoriais seguiram o método PAF (Principal Axis Factoring) e os índices de confiabilidade utilizados foram o Alpha de Cronbach e o valor médio da correlação item-total conforme relatado também na seção 6.3 (instrumentos).
De posse das evidências relativas à adequação das medidas para uso na amostra de respondentes desta pesquisa, procedeu-se com a verificação da pertinência de emersão dos construtos para o nível das equipes, uma vez que constituem a unidade de interesse deste estudo. Diante disso, para se afirmar que o atributo é coletivo e não dos membros das
equipes, ou seja, atributo do nível individual, é necessário constatar a existência de consenso entre os integrantes da equipe, conforme esclarecem Puente-Palacios e Borba (2009). Ainda, Kozlowski e Klein (2000) defendem que, ao estudar fenômenos que surgem por emersão, o pesquisador deve avaliar a existência de baixa variância entre indivíduos e elevada variância
entre grupos. Essas recomendações metodológicas são fundamentais, pois orientam quanto ao processo de transformação dos fenômenos do nível individual em fenômenos grupais do nível meso, apontando procedimentos que autorizam a agregação das respostas individuais em dados da equipe. Recomendações semelhantes são encontradas na tipologia de modelos de composição elaboradas por Chan (1998).
O primeiro passo das estratégias analíticas utilizadas para capturar a emersão de um processo grupal é a verificação da similaridade intragrupal, que envolve analisar a
homogeneidade das respostas dos membros de cada equipe. Para isso, foi utilizado o índice ADMd ou análise dos desvios médios com base na mediana, conforme orientam Burke e Dunlap (2002). O valor limite de desvio considerado aceitável é encontrado a partir da fórmula c/6, sendo “c” a amplitude da escala. Após a constatação da similaridade intragrupal, foram construídos escores grupais por fator mediante o cálculo da média aritmética para cada escala, buscando-se compor escores por equipe.
Paralelo ao processo antes relatado, deve-se verificar a existência de diferenças significativas entre equipes, segundo quesito necessário para defender que trata-se de atributo coletivo. Para tanto, foi realizado o teste da Anova One Way que informa quanto à
variabilidade das equipes (Puente-Palacios & Borba, 2009). A existência de variância no nível das equipes também foi investigada mediante o cálculo do Intraclass Correlation
Coeficient (ICC), que representa a proporção da variância total, que é explicada pelo nível
meso (Gamero, Gonzaléz-Romá, & Peiró, 2008). Tais procedimentos são necessários, uma vez que somente os construtos que apresentassem variabilidade significativa por variável ou fator poderiam ser utilizados nos testes de hipóteses realizados no nível coletivo.
A regressão linear múltipla foi o último procedimento, com a finalidade de testar o modelo preditivo do estudo. Porém, antes de conduzir a regressão, foi necessário obedecer às diretrizes dadas por Tabachnick e Fidell (2007), relativas à verificação dos pressupostos para
tal análise. Eles consistem em investigar a existência de colinearidade entre as variáveis antecedentes da pesquisa e verificar a presença de casos outliers multivariados, realizado neste estudo mediante o cálculo da distância Mahalanobis.A verificação da colinearidade ou multicolinearidade se deu por meio da realização de dois procedimentos: o primeiro consistiu no cálculo do VIF (Variance Inflation Factor) e dos valores de tolerância; e o segundo, por meio da inspeção da matriz de correlação entre as variáveis antecedentes do estudo.
Atendidos os pressupostos da regressão linear múltipla, foram realizados os
procedimentos relacionados ao teste do modelo preditivo, utilizando-se o método Enter, para definir a inserção das variáveis, com tratamento Pairwise de casos omissos.Os testes das hipóteses foram conduzidos, primeiramente, no banco grupal; e posteriormente, com o conjunto das respostas individuais. Para testagem da primeira hipótese, no banco grupal, foi avaliado o poder de predição da liderança em relação ao desempenho (auto e heteroavaliado), satisfação e coesão da equipe. Por sua vez, a segunda hipótese testou a predição da liderança com os fatores de clima social. Em ambos os testes a liderança (transformacional e
transacional) foram inseridas no passo 1, conjuntamente, condizente com as abordagens teóricas de referência.A terceira hipótese não pode ser testada no banco de dados grupal em função do tamanho da amostra reduzido.
No banco de dados individual, os testes para as Hipóteses 1 e 2 seguiram o mesmo procedimento que no banco grupal. Para testagem da hipótese 3, a qual previa que o clima social da equipe substitui a liderança na relação com a efetividade da equipe, foi conduzida a regressão múltipla em várias etapas. Assim, para cada variável-critério sob análise
(desempenho, satisfação e coesão), foram inseridas a liderança transformacional e
transacional, conjuntamente, no passo 1. Em seguida, no passo 2, foram acrescentados os diversos fatores do clima social da equipe, um a cada vez. Adotando esse procedimento foi possível avaliar a predição da liderança transformacional e transacional para cada variável
consequente do estudo e comparar os dados quando os diversos fatores do clima social, conjuntamente com a liderança, foram acrescentados à equação.