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A segunda aula de Latim foi lecionada em maio de 2015, teve a duração de 90 minutos e incidiu sobre a unidade 5 do programa de Latim A do 11.º ano vigente: «A romanização da Hispânia». O tema escolhido para a aula foi a obra Strategemata, do autor latino Sexto Frontino, apresentada como um tratado de técnicas militares com fins

didáticos, onde são expostos vários exemplos de estratégias bélicas, algumas das quais usadas durante a romanização da Península Ibérica.

No manual de 11.º ano Noua itinera, não está incluído nenhum texto deste autor, nem é mencionado no atual programa de Latim A do Ministério da Educação, no entanto, pareceu-me um tema interessante e apelativo para ser explorado e apresentado aos alunos, dado que a matéria presente nos textos escolhidos para a aula estava de acordo com os conteúdos previstos para o ano em questão, revelando um grau de dificuldade adequado.

A aula iniciou-se com uma abordagem ao autor Sextus Iulius Frontinus, referindo alguns dos seus aspetos biográficos, nomeadamente os seus cargos administrativos na cidade de Roma, onde foi comissário das águas e responsável pela redação de um tratado sobre os aquedutos em Roma, o De aquis urbis Romae. Após a visualização, em PowerPoint (cf. Anexo 30), de algumas imagens relativas à construção de aquedutos em Roma e à sua expansão e implementação nas regiões conquistadas, como a Hispânia, foi apresentada outra das obras principais do autor, Strategemata, composta por 500 episódios da história militar grega e romana.

Para entrar no assunto, comecei por explicar aos alunos a razão pela qual tinha escolhido esta obra, procurando associar o tema da guerra, como algo que se repete e que está presente ao longo dos séculos no comportamento do Homem, com a ideia de necessidade de sobrevivência, onde entra a criatividade, na capacidade humana de criar soluções para resistir e ultrapassar o inevitável. A partir daqui, estabeleceu-se um breve diálogo com os alunos sobre o tema e foi lido por mim, em voz alta, o poema «À espera dos Bárbaros», de Konstantin Kavafis (autor grego do século XIX que, nos seus poemas, retrata vários episódios da Antiguidade Clássica), que me pareceu ir ao encontro do tema abordado. Após a leitura, os alunos mostraram curiosidade pelo autor e o livro circulou pela sala.

De seguida, foi distribuída uma ficha de trabalho com um texto de Frontino (um episódio de Strategemata com uma estratégia de Tito Dídio durante a romanização da Hispânia) e foi solicitado aos alunos que lessem em voz alta o excerto apresentado. Após uma análise linguística do texto, realizada oralmente com os alunos, e a identificação de algum vocabulário relacionado com a prática bélica, foi-lhes solicitado que completassem os exercícios propostos na ficha e que experimentassem realizar a tradução do texto. Estes exercícios foram sendo corrigidos gradualmente, à medida que

iam sendo finalizados, para que se mantivesse um ritmo de aula dinâmico. A tradução foi, por fim, realizada em conjunto, com a intervenção dos alunos. Posteriormente, foi sugerida uma versão final para que todos fizessem uma autocorreção.

Durante a aula foi ainda distribuída e lida uma ficha informativa sobre o infinito perfeito passivo, através da qual esta forma verbal, presente no texto de Frontino trabalhado em aula, foi explicada aos alunos, e foram abordados, através de uma ficha de leitura, mais dois textos de Strategemata, agora referentes a Sertório e a Viriato (cf. Anexo 31). Nesta segunda ficha, os textos apresentavam-se em latim e em português, para serem lidos em voz alta e para que se pudesse trabalhar a intenção na leitura em latim, a partir da leitura em português. A partir destes textos foi estabelecido um diálogo com os alunos acerca das figuras de Sertório e Viriato (acompanhado por informações e imagens em PowerPoint, cf. anexo 30) e do seu papel na romanização da Península Ibérica. No final da aula foi ainda proposto aos alunos que pensassem em palavras etimologicamente relacionadas com o adjetivo bellicus, a, um.

Os alunos mostraram-se recetivos e disponíveis na realização das atividades propostas, participando na aula sempre que solicitados e por livre iniciativa, revelando interesse e colocando questões sobre a matéria. Procurou-se que todos os discentes fossem desafiados para a participação na leitura ou correção das propostas apresentadas e que se sentissem à vontade para colocar questões e intervir.

Entendoque o Latim é uma disciplina que exige bastante rigor e atenção na sala de aula e que, tal como em outras disciplinas, o professor deve dar espaço aos alunos para a sua intervenção e para o esclarecimento de dúvidas; ter em atenção as questões dos alunos, não esquecê-las e mantê-las presentes na aula seguinte (se não chegarem a ser respondidas); autocorrigir-se, quando necessário, para que os conteúdos fiquem claros; dar confiança aos alunos, motivá-los para a participação na aula e ajudá-los no seu processo de autocorreção e de aprendizagem.

Enquanto professora estagiária considero que o trabalho e o percurso a seguir será no sentido de ir criando nos alunos uma autonomia cada vez maior na relação com os materiais apresentados e propostos, procurando, através da implicação física e cognitiva com os assuntos abordados, que incorporem, entendam e se interessem pelos temas e pelos textos clássicos, mantendo para isso a exigência e o entusiasmo pessoais e dos alunos.