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A amostra vertical E07VC, com 1,06 m de comprimento, foi colhida a 50,5 m de profundidade (Figura 6.3), no depósito superficial típico de ambiente marinho (areias SP-SM) e cortando, também, as unidades sísmicas U3 e U2. À semelhança do observado na amostra vertical E06VC, também nesta amostra se encontram representados os dois ambientes de deposição sedimentar identificados. Entre a superfície e 0,90 m de profundidade, encontra-se o depósito arenoso de ambiente de plataforma e inferiormente encontra-se o depósito areno-cascalhento, formado em ambiente marinho-marginal.

Análise textural

Passando à análise dos resultados das propriedades texturais obtidas através dos ensaios laboratoriais (Figura 6.10) constata-se que os primeiros 0,60 m da amostra correspondem a uma areia fina (média dos solo marinhos de 0,185 mm). A fração arenosa é da ordem dos 91,0 %, a fração silto-argilosa na ordem de 7,5%, enquanto que a fração areno-cascalhenta é de cerca de 1,5% apenas, sendo maioritariamente constituída por partículas biogénicas. Entre 0,79 – 0,90 m e 1,0 - 1,06 m encontram-se solos areno-cascalhentos caraterizados por uma fração arenosa com percentagens médias de 61,0% e 52,0%, respetivamente, a fração cascalhenta com percentagens médias de 37,0% e 42,0%, enquanto que a fração silto-argilosa apresenta percentagens médias de 2,0 e 6,0% respetivamente.

Entre 0,92 e 1,0 m os solos marinhos são cascalhos arenosos com percentagens média da fração areia de 43,0%, da fração cascalho de 55,0% e de 2,0% da fração silto-argilosa.

Média textural dos solos marinhos

Os resultados da média textural dos solos/sedimentos (Figura 6.10) amostrados neste local da bacia oceânica permitem constatar a existência de dois tipos de solos. Entre a superfície e os 0,80 m encontram-se os solos arenosos (média textural 0,185 mm) representativos do ambiente marinho. Abaixo deste nível e até ao fim da amostra encontram-se solos grosseiros com uma média textural de 2,5 mm, que revelam a outra proveniência e que se encontram associados ao ambiente marinho-marginal.

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Figura 6.10 - Representação dos resultados dos ensaios laboratoriais efetuados em solos representativos dos ambientes de sedimentação amostrados verticalmente pela amostra E07VC e respetiva classificação unificada de solos

Classificação unificada de solos

A classificação geotécnica dos solos amostrados (ASTM D2487:2006), representada na Figura 6.10, indica que neste local da bacia oceânica a coluna sedimentar apresenta uma alternância entre níveis distintos de solos arenosos, cascalhentos e silto-argilosos, tendo sido identificados os que a seguir se descrevem:

 SP-SM – areias finas mal graduadas (91,0%) silto-argilosas com percentagens médias na ordem de 8,0% e com valores médios de Cu = 3,1 e Cc = 1,2;

 SM – areias finas (80,3%) silto-argilosas (19,0%);

SP - areias finas mal graduadas (94,9%), com percentagens vestigiais de cascalho e com finos (silte + argila) na ordem de 4,3%; valores médios de Cu = 3,4 e de Cc= 1,0  SW – solos areno-cascalhentos (areia - 61,3%, cascalho - 36,9% e silte + argila - 1,8%)

e valores médios de Cu = 8,4 e de Cc = 0,8;

 GW – solos cascalhentos bem graduados (54,7%), areia (43,5%) e silte+argila 1,8%; valores médios de Cu = 9,8 e de Cc = 1,9;

 SW-SM – areia finas bem graduadas (51,4%) com partículas silto-argilosas (7,5%) e cascalhentas (41,1%); os valores médios de Cu = 7,2 e Cc = 2,8.

Suscetibilidade magnética

Da análise do gráfico da suscetibilidade magnética (Figura 6.10) verifica-se que este parâmetro aumenta ligeiramente, e de forma gradual, entre o topo da amostra e os 0,20 m, onde atinge um valor de 8,7x10-6. A partir deste nível e até ao fim do testemunho verifica-se um decréscimo

gradual do valor da suscetibilidade magnética, atingindo ao 1,10 m um valor de 3,2x10-6.

Velocidade de propagação das ondas compressionais (ondas P)

O gráfico referente à propagação das ondas P (Figura 6.10) mostra que entre o topo da amostra e 0,60 m, os valores de velocidade são relativamente consistentes e rondam cerca de 1750 m/s. A 0,70 m regista-se o valor de propagação da velocidade mais baixo, medido nesta amostra, e que é de 1470 m/s, coincidente com o aumento da fração silto-argilosa. Abaixo deste nível, entre 0,79 e 1,06 m, a velocidade de propagação das ondas P aumenta para valores acima de 2000 m/s, correspondendo a um nível areno-cascalhento.

Teor em água

Analisando o gráfico relativo ao teor em água (Figura 6.10) verifica-se que entre, o topo da amostra e 0,22 m, o teor em água apresenta uma média de 24,0%, aumentando para os 34,0% no nível areno-lodoso (0,22 a 0,26 m). Abaixo deste nível e até 0,54 m verifica-se um decréscimo

argilosa. No nível entre 0,54 – 0,56 m e refletindo um ligeiro aumento desta fração, o teor em água aumenta também, registando um valor de 31,5%.

Entre 0,79 e 1,06 m, refletindo a presença de partículas grosseiras com uma média de 1,35 mm, o teor em água é da ordem de 10%.

Peso volúmico aparente e densidade de partículas

O peso volúmico dos solos entre o topo da amostra e 0,60 m é em média 19 kN/m3, enquanto

que no nível areno-cascalhento (entre 0,79 e 1,06 m) a média é de 20 kN/m3. Entre 0,60 e 0,79 m

regista-se o valor mais baixo (16 kN/m3) refletindo o aumento da fração silto-argilosa neste nível

(Figura 6.10).

À semelhança do verificado na amostra vertical E06VC, também nesta amostra, E07VC, a densidade de partículas apresenta grande consistência ao longo de todos os solos marinhos caraterizando-se por uma média de 2,66.

Teor em carbonato de cálcio

O teor em CaCO3 dos solos desta amostra é inferior a 10% em toda a coluna sedimentar (Figura

6.10) e à semelhança dos solos da amostra E06VC, teores de CaCO3 < 30%, são classificados

como litoclásticos (Larssoneur 1977). Entre a superfície e 0,69 m o teor em carbonato de cálcio varia entre 4,2% e 7,5%, valor que se encontra a 0,55 m. Entre 0,79 m e o fim da amostra vertical (1,06 m) o teor em carbonato de cálcio apresenta variações que estão relacionadas com os solos areno-cascalhentos e com a presença / ausência, em alguns níveis, de conchas de moluscos.

Mineralogia da fração fina (< 63 m)

Na Figura 6.11 encontram-se representadas as curvas de distribuição dos minerais mais abundantes na fração silto-argilosa e na Tabela 6.3 as respetivas percentagens médias, mínimas e máximas presentes nesta amostra vertical.

Tabela 6.3 - Percentagens dos minerais mais abundantes na fração < 63 m da amostra E07VC

Minerais Mica/Ilite Caulinite Clorite Quartzo Feldspato K Plagioclase Calcite % Média % (mín – máx) 21,4 (7,5 – 40,7) 4,0 (1,8 – 7,4) 2,6 (0 – 7,7) 15,4 (5,6 – 25,0) 14,1 (5,3 – 24,6) 13,2 (7,8 – 21,9) 16,7 (6,6 – 32,5)

O log relativo à amostra vertical E07VC (Figura 6.12) permite verificar, e para todos os minerais, uma oscilação na abundância relativa de cada um, sendo o mineral mais abundante a mica/ilite, seguido da calcite, do quartzo, do feldspato K, da plagioclase, da caulinite e da clorite (Tabela 6.3).

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Linha tracejada vertical de cor cinza - média dos valores de todos os ensaios realizados; linha azul médias móveis calculadas a partir de três dados consecutivos Figura 6.11 - Distribuição da abundância relativa dos minerais silto-argilosos ao longo da amostra vertical E07VC (linha vermelha)