Carl Erik Schulz
LIST OF ABBREVIATIONS
6. CONCLUSION AND RECOMMENDATIONS
Em termos de cadeia produtiva, diversos elos a compõem, como mostra a Figura 3. São evidenciados também as atividades de apoio e outros elos que complementam as atividades da cadeia. Cumpre analisar com mais propriedade os principais elos da cadeia produtiva: os produtores ou pecuaristas, os frigoríficos e o varejo.
Figura 3 - Elos da cadeia produtiva de carne bovina
FONTE: Lírio (2002)
Primeiro, quanto aos produtores ou pecuaristas, em termos de estabelecimentos agropecuários, o Brasil tem cerca de 5,2 milhões, sendo a maioria voltados à pecuária (IBGE, 2006). Diferente da produção de suínos, aves e até da pecuária de leite, a maioria do efetivo bovino – cerca de 70% (IBGE, 2006) – é de propriedade não familiar, ou seja, tem caráter de atividade profissional. A pecuária ocupa 198 milhões de hectares de terra, o que equivale a 23% do total de 851 milhões de hectares do território brasileiro, sendo a atividade que ocupa a maior extensão territorial no país (ICONE, 2012).
Há dois sistemas de produção, um mais verticalizado, que envolve as atividades de cria, recria e engorda; outro em que cada uma destas etapas é feita separadamente (CEPEA, 1999). Apesar de avanços em relação à década de 1990 (BARCELLOS et al, 2004), de modo geral, os grandes estabelecimentos tendem a se voltar para a produção de bovinos
de corte de maneira extensiva e com baixa produtividade7 (IBGE, 2006). Ainda que se possa apontar o aumento da produtividade média de alguns estabelecimentos em decorrência de melhorias tecnológicas em termos de genética, nutrição, manejo e sanidade (CARVALHO; ZEN, 2010) e da produtividade geral nacional8, ocorre uma forte heterogeneidade tecnológica e gerencial (JANK apud PITELLI, 2004) entre os produtores, bem como a relativa pouca diferenciação da carne produzida, razão pela qual a torna menos competitiva (FAVARETH FILHO; LIMA DE PAULA, 1997). Quanto à perspectiva econômica, a atividade pecuária tem apresentado mais dificuldades ao longo dos últimos anos, uma vez que se observa o achatamento da margem dos produtores. Ao analisar a série histórica acumulada dos custos de produção e do preço da arroba entre 2004 e Maio de 20129, Delgado et al (2013) identificaram um aumento acumulado nos custos de produção da ordem de 116,73% ao passo que o preço da arroba teve alta acumulada de apenas 69%.
Em termos de distribuição geográfica, a pecuária tende a ocupar as regiões mais afastadas e menos desenvolvidas (ZUCCHI; CAIXETA-FILHO, 2010). À medida, porém, que essas regiões se desenvolvem, passa a ocorrer pressão sobre o valor da terra, dando lugar a outras atividades mais rentáveis, como a agricultura. Assim, sua expansão frequentemente ocorre a partir de fronteiras agrícolas e áreas recém-desmatadas (JESUS JUNIOR et al, 2008; BUSTAMANTE et al, 2012). Estudos mostram que a pecuária avançou sobre os biomas do Cerrado e da Amazônia, sendo apontada, como uma das principais responsáveis pelo desmatamento10 (MARGULIS, 2003; GREENPEACE, 2009b; BUSTAMANTE et al, 2012; DOMINGUES; BERMANN, 2012). O Gráfico 3 evidencia como a pecuária tem crescido vertiginosamente, sobretudo a partir de meados da década de 1980, nas regiões Norte e Centro-Oeste - onde se localizam tais biomas.
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Barreto e Silva (2013) afirmam que a produtividade média é de 80 quilogramas/hectare de carne produzida anualmente, valor bastante inferior ao seu potencial de 300 quilogramas /hectare anuais. 8
Segundo o MAPA (2013), entre 1975 e 2011, o efetivo de bovinos dobrou, de 102,5 milhões para 204 milhões, ao passo que as áreas de pastagens decresceram 8%.
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Os pesquisadores basearam-se nos dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/ESALQ). Os custos de produção, chamado de Custo Operacional Efetivo (COE) inclui os preços do bezerro, da suplementação natural à alimentação do boi e os custos de mão-de-obra; o preço da arroba baseia-se no indicador ESALQ/BM&F.
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Bustamante et al (2012) calculam que a Pecuária tenha sido responsável por cerca de 75% do desmatamento na Amazônia no ano de 2008.
Gráfico 3 – Efetivo de cabeças de gado por região geográfica brasileira
FONTE: adaptado de IBGE (2006)
Seguindo a tendência de distribuição territorial do rebanho no Brasil, os frigoríficos têm instalado plantas industriais próximas aos principais centros produtores, procurando reduzir os custos de aquisição do gado. Quanto às suas características, Pitelli (2004) destaca que a indústria frigorífica vem se tornando cada vez mais organizada, tendo apresentado avanços em termos gerenciais, tecnológicos e de articulação setorial – em torno da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) e Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), contudo, ainda há a existência de muitos frigoríficos clandestinos (PIGATTO et al, 2006; PIGATTO, 2011). Suas
unidades produtivas podem abranger os chamados ‘matadouros’, que realizam o abate do animal, produzindo carcaças e vísceras; os ‘frigoríficos’ propriamente ditos, que
geralmente apenas processam a carne e geram seus subprodutos, mas que também podem realizar as funções de matadouro; e, por fim, as ‘graxarias’, que processam os subprodutos ou resíduos11 dos abatedouros e frigoríficos (LOPES et al, 2009).
Recentemente, a procura por aumentar as exportações, a exigência dos consumidores e o processo de diferenciação “transformaram a commodity carne em cortes de carne com
marca e maior valor agregado” (PASCOAL et al, 2011, p. 83).Vem ocorrendo também
um substancial aumento da concentração dos frigoríficos (SOARES et al, 2005), o que
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Incluem sangue, ossos, cascos, chifres, gorduras, aparas de carne, animais e partes condenadas pela vigilância sanitária, e dão origem à gordura animal - para indústria de sabões/sabonetes - e farinha de carne e ossos – para produção de ração (LOPES et al, 2009).
- 10 20 30 40 50 60 70 1970 1975 1980 1985 1995 2006 Nú m ero d e cab eç as (em mil h õe s) Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
lhes vem conferindo maior poder de mercado em relação aos demais elos12 (PITELLI, 2004; SOARES et al, 2005; URSO; BARRIONUEVO FILHO, 2009; MOITA; GOLONI, 2010). A Tabela 2 fornece a dimensão da concentração dos frigoríficos exportadores, sendo que os dois principais grupos detêm mais de 54% dos estabelecimentos frigoríficos com registro no Serviço de Inspeção Federal (S.I.F). Moita e Goloni (2010), por sua vez, citam diversas acusações de práticas de cartel e conluio de preços envolvendo os frigoríficos.
Tabela 2 - Número de estabelecimentos frigoríficos exportadores por grupo empresarial
Grupo Empresarial Número de
estabelecimentos* % do total
JBS S/A 34 41%
Marfrig 20 24%
Outros grupos frigoríficos** 8 10%
Minerva S.A 8 10%
Rodopa 5 6%
Frigorífico Mataboi S/A 4 5%
Vale Grande 4 5%
Total 83 100%
Observações:
*Inclui aqueles com cadastro no Serviço de Inspeção Federal (S.I.F) **Soma dos grupos com três ou menos plantas, total de cinco grupos Fonte: adaptado de ABIEC (2012)
Essa concentração e consequente poder de mercado tende a outorgar aos frigoríficos mais condições de determinarem os preços e prazos de pagamento (PIGATTO et al , 2006; CALEMAN; ZYLBERSZTAJN, 2012). No entanto, a partir de 2008, as associações de pecuaristas se organizaram para exigir dos frigoríficos o pagamento à vista, como garantia na comercialização. Este contexto se deu por força da grande crise internacional de 2008 em que muitas plantas frigoríficas foram à falência, gerando incapacidade de pagamento aos pecuaristas (PES et al, 2012). Em 2009, reportagem citou que o percentual de pagamento à vista aos pecuaristas representava cerca de 30% das transações, valor este muito superior aos anos anteriores (GUIMARÃES, 2009).
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Nas cadeias agroindustriais, normalmente, agropecuaristas são dispersos e numerosos, tendo que negociar com grandes aglomerados compradores de matérias-primas – agroindústrias – e de produto final
Além disso, os maiores grupos frigoríficos brasileiros13 têm procurado expandir sua produção e se internacionalizar por meio da aquisição de indústrias em países produtores com baixa rejeição à exportação14 - Uruguai, Argentina e Austrália - e em grandes mercados consumidores - Europa e EUA (PIGATTO; SANTINI, 2009; CALEMAN et al, 2009), consolidando ainda mais a participação do Brasil no mercado mundial. Observa-se ainda a mudança de foco estratégico, procurando se consolidar como empresas de proteína animal – abrangendo produção de carne bovina, de frango e suína – e diversificando o espectro de produtos comercializados15 (PIGATTO, 2011). Como forma de se capitalizar, têm se utilizado de recursos advindos da participação do BNDES no negócio16 (PIGATTO, 2011) e da abertura de capital observada na segunda metade da década de 2000 (CALEMAN et al, 2009; PIGATTO, 2011).
No que tange às questões ambientais, as indústrias frigoríficas foram fortemente pressionadas a adequar-se às legislações e exigências ambientais crescentes a partir do fim da década de 1980 por parte de organismos nacionais e internacionais (IEL, 2000). Ao sofrerem exigências ambientais, por vezes, os frigoríficos passam também a fazer estas exigências aos pecuaristas, gerando reclamações por parte dos últimos, como aponta reportagem de Vargas (2010).
Em relação ao varejo, na década de 1970, ocorreu o processo de consolidação do setor, alçando os supermercados como ator principal na distribuição de alimentos no Brasil (SENHORAS, 2003). Observou-se a partir dos anos 1990, um forte movimento de concentração visando à exploração de economias de escala e de escopo, ao aumento da eficiência e à produtividade operacional e de suprimentos (FARINA et al, 2005). As condições de mercado impuseram esses fatores, haja vista que após a relativa estabilidade de preços a partir de 1994, os supermercados tiveram a necessidade de redefinir suas estratégias, explorando mais os resultados operacionais em detrimento dos resultados financeiros (BRUM; JANK, 2001). A concentração e o maior poder de coordenação adquirido pelas grandes redes varejistas engendrou como consequência
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Notadamente, Marfrig e JBS. 14
Sobretudo devido às estruturas e adequadas condições sanitárias. 15
Dentre eles, podem ser citados alimentos para animais domésticos, lácteos e derivados e alimentos industrializados pré-prontos.
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Segundo Pigatto (2011) há um movimento do governo em estabelecer grupos nacionais fortes e capazes de fazer frente ao mercado internacional.
maior poder de barganha frente aos elos à montante da cadeia agroalimentar (WILKINSON, 2010).
Como um dos direcionadores da concentração, encontra-se o movimento aquisição de empresas brasileiras17 (BRUM; JANK, 2001; WILKINSON, 2010; BRAGA, 2010). Este movimento está alinhado à dinâmica de transnacionalização promovida por empresas norte-americanas e europeias em direção a mercados emergentes, gerando algumas mudanças no comércio global: o varejo passa a coordenar cadeias de suprimentos de alguns gêneros, inclusive carnes; o varejo estabelece redes globais de distribuição, tendendo a reduzir o papel de outros canais e de intermediários; o varejo desenvolve fornecedores privilegiados, favorecendo parceiros de seu mercado de origem (WILKINSON, 2010).
Atualmente, como mostram dados de levantamento realizado pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) em parceria com a AC Nielsen, as grandes redes varejistas detêm uma expressiva concentração de mercado. Em 2011, o faturamento das três maiores empresas somaram 22,2% do total do faturamento setor do varejo de autosserviço (ABRAS, 2012a). No que tange à comercialização de carnes, a concentração é ainda superior. Segundo Smeraldi e May (2008), em 2006, as grandes redes varejistas eram responsáveis por 50% das vendas no Brasil. Aguiar e Figueiredo (2011) destacam que, para os produtos alimentares de maior preferência do consumidor, o varejo desfruta de maior poder de mercado.
Outra estratégia que vem sendo adotada pelos grandes varejistas nos últimos anos é o desenvolvimento de marcas próprias de carne, verticalizando a produção nas fazendas e eventualmente a produção em frigoríficos próprios ou associados (SCHLESINGER et al, 2010). Segundo Senhoras (2003), a estratégia de desenvolvimento de marcas próprias justifica-se pela possibilidade de práticas de margens 15% a 20% superiores àquelas obtidas com as marcas líderes, apropriando-se da margem do produtor18.
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Como aponta Wilkinson (2010), dos três maiores varejistas atuantes no Brasil, dois são de controle europeu e norte-americano e o terceiro tem 50% de controle europeu.
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Algumas das características principais das marcas próprias comercializadas pelos grandes varejistas são
“bens de grande consumo e de forte rotação, posicionamento-qualidade inferior ou intermediário,
necessidade de investimentos reduzidos, nível tecnológico não muito elevado, produtos pouco implicantes para o consumidor e pouco inovadores”(SENHORAS, 2003, p.5).
A complexidade operacional do varejo, talvez possa ser evidenciada pelo fato de comercializarem uma grande variedade de produtos, envolvendo muitos fornecedores diferentes. A ABRAS (2012b) menciona que, em média, os supermercados comercializam 15 mil itens diferentes e os hipermercados 34 mil itens (ABRAS, 2012b). Dentre esses itens, a importância da carne bovina aos varejistas pode ser atribuída a, pelo menos, dois fatores. Primeiro, a carne bovina oferece aos varejistas um dos maiores mark-up dentre oito produtos agrícolas básicos pesquisados, de cerca de 50% (AGUIAR;FIGUEIREDO, 2011). Segundo, o açougue é a seção com a segunda maior participação no faturamento dos supermercados com 12,45%19 (MORITA, 2010). Do ponto de vista da participação nas emissões do varejo, considerando apenas as emissões oriundas do produtor ao varejista, a carne também se destaca. Em pesquisa realizada no Reino Unido, a carne se mostrou o produto comercializado pelo varejo com o maior nível de emissões de GEE, responsável por 37,4% do total (FISHER et al, 2013).
Por outro lado, o papel do varejo - seja atacadista, varejo ou consumidor final, é apresentado como proeminente dentro da cadeia produtiva bovina, sendo que a demanda por carne determina o tamanho do rebanho mantido (BELLARBY et al, 2008). No caso brasileiro, destaque-se o papel do varejista no sentido de estabelecer exigências junto aos produtores e frigoríficos, tais como a melhoria de qualidade do produto (ROCHA et al, 2001; PIGATTO; SANTINI, 2009; PASCOAL et al, 2011), o trato das questões sociais e ambientais envolvidas no processo produtivo (PIGATTO; SANTINI, 2009; PASCOAL et al, 2011; BARNES; TOMA, 2012) e a rastreabilidade do produto (VIEIRA et al, 2006), além de serem formadores de preço20 (VIANA; SILVEIRA, 2007; LIMA FLHO et al, 2008).
Considerando a cadeia agroindustrial da carne bovina como um todo, pesquisa do Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) indicou que o varejo absorve o maior valor do preço da carne ao consumidor final, 64,33 %, seguido pelo
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No ano de 2009, considerando dados de pouco menos de 400 empresas, representando 4.082 lojas e 65% do total do faturamento do setor (MORITA, 2010).
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Como o varejo é o canal de comercialização quase exclusivo das carnes, tem o papel significativo na definição do preço a ser pago ao produtor e ao frigorífico, muito em função do feedback direto que tem junto consumidor final acerca do preço final praticado (VIANA; SILVEIRA, 2007).
produtor com 33,04 % e, com a menor margem, pelo frigorífico com cerca de 2,63%21 (PINHEIRO et al, 2013).
Margem superior, contudo, não significa lucros maiores, já que devem ser considerados também os custos. Como os produtores possuem as informações menos completas, estão sujeitos às variações climáticas na pecuária extensiva, executam todas as práticas de manejo até o abate e possuem altos custos na pecuária intensiva, tende a ser o elo que assume os maiores riscos. Os frigoríficos assumem o segundo maior risco, sendo responsáveis principalmente pela logística de coleta junto ao produtor, abate e logística de distribuição junto aos varejistas. Como os frigoríficos lidam com um produto perecível e que, portanto, necessita de rápido escoamento, geralmente sofrem pressão exercida pelo varejo. O varejo, por seu turno, possui o menor nível de risco, sendo responsável apenas pelo acondicionamento da carne por um curto período de tempo e por seu corte (IMEA, 2009).
Por fim, é importante apontar que há dificuldades históricas de coordenação entre os elos da cadeia. Isto se dá pela falta de um agente que coordene a cadeia, os diferentes níveis de excelência exigidos, a presença de diversos intermediários entre o produtor e os frigoríficos, a assimetria de informação entre os diversos elos, o comportamento oportunista22e divergências quanto ao estabelecimento do preço no “mercado spot” e a frequente falta de relações contratuais formais (FAVARETH FILHO; LIMA DE PAULA, 1997; BRUM; JANK, 2001; PITELLI, 2004; SOARES et al, 2005; VIEIRA et al, 2006; CALEMAN; ZYLBERSZTAJN, 2012).
Como uma das formas de contornar estas dificuldades de coordenação, Ferreira e Barcellos (2006) e Braga (2010) analisaram casos de alianças estratégicas verticais entre produtores, frigoríficos e varejistas, identificando algumas vantagens desse mecanismo de integração. Dentre outras vantagens, identificaram o aumento do valor agregado da
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Pesquisa realizada no estado de Mato Grosso (MT), abrangendo o período entre janeiro/2012 a fevereiro/2013.
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Duas situações clássicas de comportamento oportunista na cadeia produtiva bovina são descritas por Pigatto et al (2006). A primeira situação é dos frigoríficos oferecerem um preço baixo aos pecuaristas na safra em que existe uma ampla disponibilidade de animais, ao passo que os pecuaristas podem ‘leiloar’ os animais na entressafra – ou manter os animais no pasto esperando os preços se elevarem enquanto que os frigoríficos enfrentam dificuldades ao operarem com capacidade ociosa. A segunda situação é a divergência entre a forma de estabelecer o peso do animal e da carcaça: o frigorífico limpa a carcaça do animal antes de estabelecer o peso do animal, ao passo que o pecuarista pode inflar artificialmente o peso do animal vivo.
carne comercializada ao consumidor final, acesso privilegiado a canais de comercialização, melhor coordenação entre produção e demanda, melhor garantia de procedência e qualidade dos produtivos, relações mais duradouras e menos conflituosas.