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Conclusion and recommendations

In document Hannes HechlerArne Tostensen U4 ISSUE (sider 33-39)

 

A relação dos professores com materiais curriculares sofre influência de inúmeros fatores. Não há dúvidas de que os recursos dos materiais e as concepções e conhecimentos dos professores são elementos essenciais para a compreensão dessa relação, como apontado por Brown (2009). Entretanto, fatores externos também são relevantes e merecem atenção.

Considerando que os professores sujeitos desta pesquisa utilizaram o material elaborado pelo Projeto EMAI, que possui um grande peso institucional devido sua construção dentro da rede pública estadual paulista, acreditamos

que discutir as influências do contexto institucional se faz necessário para apoiar nossa análise.

Vale destacar que a análise dos fatores não é foco de nossa pesquisa, entretanto, a necessidade de discutir e apontar algumas das influências emergiu dos dados coletados.

Mcclain et al. (2009) apresentam análises de uma pesquisa relacionada às influências do contexto institucional na relação dos professores com materiais curriculares.

Os autores americanos defendem que o desenvolvimento de uma teoria orientadora é fundamental para a análise da relação do professor com os materiais curriculares, enfatizando que, na pesquisa realizada, não apresentam esta teoria orientadora, mas sim ideias/constructos que podem ser um primeiro passo para a construção de uma nova teoria.

Para compreender a influência do contexto institucional sobre o olhar do professor para o material curricular e levantar ideias que possam colaborar com uma futura teoria, Mcclain et al. (2009) coletaram dados em três distritos escolares que estavam participando de pesquisas relacionadas a programas curriculares, custeadas pela Fundação Nacional de Ciências (NSF), nos Estados Unidos. Os dados foram coletados por meio de observações e entrevistas.

Os três distritos observados apresentaram composições e momentos diferentes durante a coleta de dados. O primeiro distrito envolveu professores de quinta série que estavam no primeiro ano de implementação de um material construído em parceria com pesquisadores.

No segundo distrito, participaram professores de sexto a oitavo ano que já trabalhavam em colaboração com pesquisadores há cinco anos e estavam no segundo ano de desenvolvimento de esforços para melhorar o ensino da Matemática.

E por fim, no terceiro distrito, contaram com a participação de professores de sexto ano, que também utilizavam os materiais curriculares elaborados com pesquisadores e estavam envolvidos em projetos para a melhoria do ensino da Matemática financiados pela NSF.

Em busca de um quadro interpretativo, os pesquisadores levantaram conjecturas em relação ao trabalho dos professores e as orientações recebidas

para o ensino da Matemática. Com as conjecturas levantadas e dados coletados da prática, os pesquisadores realizaram construções que possibilitaram novas conjecturas para a análise de dados em outro local. E assim, com a possibilidade de três distritos para coleta de dados, o movimento cíclico de conjectura e análise de dados foram refinando as construções.

Esse movimento cíclico baseou-se em duas perspectivas teóricas:

 Ensino como prática social – relação de estruturas sociais - cenário institucional - com eventos locais - decisões dos professores dentro da sala de aula (FAIRCLOUGH, 2003 apud MCCLAIN et al., 2009).

 Práticas educativas no cenário institucional – a prática do professor dentro da escola e dentro do distrito escolar (COBB, MCCLAIN, LAMBERG & DEAN, 2003 apud MCCLAIN et al., 2009).

Nessas perspectivas, os autores focam o olhar para as percepções dos professores dentro do cenário institucional que restringem ou colaboram para a realização dos objetivos educacionais.

Após anos de coleta de dados, em um movimento cíclico interativo, sempre testando as conjecturas nos três distritos para validá-las, os autores conseguem apresentar três construções: realidade institucional, credibilidade e status profissional.

 Realidade institucional

Assim como Brown (2009), Mcclain et al. (2009) percebem as diferentes formas do professor se relacionar com os materiais, apontam que enquanto alguns apenas liam os textos, outros faziam modificações e adaptações com base nas necessidades dos alunos.

Entretanto Mcclain et al. (2009) direcionam o olhar para essas diferentes formas de usos, comparando-as com as percepções dos professores sobre as exigências do contexto local.

A realidade educacional abrange as perspectivas que os professores têm para ensinar e aprender, os desafios educacionais e frustrações que eles se deparam e as suas explicações, as obrigações de ser um professor, como eles o entendem e as avaliações que eles têm sobre aspectos específicos de seu mundo educacional (MCCLAIN et al., 2009).

Para que conseguissem coletar dados com base nas percepções dos professores, assumiram que a ação do professor sempre é coerente com o contexto em que está inserido. Assim, se o professor faz uma escolha aparentemente ineficaz, não avaliam a competência do professor, mas sim a relação da escolha com o contexto local.

Os autores apontam que essa suposição norteia pesquisadores para pontos focais que precisam ser investigados.

A construção da realidade educacional mostra que as ações dos professores são influenciadas significativamente pelos recursos didáticos disponíveis, como os materiais curriculares elaborados pelas secretarias, os livros didáticos e também os currículos prescritos.

Assim, para Mcclain et al. (2009), as pesquisas sobre as relações com o contexto e os materiais incluídos nele são necessárias para explicar o que os professores fazem e porque o fazem.

 Credibilidade

A construção realidade institucional não foi suficiente para responder todas as questões. Mcclain et al. (2009) em busca de compreender como os professores aderiram os materiais, levantaram novas conjecturas e trouxeram mais uma construção, nomeada por eles como credibilidade.

A credibilidade está relacionada a autoridade que o professor dá à Matemática e ao sequenciamento de conteúdos. Para melhor compreensão do termo, exemplificamos uma situação de credibilidade dada ao livro didático, comentada por Mcclain et al. (2009).

Em um dos distritos observados, embora os professores relatassem nas discussões a importância de compreender o raciocínio do aluno para realizar intervenções, quando utilizaram o livro didático em sala de aula, validaram apenas as respostas que condiziam com o guia do professor.

A percepção da localização da credibilidade para cada professor fornece informações importantes para o trabalho com o desenvolvimento profissional. Mcclain et al. (2009), sugerem que a mudança do local da credibilidade deve ser meta no desenvolvimento profissional, é preciso que os professores tenham segurança para que possam possuir essa credibilidade em vez de depositá-la em objetos externos como os livros didáticos e demais materiais.

 Status Profissional dos Professores

A terceira construção propõe a articulação entre as duas construções anteriores, as percepções do professor em relação ao contexto local e a quem o professor deposita a credibilidade.

Mcclain et al. (2009) defendem que o grau de fidelidade do professor com a implementação de materiais curriculares relaciona-se à profissionalização do professor.

Desse modo, a abordagem de fidelidade do material curricular contribui para a “desprofissionalização” do professor. Já o professor visto como profissional, é mais provável, que utilize o material como ferramenta durante a interação com os alunos.

Os autores apontam que os status profissionais dos professores influenciam o uso dos materiais de três maneiras. Primeiro, o contexto em que a credibilidade está no livro didático. Os professores precisam ensinar a Matemática que está nos livros e os coordenadores/administradores devem garantir a fidelidade dos professores em relação aos livros e o cumprimento de prazos. Nesse caso, há a “desprofissionalização” do professor, pois suas escolhas limitam-se aos recursos oferecidos pelos livros didáticos.

Na segunda maneira, os contextos possibilitam alguma flexibilidade para articular os documentos e textos com objetivos. O professor tem mais liberdade para tomar decisões. Entretanto, o status está fortemente relacionado ao desempenho dos alunos, assim, muitas vezes os professores abdicam seu status profissional e retornam para a fidelidade nos materiais didáticos em busca do desempenho.

A terceira maneira refere-se aos contextos em que os professores são vistos como autoridade educacional na sala de aula. São altamente profissionalizados e utilizam os materiais como ferramentas, fazendo as modificações necessárias para apoiar a aprendizagem dos alunos. Nesse caso, os coordenadores/administradores compreendem a importância do papel do professor na aprendizagem dos alunos.

Mcclain et al. (2009) relatam que a credibilidade influencia o status profissional. Também enfatizam que, embora o status profissional tenha grande relação com a autonomia e com a maneira que o professor utiliza os materiais,

não pode ser determinado apenas pelo contexto institucional. O status profissional, assim como a maneira que o professor utiliza o material não é estático.

Em busca de uma estrutura orientadora, que possa servir de base para a construção de uma teoria, Mcclain et al. (2009) propõem a figura indicada a seguir para descrever a relação entre as três construções. A espessura das setas indica a força das relações:

Observando a figura, percebemos que a realidade educacional tem grande influência sobre a credibilidade e o status profissional, entretanto, a credibilidade e o status profissional exercem pouca influência na realidade institucional. Os autores acreditam que a credibilidade e o status profissional são aproximadamente equivalentes.

Mcclain et al. (2009) sugerem que esta estrutura orientadora seja usada como ferramenta teórica para analisar a relação dos professores com os materiais curriculares, ainda, enfatizam que tal estrutura ganha mais força quando utilizada dentro do contexto institucional.

Ao buscarmos em nossas questões de pesquisa, em que procuramos compreender como se dá a relação do professor com o material, acreditamos que aspectos externos exercem influências. Desse modo, os apontamentos dos autores podem auxiliar na compreensão dessa relação.

Figura 2: Relação dos professores com materiais curriculares no contexto institucional

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