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Concluding thoughts - learning for change

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O "poder jovem": um mito remodelado

_______________________________________________________________ O "poder jovem" para a Revista da Editora do Brasil S/A.

Em outubro de 1965, a partir de um artigo publicado no Jornal do

Brasil, foi indicada em EBSA que o "bom estudante" deveria estar conectado à

ideia de vida atuante e que tal "vida" deveria ser lançada ao futuro por meio do desempenho profissional. O estudo escolar com vistas a se obter uma profissão passou a ser confundido com atividade cidadã (EBSA, 1965, p. 64)111.

Um ano mais tarde, em outubro de 1966, com uma chamada para os "problemas da juventude", os editores de EBSA apontaram que a população jovem com menos de 20 anos chegava a "ultrapassar 50 por cento da população total" no Brasil. Em EBSA, "grande parte dessa parcela da população", sem que ela fosse definida em quantidade, era "improdutiva econômica e socialmente por várias causas, entre as quais o analfabetismo e a ausência da educação de base" (EBSA, 1966, p. 27).

A capacidade de agir, estando essa ação vinculada ao trabalho produtivo, passou a ser visto como uma espécie de "poder" do jovem. Não foi por acaso que tanto Alfredo Gomes, redator de EBSA, quanto Nelson Rodrigues, escrevendo para o Jornal da Tarde, em 1968, caçoassem do "podem jovem", da forma como era apreendido pelos próprios jovens, e, segundo os dois autores, absorvido por uma parcela da sociedade.

Para Alfredo Gomes a juventude seria a fase em que se verificava "o crescimento físico e o desenvolvimento mental" e não havia, "salvo para a minoria de demagogos" uma juventude "constituída em poder". Para o redator, "poder" significaria ter "capacidade para agir" a partir do vernáculo italiano "podere". No entanto, a capacidade de agir dos jovens estava, no discurso do redator, atrelada à "vivência", e, portanto, os próprios jovens quando buscavam antecipar a velhice, desconheciam até mesmo o significado de "ser jovem". Também havia no mundo os velhos que não sabiam envelhecer, e que

desejam ser "eternamente jovens". Ambos, "velhos-jovens" e "jovens-velhos" eram "conflitos" que geravam mais "conflitos" sem condições "normais, naturais, psíquicas ou físicas para constituírem a 'juventude' em busca do… poder!" (Gomes, 1968, p. 4).

Para o autor o "poder jovem":

Este slogan, como outros conhecidos que, na história, fizeram e estão fazendo do homem um sub-homem subjugado pela máquina política do controle que acalma o estomago com o pão da matéria e embota a consciência, e com ela, o espírito, pela supressão da liberdade na ordem democrática, apanágio do homem válido e autêntico (Gomes, 1968, p. 4).

O autor, ao apresentar o "poder jovem" enxergava-o como um mote repetitivo, um slogan, que não falava especificamente aos jovens, mas que era capaz de embotar a "consciência" e o "espírito" do "homem válido e autêntico". Para o autor, esses homens estavam se diminuindo, tornando-se "sub- homem", porque foram subjugados pelo domínio da frase de efeito, encarada como "máquina política do controle". Por conta da força desse mote, os homens estavam perdendo forças.

Para o autor, a supressão da liberdade "na ordem democrática" era o aprisionamento dos homens à ideia de que ser jovem significaria a reclusão por um poder opressor capaz de tirar a energia da consciência. Se por um lado, essa frase demarcou que "ser jovem" era uma espécie de poder opressor, impossível desconsiderar, por outro lado que, sob o autor, existia um "poder opressor" capaz de "tirar a energia da consciência".

Vale comentar, além do mais, que, sobre o "poder jovem", Alfredo Gomes respondia, em entrevista, a uma pergunta feita por dois alunos da 2ª série do Curso Científico (16 anos): "Que conselhos daria a um jovem, nesta hora que a juventude se constitui um verdadeiro poder?".

Deste modo, se para o professor, os jovens não tinham poder algum, ou melhor, que tal poder dominava moralmente os adultos, para os jovens entrevistadores, o poder, visto como algo compartilhado entre a comunidade juvenil, era "verdadeiro", portanto, real e legítimo (Gomes, 1968, p. 2)112.

112

A entrevista tratou-se de um trabalho organizado por uma "jovem professora licenciada, de muito boa formação, dedicada e entusiasta" e por dois estudantes, um deles "filho de um general pessoa a que estou ligado por laços de amizade há quase três décadas" e um "nissei", alunos de um dos Institutos de Educação da capital paulista (Gomes, 1968, p. 1).

Já para Nelson Rodrigues a história de que a juventude buscava um poder, só dava condição para que o jovem fosse "impune". Para o escritor- jornalista, o jovem não era julgado pelas pessoas, e ninguém o condenava. Segundo o autor, os jovens não seriam e não teriam "um poder" nem pelas condições estatísticas, nem por uma condição de caráter. No caso da estatística, o autor acreditava em uma "gigantesca impostura" da análise dos números, já que, dentre os "jovens" estariam incluídos os "recém-nascidos, as crianças de seis meses, de um ano, dois, três, quatro, até dez", portanto, não havia uma maioria jovem (EBSA, 1968, pp. 58)113.

Sobre o "caráter" disse o jornalista: "dirá alguém que um jovem de 18 anos pode ser um pulha da pior espécie", pois "há canalhas de todas as idades". E pior:

E os reitores, os mestres, as universidades, os intelectuais, a imprensa, todos babam pusilânimes diante do mito", este que, em outras palavras está condensado na opinião de que se "um sujeito nasceu em 1950, e pelo simples fato de ter nascido em 1950, passa a merecer a nossa ilimitada confiança" (EBSA, 1968, pp. 58-59).

Para Nelson Rodrigues, o poder jovem, já era qualificado como um mito, pensado como uma representação imaginária que ativou a mentalidade popular: reitores, mestres, os intelectuais, a imprensa, de uma parte dos seus leitores, "todos", ficavam boquiabertos diante do mito. Eles não o julgavam. Em contrapartida, demonstrou que os jovens mesmo sendo, em sua opinião, "canalhas" deveriam ser considerados a partir de sua idade e de seu próprio comportamento e não exatamente seguindo o parâmetro da sua pré-condição para ser um adulto.

Nelson Rodrigues desconsiderava a possibilidade de relacionar o poder ao jovem, mas, pelas suas palavras, vários outros grupos, pareciam discordar dessa opinião. Ao menos como sujeito histórico com influência e energia, capaz de se marcar como um "mito", aos olhos de Nelson Rodrigues, indignado, parece que a juventude estudantil foi capaz de ser.

"Juventude Transviada": Um fenômeno universal.

Em EBSA e pelo repertório apontado em suas páginas, algumas perguntas deviam ser respondidas: Quais fatores deixaram os estudantes tão rebeldes? Quais fatores na trajetória escolar influenciaram para que houvesse essa inquietação generalizada? E o que a escola tem a ver com isso? O que teria “desvirtuado” os estudantes brasileiros de um ideal de estudante, tanto em sua trajetória quanto em suas atitudes, e as formas propostas para controlar e alterar esse quadro passa a ser discutidas a seguir.

Para Daniel Rops, escrevendo em O Estado de Minas, em 1962, fez uma analogia entre a juventude rebelde de 1962, "transviada", com o conteúdo de um livro chamado Cri d'appel d'un blouson noir, anônimo, mas, segundo o autor "absolutamente autêntico". Tal livro, segundo o relato de Rops, contava a história de Moustache, um jovem bandido, que foi resgatado por duas pessoas que se consagraram "no esforço sobre-humano, de pescar e procurar a recuperação dessa juventude transviada". Os dois salvadores, bem sucedidos na empreitada, fizeram de Moustache um jovem redimido.

Pelas palavras do autor, Moustache não era um "vagabundo qualquer", mas sim, um menino que "tendo brigado com os pais resolveu viver a sua vida". Segundo o autor, os "jovens transviados", que "nos parecem tão depravados", na verdade, "foram meninos infelizes, crianças sem carinho" sofreram as consequências de uma "sorte cruel" (EBSA, 1962, pp. 76-77)114. Os estudantes estavam sofrendo de faltas: não receberam o afeto de alguém, lhes faltavam predicados morais.

Para o artigo vindo da Folha de S. Paulo em julho de 1964, os jovens nas universidades clamavam por governo e mestres "a pedir" muito mais do que aulas. De acordo com o texto, eles buscavam "a troca de ideias, um líder intelectual, um companheiro mais experimentado no estudo". Por isso, os estudantes, ao mesmo tempo em que podiam fazer "esforços" pela "alfabetização em favor do interesse nacional", também eram uma "importante força que certos grupos poderiam manobrar a favor de seus interesses" (EBSA, 1964, pp. 62-63)115. Por saber de um potencial juvenil para o esforço, "certos

114 Transcrito de O Estado de Minas, Belo Horizonte, 10/06/1962. 115 Transcrito de Folha de S.Paulo, São Paulo, 05/07/1964.

grupos" de "oportunistas" tomaram a frente e passaram a "contaminar as mais puras fontes do nosso amanhã" (EBSA, 1964, p. 64).

Portanto, paralelo ao ataque aos estudantes "teleguiados", passou a circular uma ideia de que os jovens sofriam de carências que poderiam ser rapidamente supridas, e que os mais velhos, ora de forma obtusa, ora calculada, poderiam tanto abrir mão, como se aproveitarem das "puras fontes do amanhã".

De acordo com Alfredo Gomes, o comportamento da juventude inquieta era um clamor por atenção (Gomes, 1968, p. 6). Para o autor, diversos fatores exerceram forte pressão sobre a moral e o comportamento dos estudantes resultando nos processos emocionantes dos quais eles mesmos se sentiam vítimas. Para o professor, havia uma herança do século XX, de "falta de paz" imbricada no comportamento dos jovens. Segundo o autor, o jovem era vítima do "inusitado curso do progresso, acelerado, sobretudo" (Gomes, 1968, p. 3).

Os elementos mobilizadores da juventude estudantil, fazendo com que ela partisse das escolas para as ruas foram identificados em quatro núcleos fundamentais. De acordo com EBSA: a família, vista como instituição em declínio; o sistema formal de ensino em funcionamento antes do golpe militar; os meios de comunicação, vistos como transmissores de um repertório extravagante à escola; e as formas de agrupamento e socialização dos jovens.

Voltando à metáfora do estudante como "monstro político-jurídico", foi possível perceber uma alteração de discurso que passou a tentar sanar os problemas apresentados, e os estudantes foram transformados em uma categoria administrável: projetos foram propostos, planos educacionais apresentados, leis etc.. Tudo com a intenção de "remediar" o problema.

A família: de "núcleo nevrálgico" a "instituição enfraquecida".

Como resultado direto da 2ª Guerra Mundial sobre a família aconteceu, segundo EBSA, "em países cuja densidade de população aumentara", um afrouxamento da disciplina social. Teria havido uma excitação da busca do prazer, como decorrência das próprias dificuldades e sofrimentos, e do "relaxamento dos costumes". Para esse autor, parte das "sementes da discórdia e da confusão" foi o "excepcional número de filhos nascidos das

uniões de circunstâncias, as mulheres entregues à sorte desfavorável" ou que lhes impossibilitara a "constituição de lares moral e legalmente formados" (Gomes, 1969, p. 5).

Para Alfredo Gomes, o "inusitado surto do progresso" do após 2ª Guerra impactou a família, com "as repercussões dos desajustamentos psíquicos ou emocionais" que a enfraqueceu como "célula mater da sociedade". Segundo o autor, o que carecia à juventude era a "falta na assistência efetiva, constante e ativa dos pais em relação aos filhos, no confinamento de um novo tipo de residência urbano – o apartamento" (Gomes, 1968, pp. 1-5).

Para o professor a família de "outrora":

era o núcleo nevrálgico de ação educativa, sedimentada pela tradição, pelo conteúdo religioso que a lastreava, e pelos sólidos laços que lhe cimentavam a unidade, erigindo-a num grupo forte e característico, tanto que uma família era uma família. […] A sociedade surgia, também, como um corpo harmonicamente constituído pelas células familiares. Sociedade de planos diferentes, porém, interrelacionados. A ascensão de um para outro plano resultará da promoção social e econômica (Gomes, 1968, pp. 1-2).

A concepção de família do autor veio do passado. O seu lamento tinha a ver com a sua experiência que expressou uma sociedade como célula de "diferentes planos" separados pela "promoção social e econômica". Demonstrou que a ordem social tinha relação com uma harmonia entre classes sociais diferentes. Essa "unidade", desunida, era uma tradição que, segundo a fala, vinha por meio da família. Para Gomes, a família, entendida como uma instituição educadora de tradição segregadora, tinha perdido um tempo de glória.

Também pensando na família, para o Superior Geral dos irmãos Maristas, Irmão Basílio Rueda Gusman, após visitar a sua congregação no Brasil, em entrevista, teria falado que formação cristã da juventude "dentro do espírito do Concílio Vaticano II" era muito difícil naquele período. Para o entrevistado, o lar, se não preparado "convenientemente", levando em consideração "as mudanças de estrutura" pelas quais passava "o mundo contemporâneo", poderia "suscitar conflitos" gerados dentro do próprio "seio familiar" (EBSA, 1968, p. 52).

No Concílio Vaticano II, no item sobre formação do jovem, ao qual o irmão marista se referia, foi declarado que os neófitos deveriam ser os amplificadores dos melhores exemplos dos seus antepassados, pais e mestres, para rumar ao futuro. A herança vinda da família também deveria ser legado para as outras gerações (Concílio Vaticano II, 1965, s/n). O elo entre os tempos deveria ser reforçado.

Na declaração Gravissimun Educationis sobre a educação cristã, aos pais foi afirmado, o "primeiro e inalienável dever e direito de educar os filhos". Também havia a obrigação dos pais passarem a auxiliar a escola por meio da "associação de pais", para assessorassem "todo o trabalho da escola e em particular a educação moral que na escola deve ser ministrada" (Gravissimun Educationis, 1965, s/n). Portanto, era esse o ideal de família e eram essas as suas obrigações: tornar-se rigorosa testamentária dos elos entre os tempos, ser vigilante para com o filho.

Essa imagem de família forte havia sido pregada em EBSA nos anos 1950. A concepção de família como unidade estrutural básica de toda a sociedade seguia a proposição dada pelo Papa Pio XII e foi publicada na

Revista em 1951. O Papa, falando para um grupo de pais franceses, disse que

a família não existia em "função da sociedade", mas ao contrário, era "a sociedade" que existia "para a família". A família vista de forma conjugal e elementar, seria a "célula fundamental e o elemento constitutivo da comunidade e do Estado" (EBSA, 1951, p. 28).

Logo a seguir à mensagem do Papa Pio XII, foi publicada em EBSA uma conferência proferida pelo professor Lucas Nogueira Garcez, então governador do estado de São Paulo. Tal conferência, que também contou com a presença do cardeal-arcebispo Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, foi proferida na I Semana de Estudos sobre a Família, no auditório da Biblioteca Municipal. Durante a mensagem, o governador disse que a família era a "forma primitiva e natural de sociedade", mas havia outra família "mais elevada no plano da graça: a família Cristã".

Segundo o autor, quem entendia a importância da fraternidade e da autoridade paterna, como valores fundamentais dentro da família, não tinha dificuldades em compreender a existência da família de Deus e de uma "paternidade comum" que criava "laços de fraternidade de todos os homens".

Portanto, ao obedecer ao Pai comum, também se obedecia e cumpria "a lei social, que baseada na lei eterna" merecia, segundo o palestrante, "o mesmo acatamento" (EBSA, 1951, p. 29).

De acordo com essa premissa, o indivíduo, por influência de seu meio familiar, servia a "edificar o Estado segundo a Justiça", pois um Estado segundo a Justiça, era "um estado cristão". Esse indivíduo, certo desta justiça, não tornaria a sociedade uma "entidade disforme" que levava "os homens a uma filosofia do desespero". O autor concluiu que o Estado cristão era "um meio", era o "estado supletivo da função familiar", e o Estado, como o explicado, era o que fossem as famílias, tendo, portanto, a "obrigação de protegê-las para se conservar a si próprio" (EBSA, 1951, p. 29).

A família cristã deveria ser, portanto, "robusta" (EBSA, 1951, p. 29). E compreendida dessa forma, em EBSA, a família seria o sinônimo de instituição resistente, inabalável, poderosa e influente, além de instituição que, superior e aliada ao Estado, como corpo unido, acabariam por se proteger e também se conservar. Por esse motivo, as divagações sobre a dissolução da família publicada nos anos 1960 soavam melancólicas.

Os editores percebiam os rasgos nessa ideia de família como o desenho de célula maior. Conforme a ideia proposta em EBSA, essa grande reunião de membros, unidos em uma única grande instituição, a "família cristã", conseguiria se proteger. Mas, para os editores de EBSA, nos anos 1960: havia mães "entregues à sorte desfavorável", criando os seus filhos sozinhas; lares ilegalmente formados, não conformados pelo matrimônio; falhas de uma pretensa educação "tradicional" que separava ricos e pobres; conflitos dentro da família, com dificuldades de manter esse elo reforçado entre as gerações etc.

Em 1960, o VI Congresso Nacional dos Estabelecimentos Particulares de Ensino delegou à família, "fator educador e orientador natural e primário", a tarefa de "acompanhar" bem de perto todo o serviço de Orientação Educacional da escola. A ideia de família vigilante podia ser anexada à escola, por meio da associação de pais, ou transportada para lá, já que o orientador educacional era visto "muitas vezes" como o "único meio de minorar as deficiências do lar e do ambiente educacional" (EBSA, 1960, p. 42).

Os estudantes eram "vítimas do sistema de ensino"116.

Em dezembro 1961, foi publicado na Revista um resumo de uma entrevista coletiva concedida pelo então Primeiro Ministro, Tancredo Neves. No resumo, ficou estampado que, com relação à Educação, o maior problema nacional naquele momento, era o fato de que 600 mil jovens em 1960 atingiriam a "idade de trabalhar ainda analfabetos", enquanto 550 mil outros chegariam "à maioridade civil em idênticas condições" (EBSA, 1961, p. 56).

Sobre o ensino médio, o Ministro disse que havia também uma "crise" instalada, pois "apenas nove de cada 100 jovens brasileiros" tinha acesso a esse ramo de ensino. Dentre esses, sete entre dez estudantes estavam inscritos em cursos acadêmicos e apenas dois por cento (2%) estavam matriculados em cursos técnicos. De acordo com o Ministro, oitenta por centro (80%) dos alunos matriculados abandonavam o curso e ficavam "despreparados para qualquer ocupação". Ainda, segundo o político, mesmo com a multiplicação das escolas de nível superior, cuja expansão teria acontecido "ao sabor de fatores acidentais", não foi dada a importância para "a ampliação das oportunidades de matrícula", além de ter havido, de acordo com o político, o rebaixamento dos "padrões acadêmicos". Segundo os dados apresentados, havia mais de 400 escolas superiores, mas apenas 40 delas matriculavam mais de 500 alunos (EBSA, 1961, p.57).

Os dados oferecidos pelo Serviço de Estatísticas do Ministério da Educação confirmaram a fala do Ministro. De acordo com os dados, para cada 100 crianças no ensino primário, havia 16 na escola média. O ensino secundário era o tipo de ensino que mais computava alunos, 960,5 mil, sendo que 877 estavam no 1º ciclo e 83,5 cursavam o 2º ciclo. Números bastante superiores daqueles apresentados nos demais tipos de ensinos: comercial (210 mil), normal (100 mil), agrícola (30,8 mil) e industrial (6,7 mil)117. De acordo com o apresentado em EBSA, entre o decênio 1951-1961, o ensino médio teve

116 Citado em: Duarte, Paulo. 1966. Estudantes. Revista da Editora do Brasil S/A. São Paulo:

Editora do Brasil, pp. 57-62. – Transcrito de Folha de S.Paulo, São Paulo, 24/041966.

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BRASIL. 1961-1962. Sinopse Estatística do Ensino Médio. Serviço de Estatística da Educação e Cultura (SEEC), CIBEC/Inep/MEC. BRASIL. 1961-1962. Sinopse Estatística do

a sua matrícula duplicada, saltando entre 1951 e 1960 de 581.599 alunos para 1.177.427 (EBSA, 1961, p. 26).

Ao decompor a fala do Ministro, foi percebido que, no início da década de 1960, foram considerados "problemas educacionais": em primeiro lugar, uma condição generalizada que apresenta a juventude brasileira como despreparada para exercer um trabalho, tanto pela falta de estudos adequados, quanto pela falta de alfabetização de uma grande parcela de jovens.

Depois, havia a entrada e o fluxo de alunos no ensino médio: o ramo de ensino recebia poucos alunos, destes, apenas 20% conseguia concluí-lo. Havia um acúmulo de jovens no ensino secundário e poucos alunos distribuídos pelos cursos técnicos. Por fim, mesmo que menos de 0,9% dos estudantes chegassem ao ensino superior e com a abertura indiscriminada de escolas desse nível, o número de vagas ainda seria insuficiente em relação aos pleiteantes.

Enfim, os problemas se acumulavam tanto no ensino médio, quanto no ensino superior, o que reiterava a imagem de que no entremeio entre esses dois níveis de ensino, pensando nos trânsito dos alunos, havia entraves sérios com os quais os estudantes se depararam.

Se, por um lado, como vimos no capítulo anterior, os estudantes que

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