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A instalação de Juntas Supremas no Novo Reino, como já assinalamos, deu lugar a governos interinos que reassumiam seus direitos de soberania parcial e reorganizavam o poder político. Para solucionar o problema da fragmentação do poder político e territorial foi constituído um Congresso geral, a fim de organizar “un Estado que mereciese el nombre de Nación y cuya integridad e independencia fuese reconocida por las demás”322; porém, como já vimos, tal projeto fracassou. Isso levou às juntas supremas instalar colégios eleitorais e constituintes com o objetivo de criar as bases constitucionais de novos Estados. Não obstante, as Juntas, em muitos casos, foram pressionadas pelas comunidades, ainda organizadas à maneira do Antigo Regime, por meio de representações nas quais exigiam a instalação, em suas províncias, de assembleias constituintes, para que estas estabelecessem uma constituição a fim de evitar a concentração dos poderes, que, conforme era comum acreditar, podia levar ao despotismo323.

Um exemplo é a Representación hecha por los vecinos de Cartagena, em 28 de junho de 1811, dirigida ao Síndico Procurador Geral, em que lhe foi pedido que, junto com o cabildo, solicitasse à Junta Suprema da província “que sin perdida de tiempo se forme nuestra constitución provincial, dividiendo exactamente el cuerpo legislativo del executivo y judicial”. Também pressionavam para que o povo fosse admitido “en las sesiones públicas del primeiro (del legislativo), a fin de que se reanime el espíritu público, se aumente la confianza de aquel en sus representantes”324. O objetivo dos vecinos, sem dúvida, era pressionar para que fosse estabelecida uma constituição que garantisse “un equilibrio político entre los poderes que necesariamente debe componerse todo gobierno, (y, a su vez,) ponga una barrera insuperable a los ataques de la arbitrariedad”325.

Já antes desta Representación, em uma carta ao Editor del Argos Americano, assinada pelo Reformador, ressaltava “la falta notable que se advierte ya de una constitución solemne y

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Instalación del Congreso, [Santafé, 1811], BNC.

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Catalina REYES. “El derrumbe de la primera República en la Nueva Granada entre 1810 y 1816”. In:

Historia Crítica, Bogotá, n°41, maio-agosto, 2010, p.44 et seq.; Guillermo SOSA. Representación e independencia. Op., cit., capítulo II, III e IV.

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Argos Americano, n°40, 01 de julio de 1811.

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permanente en nuestro actual gobierno que asegure para siempre en sus derechos a los generosos habitantes de esta provincia”326. Tal constituição devia servir de freio aos abusos dos governos arbitrários, além de ser um elemento importante para reorganizar a administração interior da província. Daí a estranheza, nesse momento, tanto de alguns setores populares como de letrados de o porquê a Junta não tinha feito o necessário para instituir uma assembleia constituinte, para que esta elaborasse uma constituição para a província327. A esse respeito, o Reformador perguntava:

¿Por qué, pues, siendo tan conocida la necesidad de formar una constitución para la administración interior de la provincia, (…) con la forma y principios liberales del actual (gobierno…), no se procede (…) a ello? ¿Qué obra más digna de los representantes del pueblo, y de su más primaria atención? ¿Qué inconveniente puede encontrarse en refundir en la comisión ejecutiva toda la autoridad competente para el despacho de los negocios del poder ejecutivo, y que desembaraza de este modo la Junta plena, comenzase en sesiones públicas abiertas a trabajar sobre este objeto? –A lo que respondía: – En ellas se discutirían los mejores modos de dividir las potestades, y marcar a cada una sus límites de que no deba traspasar; se establecería la forma de la legislatura provincial, su conveniente división en cámaras, o brazos diferentes, y las reglas de organización…328

Era destacada a necessidade de estabelecer a constituição da província para organizar a administração interior que estava concentrada na Junta Suprema e a qual estava retardando a instalação da assembleia constituinte. Projetava-se com a constituição, dividir e pôr limites aos poderes executivo, legislativo e judiciário para evitar o “despotismo”.

Efetivamente, com tais críticas e pressões, buscava-se tirar da Junta sua concentração de poderes, pois muitos já percebiam suas consequências negativas: o “despotismo e a tirania”, o que podia ser evitado com uma divisão de poderes; não como tinha feito a Junta em dezembro de 1810, mas através de uma constituição que deixasse clara tal divisão. E assim, propender- se-ia ao bem público e ao bom governo, aspectos que o governo colonial não cuidou.

A Junta Suprema da província de Cartagena, entre abril e outubro de 1811, ainda era leal ao governo interino da Espanha, pois reconhecia as Cortes de Cádis. No entanto, em 11 de novembro de 1811, diversos setores sociais se mobilizaram e pressionaram os notáveis que compunham a Junta para que declarassem a independência absoluta da província ante a monarquia espanhola. Além de abolir a Inquisição; mandar retirar o comissionado Ayos de Mompós; desembargar todos os bens dos vecinos de Mompós; reformar o cabildo de

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Argos Americano, n°27, 01 de abril de 1811.

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Argos Americano, n°27, 28 e 29, 1811.

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Mompós; efetivar a divisão em três poderes (executivo, legislativo e judiciário); pôr nos corpos militares de pardos oficiais que fossem pardos; privilegiar os americanos nos postos burocráticos e não vender postos do Regimento Fixo329.

Frente a tais fatos, a Junta teve que estabelecer a Acta de Independencia, na qual justificava as medidas tomadas pelos três séculos de vexações, misérias e sofrimentos, bem como a conduta tirânica e opressiva das autoridades peninsulares contra a Junta de governo e os pueblos da América, depois das promessas de igualdade, liberdade e justiça que pregoaram. Assim, a Junta de Cartagena colocava em dúvida a legitimidade do governo interino da Península, o qual sendo tão só “una parte de la nación quería ser más soberan[o] y dictar leyes a la otra parte, mucho mayor en población y en importancia política”. Por conseguinte,

(…) nosotros los representantes del buen pueblo de Cartagena de Indias, con su expreso y público consentimiento, poniendo por testigo al Ser Supremo de la rectitud de nuestros procederes, y por árbitro al mundo imparcial de la justicia de nuestra causa, declaramos solemnemente a la faz de todo el mundo, que la Provincia de Cartagena de Indias es desde hoy de hecho y por derecho Estado libre, soberano e independiente; que se halla absuelta de toda sumisión, vasallaje, obediencia, y de todo otro vínculo de cualquier clase y naturaleza que fuese, que anteriormente la ligase con la corona y gobiernos de España, y que como tal Estado libre y absolutamente independiente, puede hacer todo lo que hacen y pueden hacer las naciones libres e independientes330.

Os representantes da província de Cartagena para legitimar a criação do Estado, livre e soberano de Cartagena invocavam ao pueblo de Cartagena. Esse novo Estado se declarava independente dos governos de España e afirmava que fazia parte das nações livres independentes no mundo. Um novo Estado, uma nova nação que se concebia diferente da espanhola, da qual antes a província tinha sido parte.

Assim, a província de Cartagena era a primeira entidade político-territorial no Novo Reino a declarar a sua independência absoluta da Espanha e suas autoridades. Isso teve notória influência nas demais províncias que, como Santafé, temiam a posição que tinha antes Cartagena, com respeito ao reconhecimento às Cortes de Cádis331. Mesmo assim, os receios e

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Crónica de la Revolución del lunes 11 de noviembre de 1811 en Cartagena. In: MARTÍNEZ; QINTERO, op., cit., p. 275 et seq., tomo II; José Manuel RESTREPO. Historia de la revolución. Op., cit., p.157 et seq.; Alfonso

MÚNERA. El fracaso de la nación. Op., cit. 196 et seq.

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Acta de Independencia de Cartagena de Indias, 11 de novembro de 1811. In: MARTÍNEZ; QUINTERO. Op., cit., tomo II, p. 265-274. Os grifos são meus.

331 José Manuel RESTREPO.

as diferenças entre as províncias de Santafé e Cartagena continuariam, pois nas capitais destas províncias estavam se formando projetos de Estado antagônicos entre si.

O Estado de Cartagena começou a realizar algumas reformas políticas e territoriais, todavia, algumas reformas já tinham começado no final de 1810, com a Junta de governo, a qual tinha adotado um plano para organizar a província em

cinco Departamentos correspondientes al número de sus Cabildos en que se comprende el particular Distrito de éstos y los de su partido foráneo, y se han fijado los límites de cada Departamento. El de

CARTAGENA, además de la isla que forman el Magdalena, el mar y el Canal del Dique, contiene también el territorio entre el Caño de Flamencos hasta la boca de Matuna, el mar, el Canal dicho del Dique, el río Magdalena hasta el Arroyo del Alférez, dicho arroyo y la montaña de María desde el Carmen. El de TOLÚ tiene por límites el citado Caño de Flamencos hasta Matuna, el mar, el río Sinú y la montaña dicha de María. El de SAN BENITO se halla entre la misma montaña de María hasta el Carmen, Arroyo del Alférez, río Magdalena hasta las bocas del Cauca, y este río, por el brazo de Perico, hasta la jurisdicción de Cáceres. El de MOMPÓX, entre dicho río Cauca hasta Algarrobo, una línea tirada desde este punto á Río-viejo, dicho río y el del Magdalena hasta su unión con el Cauca. Y el de SIMlTÍ entre Río-viejo y línea dicha hasta Algarrobo, el Cauca hasta Cáceres, las montañas de Guamocó, el río de San Bartolomé y el del Magdalena hasta Río-viejo; no haciéndose mención del territorio de Urabá, perteneciente á esta Provincia, comprendido entre el Sinú, el mar, el río Atrato y el Sucio, que con el tiempo formará un nuevo Departamento, por hallarse en la mayor parte despoblado y estar agregado al partido de Lorica su corto vecindario de San Bernardo332.

Aqui é importante apontar alguns dos significados que os termos departamento e distrito têm com referência às unidades político-territoriais. O primeiro faz referência ao “distrito a que se extiende la jurisdicción...”333, enquanto o segundo faz referência ao “espacio que ocupa y comprende alguna provincia, o jurisdicción, spatium, territorium”334. Então, um departamento tem um determinado território, no qual o cabildo exerce a sua jurisdição. Embora os cabildos continuassem, como antes, sediados nas vilas ou cidades, as designações e as hierarquias das unidades territoriais têm algumas mudanças. Agora a província é a principal unidade político-territorial, e o departamento a principal subdivisão. Este, por sua vez, subdivide-se em cidades, vilas, paróquias, sítios, etc. Assim, o departamento passa a ser a principal divisão da província e na sua capital está sediado o cabildo, o qual tem jurisdição

332 Acuerdo que reorganiza la Junta Suprema de Cartagena de Indias, 10 de diciembre de 1810. In: Armando

MARTÍNEZ; Inés QUINTERO. Op., cit., tomo I, p. 257; Isidro VANEGAS. El constitucionalismo revolucionario, 1809-1815. Bucaramanga: UIS, 2012, p. 100 et seq., tomo I.

333 REAL ACADEMIA ESPAÑOLA.

Diccionario de la Lengua Castellana. Reducido a un tomo. 4ªed. Madrid:

Por la viuda de D. Joaquín Ibarra, Impresora de la Real Academia, 1803, p.275.

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no território do departamento. Como se observa, o cabildo ainda seguirá cumprindo um papel importante em tal organização político-territorial335.

A criação do departamento faz parte da reorganização político-territorial que as novas autoridades da província de Cartagena estabelecem, a fim de ganhar legitimidade ante os pueblos, convocando-os a participar no novo governo, ao mesmo tempo em que tentam instituir mecanismos de controle da população e recursos. Ponto que, como já vimos, vinha-se trabalhando desde o final do século XVIII e início do XIX336; porém, desde 1810 em diante, começariam a adquirir outras dimensões com a dissolução da monarquia espanhola.

A divisão por departamentos na província de Cartagena será mantida mesmo com a formação, em 1812, do Estado soberano de Cartagena. Com efeito, a Constitución del Estado de Cartagena de Indias sancionada, em 14 de junho de 1812, faz referência aos mencionados departamentos no Título IX, que trata das eleições. Além disso, a Constitución também estabelece a demarcação e fronteiras do novo Estado, como se pode observar, no título II, que trata sobre a forma de governo e suas bases, artigo 5°:

Los límites de su territorio, cuya integridad, garantida por el artículo 6 de la acta federal, le es también por esta constitución, son a saber: el mar Atlántico por el norte y poniente: por el oriente el río

Magdalena desde sus bocas hasta su confluencia con el de S. Bartolomé, inclusas la isla de Morales formada por aquel, y la de Quimbay enfrente de la villa de Mompox; quedando para el examen y declaración del Congreso general del Reino, la propiedad de otras islas formadas por el mismo Magdalena y adjudicadas exclusivamente a una de las provincias colindantes por leyes, hechas sin pleno conocimiento de causa, sin audiencia de partes y tal vez contra las indicaciones de la naturaleza. Por el mediodía el río dicho de S. Bartolomé hasta sus cabeceras, la cresta de las montañas de Guamocó, una línea tirada desde esta por los siete grados, treinta minutos norte a las cabeceras del río Sucio, y este mismo río hasta su entrada en el Atrato; y por el poniente y mediodía el dicho Atrato hasta su salida al mar en el golfo del Darién, y el golfo mismo, comprendiéndose la isla de la Tortuguilla, la nombrada Fuerte, las de S. Bernardo y del Rosario, situadas todas en la inmediación de la costa occidental de este Estado: quedando así separado por el río Magdalena de las provincias de Santa Marta, Pamplona y Socorro que están al oriente: por el de S. Bartolomé, montañas de Guamocó y línea indicada de la de Antioquia que está al mediodía; por el río Sucio de la del Chocó que está también por el sur; y por el Atrato de la del Darién que está al poniente337.

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Sobre o papel dos cabildos no Novo Reino, ver: Catalina REYES. “La revolución de los cabildos y las

múltiples autonomías locales en el Nuevo Reino de Granada”. Op., cit.; e, Zamira DÍAZ. “Los cabildos de las ciudades de Cali, Popayán y Pasto”. Op., cit.; Rafael GÓMEZ HOYOS. La revolución granadina de 1810. Ideario de una generación y de una época 1781-1821. Bogotá: Editorail kelly, 1982, p.421 et seq., tomo II.

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Sebastián DÍAZ; Santiago MUÑOZ; Mauricio NIETO. Ensamblando la nación. Op., cit., p. 17 et seq.; María

AFANADOR LLACH. “La obra de Jorge Tadeo Lozano…” Op., cit.; Lucía DUQUE. “Pactismo, geografía y astronomía en la coyuntura independentista”. Op., cit.

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Constitución del Estado de Cartagena de Indias. Cartagena de Indias: Imprenta del Ciudadano Diego

Esta representação das fronteiras realizada pelo Estado de Cartagena era legitimada não apenas pelos pactos feitos na Acta de Federación das Províncias Unidas, mas também pelos já antigamente traçados durante o Vice-Reino e pelas “indicações” que a própria natureza proporcionava. Aqui os apelos às “indicaciones de la naturaleza” não são à toa, busca-se reclamar alguns territórios que fazem parte das ilhas formadas pelo rio Magdalena e que foram adjudicados à província de Santa Marta, o que para o novo Estado de Cartagena foi feito sem “conocimiento de causa, sin audiencia de partes y tal vez contra las indicaciones de la naturaleza”338. Assim, o Estado esperava incorporar outros territórios que, no momento, estavam em disputa com a província de Santa Marta, a qual mantinha sua lealdade às Cortes de Cádis e considerava as autoridades de Cartagena como ilegítimas339.

Os territórios que o novo Estado reclamava basicamente eram os mesmos que a província de Cartagena tinha antes de se declarar um Estado livre, independente e soberano. O que, como já apontamos, concorda com a defesa que faziam as juntas das capitais em manter a integridade dos territórios das províncias “legais”, ou, em outras palavras, as províncias antigas. Um mapa esboçado, em 1787, por Juan López representa o território que reclama o agora Estado de Cartagena.

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Constitución del Estado de Cartagena de Indias, op., cit., título II, art. 5°; Ana Cristina N. da SILVA. O modelo espacial do Estado moderno. Op., cit., p. 227 et seq.; Tomás ELORRIETA y ARTAZA. Derecho Político Comparado. Madrid: Hijos de Reus Editores, 1916, p. 27.

339

Alfonso MÚNERA. El fracaso de la nación. Op., cit., p. 187 et seq; Steinar SAETHER. Identidades e independencia en Santa Marta y Riohacha, 1750-1850. ICANH, Bogotá, 2005, capítulos 6, 7 e 8.

Mapa n° 6. Mapa geográfico de la provincia de Cartagena, 1787.

Real Academia de Historia (RAH). Colección: Departamento de Cartografía y Artes Gráficas. Signatura: C-Atlas A, 27. Nº de registro: 878.

O apelo aos antigos limites e demarcações não era nada novo; isso já havia ocorrido com a província de Antioquia – inclusive antes de se realizar o segundo Congresso do Reino, em 27 de novembro de 1811, no qual são estabelecidos os pactos de confederação entre as Províncias Unidas – na Constitución provisional proclamada em 27 de junho de 1811. Estabelecia-se, no título I, das disposições gerais, artigo 1°, que:

Los Representantes de los Departamentos de la Provincia de Antioquia, siguiendo la expresión de la

voluntad de los pueblos manifestada solemnemente en los acuerdos del Ilustre Congreso Provincial, y en otros muchos actos posteriores, de nuevo declaran, que esta Provincia, según sus antiguos límites y demarcaciones, no

depende en su Gobierno, y administración interior de alguna otra autoridad externa, sino de aquella que hayan sido constituidas, o se constituyeren en lo venidero por la mayoría de los ciudadanos libres, o por sus legítimos Representantes340.

Segundo o exposto, na Constitución provisional, a província assumia a soberania e manteria seus antigos limites. Questão que foi decidida pelo Congresso provincial, no qual tinham se reunido os representantes dos departamentos que, de acordo com a constituição de 1812, eram cinco e estavam representados por seus cabildos, que, por sua vez, representavam os pueblos. Os antigos limites, como já vimos, foram descritos por José Manuel Restrepo no Semanario del Nuevo Reino de Granada, em 1808.

A integridade de seus antigos territórios é ratificada no pacto de federação que assina, em 27 de novembro de 1811, com as Províncias Unidas da Nova Granada, no artigo 6°, da Acta de Federación, e na Constituição que sanciona, em 03 de maio de 1812. Nesta, no título 2°, da forma de governo, artigo 1°, expressa que

El Pueblo que habita el territorio de la Provincia de Antioquia, según sus límites y demarcación actual, se erige en un Estado libre, independiente, y Soberano concentrando su Gobierno y administración interior, sin reconocer otra autoridad suprema, sino es aquella que expresamente delegare en el Congreso General de la Nueva Granada, o en el de las Provincias Unidas341.

O Estado soberano de Antioquia, igual que o de Cartagena, reassume sua soberania e reorganiza seus antigos territórios em departamentos. Estabelece cinco departamentos, a

340

Constitución Provisional de Antioquia, (27 de junio de) 1811. AGN, AHR, Vol. VII., fols.76-87. Grifos

meus.

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saber: o Nordeste, Medellín, Rionegro, Marinilla e Antioquia, nos quais em cada capital estavam sediados os cabildos342.

Contudo, os Estados de Antioquia e Cartagena não são os únicos, no Novo Reino de Granada, em adotar a divisão político-territorial por departamentos. Os Estados soberanos que começam a fazer parte da confederação das Províncias Unidas também implantarão tal divisão, ainda que não fosse referenciada na Acta de Federación. Inclusive o Estado de Cundinamarca (que mais adiante não assinará o pacto de confederação) usará o termo departamento para fazer referência a território na sua Constituição de 1811, no título 5°, artigo 8°, especificava: “el Presidente (…) podrá por si o por medio de Comisionados de su satisfacción sin ningún gravamen de los Pueblos visitar los Departamentos de la Provincia”.343. Igualmente, o Estado de la República de Tunja em sua Constituição, poucos dias após a Acta de Federación, fazia referência a “los diversos Departamentos en que se divida la provincia”344. Assim, deixava aberta a possibilidade de organizar os territórios por departamentos, a fim de escolher a representação dos pueblos.

Jorge Tadeo Lozano, presidente do Estado de Cundinamarca, em 1811, propôs um plano para dividir os territórios, que antes pertenciam ao Vice-Reino, em departamentos. Como veremos mais detalhadamente no terceiro capítulo, o Estado de Cundinamarca proporia às outras províncias fazer uma confederação com apenas quatro departamentos: Cartagena, Popayán, Quito e Cundinamarca. Isso com suposto fim de criar um Estado digno desse