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5. DISCUSSION

5.4 Concluding remarks

1. Da investigação à formação e acção

O presente estudo visava percepcionar as razões de abandono de Cachopo por parte

dos jovens que tem vindo a conduzir a um extremo envelhecimento da sua população. Por

outro lado, visava-se imprimir uma estratégia de investigação-formação-acção (seguindo

uma aproximação ao triângulo metodológico de Kurt Lewin). O trabalho desenvolvido

com os jovens de Cachopo não tinha a pretensão de ser um mero estudo. Por um lado,

visava dar pistas para a acção e, principalmente, incitar a própria acção a partir dos jovens.

Assim, numa primeira fase procurou-se entrevistar o maior número de jovens da

freguesia procurando aferir das sociabilidades locais e externas, dos seus projectos futuros

e da avaliação que fazem do próprio território. Essa incursão de terreno, articulou uma

componente não participante de inquirição com estratégias de carácter etnográfico em que

se pretendia uma participação activa dos elementos da equipa nas práticas e dinâmicas

sócio-culturais locais. Esta abordagem permitiu um conhecimento prévio dos principais

problemas e expectativas dos jovens. De forma a começar a estruturar a metodologia de

trabalho com os Jovens, foi construída uma ficha de caracterização e sinalização que

visava percepcionar algumas das características sociais deste grupo, os seus locais de

residência e contactos, e algumas características de referência das redes de sociabilidade

que estabelecem. Foi a partir dessa ficha que se distinguiram os jovens em dois grupos:

residentes habituais e residentes de fins-de-semana.

Tal como previsto inicialmente, seguiu-se a realização de fóruns (in)formativos.

Com estes fóruns pretendia-se reflectir sobre o contexto de acção e dar condições de

autonomização aos jovens para a construção dos seus projectos de desenvolvimento. Para

além da equipa do projecto foram mobilizadas várias instituições locais e exógenas para

apoio aos diferentes fóruns.

2. As entrevistas e dimensões de análise

O trabalho de inquirição iniciou-se após um conjunto de aproximações de terreno. Tais

aproximações foram centrais na estruturação da metodologia de trabalho, e, em particular,

na delimitação das dimensões de análise sobre as quais deveria incidir o guião de

entrevista. Constituía objectivo a realização de entrevistas a todos os jovens com idades

compreendidas entre os 15 e 30 anos. Foram identificados 107 jovens, realizadas 81

entrevistas a que acrescem mais 3 não respostas. Apenas ficaram por entrevistar 23 jovens.

Tal deveu-se à impossibilidade de contacto com esses mesmos jovens. Para a inquirição foi

necessária a deslocação frequente dos elementos da equipa a Cachopo – principalmente

durante os fins-de-semana, em particular durante a noite. Apesar dessa permanência

frequente não foi possível entrevistar esses jovens em falta, ou porque não tinham

disponibilidade na altura solicitada ou porque não se encontravam em Cachopo nessa

altura.

A entrevista foi estruturada a partir das seguintes dimensões de análise e

questionamentos:

 Redes de Sociabilidade – procurar perceber se a vida de lazer destes jovens se

centra na freguesia, ou se divide nos locais onde estudam ou trabalham; de que

forma tomam contacto com os amigos de Cachopo; se os amigos que têm são ou

não maioritariamente de Cachopo; se namoram ou não com jovens de origem de

Cachopo ou de fora; percepcionar os seus próprios estilos de vida (as formas de

ocupação do tempo e formas de apropriação diferenciada dos espaços locais…);

 Projectos de Vida Individuais – percepcionar a forma como os jovens têm vindo a

moldar o seu percurso de vida; quais os projectos presentes e futuros (em termos de

residência, qualificação, inserção, etc.); o que fará com que os jovens fiquem a

viver permanentemente em Cachopo e o que fará com que nem sequer pensem

nessa hipótese para o seu futuro; o que gostam mais e menos na freguesia, etc.;

 Dinâmicas sócio-culturais – por um lado, trata-se de inventariar os recursos locais

e exógenos existentes direccionados para os jovens e aqueles em que há uma sua

maior adesão. Por outro lado, procura-se perceber em que medida os jovens são

promotores de iniciativas e onde se identificam grupos informais que visem a

promoção de actividades de cariz sócio-cultural. Também se torna relevante

identificar quais as práticas sócio-culturais características destes jovens, assim

como eventuais iniciativas ou projectos que gostariam de ver dinamizadas paras as

quais ainda não existe uma resposta local.

 Percursos Escolares – interessa perceber de que forma é que os seus percursos são

influenciados por essa necessidade em estudar fora, de que forma é que tal se torna

como uma via de passagem para o mundo laboral fora da freguesia ou se mantêm

uma vontade de permanecer na freguesia. Outra das dimensões a explorar diz

respeito às suas próprias expectativas escolares e qualificacionais.

 Inserção Profissional e Dinâmicas de Emprego Local – interessa perceber o leque

de ofertas e de potenciais de inserção profissional na própria freguesia, assim como

verificar a forma como os próprios jovens têm vindo a desenhar o seu processo de

transição entre a escola e a vida profissional. Nos jovens também interessará

reflectir sobre as perspectivas profissionais futuras. Também será fundamental

inventariar todo o tipo de incentivos e outros recursos existentes que possam vir a

ser potenciados para que projectos de inserção possam ser vir a ser implementados

na freguesia.

 Habitação – neste domínio interessará perceber, por um lado, quais as perspectivas

de residência futura dos jovens em Cachopo, inventariar os casos de jovens que já

dispõem de propriedades ou de habitações para residência futura, assim como

aqueles que têm em vista viver em Cachopo sem terem necessariamente quaisquer

perspectivas no que respeita à aquisição de casa ou não dispõem de qualquer

propriedade onde possam construir a sua própria habitação. Para as situações de

jovens que não pretendem continuar a viver em Cachopo, interessará perceber quais

as razões que levarão a tal opção. Mesmo que não pretendam residir

permanentemente também será interessante perceber se tencionam ter segunda

habitação em Cachopo.

 Rede de Transportes e Formas de Acesso Locais – As formas de mobilidade dos

locais para fora da freguesia torna-se um elemento chave de todo este projecto, na

medida em que tal pode ser assumido como uma condicionante à fixação dos

jovens na freguesia. Como é óbvio, outros factores terão igual influência, como

explicitado nas restantes dimensões de análise. Trata-se de perceber junto dos

jovens as suas formas privilegiadas de deslocação para a escola, trabalho e para

momentos de lazer fora da freguesia. Por outro lado, também inclui um trabalho de

inventariação de recursos existentes ao nível do sistema de transportes.

Por fim, procura-se que os jovens revelem as suas representações sobre o território

identificando quais os seus pontos fortes e pontos fracos, assim como o que poderia ser

feito para melhorar as situações menos positivas.

ANEXO 2. Informação sobre a Base de Dados dos