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Uma alternativa natural é que as empresas nascentes de base tecnológica possam ser criadas e desenvolvidas em um ambiente que favoreça o desenvolvimento de suas competências, tornando-as sustentáveis e competitivas. É necessário oferecer a essas empresas infraestrutura educacional e científica, mecanismos de apoio à inovação e

cooperação tecnológica e estratégias empresariais. Este ambiente pode ser oferecido através das incubadoras de empresas. Desta forma, a identificação das spin-offs acadêmicas oriundas da UFV foram feitas a partir da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica CENTEV/UFV.

O principal critério utilizado para a identificação das spin-offs foram advir de pesquisar científicas dentro da UFV. Essas pesquisas acadêmicas poderiam ser realizadas nos laboratórios dos departamentos, nas dissertações de mestrado, ou teses de doutorado. Outros critérios utilizados foram as competências dos sócios no quadro societário da empresa e transferência de tecnologia da UFV para uma empresa nascente. Assim, seguindo estes critérios, apesar da Incubadora abrigar apenas empresas de base tecnológica, não se pode afirmar que todas são spin-offs acadêmicas da UFV.

Até 2012, a Incubadora possui 25 empresas graduadas e 15 incubadas, e 5 projetos de negócios pré-incubados. Deste total, pôde ser percebido pela pesquisa documental que em todos os planos de negócios das empresas incubadas e graduadas da Incubadora que existem 21 spin-

offs acadêmicas oriundas da UFV (9 incubadas e 12 graduadas), sendo que

este número representa um percentual de 52,5%.

A Figura 27 mostra o perfil das spin-offs acadêmicas que se dividem em tecnologia de informação, agronegócio, biotecnologia e engenharia. É possível observar que 74% das spin-offs são do setor de biotecnologia ou do agronegócio. O que mostra que o perfil das spin-offs acompanham o perfil da UFV, cujas pesquisas estão relacionadas, principalmente, ao centro de ciências agrárias.

Figura 27: Perfil das spin-offs acadêmicas da UFV

Fonte: Elaborado pela autora.

Outro fator característico das spin-offs acadêmicas é a mão de obra altamente qualificada, apesar das empresas possuírem poucos funcionários. A Figura 28 mostra o nível de escolaridade dos sócios das spin-offs acadêmicas. É possível observar que os profissionais com título de doutor chegam a quase 30% do total de sócios envolvidos.

Figura 28: Nível de escolaridade dos sócios das spin-offs acadêmicas

Fonte: Elaborado pela autora, baseado em informações da Incubadora (2012).

Porém, ao mesmo tempo em que o alto nível de escolaridade dos sócios mostra-se como um ponto forte para a empresa, também pode representar uma ameaça. Isto ocorre devido ao fato de que no início da formação da empresa o seu sucesso é muito incerto. Desta forma, é necessário que os fundadores da empresa tenham um perfil empreendedor e realmente acreditem no negócio.

13%

40% 34%

13%

Perfil das spin-offs acadêmicas

Tecnologia de Informação Agronegócio Biotecnologia Engenharia 34,4% 7,8% 18,8% 29,7% 9,4% Graduação Especialização Mestrado Doutorado Pós-doutorado

Nível de escolaridade

A seguir, tem-se o relato da formação da equipe de um pesquisador/empreendedor de uma spin-off acadêmica participante do programa de incubação.

“A ideia de abrir a empresa veio desde a graduação, por que sempre gostei da liberdade e do desafio. Fui criado para ser empreendedor [...].

Inicialmente a nossa equipe era de quatro pessoas. Mas mesmo antes de sair o resultado da incubadora, um membro da equipe arrumou um emprego fora, e saiu, desistiu da ideia de criar a empresa.

O nosso primeiro vínculo foi no laboratório. A gente tinha muito contato fazendo projetos. E o nosso laboratório não é um laboratório teórico, é muito prático. A gente sai para campo para fazer as coisas e resolver. Mesmo com pouca orientação, temos que correr atrás para fazer as coisas. Assim, construímos o perfil de resolver problemas [...].

Os idealizadores da empresa fui eu e mais uma pessoa. O principal perfil para convidar o sócio era o de saber resolver problemas. Então como tínhamos muito contato com todos no laboratório, pudemos identificar quem era mais pró-ativo, e os líderes no laboratório. Sempre tivemos o perfil de liderança dentro do laboratório. Tínhamos amigos no laboratório que poderíamos ter chamado, mas não chamamos somente pela amizade [...].

Alguns sócios desistiram porque no começo ainda era uma utopia. Não tínhamos nada sólido. [...] Um sócio era mais velho, tinham uns trinta e dois anos. Então ele já tinha trabalhado muito e tinha muita experiência e chegou uma oportunidade de emprego para ele ganhar muito bem. Então para ele, o que seria melhor? Trocar uma coisa que era incerta pelo emprego? Além disso, ele era mais velho, já tinha uma preocupação muito maior de ter uma família, e não pensou duas vezes. Mas a saída foi amigável, ainda somos amigos. Estamos tentando fazer uma parceria com a empresa que ele trabalha.

Outro sócio desistiu por que no começo tivemos que fazer uns trabalhos muito pesados, em baixo do sol, pegando carrapato, etc... Então ele foi ficando desmotivado e, além disso, ele queria ir para o exterior estudar, ele era mais novo. Então juntando tudo isso, ele decidiu sair. Além do mais ele não tinha perfil empreendedor”.

A relação das empresas com os incentivos governamentais mostraram-se fundamentais para o desenvolvimento de inovações tecnológicas. Neste sentido, para Coelho (2009) as empresas dependem de captação de recursos para financiamento às suas atividades inovadoras. Isto ocorre já que essas atividades envolvem necessariamente componentes de risco tanto no nível tecnológico como empresarial. Sem o compartilhamento dos mesmos com aporte de recursos incentivados, muitos dos investimentos privados não seriam realizados. Neste sentido, os relatos de dois empresários abaixo comprovam a afirmação de Coelho (2009).

“Se não tivéssemos recebido recursos de fomento a empresa ainda estaria funcionando, porém o desenvolvimento da inovação estaria parada”.

“O recebimento de recursos de fomento foi muito bom, mas não fundamental para o andamento da empresa [...]. Hoje a prestação de serviço é muito mais lucrativa que a pesquisa. No início nós começamos com a pesquisa e depois a gente viu que era um a forma de conseguir um dinheiro, ás vezes fácil, mas

que gasta muita energia para poder conseguir e fazer as coisas acontecerem. Eu vou conseguir responder o quanto os recursos de fomentos foram bons quando o meu produto inovador estiver pronto e vendendo. Qual que é a lucratividade dele?... Se a lucratividade dele for boa e tivermos vendendo e ganhando muito dinheiro foi bom... mas para a empresa pequena não tem como sobrevivermos somente com a pesquisa.

Até por que para fazermos pesquisa, os editais são muito limitados. Por exemplo, um determinado edital quer trazer mestres e doutores para empresa. Isso é muito bom, mas para as empresas de grande porte. Para as empresas pequenas ás vezes nessa fase da incubação, deveria ser liberado que uma parte do recurso pudesse pagar um sócio da empresa. Para uma empresa pequena, igual a nossa, não adianta muita coisa, não poder pagar um sócio. Por exemplo, um sócio, ele precisa se sustentar, se ele se dedicar à pesquisa e não tiver bolsa, de onde que virá o dinheiro? Não tem. Então ele precisa prestar serviço, mas prestando serviço ele perde o foco. Então ele precisa prestar serviço para ganhar dinheiro, ao mesmo tempo que tem que se bancar e financiar os projetos. Os editais são muito restritos. As vezes eu acho que ele deveria ter uma brecha para as empresas incubadas. Acho que é meio deficiente nessa parte”.

Observa-se que assim como descrito na entrevista, Coelho (2009) também ressalta que se nas empresas não existirem profissionais com as competências necessárias nas áreas de interesse tecnológico comum à cooperação, ficará bem mais difícil o sucesso de desenvolvimento de novos produtos. Além disso, para o autor, o processo de captação de recursos poderia ser melhorado a partir do estabelecimento de regras de relacionamento e de um escopo de trabalho melhor definido. Isso se refletiria no próprio pedido de financiamento, como nas atividades de execução e acompanhamento dos projetos que seriam beneficiadas por uma melhor definição da metodologia e atribuições das partes.

10. ESTRUTURAÇÃO DO PROCESSO DE DINÂMICA DA UFV PARA A