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4 Concluding remarks

A observação atenta sobre a complexa pluralidade do passado, de suas contradições e dos conflitos que marcam os movimentos das idéias, ações e práticas sociais é um dos principais desafios do historiador. Este terreno confuso e incoerente que, segundo Paul Veyne (1998), é o tempo findo - em que o historiador tenta estabelecer uma ordem coerente e inteligível - mostra- se, com toda a sua complexidade, quando se observam o quanto divergiam as diferentes representações sobre o mundo natural no passado.

A proeminência das idéias que enalteciam o avanço pioneiro e o domínio da natureza pelo homem, como formas de expressão máxima do progresso, durante a expansão agrícola, nas últimas décadas do século XIX, não impediram a formação do seu contrário. Frente à conquista do mundo natural paulista pelo homem, emergiram discursos que seguiam um caminho oposto ao usual, destacando não as glórias da expansão econômica sobre o sertão, mas sim as conseqüências negativas desse processo sobre a natureza. Também a violência e o desprezo que fundamentaram os contatos entre homens e animais, nessas décadas de desbravamento do território, não ficaram imunes ao ataque e à crítica de muitos observadores contemporâneos desse momento da história de São Paulo.

A melhor compreensão desses discursos, que apontavam para as contradições do progresso econômico e de suas conseqüências ecológicas, contribui para elucidar a diversidade de imagens construídas pelo homem sobre a natureza, que se transformava rapidamente na medida em que grandes levas populacionais se espalhavam por todo o território paulista.

Essa olhar crítico sobre a destruição ambiental, decorrente do desenvolvimento econômico, existente em muitos discursos durante o período estudado, não foi uma reação inédita nem unicamente contemporânea do século XX. Deixando de lado uma grande quantidade de textos que, desde a Antigüidade, já apontavam para a necessidade de se estabelecer formas menos agressivas nas relações entre os homens e o mundo natural, como em Platão ou em Plínio, o velho, ou Aristóteles, foi principalmente a partir do século XVIII que, de forma mais contundente, iniciaram-se discussões em relação à possibilidade de se dirigir novos olhares sobre a natureza (ACOT, 1990). Portanto, é no século XVIII e XIX que se encontram as idéias que

serviram de base, a partir da Segunda Guerra Mundial, para a formação dos chamados modernos movimentos ecológicos.

Entre os historiadores ambientais, existe uma certa unanimidade em apontar o início da idade contemporânea como o momento de organização mais sistemática e abrangente do pensamento e dos movimentos em defesa do meio ambiente, principalmente na Inglaterra (MCCORMICK, 1992) Este caráter pioneiro Inglês, no que se refere à gestação dessas novas idéias sobre o mundo natural, relacionou-se ao grande desenvolvimento industrial britânico a partir do século XVIII.

Para ser mais exato, desde o final da Idade Média, existiam leis que limitavam ou proibiam a utilização dos recursos naturais, principalmente das florestas, por grande parte da população. Entretanto, as dificuldades impostas pela real diminuição, na época moderna, tanto em quantidade quanto em qualidade, dos recursos naturais, potencializaram essas ações de controle. É nesse sentido que, no século XVII, o Estado inglês tentou manter o controle sobre as florestas de carvalho, madeira fundamental para o desenvolvimento naval, impondo pesadas penas àqueles que explorassem os bosques sem autorização (SCHAMA, 1996). Tais medidas, ao mesmo tempo em que revelam os interesses econômicos que envolviam os debates sobre o mundo natural, também apontavam para a existência de uma preocupação com a escassez dos recursos naturais na Europa desde o final da Idade Média36.

A revolução industrial potencializou uma série de transformações que, pelo menos, desde o século XV, já viam modificando o panorama político, econômico, social e cultural da Europa Ocidental. Mudanças que podem ser resumidas na formação do modo de vida e da experiência urbana, em oposição à vida rural; nas novas formas de expressão política e de sociabilidade; no aparecimento de diversos grupos sociais, com especial destaque para a burguesia e mais tarde, o operariado. Estas e tantas outras transformações que formaram o que se convencionou chamar de

experiências da modernidade (BERMAN, 1986; BARDBURY, MACFARLANE, 1999).

O desenvolvimento das indústrias e do modo de vida urbano fez parte de transformações mais amplas, e pode ser considerada símbolo poderoso desse período de incertezas e contradições. As próprias divergências entre os diversos olhares dirigidos às cidades e às indústrias revelam os conflitos daqueles que vivenciaram essas novas experiências. Às vezes,

36 Essas leis que buscavam coibir o uso das florestas pela população em geral também atendiam aos interesses das

nobrezas européias, que buscavam manter privilégios de exploração sobre as áreas de caça e madeira, o que gerou descontentamento, atos de rebeldia e conflitos em várias regiões da Europa (SCHAMA, 1996).

enaltecidas como símbolos da vitória do homem sobre o mundo natural e sobre o trabalho, despertando desejos e fantasias de um novo mundo, livrando o homem do sofrimento e da carestia. Outras vezes, símbolos da desigualdade social, da pobreza e do abandono, de promessas não cumpridas e de esperanças não realizadas. Certamente, a modernidade não foi experimentada por todos do mesmo modo (BRESCIANI, 1984/85).

Ao mesmo tempo em que o modo de vida urbano se tornava preponderante na Europa Moderna, tomava forma também uma espécie de nostalgia do campo. Fruto direto dos conflitos inerentes ao período de passagem da época Moderna para a época Contemporânea, precisamente definida por Eric Hobsbawm como Era da Revoluções (2006), este sentimento de nostalgia de uma vida bucólica idealizada demonstrava também as dificuldades de adaptação às novas formas de sociabilidade que, aos poucos, formavam-se nos novos espaços urbanos industrializados (WILLIAMS, 2000).

O constante aumento das populações urbanas coincide não somente com o surgimento de novas formas de sociabilidade, como também com a transformação do modo como o homem enxergava e entendia o mundo natural. Desse modo, é a partir do século XVII que diminuem as distâncias exatas e claramente demarcadas que até então separavam o homem e a natureza. Esta percebida, principalmente, como uma dádiva feita única e exclusivamente para servir aos propósitos humanos, enquanto àquele aparece como senhor supremo do planeta. Tal mudança, na perspectiva antropocêntrica, constituiu um fator essencial à compreensão do modo como novas formas de representação sobre os animais, as plantas e o mundo inanimado surgem nas sociedades ocidentais européias.

Essa diminuição das fronteiras entre o homem e o mundo natural, principalmente a partir do século XVII, ocorreu de forma bastante evidente na Inglaterra, que pode ser tomada como exemplo de uma mudança mais abrangente que ocorria em outras sociedades industrializadas ocidentais. Em primeiro lugar, as classes médias urbanas, afastadas dos processos agrícolas, desenvolveram uma sensibilidade mais apurada em relação ao mundo natural, principalmente em relação aos animais que, a cada momento, eram excluídos do processo produtivo, na medida em que eram substituídos pelas máquinas. Tais setores médios observavam na violência e na brutalidade contra os animais, ou mesmo na forma como eram utilizados no trabalho nas áreas rurais, um exemplo da rusticidade e do atraso do homem do campo; que era analisado em oposição à vida urbana dita civilizada. Uma nova ordem industrial surgia, referendada pela

burguesia que se queria dominante, e que construía formas de observação do mundo natural impregnadas pela benevolência e pelo espírito humanitário. Esta atitude mais benfazeja, primeiramente contra o sofrimento e a dor que até então era infligida aos animais sem grandes questionamentos, deve ser entendida dentro das disputas sociais do período, na medida em que esse tipo de pensamento se inseria em uma tentativa de distanciar os setores médios urbanos e burgueses dos demais grupos sociais. Envoltas nesse contexto de disputas políticas e sociais, as elites urbanas qualificavam a violência contra os animais de ações incivilizadas e ultrapassadas, partissem elas de operários, camponeses ou da própria aristocracia Inglesa (THOMAS, 2001).

Contribuiu também para o fortalecimento dessa nova sensibilidade benevolente da burguesia e dos setores médios urbanos, o desenvolvimento das ciências naturais. Ao se aprofundar o conhecimento sobre a natureza, a biologia, a zoologia, a botânica e a ecologia, houve contribuição efetiva para diminuir as distâncias entre o mundo natural e o homem, fortalecendo os discursos que, cada vez mais, apontavam para a necessidade de se mudar a forma como o homem se confrontava contra a natureza.

Desde a organização funcional e metódica da natureza proposta por Carl Von Lineu, no século XVIII, passando pela visão crítica de Alexander Von Humboldt sobre a intervenção do homem sobre a natureza, além da obra revolucionária de Charles Darwin e pela criação do termo ecologia por Ernst Haeckel, no século XIX, o que se percebe é um constante esforço no sentido de compreender a natureza por meio de suas próprias necessidades e formas de organização, independentemente dos desejos e das aspirações humanas (ACOT, 1990).

A constante emancipação da natureza promovida pelos cientistas naturais, desde o século XVIII, ajudou a despertar um olhar mais atento sobre o equilíbrio que une os seres nos ecossistemas, onde o homem não tem papel prioritário. A defesa de que o mundo natural não precisava do homem, ou ainda de que o homem faz parte desse mundo natural como um dos sujeitos, e não como único sujeito, contribuiu fortemente para o enfraquecimento do antropocentrismo biológico, ao mesmo tempo em que fortaleceu os discursos que apontavam não somente para o profundo desconhecimento do homem sobre mundo natural, como também para o caráter quase sempre prejudicial da intervenção das sociedades sobre a natureza.

Contudo, as raízes do pensamento ambientalista não se encontram somente na Europa, mas também emergem na vida intelectual que se formava em torno do mundo colonial Inglês, Francês e Alemão a partir do século XVII. Nessas imensas colônias, como a Índia e a China, ou

mesmo nas pequenas ilhas, como Maurício e Santa Helena, um grande número de pesquisadores observam, com olhar bastante crítico, os resultados da expansão colonial européia. Criticavam, influenciados tanto pelo pensamento orientalista quanto pelas observações e pesquisas executadas nos jardins de aclimatação existentes nos territórios coloniais, o resultado da exploração da natureza. Por intermédio da observação direta da erosão, do desmatamento e da destruição da flora e da fauna nativas, emergiu um conjunto de idéias que criticavam a expansão econômica européia, defendendo esforços no sentido da preservação e do manejo mais racional dos recursos naturais. Logo, tais debates, em torno da necessidade de se mudar a concepção utilitária e imediatista no emprego da natureza no mundo colonial, contribuíram diretamente para a formação e o fortalecimento do pensamento ambientalista na Europa (GROVE, 1995).

Outro ponto importante, que deve ser destacado como contribuinte na formação de novas atitudes e idéias do homem sobre a natureza, foi a emergência do movimento romântico no século XIX. Resultado direto das transformações do período, o romantismo pode ser compreendido como uma expressão dos “sentimentos dos descontentes com as novas estruturas” (BOSI, 1974, p. 100). É nesse sentido que os românticos projetam sobre a natureza os sentimentos de descontentamento com a industrialização e com a vida urbana; daí a exaltação e a mitificação do mundo natural, espaço tanto de contemplação quase religiosa quanto de manutenção de uma simplicidade rústica, inspiradora verdadeira da sensibilidade humana. Em síntese, a valorização das florestas e dos animais, por exemplo, representava uma forma de oposição à sociedade urbana e industrializada que se fortalecia de modo vigoroso (CARVALHO, 2001). Desse modo, apesar de sua pluralidade e das diversas tintas locais que o movimento romântico adquiriu, ao longo do século XIX, a valorização da natureza, como fonte de inspiração, acabou por contribuir para esse amplo processo de consolidação de novos olhares sobre o mundo natural.

A partir desse conjunto bastante abrangente de transformações que ocorrem na Europa Ocidental e em suas colônias, uma nova sensibilidade ganha espaço, principalmente entre os cientistas naturais e entre as classes médias urbanas e que, aos poucos, acaba circulando entre todos os setores sociais. Essas novas sensibilidades começam, de forma lenta, mas contundentes, a diminuir as fronteiras entre o homem e a natureza, na medida em que discursos e ações apontam para a defesa de posturas de maior respeito do homem com o mundo natural. É nesse contexto de transformações que se formam nas grandes cidades européias, a partir do século

XVIII, os primeiros grupos organizados em torno de associações e ligas que tinham como objetivo principal defender o mundo natural da exploração humana (MACCORMICK, 1992).

Segundo Keith Thomas (2001), foi na Grã-Bretanha altamente industrializada do século XIX - que já convivia com a poluição dos rios e do ar, com a escassez de madeira e a diminuição dos espaços verdes, além de um aumento crescente da população urbana -, que um número cada vez maior de pessoas e grupos cultivava plantas sem finalidade prática ou econômica, a não ser pelo prazer estético com função paisagística. Muitos também defendiam o que então se convencionou chamar de direito dos animais, ao mesmo tempo em que lutavam contra os espetáculos de vivissecção, bastante comuns até então, ou mesmo defendiam o fim da ingestão de carne animal, difundindo a alimentação vegetariana. Outros tantos discursavam em favor da preservação das florestas e árvores, anunciando a carestia iminente de madeira.

Formava-se, então, em torno do Império Inglês, um conjunto de forças que se opunham diretamente contra ao modo como a natureza havia sido tratada até então, oferecendo as bases para o pensamento ambientalista moderno (THOMAS, 2001). Não foi por acaso que a primeira lei contra a poluição do ar no mundo foi aprovada na Grã-Bretanha, em 1863. Do mesmo modo, na Inglaterra, surgiu o primeiro grupo privado de proteção à natureza, o Commons, Foot-paths,

and Opens Spaces Preservation Society, fundado em 1865, e um pouco antes a Society for the Protection of Animals, fundada em 1824, reconhecida oficialmente pela coroa em 1840

(MACCORMICK, 1992).

Além da Inglaterra e da Alemanha - esta se destacava principalmente em relação ao manejo e à conservação das florestas, desde o século XVIII -, os debates em torno das questões ambientais ganharam bastante impulso nos Estados Unidos, no final do século XIX, por motivos bastante semelhantes aos que deflagraram tais mudanças na Europa. De um lado, o aumento dos trabalhos científicos na área das ciências naturais, que permitiram uma compreensão melhor sobre a natureza e abriram caminho para que pesquisadores, muitos dos quais formados em Instituições de ensino e pesquisa da Europa, passassem a defender formas de intervenção menos agressivas do homem sobre o meio. Também o contato direto dos homens com a degradação ambiental causada pela expansão econômica, que, no caso dos norte-americanos, mirava para o Oeste, na conquista das grandes planícies do interior, em direção ao Oceano Pacífico, permitiu a emergência de alguns discursos que apontavam as conseqüências negativas desse processo para o mundo natural dos E.U.A (MACCORMICK, 1992).

Um dos primeiros ambientalistas dos Estados Unidos foi George Perkins Marsh, que, em 1864, publicou Man e Nature, um importante livro que denunciava a destruição da natureza e o desperdício dos recursos naturais, principalmente pela ganância do homem no trato com a natureza (MACCORMICK, 1992). Foi muito sob inspiração e influência do pensamento de Marsh que acabou sendo criado nos Estados Unidos, no ano de 1872, o Parque Nacional de Yellowstone, o primeiro parque do gênero no mundo, e que acabou servindo de exemplo para a fundação de outros parques em diversos países. A fundação de Yellowstone, em uma área de 800 mil hectares em Wyoming, foi um marco para o pensamento ambientalista. Uma concretização das aspirações dos que defendiam a necessidade de se preservar a natureza, seja por motivos ideológicos, científicos, estéticos ou até recreativos, apesar de muitos questionarem este modelo de parque nacional, com total preservação das áreas virgens e a expulsão de todos os moradores nativos, como o melhor caminho para a preservação da natureza37 (DIEGUES, 1998).

Outros dois nomes que formaram as bases do pensamento ambientalista norte-americano foram John Muir e Gifford Pinchot, que acabaram dividindo o movimento em dois pólos: conservacionistas e preservacionistas. Para John Muir, o primeiro nome do preservacionismo, as áreas virgens deveriam ser preservadas totalmente da ação humana. Os parques, portanto, não deveriam ser usados para qualquer outra finalidade que não fosse a de estudo, contemplação ou entretenimento.

Já os conservacionistas, liderados por Gifford Pinchot, defendiam o uso racional dos recursos naturais, tentando conciliar a idéia de preservação da natureza com o desenvolvimento econômico. Portanto, enquanto a visão dos preservacionistas estava mais ligada ao pensamento britânico e às representação românticas da natureza, os conservacionistas mantinham-se mais próximos da racionalidade exploratória alemã; país que, desde o século XVIII, desenvolveu e aprimorou importantes técnicas de manejo em áreas florestais (DIEGUES, 1998; SCHAMA, 1996). Os debates entre esses dois grupos se mantiveram ao longo das primeiras décadas do

37 Antonio Carlos Diegues mostra como o modelo de parques nacionais criados nos Estados Unidos, onde a

população nativa foi expulsa das áreas com o objetivo de “preservação”, não é uma unanimidade entre os ambientalistas e cientistas. Muitos trabalhos indicam que a manutenção das populações nativas nas áreas de conservação, vivendo do extrativismo, ajudou a manter a floresta e seus ecossistemas de forma mais efetiva do que nos parques em que as comunidades foram totalmente excluídas (1998).

século XX, e influenciaram decisões políticas e linhas de ação dos diversos grupos ambientalistas, dentro e fora dos Estados Unidos38.

O surgimento, a partir de meados do século XIX, de indivíduos e grupos organizados empreendendo discursos em campanhas de defesa do mundo natural, tanto na Europa como na América, contribuiu para que as questões relativas à defesa do meio ambiente não ficassem restritas somente aos debates científicos, mas sim se espalhassem por todas as esferas sociais, alcançando e sensibilizando um número cada vez maior de pessoas. Apesar do crescimento do número de pessoas e de grupos que se dedicavam às causas da natureza, até a Segunda Guerra Mundial, essas vozes ainda encontraram muitos obstáculos para se fazerem ouvir.

Apesar disso, na primeira metade do século XX, a organização de alguns encontros internacionais deixam claro que muitos já apontavam para a necessidade de ocorrerem mudanças na forma como o mundo natural era explorado. Em 1900, foi assinado, em Londres, o primeiro acordo ambiental do mundo, A convenção para a preservação de Animais, Pássaros e Peixes na

África, que teve o apoio da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Portugal e Congo Belga. Esta

foi uma das várias atitudes tomadas pelas potências européias imperialistas presentes na África, preocupadas principalmente com o decréscimo evidente da caça e da vida animal. Apesar de estimulados por objetivos não tão nobres, esses primeiros acordos internacionais acabaram abrindo caminhos para outros encontros do gênero na Europa e nos Estados Unidos.

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Apesar de serem os dois grupos que mais influenciaram o movimento ambientalista moderno, a partir da década de 1960, outras concepções incrementaram ainda mais os debates e as propostas para os problemas ecológicos. Uma das vertentes mais importantes culpa a sociedade e o modo de produção capitalista pela destruição do mundo natural. Nesse sentido, destaca-se o ecoanarquismo, que propõe uma organização social baseada não na competição mas na cooperação, e que tem como principal expoente o russo Kropotkin; a ecologia profunda, termo cunhado pelo norueguês Arne Naess, em 1972, que defende a manutenção do equilíbrio ecológico através de uma nova forma de relacionamento entre o homem e o mundo natural, a partir da hipótese Gaia. Esta concepção, idealizada por James Lovelock, entende todo o planeta como um único organismo vivo, em que todos os seres estão interligados, e qualquer desequilíbrio ecológico acaba - diretamente ou não - influenciando e inviabilizando todo o sistema. Igualmente deve ser citado o ecossocialismo, que, além de defender a socialização da terra e o fim da propriedade privada como uma forma de reaproximação do homem à natureza, afirma que as forças produtivas da natureza devem ser levadas em conta para a compreensão da manutenção e da reprodução do sistema capitalista. Além desses grupos, existe também uma influente corrente neomalthusiana, que afirma estar no crescimento desorganizado da população a causa do desequilíbrio ecológico. Os neomalthusianos propõem a adoção de políticas de controle de natalidade nos países pobres, além de dispositivos que diminuam o desenvolvimento econômico dessas regiões, tentando frear a degradação ambiental, como o desmatamento desordenado e a erosão. Tal idéia se aproxima das

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