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Lindkvist (2005) argumenta que as CoPs não poderiam ser aplicadas no contexto de projetos e propõe o termo coletividade de prática (ClP), com características semelhantes ao chamado “conhecer criativo” proposto por Amin e Roberts (2008). Ele realiza uma análise do significado da palavra “comunidade” e conclui que o termo CoP não é adequado para o contexto de projetos, isto é, um time de projeto não é uma CoP. Enquanto o time de projeto é altamente autônomo dentro de um conjunto de metas, em termos de tempo, dinheiro e qualidade, composto por membros de diferentes especialidades, com diferentes bases de conhecimento e diversos caminhos de interpretação; a comunidade precisa de compromisso com um conjunto de valores, normas e significados compartilhados e uma história e identidade compartilhadas (cultura compartilhada), aspectos que emergem ao longo do tempo.

Neste sentido, o autor propõe o termo coletividades de prática (ClP) como um grupo de pessoas que têm a capacidade de operar sobre conhecimento distribuído, no lugar de um conhecimento compartilhado; o conhecimento base está disperso e é individual, isto é, inserido nos membros da coletividade, neste entorno, os objetivos funcionam como objetos limitantes e devem ser flexíveis e robustos para estabelecer um guia explícito do conhecimento necessário, e quais soluções são possíveis dentro das limitações de tempo e dinheiro. O conhecimento na ClP se baseia mais na ação individual do que na grupal em que nem sempre o mais experiente tem o conhecimento necessário, ele pode ser superado pelo novato, as diferenças entre estes dois agrupamentos são resumidos no Quadro 10 .

Quadro 10: Diferenças entre CoP e ClP

Comunidades de prática Coletividades de prática

Tipo de

conhecimento base Conhecimento descentralizado Conhecimento distribuído Tipo de memória Memória pouco clara Redes de memória Principal repositório Conhecimento na prática, isto é, na atividade comunal e

narrativa.

Conhecimento individual e competências

Principio de integração

Conhecimento com bases similares

Boas conexões das bases de conhecimento

Caminhos de

aprendizagem Socialização Solução de problemas

Operam baseados

em O conhecimento disponível O conhecimento articulado

Trabalhador do

conhecimento Com cultura comum Agente livre (dentro de certos limites) Desenvolvimento de

conhecimento Direcionado por paradigmas, processos de ciência normal.

Direcionado por metas, provas de certo-errado, processos de mercado.

Lema “Nós conhecemos mais do que

podemos disser” “Nós falamos, mas do que nós conhecemos”. Fonte: Lindkvist (2005)

Ha (2008) também questiona a aplicação de CoP no ambiente de projetos. Por exemplo, ele estuda o aprendizado dos trabalhadores de TI no lugar de trabalho e enxerga que o processo de aprendizagem que ocorre nas CoPs, proposto por Lave e Wenger (1991), “participação periférica legítima”, não se aplica ao ambiente de projetos de TI, pois existem diversos caminhos para um novato aprender e se tornar um especialista sem necessariamente estar seguindo o especialista, inclusive, o especialista admite que muitas das tecnologias usadas atualmente pelo novato ele desconhece.

Outro trabalho que questiona a aplicação do conceito de CoP no ambiente de projetos é Kirman et al (2011), indicando que no contexto de projetos, a CoP tradicional se mistura com a equipe de projetos, resultando em um híbrido chamado de comunidade de prática organizacional (CoPO) que possui características dos times de projetos e da CoP proposta por Wenger (1998), por exemplo: na CoPO como nos times de projeto a tarefa é determinada pela organização, os líderes são indicados, os membros trabalham de forma interdependente, a estrutura da comunidade é formal e os recursos são disponibilizados pela organização (WENGER, 2002), mas em relação às responsabilidades do dia a dia não existe punição formal pelos erros, como ocorre nos times de projeto. Os autores associam a construtos da CoP: legitimidade, periferia (peripherality) e participação com características dos projetos: operações essenciais, interdependência de tarefas e empowerment que caracterizam à CoPO. Kirkman (2011) testa seus construtos teóricos em CoPOs identificadas em empresas que trabalham com projetos de longo prazo, que tinham em média 14 membros, com o intuito de determinar a eficácia da CoPO. Entre seus principais resultados, identifica que as tarefas da CoPO são um trabalho extra e são facilitadas pelo empowerment. Destaca que o líder é chave como facilitador para encorajar os membros a gerenciar as atividades relacionadas à tarefa; ajudá-los a alinharem seus esforços coletivamente com as metas organizacionais e para a obtenção de recursos. A capacitação também resulta em um elemento importante para o aumento da eficácia da comunidade.

No Quadro 11, resumem-se os diferentes pontos de vista encontrados na literatura que estuda a relação entre CoP e projetos.

Quadro 11: Diferentes pontos de vista da relação entre times de projeto e CoP

Autores Relação de CoP com Projetos

Kling R.; Courtright C. (2003), Alam et al. (2008); Fang e Beufeld (2008); Hall e Graham (2004); Koch (2004); Styhre et al (2006) Mork et al. (2010) Times de projetos e CoP constituem o mesmo grupo

Consideram que as pessoas envolvidas nos projetos constituem uma CoP, e ela é uma característica da aprendizagem em projetos. Considerada, às vezes, como sinônimos e os termos são usados indistintamente, sobretudo, em ambientes virtuais. As CoPs nos projetos de inovação se reconfiguram, segundo as necessidades de conhecimento, pois existem novas práticas e novos especialistas. Considerada CoP como time de projeto. Ayas e Zeniuk (2001); Wenger et al. (2002); Love (2009); McDermott, Archibald (2010); Bettiol e Sedita (2011); Aubry et al. (2011) Times de projetos e CoP são grupos de diferentes relacionados

As redes de times de projetos e as redes de CoP são diferentes, mas se relacionam. Pois, uma CoP pode realizar tarefas específicas e projetos ao longo de sua prática. Mas que ela precisa ser independente do time de projetos e permanente. Poderia se formar uma CoP no âmbito de escritório de projetos (PMO) para transferir conhecimento nos projetos

Lindkvist (2005) Há (2008)

Kirkman (2011) pode aplicar a CoP não se projetos

Considera que o conceito de CoP não poder ser aplicado ao contexto de projetos e propõe o termo Coletividades de prática (ClP) que seriam melhor aplicadas para o contexto de projetos. Ou CoPO que resulta da combinação das características de CoP tradicional com as características de times de projetos

Fonte: Elaboração própria

Perante os diferentes pontos de vista em relação à aplicação da CoP no ambiente de projetos, Wenger (2011) destaca as diferenças especificamente entre CoP e equipe de projeto: a equipe é mantida por uma tarefa e quando a tarefa é realizada a equipe é dispersa. Os membros da equipe são susceptíveis de aprender alguma coisa no desempenho dessa tarefa, mas esta aprendizagem não define a equipe, é seu compromisso respectivo e contribuições para a tarefa que é a principal fonte de confiança e coesão entre eles. E uma força-tarefa é um tipo especial de equipe que se reúne para resolver um problema específico, geralmente de amplo alcance. Seu compromisso com o processo é que mantém o respeito pelos participantes e isso gera confiança. Já uma CoP pode realizar tarefas em conjunto, mas essas tarefas não definem a comunidade. É o aprendizado contínuo que sustenta seu compromisso mútuo. Os membros desenvolvem confiança com base em sua capacidade de aprender juntos, desse preocupar com o domínio, de respeitar o outro como profissional para expor as suas questões e desafios, e para fornecer respostas que refletem sua experiência.