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Um resíduo não é por si só, algo nocivo. Muitos resíduos podem ser transformados em subprodutos ou em matérias-primas para outras linhas de produção. A correta manipulação dos resíduos é de grande importância para o controle do risco que ele pode representar, pois um resíduo relativamente inofensivo pode transformar-se em um risco ambiental grave.

“A soma das ações de controle, envolvendo a geração, manipulação, transporte, tratamento e disposição final, traduz-se nos seguintes benefícios: minimização dos riscos de acidentes pela manipulação de resíduos perigosos; disposição de resíduos em sistemas apropriados; promoção de controle eficiente do sistema de transporte de resíduos perigosos; proteção à saúde da população em relação aos riscos potenciais oriundos da manipulação, tratamento e disposição final inadequada; intensificação do reaproveitamento de resíduos industriais; proteção dos recursos não renováveis, bem como o adiamento do esgotamento de matérias-primas; diminuição da quantidade de resíduos e dos altos e crescentes custos de sua destinação final; minimização dos impactos adversos, provocados pelos resíduos no meio ambiente, protegendo o solo, o ar e os recursos hídricos superficiais e subterrâneas de contaminação” (GUILHERMINO, 2008: 29-30).

A poluição é muitas vezes um desperdício econômico. O aumento da produtividade dos recursos pode ser obtido através do reaproveitamento dos resíduos industriais, quer sejam utilizados para a co-geração de energia, na reutilização ou reciclagem dos materiais.

“A utilização mais racional dos recursos, somente possível através de inovações, pode aumentar a produtividade e tornar a empresa mais competitiva: pela redução de custos e/ou pela melhoria de seus produtos – pelos quais os consumidores estariam dispostos a pagar mais.” (YOUNG, LUSTOSA, 2001: 12)

Quaisquer práticas que se proponham a reduzir ou eliminar volume, concentração ou toxicidade das cargas poluentes na fonte onde são geradas, são consideradas medidas de prevenção da poluição (PP – Pollution Prevention). Dentre estas medidas encontram-se as “modificações nos equipamentos, processos ou procedimentos, reformulação ou replanejamento de produtos e substituição de matérias primas e substâncias tóxicas que resultem na melhoria da qualidade ambiental.” (FIGUEIREDO, apud, PEREIRA, 2001:18) Segundo Young e Lustosa (2001: 13), a PP “prevê mudanças nas tecnologias adotadas e nas formas de gestão empresarial, sendo soluções mais definitivas, que reduzem efetivamente a quantidade de emissões e resíduos, aumentando a produtividade dos recursos”.

Uma das estratégias que as indústrias podem lançar mão para preservar o meio ambiente e simultaneamente reduzir custos das atividades industriais se apresenta na forma de reciclagem de resíduos sólidos e reuso das águas.

Segundo Giordano (2010), a diferença entre poluentes e produtos está diretamente ligada com a possibilidade de sua utilização pelo mercado. Portanto uma excelente forma de se controlar a poluição industrial é a busca incessante por transformar poluentes potenciais em produtos, seja na forma de bens de consumo ou de matéria-prima.

O material reciclado ou reutilizado proporciona economia nas atividades de manejo e disposição dos resíduos, além de serem atividades bem aceitas pelos consumidores e comunidade (PEREIRA, 2001). Portanto, algumas questões são de suma importância: verificar se os resíduos podem ser reutilizados na própria indústria, se podem ser reciclados e comercializados, se existe local adequado para o destino final dos resíduos.

Em 2004 a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) publicou a nova versão da sua norma NBR 10.004 - Resíduos Sólidos. Os resíduos sólidos são classificados de acordo com a periculosidade e solubilidade. Segundo a Norma Brasileira NBR 10.004, que classifica os resíduos sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, estes resíduos são classificados como: Resíduos Classe I, perigosos, tendo periculosidade por inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade. Segundo Giordano27, os metais que apresentam toxicidade são: alumínio, cobre, cromo, chumbo, estanho, níquel, mercúrio, vanádio e zinco. Os Resíduos Classe II, não-inertes, podem apresentar propriedades de combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em água e Resíduos Classe III, inertes, não representam maiores riscos à saúde pública ou ao meio ambiente. Estes resíduos não se degradam ou não se decompõem quando dispostos no solo

27 Tratamento e controle de efluentes industriais.Disponível em:

(ou se degradam muito lentamente). Pereira (2001) e Kraemer (2010) alertam que muitos destes são recicláveis. Existe uma classificação da toxicidade relativa dos metais mais comuns no meio ambiente, que se apresentam em ordem decrescente de periculosidade da seguinte maneira: Mercúrio (Hg), Prata (Ag), Cobre (Cu), Zinco (Zn), Níquel (Ni), Chumbo (Pb), Cádmio (Cd), Arsênio (As), Cromo (Cr), Estanho (Sn), Ferro (Fe), Manganês (Mn), Alumínio (Al), Berílio (Be) e Lítio (Li).28

Os metais pesados são muito usados na indústria e são encontrados em vários produtos. No Quadro 3.4 são apresentados os principais metais usados, suas fontes e riscos à saúde.

Quadro 3.4 - Principais metais usados na indústria, suas fontes e riscos à saúde

Metais De onde vêm Efeitos

Alumínio Produção de artefatos de

alumínio; serralheria; soldagem de medicamentos (antiácidos) e tratamento convencional de água.

Anemia por deficiência de ferro; intoxicação crônica

Arsênio Metalurgia; manufatura de

vidros e fundição.

Câncer (seios paranasais) 29

Cádmio Soldas; tabaco; baterias e

pilhas.

Câncer de pulmão e próstata; lesão nos rins.

Chumbo Fabricação e reciclagem de

baterias de autos; indústria de tintas; pintura em cerâmica; soldagem.

Saturnismo (cólicas abdominais, tremores,

fraqueza muscular, lesão renal e cerebral).

Cobalto Preparo de ferramentas de

corte e furadoras.

Fibrose pulmonar

(endurecimento do pulmão) que pode levar à morte.

Cromo Indústria de corantes,

esmaltes, tintas, ligas com aço e níquel; cromagem de metais.

Asma (bronquite); câncer.

Estanho Revestimento interno de latas

de aço (folhas-de-flandres);

Dor de cabeça; deficiência visual; alteração

28 http://www.mundodoquimico.hpg.ig.com.br/poluicao_industrial.htm, visto em junho de 2010.

29 Seios paranasais são espaços preenchidos de ar localizados no interior dos ossos do crânio e face, que se comunicam com a cavidade nasal.

galvanoplastia; solda macia; produção de lâminas finas para acondicionamento de produtos (chocolates e maços de cigarro); ligas metálicas.

eletroencefalográfica, interferência no

funcionamento do sistema nervoso podendo levar à morte.

Fósforo amarelo Veneno para baratas; rodenticidas (tipo de

inseticida usado na lavoura) e fogos de artifício.

Náuseas; gastrite; odor de alho; fezes e vômitos

fosforescentes; dor muscular; torpor; choque; coma e até morte.

Mercúrio Moldes industriais; certas

indústrias de cloro-soda; garimpo de ouro; lâmpadas fluorescentes.

Intoxicação do sistema nervoso central.

Níquel Baterias; aramados; fundição

e niquelagem de metais; refinarias.

Câncer de pulmão e seios paranasais.

Fumos metálicos Vapores de (cobre, cádmio, ferro, manganês, níquel e zinco) da soldagem industrial ou da galvanização de metais.

Febre dos fumos metálicos (febre, tosse, cansaço e dores musculares) – parecido com pneumonia.

Vanádio Ligas metálicas, produção de

ferramentas de aço, cerâmica, catálise em processos

químicos, resistência a corrosão e para tingimento e estamparia.

Pode causar bronquite; é neurotóxico (apresenta ação lesiva sobre o sistema

nervoso) e nefrotóxico (geram danos aos rins).

Fonte: Adaptado de: http://www.ambientebrasil.com.br/, http://br.monografias.com/trabalhos/residuos- industriais-ambiente/residuos-industriais-ambiente2.shtml, http://www.infoescola.com/elementos- quimicos/estanho/, http://www.medicinacomplementar.com.br/Biblioteca_de_Intoxicacoes.asp#va e http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0621168_08_cap_04.pdf , visto em junho de 2010.

Durante o processo industrial podem ser gerados resíduos das três diferentes classes, portanto é indispensável evitar a mistura destes resíduos durante seu acondicionamento, coleta, tratamento e destino final (PEREIRA, 2001).