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Concluding Remarks

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5 Meeting the New Security Challenges

5.3 Concluding Remarks

As concepções de contexto variam não só no tempo, como também de autor para autor. Não encontramos, assim, definições únicas e precisas sobre o que é contexto, pois o termo significa coisas diferentes em modelos diferentes de pesquisa.

Para Hanks (2008), a forma como esse conceito é tratado depende de como são construídos outros elementos como a concepção que se tem de linguagem, de discurso etc. Para esse autor, o contexto é um conceito teórico, estritamente baseado em relações, não havendo, portanto, contexto que não seja “contexto de”, ou “contexto para”.

Na pesquisa sobre textos, em sua fase inicial, o contexto era visto como o entorno verbal, o co-texto. Segundo Koch (2003), com o advento da Teoria dos Atos de Fala e da Teoria da Atividade Verbal, a Pragmática incorpora a presença dos interlocutores na compreensão do contexto, voltando-se para o estudo e a descrição de suas ações em situação de interlocução. Para van Dijk (2004), antes que os usuários da língua sejam capazes de relacionar as informações recebidas com o conhecimento linguístico mais geral e outros conhecimentos arquivados na memória, eles devem analisar o contexto em relação ao qual um determinado ato de fala é realizado.

Na Teoria dos atos de fala, Austin (1990) distingue três tipos de ação linguística: os atos locucionários, os ilocucionários e os perlocucionários. O ato locucionário é a simples enunciação de uma sentença; o ato ilocucionário está relacionado à força ilocucionária (de pergunta, de asserção, de ordem, promessa) sobre um conteúdo proposicional. O ato perlocucinário, por sua vez, destina-se a exercer certos efeitos sobre o interlocutor (persuadi-lo, agradá-lo). A Teoria da Enunciação formulada por Bakhtin explica os significados dos enunciados produzidos pelas falas dos indivíduos de uma determinada língua, levando em consideração não só o sentido desses enunciados, como também suas condições de produção, ancoradas pelo espaço de enunciação. O enunciado amanhã estarei livre, em diversas situações de enunciação, pode ter sentidos diversos, já que pode tratar apenas de uma simples constatação, se consideramos que o dia seguinte refere-se a um sábado e que o falante não trabalha nos finais de semana; pode tratar também de um convite para um passeio, pode ainda referir-se à finalização de um processo de divórcio ou de qualquer outro impedimento que faça com que o falante tenha a sensação de estar aprisionado.

A incorporação dos interlocutores na compreensão do contexto, no entanto, mostra-se insuficiente se não considerarmos que eles se movimentam em um tabuleiro social. Assim, aos poucos, outro tipo de contexto passou a ser levado em consideração: o contexto sociocognitivo. Van Dijk (2004) coloca como problema o seguinte: “Como o ouvinte sabe que o falante, ao produzir uma sentença, está fazendo uma promessa ou uma ameaça? Que informações devem ser passadas para o ouvinte a fim de que ele seja capaz de atribuir à sentença uma determinada força ilocucionária?” As respostas às questões do autor podem vir, segundo ele próprio, de vários pontos e por diversos canais:

a) da propriedade das estruturas dos enunciados (determinadas por regras gramaticais);

b) das propriedades paralinguísticas (velocidade, ênfase, entonação);

c) da observação/percepção real do contexto comunicativo (presença e propriedade dos objetos, pessoas etc.);

d) dos conhecimentos/crenças já armazenadas na memória a respeito do falante, de suas idiossincrasias, ou sobre outras características da situação social;

e) dos conhecimentos e das crenças relativas aos tipos de interação e de estruturas dos contextos precedentes à interação;

f) dos conhecimentos e crenças derivados de atos de fala, i.e, partes precedentes do discurso nos níveis micro (local) e macro (global);

g) da semântica geral, em particular a convencional, conhecimentos sobre a inter(ação), regras etc.;

h) de outros tipos de conhecimento de mundo (frames).

Para que duas pessoas possam compreender-se mutuamente é necessário que, pelo menos em parte, seus contextos sociocognitivos sejam semelhantes, ou seja, que tenham conhecimentos compartilhados (Cf. KOCH, 2003). A autora postula que o contexto cognitivo engloba todos os demais tipos de contexto. O contexto, da forma como é entendido hoje na Linguística Textual, abrange não só o co-texto, como também a situação de interação imediata, a situação mediata, (entorno sociopolítico-cultural) e também o contexto sociocognitivo dos interlocutores. A mobilização dos diversos

conhecimentos, por ocasião do processamento textual, realiza-se por meio de estratégias de ordem:

Cognitiva: as inferências, as focalizações, a busca da relevância; Sociointeracionais: preservação das faces, polidez, atenuação etc.; Textuais: conjunto de decisões concernentes à textualização,

tomadas pelo produtor do texto, tendo em vista seu projeto de dizer (pistas, marcas, sinalizações).

Gumperz (1998) designa como pistas de contextualização os sinais verbais e não verbais utilizados pelos usuários da língua na interação face a face. Como exemplo dessas pistas, o autor cita a prosódia (entonação, acento de intensidade, mudanças de clave); os sinais paralinguísticos, como pausas, hesitações, sobreposições de turnos, tom e volume de voz; a escolha do código ou do registro; as formas de seleção lexical, as expressões fisionômicas ou qualquer movimento do corpo que sugira apoio, discordância, oposição, ironia, ênfase etc.

Na escrita, Dascal e Weizman (apud KOCH, 2003), ao analisarem textos jornalísticos, mencionam as aspas, a seleção lexical, certas questões retóricas, o uso de algumas formas de tratamento, e assim por diante, como pistas importantes para a captação do sentido esperado pelo produtor, assim como a diagramação, a localização do texto na página ou no veículo – no caso de jornais de revistas –, o tipo de letra, os travessões, os parênteses e os destaques (itálico, negrito), entre outros.

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