Nos mapas gerados, apresentam-se os dados referentes à temperatura e umidade das áreas 01 e 02 em três horários distintos durante o dia simulado, sendo estes às 09, 15 e 21 horas. As Tabelas 1 e 2 mostram as temperaturas mínimas e máximas nos horários analisados.
Tabela 1 – Temperatura mínima e máxima na área 01
Área 01 09:00 15:00 21:00
Temperatura mínima (ºC) 21,01 27,47 23,29
Temperatura máxima (ºC) 24,26 29,97 24,95
Fonte: Elaborado pela autora em abril/2017
Tabela 2 – Temperatura mínima e máxima na área 02
Área 02 09:00 15:00 21:00
Temperatura mínima (ºC) 20,26 25,88 23,15
Temperatura máxima (ºC) 24,14 30,43 24,83
Fonte: Elaborado pela autora em abril/2017
Observa-se que a temperatura aumenta gradativamente nas duas situações simuladas até às 15 horas, quando volta a cair. A diferença entre as temperaturas chega a aproximadamente 1,6 ºC neste horário, onde se tem 27,47 ºC na área 01 e 25,88 ºC na área 02. A temperatura máxima apresenta pouca diferença nas duas situações, com exceção às 15 horas, onde a área 02 apresenta temperatura cerca de 0,5 ºC acima da área 01.
A temperatura manteve-se alta em alguns pontos, como se vê no Quadro 2, incluindo os arborizados. Isso se justifica pela dificuldade de saída de calor onde há presença de árvores, pois são locais onde a velocidade do vento é menor em consequência do bloqueio físico causado pela vegetação, como vemos nas Figuras 9 e 10 que mostram a velocidade do vento na área 01 e 02.
Figura 9 – Velocidade do vento na área 01
Figura 10 – Velocidade do vento na área 02
(Fonte: Imagem extraída do ENVI-met)
abaixo de 0,5 m/s entre 0,5 e 1,00 m/s entre 1,00 e 1,50 m/s entre 1,50 e 2,00 m/s acima de 2,00 m/s
Percebe-se que na área 02 a velocidade do vento até aproximadamente 10 metros de altura fica entre 0,5 e 1,5 m/s, enquanto na área 01 a velocidade permanece quase que por completo acima dos 2 m/s devido a inexistência de árvores, tendo apenas gramado em sua extensão, ou seja, sem barreiras físicas que impediriam a saída do calor gerado pela radiação solar.
Quadro 2 - Variação de temperatura por área e horário
Horário Área 01 Área 02
09:00
15:00
21:00
io abaixo de 21 ºC entre 21 e 22 ºC entre 22 e 23 ºC entre 23 e 24 ºC entre 24 e 25 ºC entre 25 e 26 ºC entre 26 e 27 ºC entre 27 e 28 ºC entre 28 e 29 ºC acima de 29 ºC
É perceptível que as menores temperaturas estão situadas principalmente em áreas com presença de vegetação, enquanto as temperaturas máximas encontram-se próximas às construções, como mostram as imagens sobrepostas, Figura 11 e 12, da área 01 e 02 com seus respectivos mapas de temperatura às 09 horas.
Figura 11 – Mapa de temperatura da área 01 Figura 12 – Mapa de temperatura da área 02 (Fonte: Elaborado pela autora em abril/2017) (Fonte: Elaborado pela autora em abril/2017)
Quanto à umidade relativa do ar, as áreas com presença de vegetação possuem valores mais altos durante o dia nas duas situações analisadas, enquanto espaços que possuem pavimentação têm umidade mais baixa, como vemos nas Figuras 13 e 14, que representam a umidade relativa do ar às 09 horas.
Figura 13 – Mapa de umidade da área 01 Figura 14 – Mapa de umidade da área 02 (Fonte: Elaborado pela autora em abril/2017) (Fonte: Elaborado pela autora em abril/2017)
Se comparado à área 01, percebe-se um pequeno aumento nos valores de umidade relativa do ar na área 02, com exceção da umidade máxima às 15 horas. A maior variação ocorreu às 21 horas sendo cerca de 2% maior na área 02 em relação à área 01, como vemos nas Tabelas 1 e 2 que mostram os valores de umidade mínima e máxima nos horários analisados e no Quadro 3 onde vê-se a variação de umidade por área e horário.
Tabela 1 – Umidade mínima e máxima na área 01
Área 01 09:00 15:00 21:00
Umidade mínima (%) 55,76 37,32 49,29
Umidade máxima (%) 78,84 51,14 58,39
Fonte: Elaborado pela autora em abril/2017
Tabela 2 – Umidade mínima e máxima na área 02
Área 02 09:00 15:00 21:00
Umidade mínima (%) 57,31 37,51 49,43
Umidade máxima (%) 79,14 48,36 60,47
Quadro 3 - Variação de umidade por área e horário
Horário Área 01 Área 02
09:00
15:00
21:00
Fonte: Elaborado pela autora em abril/2017
abaixo de 39 % entre 57 e 59 % entre 39 e 41 % entre 59 e 61 % entre 41 e 43 % entre 61 e 63 % entre 43 e 45 % entre 63 e 65 % entre 45 e 47 % entre 65 e 67 % entre 47 e 49 % entre 67 e 69 % entre 49 e 51 % entre 69 e 71 % entre 51 e 53 % entre 71 e 73 % entre 53 e 55 % entre 73 e 75 % entre 55 e 57 % acima de 75 %
A presença de estacionamentos e caminhos pavimentados fez com que a umidade em alguns espaços fosse menor em relação à área 01, porém é preciso observar o fato de que a simulação realizada neste trabalho não abrange as demais áreas do parque em que é proposta, no projeto vencedor de concurso, a revegetação dos espaços em que atualmente encontram-se invasões e descampados.
A simulação microclimática realizada com o apoio do software ENVI-met transcorreu como o esperado acompanhando o comportamento físico dos modelos simulados. As
variações de umidade e temperatura foram coerentes com as situações reais, sem variações com grandes intervalos e valores insensatos.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O programa apresentou problemas de execução no momento das simulações, porém puderam ser facilmente solucionados visto que o próprio software sugere quais pontos devem ser alterados para que a simulação seja concluída com sucesso. Ademais, o ENVI-met é um programa com funções amplas e possui extensas áreas de aplicação, tendo sido eficiente no estudo de caso apresentado neste trabalho, auxiliando no embasamento que ajuda a perceber a importância da implantação do Parque Urbano e Vivencial do Gama como sugerido em concurso público.
O projeto vencedor do concurso da SEDHAB para o PUVG mostrou-se eficiente ao proporcionar quedas de temperatura de aproximadamente 1,6 ºC na região, incluindo em áreas no entorno do parque, por meio da arborização de espaços onde antes existia apenas gramado.
A sugestão de revegetação da área com espécies nativas mostra-se eficiente, apenas com a ressalva de que não se deve fazer o uso excessivo de espécies com copas densas para que o calor resultante da radiação solar possa dissipar-se e não ficar retido próximo à superfície impedindo que a temperatura volte a cair a noite.
As alterações quanto à umidade relativa do ar foram pequenas tendo em vista a dimensão da revegetação proposta para a área, porém não significa que a implantação do parque não trará melhorias neste contexto. A área do projeto definida para análise abrangeu cerca de metade da área destinada a estacionamentos de veículos sendo que neste espaço considerou-se que a cobertura da superfície seria asfalto. Para que seja possível gerar conclusões precisas a respeito da umidade relativa do ar sugere-se realizar um estudo considerando toda a área do parque, visto que o espaço destinado aos estacionamentos, comparado com a dimensão do parque, é pequeno e que a área arborizada está bastante presente na proposta do projeto vencedor. Apesar disto, houve aumento na umidade relativa do ar em determinados momentos do dia e em áreas específicas, com valores cerca de 2% maiores com o parque implantado.
Nesse sentido, conclui-se que a implantação do projeto vencedor do concurso para o Parque Urbano e Vivencial do Gama proporcionará melhorias no contexto climático à região ocasionando quedas de temperatura e aumento da umidade relativa do ar no parque e no entorno.
6. REFERÊNCIAS
Barros, J. R. (2003). A chuva no Distrito Federal: o regime e as excepcionalidades do
ritmo. Dissertação de mestrado. p. 221. Universidade Estadual Paulista, Instituto de
Geociências e Ciências Exatas, Rio Claro, Brasil. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/86531>. Data de acesso: 20 abr. 2017.
Braga, D. K.; Amorim, C. N. D. (2004). Conforto Térmico em Edifícios Residenciais do
Plano Piloto de Brasília. I Conferência Latino-Americana de Construção. p. 16. São
Paulo, Brasil.
criação do Parque Urbano e Vivencial do Gama. Brasília, Brasil. Disponível em
<http://www.tc.df.gov.br/SINJ/Arquivo.ashx?id_norma_consolidado=49918>. Data de acesso: 22 mar. 2017.
Bruse, M.; Brazel, A. J.; Crewe, K.; Ozkeresteci, I. (2013). Use and Evaluation of the
Envi-met Model for Enviromental Design and Planning: An Experiment on Linear Parks. 21º International Cartographic Conference. p. 402-409. Durban, Africa do Sul.
Elkington, J. (1994). Triple bottom line revolution: reporting for the third millennium. Australian CPA. v.69, p. 75. Victoria, Austrália.
Kliass, R. G. (1993). Os parques urbanos de São Paulo. Editora Pini. p. 211. São Paulo, Brasil.
Nascimento, E. P. (2012). Trajetória da sustentabilidade: do ambiental ao social, do
social ao econômico. Estudos Avançados. v.26, nº 74. Universidade de São Paulo,
São Paulo, Brasil.
Oliveira, L.R.; Medeiros, R.M.; Terra, P.B.; Quelhas, O. L. G. (2012). Sustentabilidade:
da evolução dos conceitos à implementação como estratégia nas organizações.
Production. v.22, nº 1, p. 70-82. Associação Brasileira de Engenharia de Produção, São Paulo, Brasil.
Portal CODEPLAN. (2017). Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios - PDAD
2013/2015. Companhia de Planejamento do Distrito Federal, Brasília, Brasil.
Disponível em <http://www.codeplan.df.gov.br/images/CODEPLAN/PDF/pesquisa_socioeconomica/
pdad/2015/Apresentacao_PDAD_Gama.pdf>. Data de acesso: 02 abr. 2017.
Portal Concursos SEDHAB. (2011). Brasília: Território e Parisagem. Secretaria de Habitação, Regularização e Desenvolvimento Urbano do Distrito Federal, Brasília, Brasil. Disponível em <http://www.concursossedhab.com.br/puvg/>. Data de acesso: 10 abr. 2017.
Portal Projeteee. (2014). DF – Brasília > Dados Climáticos. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil. Disponível em <http://150.162.76.139/graficos/>. Data de acesso: 13 de mai. de 2017.
Ruscheinsky, A. (2003). No Conflito das Interpretações: O Enredo da
Sustentabilidade. Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental. v.10, p.
39-50. Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, Brasil.
Portal SITURB. (2013). Mapa da Região Administrativa do Gama. Sistema de Informação Territorial e Urbana do DF, Brasília, Brasil. Disponível em <http://www.segeth.df.gov.br/images/Mapas/gama.jpg>. Data de acesso: 18 de abr. 2017.
Szeremeta, B.; Zannin, P. H.T. (2013). A Importância dos Parques Urbanos e Áreas
Verdes na Promoção da Qualidade de Vida em Cidades. Ra’e Ga: O Espaço