A origem do movimento de incubadoras de empresas coincide com a origem de Parques Tecnológicos em escala mundial e é creditada aos EUA. Foi na região do Vale do Silício, Califórnia, na década de 1950, que surgiram as primeiras, a maior parte em parceria com universidades e centros de pesquisa locais. O movimento só ganhou destaque a partir de meados dos anos 80, conforme registra a OEDE – organização para a cooperação e desenvolvimento econômico166.
A instalação das incubadoras nas proximidades de centros de excelência em pesquisa, como o Massachussets Institute of Technology – MIT, a Universidade de Harvard (Boston, Massachussets) e a Universidade de Stanford (Palo Alto, Califórnia) foi o resultado de um esforço conjunto do governo dos EUA, da academia e da indústria, gerando um ambiente propício ao desenvolvimento de novas tecnologias167. Essa cooperação contribuiu para a proliferação de empresas de ponta nas áreas de computação, comunicação e eletrônica nos EUA, sobretudo a partir da década de 1970168.
O sucesso do Vale do Silício norte-americano inspirou outras iniciativas semelhantes no mundo. Na Ásia, Taiwan e Japão estão criando e desenvolvendo as Ilhas do Silício e a Coréia, a Península do Silício 169. Na
China, a criação do Parque Científico e Industrial de Shenzhen e do Shangai
166 OECD. Business Incubation: international case studies. Paris: OECD, 1999, passim. Organização
internacional de países comprometidos com os princípios democráticos da representação e da economia de livre mercado, com sede em Paris, França.
167 STAINSACK, Cristiane. Estruturação, organização e gestão de incubadoras tecnológicas. Curitiba,
CEFET-PR, 2003 apud LAHORGUE, Maria Alice. Parques, polos e incubadoras: instrumentos de
desenvolvimento do século XXI. Brasília: Anprotec/ SEBRAE, 2004, p.85.
168 ANPROTEC – Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias
Avançadas. Panorama 2002. Brasília: Anprotec, 2002, passim. LAHORGUE, Maria Alice. Parques, polos e
incubadoras: instrumentos de desenvolvimento do século XXI. Brasília: Anprotec/ SEBRAE, 2004, p.85.
169 ZOUAIN, Desirée Moraes. Parques Tecnológicos: propondo um modelo conceitual para regiões urbanas
Caohejing Hi-Tech Park, em 1985, ensejou dois anos depois, a implantação da primeira incubadora 170. Conforme o CSES171, está na China um dos maiores programas de incubação dos países em desenvolvimento, iniciado em 1987. Atualmente, o país conta com cerca de 127 estabelecimentos espalhados por todo o seu vasto território (à exceção do Tibet e Qinghai), além de várias outras organizações do tipo parques de softwares, totalizando ao redor de 200 empreendimentos em 2000. No Japão, 203 incubadoras de negócios estão em operação. Foram criadas a partir dos anos 80, por iniciativa do Ministério dos Assuntos Internacionais e da Indústria – MITI, integradas às tecnópoles. Na Coréia, segundo o CSES172, a primeira incubadora foi implantada em 1993. A expansão acelerou-se nos últimos anos, existindo atualmente cerca de 200 no total.
Na Malásia, a Technology Development Corporation tem estabelecido centros de desenvolvimento de tecnologia para facilitar as relações universidade-pesquisa-negócios em setores específicos, tais como na área de multimídia, na Universiti Putra Malaysia, e biotecnologia e farmacêutica, na
Universiti Kebangsaan Malaysia. Na Indonésia, o movimento iniciou em 1994 com o estabelecimento de três incubadoras-piloto em Java e foi expandido por meio de um programa nacional e de formação da Indonesian
Business Incubator Association. Na Austrália, dados da OECD173 mostram que em 1996 já existiam 28 incubadoras implantadas.
170 STAINSACK, Cristiane. Estruturação, organização e gestão de incubadoras tecnológicas. Curitiba:
CEFET-PR, 2003, passim.
171 CSES. Centre for Strategy & Evaluation Services. European Commission Enterprise Directorate –
General. Final Report – Benchmarking of Business Incubators. Kent/ Brussels: CSES, February 2002, passim. LAHORGUE, Maria Alice. Parques, polos e incubadoras: instrumentos de desenvolvimento do
século XXI. Brasília: Anprotec/ Sebrae, 2004, p.86.
172 CSES. Centre for Strategy & Evaluation Services. European Commission Enterprise Directorate –
General. Final Report – Benchmarking of Business Incubators. Kent/ Brussels: CSES, February 2002, passim. LAHORGUE, Maria Alice. Parques, polos e incubadoras: instrumentos de desenvolvimento do
século XXI. Brasília: Anprotec/ Sebrae, 2004, p.86.
Em regiões como a África e Oriente Médio, as iniciativas também datam da década de 1990. De acordo com o CSES174, no Egito, em 1992, foi estabelecida uma rede de incubadoras com o apoio do programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) e do Fundo de Desenvolvimento Social do governo do Egito. Hoje há 12 centros em funcionamento. A África do Sul teve, por muitos anos, uma rede de estruturas denominadas “colméias de indústrias”, estabelecida pela Small Business
Development Corporation. As agências governamentais Ntsika e Khula estão criando parques industriais locais que incluem incubadoras, sendo que se destacam as de Natal, Welcom, Kimberlay, Bloemn e Fontein.
A Turquia iniciou o seu programa – Technoparks – em 1990, sendo que uma agência de apoio estatal provê financiamento para oito incubadoras vinculadas a universidades. Há também programas razoavelmente bem estruturados na Nigéria, Ghana, Dubai e Sri Lanka175. Em Israel funciona atualmente uma rede com 23 empreendimentos vinculados ao Programa Nacional de Incubadoras Tecnológicas, criado em 1991. Trata-se de uma estratégia para o desenvolvimento econômico do governo israelense com o objetivo de fomentar atividades capital-intensivas, planejadas desde o final da década de 80. O movimento apoiou-se na existência de uma rede constituída por sete universidades atuando em pesquisa e desenvolvimento, além do potencial de conhecimento dos imigrantes soviéticos. Em 10 anos de programa, 850 projetos foram aceitos, 640 dos quais com incubação finalizada.
174 CSES. Centre for Strategy & Evaluation Services. European Commission Enterprise Directorate –
General. Final Report – Benchmarking of Business Incubators. Kent/ Brussels: CSES, February 2002, passim. LAHORGUE, Maria Alice. Parques, pólos e incubadoras: instrumentos de desenvolvimento do
século XXI. Brasília: Anprotec/ Sebrae, 2004, p.87.
175 CSES. Centre for Strategy & Evaluation Services. European Commission Enterprise Directorate –
General. Final Report – Benchmarking of Business Incubators. Kent/ Brussels: CSES, February 2002, passim. LAHORGUE, Maria Alice. Parques, polos e incubadoras: instrumentos de desenvolvimento do
Na Europa176, o movimento já tem cerca de três décadas. A experiência pioneira ocorreu na Inglaterra – British Steel - em 1975. No
Reino Unido, o embrião surgiu com o parque científico-tecnológico da
Universidade Heriot Watt, em Edimburgo, Escócia em 1971. Atualmente, existem mais de 40 parques tecnológicos na Inglaterra, muitos dos quais com experiências de incubadoras e vinculados a universidades e centros de pesquisa de referência, tais como Warwick, Aston, Coventry, Cranfield, Manchester, Oxford e Cambridge. Na Alemanha, o processo começou em 1993, em Berlim, com a criação de Berliner Innovation und Grunderzentrum (BIG). A iniciativa floresceu, sobretudo, junto à Universidade Tecnológica de Berlim, com o apoio do Parlamento local. Desde 1992, em média, 18 novas incubadoras têm sido abertas por ano na Alemanha, a maior parte na região leste do território alemão. Nos últimos 15 anos, foram implantados 200 empreendimentos177. A Alemanha tem a maior associação de incubadoras de empresas da Europa178. Na França, há um grande número de incubadoras, porém, apenas cerca de 50 atendem ao padrão mínimo das normas francesas adotadas pela Associação de Diretores de Incubadoras - ELAN.
Na Itália, os primeiros estabelecimentos surgiram em Trieste, Gênova e em Puglia, nos anos 90. Seguiram-se outros em diversas regiões. Em 2004, conforme pesquisa realizada, o país contava com 13 incubadoras empresariais em operação e mais 17 em implantação179. Em Portugal, há 23 incubadoras, das quais quatro operam via Associação Nacional de Jovens Empresários,
176 OECD. Business Incubation: International case studies. Paris: OECD, 1999, passim. 177 OECD. Business Incubation: International case studies. Paris: OECD, 1999, passim.
178 CSES. Centre for Strategy & Evaluation Services. European Commission Enterprise Directorate –
General. Final Report – Benchmarking of Business Incubators. Kent/ Brussels: CSES, February 2002, passim. LAHORGUE, Maria Alice. Parques, polos e incubadoras: instrumentos de desenvolvimento do
século XXI. Brasília: Anprotec/ Sebrae, 2004, p.89.
179 CSES. Centre for Strategy & Evaluation Services. European Commission Enterprise Directorate –
General. Final Report – Benchmarking of Business Incubators. Kent/ Brussels: CSES, February 2002, passim. LAHORGUE, Maria Alice. Parques, polos e incubadoras: instrumentos de desenvolvimento do
cinco com o apoio do Ministério do Emprego, quatro ligadas a Parques de Ciência e Tecnologia e o restante através de outro tipo de arranjo180. Na
Espanha, das 38 incubadoras existentes, 21 são vinculadas à Associação
Nacional de Incubadoras da Espanha - ANCES – com destaque para a de Valência, fundada em 1991 e localizada em um Parque de Ciência. A Bélgica possui centros de inovação e negócios, sobretudo na Wallonia, e de Tecnologia em Flandres. Na Dinamarca, todas as incubadoras são ligadas a parques de ciência, situação próxima à realidade da Suécia e Finlândia. Na
Suécia, há 39 incubadoras e parques de ciência em operação. Na Polônia, o
primeiro empreendimento foi inaugurado em 1990 e atualmente existem cerca de 65 incubadoras no país. A República Tcheca possui modelos semelhantes ao da Polônia, porém numa escala menor. Na Áustria, os centros pioneiros surgiram em 1986, com rápida expansão nos anos 90, chegando a 60 incubadoras empresariais atualmente em operação.
Na América do Sul, o Brasil é o país que está mais avançado na área de incubadoras, cujo movimento iniciou na metade da década de 1980 e conta, atualmente, com mais de 200 implantadas ou em projeto181. Iniciativas de outros países sul-americanos são consideradas pequenas, comparativamente ao Brasil.
180 CSES. Centre for Strategy & Evaluation Services. European Commission Enterprise Directorate –
General. Final Report – Benchmarking of Business Incubators. Kent/ Brussels: CSES, February 2002, passim. LAHORGUE, Maria Alice. Parques, polos e incubadoras: instrumentos de desenvolvimento do
século XXI. Brasília: Anprotec/ Sebrae, 2004, p.89.
181 CSES. Centre for Strategy & Evaluation Services. European Commission Enterprise Directorate –
General. Final Report – Benchmarking of Business Incubators. Kent/ Brussels: CSES, February 2002, passim. LAHORGUE, Maria Alice. Parques, polos e incubadoras: instrumentos de desenvolvimento do