Chapter 5: Conclusion
5.4. Concluding Remarks
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DCBB, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade do Algarve, 8005-139 Faro, Portugal. [email protected]
RESUMO
Desde 2006 temos vindo a realizar estudos em pomares de Olea europea com o objetivo de identificar os insetos auxiliares da ordem Hymenoptera associados à cultura da oliveira, na região do Algarve. Os nossos estudos têm sido realizados em pomares conduzidos no modo de Produção Integrada, em dois concelhos desta região, mais concretamente Loulé e Olhão. Diversas técnicas de amostragem têm sido utilizadas consoante a sua finalidade: armadilhas cromotrópicas amarelas com adesivo, armadilhas de queda e coleta de material vegetal, nomeadamente raminhos de folhas, inflorescências e frutos. As amostragens têm tido uma periodicidade quinzenal. Os resultados obtidos nestes estudos indicam que os himenópteros auxiliares que habitam o ecossistema olival, em modo de Produção Integrada, pertencem às seguintes famílias: Braconidae, Encyrtidae, Eulophidae, Formicidae e Trichogrammatidae.
Palavras-chave: Himenópteros auxiliares, Oliveira, e Produção Integrada.
ABSTRACT
Since 2006 we have been carrying out studies in Olea europea orchards aiming to identify the auxiliary insects of the order Hymenoptera associated with the olive tree, in the Algarve region. Our surveys have been carried out in orchards conducted in the mode of Integrated Production in two counties of this region, namely Loulé and Olhão. Several sampling techniques have been used according to their purpose: yellow sticky traps, pitfall traps and collection of plant material, such as leaves, flowers and fruits. The samples were undertaken twice a month. The results from these studies indicate that the auxiliary Hymenoptera inhabiting the ecosystem olive groves in the mode of Integrated Production belong to the following families: Braconidae, Encyrtidae, Eulophidae, Trichogrammatidae and Formicidae.
Keywords: Auxiliary hymenopterans, Olive tree,and Integrated Production.
INTRODUÇÃO
Olea europaea L. (Oleaceae), é uma das plantas cultivadas mais antigas na região da bacia mediterrânea. O seu grande interesse reside na importância comercial dos seus frutos (azeitonas), quer para produção de azeite quer para produção de azeitona de conserva. A oliveira é originária da Ásia menor, difundida pela região mediterrânea através das invasões e trocas comerciais que se
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deram nesta região. Actualmente, encontra-se amplamente difundida, sendo o seu cultivo prática corrente nas Américas, África do Sul, Austrália e Japão (Lobo, 2005).
A classe Insecta representa o grupo de artrópodes mais estudado associado à cultura da oliveira. São várias as espécies de insetos que podem atacar o olival, no entanto, na zona da bacia mediterrânea, a mosca-da-azeitona, Bactrocera oleae (Gmelin) (Diptera: Tephritidae) e a traça-da-oliveira, Prays oleae (Bernard) (Lepidoptera: Hyponeumetidae), são considerados os insectos mais importantes da cultura, pelos prejuízos que lhe podem causar (Gonçalves e Andrade, 2010; Gonçalves e Andrade, 2012a). Também é na classe Insecta que se encontra a maior diversidade de auxiliares (predadores ou parasitóides) do olival (Gonçalves e Andrade, 2011). Os insetos auxiliares assumem particular importância no controle natural das principais pragas do olival (Teixeira, Bento, e Gonçalves, 2000; Gonçalves e Torres, 2004). No entanto, para que a sua acção de limitação natural possa ocorrer, é necessário que a intervenção humana seja minimizada no ecossistema olival e que obedeça a boas práticas culturais, tais como fertilizações corretas e adequada disponibilidade de água para as plantas.
A mobilização mínima do solo bem como a manutenção de um coberto vegetal, com vegetação semeada ou vegetação espontânea (prado natural), permite uma maior retenção da água e a sua disponibilidade para as plantas (Gonçalves e Afonso, 2008). A manutenção do solo dos olivais com uma cobertura vegetal melhora ainda as características físicas e químicas do solo, tendo como consequência o bom desenvolvimento das plantas, contribuindo para o aumento da sua resistência aos problemas sanitários (pragas e doenças) (Pinheiro et al., 2005). Assim, a manutenção do solo com um coberto vegetal permanente, seja em prado natural ou semeado, é uma boa prática cultural para promover as populações de artrópodes, muitos dos quais fazem parte do complexo de auxiliares (Warlop, 2001; Gonçalves e Afonso, 2008; Gonçalves e Andrade, 2012b). Este estudo foi realizado em dois olivais algarvios conduzidos no modo de produção integrada, com o objetivo de contribuir para o conhecimento da abundância e diversidade de himenópteros associadas ao ecossistema olival, no sul de Portugal.
MATERIAL E MÉTODOS
Os nossos estudos decorreram no período compreendido entre Abril de 2006 e Abril de 2013 e foram realizados em dois olivais, localizados no concelho de Olhão e no concelho de Loulé, respectivamente, ambos em modo de produção integrada. O olival de Olhão possui uma área de 4ha e o olival de Loulé uma área de 5ha. Ambos os olivais são regados pelo sistema gota-a-gota. As fertilizações foram feitas de acordo com os resultados das análises de solo. Em ambos os olivais, a conservação do solo está associada à prática de enrelvamento permanente, constituído por uma mistura de leguminosas e gramíneas. Para caraterizar e identificar os insectos auxiliares que ocorrem naturalmente no ecossistema olival foram utilizadas várias técnicas de amostragem. As técnicas de amostragem consistiram na utilização de armadilhas cromotrópicas adesivas de cor amarelo-limão, armadilhas de queda (pitfall traps), e coleta de material vegetal diverso (folhas, inflorescências e frutos).
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- Armadilhas cromotrópicas adesivas de cor amarelo-limão:
Em cada olival, altura de 1, foram utilizadas duas armadillhas amarelas adesivas para captura de potenciais auxiliares. Estas armadilhas encontravam-se suspensas no interior da copa das árvores, a uma 5m acima da superficie do solo. As armadilhas foram substituídas quinzenalmente e estavam espaçadas entre si de 50m.
- Armadilhas de queda (pitfall traps):
Em cada olival foram colocadas duas armadilhas de queda distânciadas uma da outra de 50m. Cada armadilha continha 125 ml de água ensaboada para manter os artrópodes no seu interior. As armadilhas estavam colocadas debaixo da copa das árvores e a cerca de 60cm do tronco. O conteúdo de cada armadilha foi recolhido quinzenalmente para o interior de frascos de vidro que foram posteriormente observados em laboratório.
- Material vegetal (raminhos com folhas e flores, inflorescências e frutos):
As amostras de material vegetal foram compostas por 100 órgãos de cada tipo (raminhos com folhas, raminhos com flores e frutos), coletados em 20 árvores aleatoriamente seleccionadas. Em ambos os olivais, as amostras vegetais foram coletadas com uma periodicidade quinzenal, tendo sido posteriormente colocadas no interior de caixas negras que possuíam uma pequena abertura circular, onde estava colocado um tubo de ensaio com uma pequena gota de mel diluído. A caixas com as amostras vegetais foram mantidas em insetário, com controle de temperatura e fotoperíodo (T: 23±2ºC; 12hD:12hN), aguardando a emergência de insetos.
Todos os insetos capturados no campo foram levados para laboratório para identificação e contabilização, sendo mantidos em álcool a 70%. Também os insetos, quer emergidos em laboratório a partir do material vegetal colocado nas caixas negras, quer capturados nas armadilhas e removidos das mesmas com o auxílio de uma gota de petróleo e pincel, foram colocados em álcool a 70%, caracterizados e contabilizados. Todos os exemplares da ordem Hymenoptera foram classificados nas respetivas famílias.
Os resultados obtidos foram sujeitos a análise estatística em Microsoft Excel, pela aplicação do teste t de Student.