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No presente estudo, foi pesquisada a concepção de quatro professoras alfabetizadoras no que se refere a alfabetização, ao letramento, ao texto e aos gêneros textuais, como que são trabalhados em sala de aula. Isso ocorreu por meio da aplicação de um questionário com questões abertas. Além de, investigar a prática pedagógica de um professor (a) alfabetizador (a), referente ao 2º ano do ensino fundamental. Assim, a exploração deu-se por meio da observação direta, a qual orientou-se para investigar como a docente observada trabalha com o ensino da linguagem escrita com crianças no inicio da escolarização. Dessa maneira, foi analisada, no interior da sala de aula, a postura de um professor (a) que alfabetiza, a concepção deste acerca da alfabetização e letramento e como que esses processos são trabalhados com as crianças. Também foram observados: a relação professor-aluno; os materiais utilizados no ensino da escrita; a perspectiva teórica que o docente utiliza para alfabetizar os alunos; a utilização de métodos; como a escrita é apresentada às crianças, se o professor faz usos de diversos gêneros textuais e se há interação entre professor (a) e os alunos e entre estes e seus pares. Tudo isso foi observado e descrito como forma de se familiarizar e compreender o objeto de estudo desta pesquisa.

A pesquisa foi realizada numa escola da rede pública do município de Jaú, estado de São Paulo, sob a jurisdição da Secretaria de Educação de Jaú. A escola municipal em questão é de ensino fundamental do primeiro ciclo e possui 19 anos de funcionamento; está localizada numa zona urbana e são atendidas 562 crianças entre o período matutino e vespertino. No período da manhã, há dez salas em funcionamento, sendo duas salas de 2º ano e, à tarde, também funcionam onze salas de aula, sendo duas de 2º ano.

A sala de aula do 2º ano D, em específico, na qual foi realizada a coleta de dados para esta pesquisa, funciona no período da tarde e possui vinte e oito crianças. Esta sala tem a mesma estrutura física que as outras. Em cima da lousa, há o alfabeto em letra de fôrma e em letra cursiva (letra maiúscula e minúscula, tanto de fôrma como cursiva); em cada letra possui a figura de um objeto ou animal, que começa por aquela letra. Embaixo da lousa, há as famílias silábicas, escritas de caixa alta ou com letra cursiva e, abaixo, para cada vogal, há uma palavra escrita. As paredes são cheias de cartazes com parlendas, nomes dos alunos, calendários e os trabalhos que os alunos fizeram. A instituição tem o ensino apostilado Pueri Domus.

A observação direta da prática pedagógica de um (a) professor (a) alfabetizador (a) foi realizada entre 14 de maio e 22 de junho, durante um mês e uma semana. Essas observações aconteciam sempre no mesmo horário, das 12h45 às 14h40.

5.3 OS SUJEITOS ENVOLVIDOS

A pesquisa contou com a colaboração de quatro professoras alfabetizadoras e, sendo uma delas a que possibilitou a observação de sua prática docente no ensino da língua escrita, além da colaboração de seus vinte e oito alunos.

5.3.1 As crianças

Foi aplicado um questionário (ver apêndice A) para saber um pouco mais da vida de cada criança. Quantas pessoas moravam na casa, quantas pessoas exercem atividade remunerada, qual a renda dessas famílias, a escolaridade dos indivíduos da casa e se as crianças tinham contato em

casa com livros, revistas, jornais, televisão e computar, entre outros. Dessa forma, vinte e seis crianças devolveram o questionário respondido, e apenas duas não entregaram justificando que tinham perdido em casa o questionário. A maioria das crianças que está no 2º ano D possui sete anos, isso corresponde a 77% dos alunos; apenas seis crianças possuem oito anos. As famílias dessas crianças pertencem à classe baixa e à classe média, sendo que 62% das famílias possuem uma renda de um a quatro salários mínimos; 27% das famílias ganham até um salário mínimo e 11% dessas famílias não chegam a ganhar um salário mínimo. Dessas famílias, 46% possuem somente duas pessoas que exercem atividade remunerada; em 38% desse universo representando apenas uma pessoa trabalha na família; 12% representam a família em que três pessoas trabalham e 4% correspondem a uma família de um aluno, na qual há quatro pessoas que exercem atividade remunerada.

Sobre a escolaridade dos indivíduos que moram junto com a criança, temos que 42% dos pais possuem o ensino médio completo; 39% desses pais não concluíram o ensino médio, e 19% dos pais possuem o ensino fundamental completo. Já 46% das mães dessas crianças têm o ensino médio completo; sendo que 31% dessas mães não concluíram o ensino médio; 23% das mães possuem o ensino fundamental completo.

Cerca de 46% das crianças moram com o pai, a mãe e irmãos; 27% dessas famílias são constituídas pelo pai, avós e outros parentes; 35% desse universo possuem em suas casas quatro pessoas, além da criança. Quanto à posse de suporte de textos 96% das crianças têm televisão; 81% das crianças possuem livros em suas casas; 50% delas têm computador e acesso a revistas e 35% têm acesso a jornais.

5.3.2 As professoras

Das professoras pesquisadas, duas possuem idade entre 31 e 40 anos e as outras duas entre 41 a 50 anos. Todas atuam no 2º ano do ensino fundamental, ou seja, são professoras alfabetizadoras. Sendo que, duas das quatro professoras possuem licenciatura em Pedagogia pela faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Jaú, e uma dessas possui vinte e quatro anos atuando como professora, e doze anos como alfabetizadora. Um sujeito da pesquisa é formado por essa faculdade, também, mas possui licenciatura em Letras e está a quatro anos numa sala de alfabetização. A outra professora pesquisada é formada em Educação Física pela Fundação Barra

Bonita de ensino (FUNBBE) atuando vinte e dois anos na educação e, especificamente, há treze anos numa sala de alfabetização.

A professora, que permitiu que fosse feita a observação de sua prática pedagógica, no que se refere ao ensino da escrita, aqui chamada de professora colaboradora, é formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Jaú. Atua há 10 anos como profissional da educação básica, primeiro ciclo, e, somente há dois anos, leciona numa sala de 2º ano (antiga primeira série). Durante os dez anos de profissão, nunca atuou em outro cargo relacionado à educação, a não ser como docente.

O critério para a escolha da turma foi o do ano em que se inicia a alfabetização e o da escolha da professora foi por indicação da diretora, uma vez que a pesquisadora se apresentou na escola com o intuito de observar as aulas do 2º ano para a pesquisa sobre o ensino da escrita. Depois de a pesquisadora ter apresentado as intenções da pesquisa para a diretora, esta a levou até a sala da professora indicada que, então, aceitou participar da pesquisa.

No primeiro contato, a professora “selecionada”, então aceitou que a pesquisadora observasse as aulas relacionadas ao ensino da escrita. No inicio, a professora mostrou-se um pouco fechada em relação à presença da pesquisadora na sala, mas, com o tempo, sempre se colocou à disposição para ajudar na pesquisa. Assim, mostrava para a pesquisadora, as atividades que propunha para os alunos, e sempre dava-lhe uma cópia; emprestava-lhe sua apostila para que a pesquisadora soubesse do assunto que trataria na aula. Quando realizava sondagem com seus alunos, chamava a pesquisadora para ver como este era feito e explicava sobre os resultados. Enfim, sempre esteve disposta a contribuir com a realização da pesquisa.

5.4 OS INSTRUMENTOS DA PESQUISA

Foram utilizados dois instrumentos para a coleta de dados da presente pesquisa. Um deles foi a elaboração de um questionário com 12 questões (ver apêndice B), no qual foram pedidas informações pessoais, como: ano de formação da professora, se esta fez faculdade, em que lugar fez a graduação, qual idade da docente e há quanto tempo atua como professora. As questões foram abertas, esse instrumento de coleta de dados foi aplicado com quatro professoras que lecionam nessa escola, em específico, para as que atuam em classes de alfabetização. As quatro professoras que participaram da pesquisa levaram o questionário para responder em casa, apesar de lhes ter sido pedido que o respondessem na escola. Todas alegaram que não tinham tempo

para respondê-lo no período em que estivessem na escola devido as atribuições que tinham acerca do trabalho docente. Dessa forma, foi dado o prazo de uma semana a elas para a entrega do questionário respondido, mas todas demoraram, no mínimo, duas semanas. A finalidade do questionário foi a de saber a concepção que as docentes têm a respeito da alfabetização, do letramento, de texto e de gêneros textuais. Também havia questões sobre como as professoras pesquisadas trabalhavam com esses processos (alfabetização e letramento) e se elas também se pautavam nos métodos para o ensino da leitura e da escrita e quais perspectivas estavam por trás da sua prática pedagógica. Esse instrumento de pesquisa também possibilitou estar mais familiarizada com o que pensavam tais docentes acerca da alfabetização e letramento.

Já o segundo instrumento de pesquisa utilizado para a coleta de dados do presente estudo foi o da observação direta. De acordo com Gil (1991), a observação diz respeito ao uso dos sentidos para adquirir dados definidos pelos aspectos da realidade. A observação direta da prática pedagógica da professora alfabetizadora foi importante, pois possibilitou conhecer a realidade daquela sala de aula de como se é trabalhado o processo de alfabetização e letramento.

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