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Em termos de execução dos provetes de argamassa sobre os quais se poderá proceder à determinação das características obtidas com as respectivas argamassas, para além de questões relativas às matérias-primas utilizadas e aos traços aplicados, são importantes os aspectos relativos à preparação da argamassa, ao tipo de molde e à preparação que sobre ele possa ser levada a cabo, à trabalhabilidade da argamassa, às condições de cura e à idade do provete à data de ensaio.

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- Preparação das argamassas

Relativamente à preparação das argamassas, e para além de diferenças imputáveis às matérias- -primas (que têm sempre de ser tidas em conta), surge o tipo de dosagem (volumétrica ou ponderal), o tipo de mistura (manual ou mecânica), as velocidades e movimentos utilizados, o tempo de amassadura e o tipo de compactação (manual ou mecânico), com número de pancadas inerente.

Para preparação de argamassas, especificações internacionais recomendam a aplicação de misturadoras mecânicas, com diferentes velocidades axiais e planetárias, mas baixos tempos de amassadura. Estas amassaduras “rápidas” são adequadas para argamassas de cimento ou cal hidráulica mas não de cal aérea. Tradicionalmente, um dos segredos de uma boa argamassa de cal é o tempo (e o vigor) da amassadura, que têm de ser elevados.

- Tipo de molde e sua preparação

No que se refere ao tipo de moldes utilizados, constata-se a existência de normalização que, por vezes, recomenda a utilização de diferentes moldes. Quando se utiliza o mesmo molde para ensaio idêntico, por vezes a preparação realizada sobre ele é diferente – por exemplo, no que se refere à eventual colocação de papel de filtro a forrar a base, à aplicação de óleos descofrantes ou quando os períodos até à desmoldagem são distintos.

Por outro lado, embora o contacto da superfície do provete no molde e a espessura do próprio provete possa não constituir um factor crítico em argamassas de cimento, estes parâmetros influenciam muito a presa de argamassas com base em cal, pois a redução do contacto superficial com a atmosfera ambiente diminui o contacto com o dióxido de carbono, necessário à carbonatação da cal, o que retarda a presa e a cura da argamassa. E o mesmo se aplica à profundidade do provete. Os moldes tradicionais de 40mm x 40mm x 160mm, têm uma espessura de 40 mm, muito exagerada relativamente à espessura das aplicações reais de argamassas de revestimento e mesmo em juntas de alvenaria. No entanto, provetes com espessura da ordem de 20 mm seriam mais frágeis para a sua manipulação em laboratório e dificultariam a realização de alguns tipos de ensaios [127].

- Trabalhabilidade

A quantidade de água utilizada na preparação de uma argamassa de cal aérea é determinada pela trabalhabilidade da mistura mas não tem efeito na hidratação do ligante (contrariamente ao que acontece no caso de argamassas de cimento, de cal hidráulica ou, em menor grau, de cal aérea e componentes pozolânicos, nas quais a água é necessária). A água adicionada à amassadura e a resultante da reacção de presa da cal deve evaporar para o ambiente ou ser absorvida por outros

3. Procedimentos experimentais e acções específicas 75 materiais – em condições reais, é absorvida pelo substrato sobre o qual a argamassa é aplicada. Quando se utilizam moldes metálicos (que é o caso corrente), a água apenas pode evaporar, resultando na retracção dos provetes, particularmente na interface molde/argamassa, amplificando muito o fenómeno e afastando-se das condições reais in situ. Verifica-se que as argamassas de cal aérea só são compatíveis com suportes bastante absorventes (também devido à aderência ao suporte se realizar por inserção da pasta de cal nos interstícios desse suporte, o que não se verifica, na prática, com suportes pouco absorventes). No entanto, enquanto moldes impermeáveis implicam grande retracção na secagem (devido a excesso de água presente), mas conseguem manter globalmente estáveis as suas dimensões, moldes permeáveis aproximam as condições de secagem das condições reais mas geralmente não apresentam estabilidade dimensional, o que complica a preparação de provetes exactamente idênticos em termos dimensionais e a reutilização dos moldes. Entre diferentes tipos de moldes, até a aderência a esse mesmo molde é distinta.

As argamassas de cal aérea tradicionalmente utilizadas têm de ser aplicadas bastante secas (comparativamente com argamassas de ligantes hidráulicos), apertadas contra o suporte à força de braços, e estas condições não são muitas vezes reproduzidas em laboratório e muito menos cumpridas em obra.

- Condições de cura

Constata-se que especificações internacionais distintas mencionam diferentes condições de cura, a que serão inerentes argamassas com características também diferentes. Em extremos opostos podem referir-se as especificações inglesas [85] em que os provetes ficam três dias dentro de saco de plástico, após os quais são sujeitos a cura húmida, em sala saturada em humidade a 20ºC, ou a cura hidráulica, imersos em água destilada ou água de cal, a 20ºC – ou as francesas do CSTB [118], em que os provetes são curados em sala a 50% HR e 23ºC.

As condições de cura são críticas [127, 294, 295] e as ideais variam com o tipo de argamassa. Argamassas contendo cimento, cal hidráulica ou produtos pozolânicos são favorecidas por ambiente saturado em humidade, para se processar uma lenta evaporação da água. No caso de argamassas com ligantes total ou parcialmente hidráulicos, a presença de água é essencial para que possa ocorrer a hidratação continuada dos componentes hidráulicos e subsequente crescimento das fases cristalinas resultantes. No caso de argamassas de cal aérea com componentes pozolânicos, a reacção da sílica e da alumina amorfa do material pozolânico com o hidróxido de cálcio Ca(OH)2 da cal hidratada (que vulgarmente se designa por reacção pozolânica), só ocorre

em presença da água, produzindo silicatos e aluminatos de cálcio hidratados. Pelo contrário, argamassas só de cal aérea endurecem melhor em ambientes mais secos, pois a presença de algum

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teor em humidade facilita a reacção de carbonatação da cal aérea e a cristalização dos cristais resultantes de carbonato de cálcio, por transportar o dióxido de carbono (caso da cura referida pelo CSTB), mas humidade em excesso (caso da BS inglesa) desacelera a carbonatação, devido a todas as faces expostas das argamassa de cal aérea ficarem cobertas com fina camada de água líquida e o CO2 ter de se difundir (com dificuldade) através da água até atingir a superfície da cal.

- Idade do provete de argamassa à data de ensaio

A idade do provete à data do ensaio é muito importante. As normas ASTM para determinação das resistências mecânicas de argamassas de cimento especificam o ensaio de compressão às 24 horas de idade do provete e o ensaio de flexão aos 28 dias de idade. A normalização europeia para argamassas com base em cimento especifica ensaios aos 28 dias. Esta idade é claramente insuficiente para análise de argamassas com base em cal aérea (excepto se a cura ocorrer em ambiente com alto teor em dióxido de carbono) ou de cal aérea e componentes pozolânicos pois, ao fim de 28 dias, as argamassas não vão estar totalmente carbonatadas, as reacções pozolânicas (que são lentas) ainda estarão a decorrer, as suas resistências mecânicas vão estar em fase de desenvolvimento e muitas outras características que também dependem da microestrutura interna vão sofrendo alterações28 [294, 295].

A adopção de um período de tempo e condições de cura aceitáveis para argamassas de cal aérea depende das dimensões e do tipo de molde, havendo necessidade de se determinar o melhor conjunto de factores.