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3. Methodology

6.4. Concluding Remarks

Há mais criminosos além dos que estão presos: - são os homens cultos que conhecem as verdades e não ousam revelá-las por temerem o ridículo ou por interesse pessoal. Tenho encontrado, durante minha carreira, mais de um destes “homens de ciência”, muito inteligentes, muito instruídos, que foram testemunhas ou tiveram conhecimento de fatos metafísicos irrecusáveis, que não duvidam da existência inegável desses fenômenos, e não têm a coragem de o dizer, por um sentimento de mesquinhez imperdoável nos espíritos de real valor, ou que cochicham misteriosamente, com medo de serem ouvidos os seus depoimentos, que seriam de considerável peso para a vitória da verdade.

FLAMMARION, Camille. A morte e o seu mistério vol II. 5.ed. RJ: FEB, 2004.

A construção da narrativa de cada indivíduo, conforme Josso (2004) conduz a várias reflexões, que evidenciam as características do ser humano em sua universalidade e genericidade, e, também, a uma retomada do questionamento socrático: quem sou eu? (A pessoa por trás dos papéis sociais?) A flexão sobre si mesmo e sua experiência conduz a uma compreensão axiológica, que relaciona as práticas sociais aos valores que estruturam a nossa existência.

Das vivências de intensidade particular produz-se sentido para o vivido consigo mesmo, com o nosso ambiente humano e natural. As experiências relacionam prática social e sentido e são um movimento da consciência e da tarefa de pensar o pensamento.

O modo como compreendo experiência, inclui seu aspecto existencial, juntando a este dimensões costumeiramente apartadas, como o sentir, o pensar e o fazer, uma vez que se

chega a um trabalho reflexivo sobre o que se passou, a partir do que foi percebido, sentido, realizado e pensado.

As narrativas simbolizam nossa compreensão das coisas e a falha do olhar; constituem referências do que se aprendeu experienciando a vida e do que se deixa como pergunta, na própria história; são metáforas da realidade pessoal e social: mostram os sentidos acostumados e os pontos de ruptura, apontando devires. As narrativas fazem o sentido já posto transbordar e não caber no costume: é preservação e criação, fechamento e abertura, lugar de configurações sedimentadas e de fermentação do novo.

Josso (2004) enfatiza que a narrativa das experiências permite explicitar a singularidade dos sujeitos, a partir da qual suas experiências fundadoras aparecem. São experiências que dizem respeito ao todo da pessoa, à sua identidade profunda, à maneira como o campo consciencial amplia sua lucidez.

A idéia de experiência com a qual trabalho, toma de Josso (2004) a necessidade de conceituá-la como uma vivência refletida, na qual ocorre a consciente produção de significados.

Quando estudo a experiência espiritual nos percursos educacionais que envolvem os processos de adoecimento e de cura, penso que estou trabalhando com produção de sentido e com a reflexão sobre o próprio saber produzido em uma flexão do pensamento sobre si mesmo capaz de interrogá-lo. Penso que é como se minha idéia de experiência implicasse interrogar as próprias condições em que o saber é produzido e suas condições de possibilidade de dizer.

Nos estudos sobre rituais de cura, da antropologia médica, observa-se que a experiência espiritual é vista como uma experiência de transformação. Os objetos, animais e plantas, danças e práticas dos rituais, como também os vestuários e toda a ornamentação e a paramentação são vistos por muitos estudiosos como formas de simbolização dos percursos de transformação (RABELO et al., 1999).

Observo que será importante essa perspectiva de ver a experiência espiritual como experiência de transformação. No primeiro lócus, os saberes que produziram as mães das crianças, no período em que se encontravam em risco de perderem seus bebês, e que, nos seus pontos de vista, realizaram as transformações resultantes do enfrentamento de uma situação limite: quando do internamento do bebê na unidade de terapia intensiva neonatal, na maioria das vezes, sob risco de morte iminente e posteriormente aprendendo a cuidar de um ser frágil e complexo. Observo que será importante essa perspectiva.

Como se experiência implicasse interrogar as próprias condições em que o saber é produzido e suas condições de possibilidade de dizer, pela pessoa, os acontecimentos relativos à espiritualidade e que constituem experiências transformadoras da relação consigo mesmo pela mediação com os outros, como da relação com os outros pela mediação de si mesmo.

A narrativa experiencial é potencialmente polissêmica. Ao fazer a história dos outros, estamos fazendo também a nossa própria história; há um entrelaçamento quando se escolhe o tema, a condução das entrevistas; não é um exercício de ventríloquos, mas um movimento reflexivo centrado no que consideramos significativo, para compreendermos o que nos tornamos.

Josso (2004) sintetiza o significado da narrativa experiencial no contexto da pesquisa: “Não há processo científico ou escolha de objeto teórico que não seja por uma dimensão afetiva, na maioria dos casos associada a uma lógica biográfica articulada a um contexto sociocultural e histórico”.

Espiritualidade tem sido a bússola de minha existência. Espiritualidade, uma palavra geradora, carregada de sentido existencial e acentuado conteúdo emocional (FREIRE, 2003); portanto, acho necessário situar a minha história particular no contexto coletivo. Todos somos responsáveis uns pelos outros, tudo que eu faço, digo e penso, tem um impacto sobre o outro. Quero discorrer sobre o assunto em minha vida, a fim de explicitar minha escolha pelo tema, em um trabalho de tese; trabalho este existencialmente engajado, conectado à minha vivência. Por que sendo médica e tendo feito o mestrado em cirurgia, realizando experimentos sobre isquemia de carótida em ratos e relacionando o experimento com uma das causas de cegueira humana, já organizando o projeto para o doutorado, optei pela Faculdade de Educação na linha de pesquisa Espiritualidade e Educação?

“A investigação temática só se justifica enquanto devolva aos sujeitos o ato de conhecer com ele a realidade que o desafia; conhecer é interferir na realidade conhecida” (FREIRE, 2005); sou sujeito também desta pesquisa, portanto compreendo como fundante deste trabalho esta narrativa, que reflete minha visão de mundo, a forma de construção do pensamento. “Para uma comunicação eficiente, faz-se necessário o conhecimento crítico a fim de sintonizar-se com a situação concreta das pessoas, evitando-se assim um discurso alienado e alienante.” (FREIRE, 2005).

Sou professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, onde ensino Histologia e Embriologia Humanas, assunto que se situa no cerne da biomedicina, da referência hegemônica morfo-fisio-biologicista. O que me faria buscar o campo de reflexões

que envolve a ultrapassagem do modelo biomédico, buscando conectar-me a contextos de crítica e reflexão vinculados a paradigmas emergentes?

A Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará assume papel importante na reflexão sobre paradigmas, ao colocar a Espiritualidade como linha de pesquisa - tema inovador e ousado para uma época de um materialismo desumanizador, orquestrado pelo capitalismo hegemônico.

Espiritualidade é um termo polissêmico e possui várias possibilidades de tratamento e educação. Há a espiritualidade para céticos, assim denominada por alguns filósofos (SOLOMON, 2003), desvinculada do transcendente, que uma corrente de estudiosos hoje levanta, junto à educação popular (VASCONCELOS, 2006). Há os que compreendem a espiritualidade como a capacidade humana de autotranscendência, na linha de pensamento de Heidegger. Para outros, a espiritualidade é a conexão com a divindade, com o devir do humano em seu caminho de perfectibilidade.

A religião, uma forma certamente importante de lidar com a espiritualidade nos contextos sociais, tem sido colocada, após as críticas ocidentais, como refúgio do pensamento mítico ou do formalismo religioso. Poder-se-ia dizer que a espiritualidade retoma a conexão da ciência, da filosofia e da religião e que, concretamente, tenta realizar a busca de significado para a vida, a procura de unidade e o contato com a natureza, com a humanidade e com o transcendente.

O Espírito Emmanuel através da psicografia de Chico Xavier (2008, p.44) assim expressa sobre Religião e religiões:

A Religião é o sentimento divino que prende o homem ao Criador. As religiões são organizações dos homens, falíveis e imperfeitas como eles próprios; dignas de todo o acatamento pelo sopro de inspiração superior que as faz surgir, são como gotas de orvalho celeste, misturadas com os elementos da terra em que caíram. Muitas delas porém, estão desviadas do bom caminho pelo interesse criminoso e pela ambição lamentável dos seus expositores...

Para mim, o caminho para chegar à espiritualidade passa, necessariamente, pela Religião Espírita, que promove um retorno ao cristianismo redivivo, em seu anseio de prática de vida repartida e aprendizado do amor (KARDEC, 2006a, 2006b, 2006c, 2006d). De filiação existencial cristã explícita, como Freire (2003), compreendo que “existir é um conceito dinâmico; implica uma dialogação eterna do homem com o homem, do homem com o Criador.”

Freire (2006) explicita que “esta capacidade de discernir o que não é próprio do homem permite-lhe, também, descobrir a existência de um Deus e estabelecer relações com Ele.” Compreendo espiritualidade como referência também para a ciência: eixo do pensamento a partir do qual propomos delineamentos na direção de um paradigma do Espírito (delineamentos que farão parte da conclusão deste trabalho). Nesse referencial, o ser humano integral é espírito corporificado, criado por Deus, comprometido com a transformação dos graves problemas contemporâneos, em um contexto social, cultural, histórico e ecológico.

Acho importante explicitar a minha compreensão, pois quem não conhece minha história de vida, minha leitura de mundo como diz Paulo Freire, pode ter a impressão de que estou advogando a causa espírita ou a existência de Deus. Deus não possui filhos bastardos e nem precisa de advogados, e “sabedoria absoluta – esta não existe senão em Deus” (FREIRE, 2006).

O espiritismo foi sempre o eixo norteador de minha compreensão acerca da vida; somos imortais e perfectíveis, responsáveis pela nossa caminhada, retornamos em outra roupa biológica quando deixamos esta ao findar nossa vida útil programada genética e previamente. Essa visão comporta a idéia da pluralidade dos mundos habitados, bem como a comunicação entre o mundo físico e o extra-físico (KARDEC, 2006a, 2006b, 2006c, 2006d, 2007). Informações que definiram sempre as minhas escolhas e os enfrentamentos cotidianos. Há todo um conteúdo filosófico e científico que faz parte do meu trabalho e vida.

Eis porque acho essas explanações fundamentais para o meu trabalho e também por compartilhar das palavras do Espírito Emmanuel, no livro Religião dos Espíritos, psicografado por Chico Xavier: “Relatemos as nossas experiências pessoais, no caminho da fé, com o desassombro de quem se coloca acima dos preconceitos”. Os instrutores espirituais fazem explanações que muito me tocam, em O Evangelho Segundo o Espiritismo (2006c) quando comentam acerca da coragem da fé no capítulo XXIV, que remete à compreensão de que é egoísta a fé que se guarda para si mesmo, a fé que se esconde com medo de algum prejuízo neste mundo; enquanto haveria de se buscar construir em nós outra fé coloque a verdade acima de seus interesses materiais, a proclame abertamente, trabalhando ao mesmo tempo pelo seu futuro e pelo dos outros.

Jung (1999) ao discorrer sobre autonomia do inconsciente traz importante contribuição sobre o problema da religião, quando diz:

Visto que a religião constitui, sem dúvida alguma, uma das expressões mais antigas e universais da alma humana, subentende-se que todo o tipo de psicologia que se ocupa da estrutura psicológica da personalidade humana deve pelo me nos constatar que a religião, além de ser um fenômeno sociológico ou histórico, é também um assunto importante para grande número de indivíduos ( JUNG, 1999, p.7).

É necessário, portanto, comportar essa perspectiva reflexiva da minha experiência religiosa, pois ela coaduna-se com minhas escolhas na vida, e com a eleição deste objeto de estudo, que percebe educação como reflexão e ação verdadeiramente transformadora da realidade.

Devo começar minha narrativa do fato de que, desde que passei a ter consciência de estar no mundo, senti-me um ser espiritual num envoltório de carne. De herança católica, amava os rituais litúrgicos, convivia com as imagens de santos que nossa cultura nordestina ofertava e sempre venerava (e venero sempre mais) a Mãe Santíssima; desejava coroá-la no mês de maio junto às outras crianças, mas não podia comprar uma roupa de anjo...

Nasci em Fortaleza, fui morar no Espírito Santo aos nove meses de idade. Depois, morei uns anos em Minas Gerais; alguns meses em Fortaleza, novamente. De novo em Minas Gerais, um ano na Pennsylvania nos Estados Unidos (intercâmbio em escola pública – bolsa de estudo); alguns meses no Rio de Janeiro e, finalmente, aos vinte anos novamente retornei para o amado Ceará.

Aos seis ou sete anos, morando em Vargem Alta, no interior do Espírito Santo, com flores do campo coroava a imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, num ritual em que incluía meus três irmãos.

Adorava as narrativas sobre as almas: sempre os mais velhos contavam algum acontecimento envolvendo as pessoas que já se foram. Este sempre foi o meu assunto predileto. E aos seis, sete anos em Vargem Alta, antes de dormir, todas as noites eu sentia a visita de “uma alma”, que ficava um tempo à beira de minha cama; eu cobria o rosto, embora não sentisse medo, e percebia quando a “visita” retirava-se; só então eu descobria o rosto e dormia. Nem sequer comentava sobre tal ocorrência, intuitivamente achava natural.

Também foi em Vargem Alta, região de montanhas, muito verde e muito fria, onde comecei a ir para a escola, que ficava seis quilômetros de distância de minha casa. O grupo escolar onde estudei está nítido em minha memória. Sempre estudei em escolas públicas, sempre tive que fazer provas de seleção para obter uma vaga nos colégios! Época em que os alunos não aprovados nos exames de seleção, estudavam nas escolas privadas, as quais a gente denominava escolas pp – pagou passou!

Aos sete anos eu dizia para mim mesma que quando crescesse seria médica e iria trabalhar na guerra, na Cruz Vermelha. Ora, em minha região não tinha luz elétrica: só possuíamos um radio à pilha onde ouvíamos a Rádio Nacional e, às quartas feiras, às 18:00 horas, nós, crianças, escutávamos as estórias do tio Janjão. Seria impossível saber o que era Cruz Vermelha! E nem se falava em guerra! Nunca falei sobre isso com ninguém e nunca conversei sobre tal assunto ao meu redor, até porque morava num sítio no interior de Vargem Alta, que é interior do Espírito Santo!

Trinta e seis anos depois em Fortaleza, fui convidada para ir à uma reunião no Centro Espírita Meimei, na beira-mar. Estava eu, no salão, com a assembléia e, numa sala privativa, estava uma médium baiana, da qual nunca tinha ouvido sequer falar a respeito e que viera a convite do grupo do referido centro para ajuda espiritual aos necessitados presentes. Ali ninguém me conhecia, exceto a amiga que me fez o convite. Em dado momento um médico, “incorporado” na referida médium mandou me chamar e, falando em espanhol, disse que em minha encarnação anterior eu trabalhara em sua equipe, na guerra, com os aliados e na Cruz Vermelha. Conversou um pouco mais, porém fiquei extremamente emocionada; foi então que compreendi que há muito existia forte, em mim, a lembrança de uma vida passada.

Cresci com uma religiosidade intrínseca, mas descontextualizada dos ensinamentos que aprendia, tais como “céu após a morte”, “inferno, purgatório”, “pecado e demônio” etc. A própria morte era, para minha compreensão infantil, assunto que os adultos ao meu redor ignoravam completamente e não sabiam explicar. Concordo com o poeta que na música diz: “Eu era criança e entendia tudo, agora cresci e não entendo nada”.

Eu percebia que os adultos evitavam falar sobre o assunto com as crianças; então, sequer os importunava com minhas perguntas, porque eu sabia que eles não desejavam me responder! Percorria, então, uma vereda maior de perguntas, que buscava responder sozinha.

Em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, onde vivi ao sair de Vargem Alta, com cerca de dez anos de idade, fui ajudante da zeladora da Igreja de Santa Luzia, onde rezava o terço todo o mês de maio junto às senhoras da igreja. Participava de todas estas atividades por interesse próprio, e não havia interferência familiar, pois minha mãe praticamente não comparecia à igreja.

Por volta dos quatorze anos, fui cerca de três vezes conversar com o Pai João, um espírito que falava através de uma conhecida de minha mãe, aqui em Fortaleza. Gostei do ocorrido, mas não satisfez a minha compreensão. Aos quinze anos, em Governador Valadares, ao estudar na casa de uma colega, deparei-me com o livro “Nosso Lar”, do espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier (2002). Ao ler a referida obra, encontrei

explicações que nenhum adulto com os quais tivera contato até então havia conseguido me explicar. Fiquei deslumbrada!

Na mesma ocasião, meu pai foi conhecer um centro espírita, dirigido pelo seu amigo da maçonaria, Dr. Ítalo Pifano e pedi para acompanhá-lo. Que surpresa maravilhosa, conhecer o Centro Espírita Vicente Pifano, pois não sabia, até este momento, existir a religião espírita! A partir daí, rompi definitivamente, com os liames católicos; passei a devorar as obras espíritas e a freqüentar as reuniões da Mocidade Espírita Paulo de Tarso, no referido Centro Espírita.

Meu pai não retornou após sua primeira visita e minha mãe não concordou com minha ruptura radical e definitiva; porém, não me atrapalhou. Tornei-me espírita desde então, e já se vão algumas décadas.

No ano de intercâmbio nos Estados Unidos, onde cursei o senior year, (equivalente ao terceiro científico), no outono de 1975, sozinha numa casa colonial, estava a gravar músicas de um disco de vinil para uma fita cassete virgem. Ao escutar a fita, em vários momentos da gravação, se ouvia várias pessoas conversando, vozes masculinas e femininas, em um idioma similar a russo ou alemão. Imediatamente percebi que se tratava do que hoje se chama transcomunicação instrumental, ou seja, comunicação de seres do plano extrafísico, ou pessoas que deixaram o corpo físico e ali estavam ao meu redor, conversando entre si.

A essa altura, já tinha lido grande número de livros espíritas, pois sou leitora compulsiva e já possuía compreensão sobre a ocorrência, que encarei com naturalidade (pena que a fita se estragou nas mãos do meu então pequenino primogênito Emmanuel). Também, nesse ano, vivenciei, por três vezes uma paralisia corporal, na minha compreensão semelhante à catalepsia, quando, novamente sozinha, nessa mesma casa, surpreendi-me incapaz de qualquer movimento: embora estivesse deitada em transe cataléptico, respirava e pensava. Tive a impressão, não sem algum susto, que se alguém me encontrasse naquele estado julgar- me-ia morta. Orei com intensidade e o fenômeno passou. O fenômeno da catalepsia repetir-se- ia comigo, cerca de vinte anos depois, por aproximadamente, duas vezes e não mais. Algumas vezes, recomendei a amigos, caso tenha algum episódio de “morte súbita”, que pesquisassem a possibilidade de catalepsia, pois, não gostaria de ser enterrada viva, sem o devido desligamento perispiritual.

Ao retornar do intercâmbio encontrei minha família com problemas muito graves. Estava bastante preocupada e me sentia num beco sem saída. Fui à reunião pública no Centro Espírita Vicente Pifano, em Governador Valadares, escrevi minhas iniciais numa folha de papel – ESO; idade: 18 anos e meu endereço: Rua São João, 179 fundos, escrevi também que

estava presente à reunião. Isso porque o Senhor José da Costa Freitas, um farmacêutico, muito atuante na cidade e vizinhança, psicografava mensagens durante a reunião.

Não havia conversado com ninguém, até porque, eram assuntos sérios e muito particulares.

No final da reunião, procurei a folha com meu nome, e lá estava uma mensagem assinada pelo Espírito Dr. Bezerra de Menezes; mensagem esta que me confortou e ajudou imensamente e que muito me emociona sempre que a leio:

Minha irmã, Paz. “Considera as aves do céu que não semeiam e comem...” e “olha os lírios do campo que não fiam e não tecem e que contudo, vestem-se lindamente”. A natureza é mestra sábia e inteligente, estuda tudo que se passa diante dos teus olhos e tira o melhor proveito das lições da vida. Guarda a Paz e cultiva a paciência no santuário do coração. (Bezerra de Menezes)

Cerca de 34 anos após, li uns documentos assinados pelo Dr. Bezerra de Menezes,