Blackman (2012) afirma que na sociedade do séc. XXI as multidões transformaram- se em termos de mobilidade, flexibilidade e adaptação.
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O termo mediated crowd foi definido por Baker (2011). Este autor associa o progresso dos social media e as transformações ao nível comunicacional que estes trouxeram à emergência deste novo fenómeno de multidões.
Rheingold (2002) foi um dos primeiros a ensaiar algo sobre a agregação de multidões e a influência dos novos meios de comunicação, tais como os telemóveis e a internet. O mesmo utilizou o termo de smartmob, com o qual definia as manifestações de caráter político que faziam uso das novas tecnologias, não só para efeitos de comunicação, bem como para efeitos de divulgação, na tentativa de mobilizar mais pessoas para a mesma que, mesmo não se conhecendo, partilhariam das mesmas causas comuns. Para Rheingold (2002), os indivíduos passaram a cooperar entre si de uma forma inigualável, mesmo que não se conheçam, já que possuem através dos novos meios tecnológicos utilizados tanto a capacidade de comunicação, como de computação.
Por outro lado, existe outro tipo de aglomerações instantâneas que estão ligadas ao forte uso das novas TIC. Para Schieck (2005), as flashmob são também exemplos destas aglomerações, não possuindo, no entanto, caráter político, onde a mobilização acontece através dos mesmos meios de comunicação. O mesmo autor refere que estas aglomerações caraterizam-se pela sua instantaneidade, com o mero objetivo de reunir pessoas num determinado local a determinada hora para realizarem uma certa atividade, normalmente de âmbito recreativo. Ainda Schieck (2005) afirma que os dois conceitos smartmob e flashmob estão intimamente interligados, e, muitas vezes, chegam-se mesmo a confundir-se, todavia, distinguem-se apenas pelo caráter político ativista do primeiro e pelo natureza recreativa do segundo, já que as formas de mobilização são praticamente as mesmas.
Nesta sequência, Baker (2011) cunha o conceito de mediated crowds, descrevendo- o como um fenómeno resultante da “digitalização da vida social”, ou seja, a evolução da tecnologia forneceu aos indivíduos novas formas de comunicar entre si, tornando os fenómenos de multidões mais dinâmicos e acelerando, de certo modo, todos os seus processos. Esta posição de Baker deve-se, em muito, à necessidade das multidões conseguirem ocupar um novo espaço público, que nos dias que correm, “é construído como um espaço híbrido entre as redes sociais da internet e a ocupação do espaço público: juntando o ciberespaço e o espaço urbano, numa interação inexorável” (Castells, 2013, p. 29).
Com a nossa análise consideramos que este fenómeno é muito semelhante às online crowds preceituadas por Stage (2013). Embora, a grande diferença entre eles seja a multidimensionalidade das mediated crowds, uma vez que estes não restringem a sua ação
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apenas à dimensão online (virtual), mas também consideram a dimensão offline (física) como
parte elementar destas multidões. Todas as novas tecnologias, tais como os smartphones, as aplicações de mensagens
instantâneas e as redes sociais impulsionam a capacidade de modelação da opinião pública através dos novos meios de comunicação (Baker, 2011). Assim, as mediated crowds são, na opinião de Baker (2011), multidões agregadas na esfera virtual que tendem a irromper da mesma para o espaço físico geográfico. Para este, o fenómeno aparece como uma evolução da teoria de multidão tradicional.
Várias definições de online crowds não nos parecem tão focadas como a de Stage (2013), não demostrando ao certo a diferença entre as mesmas e as mediated crowds. Blackman (2012) definia as online crowds como sendo “multidões improvisadas [que] são idealizadas nas redes sociais, tais como o Facebook e o Twitter, e por canais de comunicação tais como o Blackberry Messenger, permitindo a formação de um público temporário e transitório tanto online, como muitas vezes offline” (Blackman, 2012, p. 27). Já Russ (2007) definia-as como formações sociais de indivíduos que “se reúnem virtualmente, se comportam e agem coletivamente e produzem efeitos e fenómenos que não seriam possíveis sem a internet” (p. 65). Consideramos que ambas são completas, contudo, não conseguimos precisar até que ponto estes autores desenredam os dois conceitos: as mediated crowds e as online crowds.
A definição de Blackman (2012) considera a dimensão física ou offline dos online crowds, conquanto já esclarecemos que, na ótica de Stage (2013) esta não existe, uma vez que conforme a sua divisão, o único tipo de fenómeno que engloba as duas dimensões são as mediated crowds. Quanto à opinião de Russ (2007) julgamos que se encaixa na perfeição nos dois últimos tipos de multidões enunciados por Stage (2013), pois ambos utilizam fortemente o ambiente online, em ambos existe uma ação coletiva e ambos também não seriam possíveis sem a existência da internet. Portanto, as duas opiniões são válidas, mas a definição de online crowds de Stage (2013) é, deveras, a mais recente e clara, destrinçando claramente qual a verdadeira diferença entre as mediated crowds e as online crowds. Desta forma, decidimos então basear a nossa análise na divisão proposta por este último autor.
“ As mediated crowds deram lugar à ação coletiva via social media” (Baker, 2011, p. 4), revolucionando, deste modo, as dinâmicas de grupo até agora estudadas. A distinção entre este tipo de multidão e a multidão tradicional, de acordo com Stage (2013) reside no facto das mediated crowds dependerem de forma inexorável dos social media.
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Baker (2011) enuncia vários exemplos das mediated crowds, entre eles, os mais recentes, o movimento Occupy Wall Street19, os Blackberry Riots20 e as “Primaveras
Árabes”, cujos movimentos chegaram a ocupar tanto o espaço virtual como o espaço físico. O mesmo autor acrescenta também que o apoio aos WikiLeaks21 do movimento Anonymous22
que, embora não seja tão presente no espaço físico, não deve ser menosprezado, pois algumas das suas ações também se desenvolvem no espaço geográfico.