A Inteligência Competitiva (IC) tem aqui uma abordagem, que tece comentários acerca de alguns pontos considerados essenciais, como processo que orienta uma ação, para a introdução do tipo específico de inteligência aplicada à área fiscal na Controladoria.
Diversos estudos e pesquisas sobre a inteligência competitiva vêm sendo realizados no Brasil, com ênfase, principalmente, na competitividade das empresas, sobre a qual há também uma farta literatura sobre o assunto. Esse tema é abordado como Business Intelligence e Competitive Intelligence, e é atualmente considerado um dos principais conceitos do novo paradigma na estrutura organizacional das empresas e do Governo, com papel fundamental na arrecadação.
Com a explosão da tecnologia da informação e o grande avanço nas telecomunicações, as empresas de todo o mundo foram influenciadas pelo ambiente
externo, pelas oportunidades e ameaças, dependendo cada vez mais da chamada informação estratégica produzida pela Inteligência Competitiva.
A IC vem sendo potencializada na “Era da Informação” e utilizada para a retomada do crescimento, promoção do desenvolvimento de nações e de empresas, e apresenta uma expressiva demanda no Brasil, na ultima década. Basicamente, sua atividade consiste na aplicação de métodos de vigília do ambiente externo de uma empresa, buscando monitorar as atividades dos concorrentes e identificar novos produtos e tecnologias.
Nesta perspectiva, a IC trata apenas do emprego de uma metodologia específica para processar todas as informações disponíveis, transformando-as em um produto específico – a Inteligência – elaborada para atender a uma demanda definida. Esta se faz cada vez mais necessária, em razão da multiplicação das fontes de informações científicas, técnicas, econômicas e políticas, e funciona como uma ferramenta de apoio ao processo de tomada de decisão e à administração estratégica das organizações.
Entender a diferença entre o que seja informação e inteligência é fundamental para tornar mais eficiente a ação decisória. Assim, para a inteligência é preciso analisar, correlacionar e identificar as tendências capazes de impactar, exigindo o monitoramento constante do ambiente no qual a empresa atua (BORGES; CAMPELLO, 1997).
O que se percebe nas empresas, na maioria das vezes, é a produção de muitos relatórios que os executivos têm para ler, muitos dados para manipular, para tomar uma decisão, o que significa que eles detêm muita informação e pouca inteligência (MARCO, 1999).
Bessa (2002, p.36), ao abordar esse aspecto, cita o consultor John Rosenthal, que menciona os estoques de informação nas organizações.
Nos nossos depósitos de conhecimentos e informações corporativas, vastos e sem aplicação, têm pouco poder quando entopem relatórios, arquivos e bancos de dados. Hoje em dia, informações não faltam. Faltam ferramentas para entregar a informação certa, às pessoas certas, e no tempo certo.
Pode-se dispor de um grande número de informações, usualmente chamadas informações descritivas e que se referem a uma determinada situação estática, porém, é cada vez mais necessário que as organizações operem apoiadas em
eficientes sistemas de coleta e análise de informação estratégica, cuja produção é responsabilidade da Inteligência Competitiva.
Segundo Porter (1999, p.35):
A maioria dos estudos recentes trata a competitividade como fenômeno relacionado às características de desempenho ou de eficiência técnica. Na verdade, a competitividade deve ser vista como um fenômeno que reflete o grau de capacitação alcançado pelas organizações e que se traduz nas técnicas por elas praticadas.
O planejamento ou identificação de necessidade se constitui no processo inicial para a definição do tipo de inteligência a ser produzida e que orienta e determina as ações necessárias para a coleta de dados e informações. Essa coleta envolve a captura dos dados e informações que podem estar de muitas formas em diversas fontes, tanto internas como externas (primárias e secundárias), sendo a sua maioria de domínio público, por meio de jornais, revistas, relatórios anuais, bases de dados, fontes informais entre outros.
A etapa de análise da informação e sua transformação em inteligência são, geralmente, consideradas a parte mais difícil, havendo a necessidade de interpretar e pesar as informações, formular uma proposição, identificar padrões e medidas de analise.
Concluindo o ciclo, a disseminação envolve a distribuição do produto da inteligência, que pode assumir várias formatações (relatórios, informes, sumários, exposições substanciais, entre outros), para as quais são sugeridas e defendidas possíveis ações a tomar. Trata-se de um momento em que se tornam evidentes as ações subsequentes, que podem gerar a necessidade de novos processos de inteligência.
Marco (1999, p.13-14) cita Fuld (1995) quando este enfoca que o sucesso do processo de construção da inteligência competitiva exige das organizações o entendimento dos princípios que seguem:
- Tenacidade – se constitui em ação inerente à atividade organizacional, de modo que a obtenção de informações seja feita de maneira constante, diária, estimulada por uma cultura informacional. - Longevidade – se consolide ao longo dos anos, sendo que o desafio está em sedimentar a cultura de informação no ambiente organizacional.
- Envolvimento – necessita o compartilhamento da responsabilidade pela coleta e análise das informações internas, resultando numa disponibilidade mais rápida e no uso muito maior do sistema.
Percebe-se que, independente do porte da empresa, esses princípios são fundamentais para dar sustentação à atividade de inteligência e podem ser aplicados em vários aspectos de uma empresa.
No caso do Brasil, Bessa (2002) identifica categorias básicas da atividade de Inteligência e suas funções, para apoiar o processo de planejamento e tomada de decisão nos seguintes segmentos:
a) Inteligência Competitiva e Tecnológica, que vem sendo realizada pelas empresas para o aumento da competitividade.
b) Inteligência Econômica, oferecida pelo Estado para apoiar o desempenho das micro, pequenas e médias empresas brasileiras e na capacidade de atuação no mercado internacional.
c) Inteligência de Estado, visando à defesa do estado, da sociedade, da eficácia do poder público e da soberania nacional.
d) Contra-inteligência, visando à proteção das informações sensíveis, seja para salvaguardar os assuntos sigilosos de interesse do Estado e da sociedade brasileira, seja para a manutenção da competitividade das empresas.
Muitas tecnologias podem apoiar as fases do ciclo da inteligência e, especificamente, a tecnologia da informação e o uso da Internet, uma vez que estas podem representar importantes ferramentas para o seu processo de produção no ambiente corporativo, tanto interno quanto externo.
Conclui-se que as organizações, ao incorporarem em seus vários processos decisórios a inteligência competitiva, sedimentam uma cultura forte em informação, capacitam continuamente os gerentes a reconhecerem e a compartilharem tais informações dentro do ambiente corporativo, de modo a refletir sobre a maneira de agir e suas atitudes, para que o valor desse processo venha a ser maximizado.
Nos processos organizacionais, a informação deve contemplar todos os elementos necessários para análise e processamento; apresentar nível de confiabilidade para submeter-se a testes; estar disponível no tempo certo; ser apresentada de forma correta para o seu emprego, bem como possibilitar agregação
de valor. Desta forma, a organização estará produzindo uma gestão informacional, a qual procura se adaptar às mudanças e aos novos cenários exigidos pela sociedade da informação.