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O modelo de gestão do PEI possibilita o acompanhamento e monitoramento das atividades pedagógicas. Baseia-se na experiência empresarial, organizada para atender às necessidades das unidades escolares. Procura-se realizar uma gestão integrada entre todos os componentes do grupo, estabelecer acordos quanto aos resultados esperados e ações, analisar os resultados obtidos e refazer o trajeto quando necessário para alcançar o sucesso do processo de ensino e aprendizagem. A revisão da trajetória educativa deve ser realizada periodicamente e atender às necessidades de aprendizagem dos alunos.

O modelo de gestão utilizado considera a Tecnologia de Gestão Educacional (TGE) 10. É composto pelos princípios e conceitos do modelo pedagógico e o modelo de gestão que são “instrumentalizados no Plano de Ação, que se desdobram nos Programas de Ação de todos os profissionais e demais instrumentos essenciais à gestão escolar” (SÃO PAULO, 2012a, p. 34). Via indicadores, verifica-se se as metas estabelecidas estão sendo cumpridas.

Para que o Plano de Ação da escola alcance seus objetivos, deve partir análise do reconhecimento da identidade da comunidade escolar, que deve compreender a missão da escola para tomar decisões e estabelecer estratégias, conhecer os valores e as premissas que nortearão todo trabalho escolar.

A SEE/SP propõe como Missão, para as Escolas de Tempo Integral: “ser núcleo formador de jovens primando pela excelência na formação acadêmica; no apoio integral aos seus projetos de vida; seu aprimoramento como pessoa humana; formação ética; o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico” (SÃO PAULO, 2012a, p. 35).

Para cumprir sua missão, a perspectiva de visão de futuro do programa, baseada nos estudos de Galvão e Oliveira (2009, p. 77), “indica o rumo, sinaliza o que a escola deseja ser, projetando expectativas para determinado horizonte de tempo, apontando a distância entre a situação real e a situação desejada”.

A SEE/SP também indica os valores que devem embasar o programa:

10 INSTITUTO DE CORRESPONSABILIDADE PELA EDUCAÇÃO - Modelo de Gestão – Tecnologia de Gestão Educacional (TGE), 2005.

[...] a oferta de um ensino de qualidade; a valorização dos educadores; a gestão escolar democrática e responsável; o espírito de equipe e cooperação; a mobilização, engajamento, comprometimento da rede, alunos e sociedade em torno do processo ensino-aprendizagem voltado ao espírito público e cidadania e a escola como centro irradiador da inovação. (SÃO PAULO, 2012a, p. 36).

O Plano de Ação, segundo o PEI, é um elemento norteador das ações escolares e segue as premissas, que são definidas como “[...] princípios ou conceitos fundamentados em valores que, expressos na forma de afirmações, devem nortear as políticas e as ações de uma organização. Fornecem parâmetros em relação ao que deve ou não ser feito e em relação aos modos de fazer” (GALVÃO; OLIVEIRA, 2009, p. 78).

Dentre as premissas, destaca-se o Protagonismo Juvenil. Nela, o jovem é considerado o ator de sua própria história, aquele que constrói seu Projeto de Vida. O PEI segue a definição de Costa e Vieira (2000), percebendo o jovem como alguém capaz de ter iniciativa, realizar projetos e ações que solucionem os problemas de seu cotidiano. É o envolvimento e participação do jovem nas situações e resoluções de problemas que ocorrem em casa, na escola e na comunidade é que farão a diferença no programa.

Outra premissa é a formação continuada. Para que os profissionais estejam atualizados como educadores para atender a contento as demandas atuais, precisam buscar constantemente o aperfeiçoamento profissional. Não podem esquecer que os exemplos repassados aos alunos na busca constante do conhecimento e prazer pelo estudo servirão de apoio e incentivo para muitos jovens.

Como as ações do PEI estão voltadas para a obtenção de melhores resultados educacionais, utilizando de forma eficiente às ferramentas de gestão, outra premissa que se destaca é a excelência em gestão.

A premissa da corresponsabilidade faz com que todos os envolvidos no programa sejam responsáveis pela melhoria dos resultados escolares, atuando com mais dedicação e comprometimento, por uma educação de qualidade. Já a última premissa citada nas Diretrizes do Programa é a da replicabilidade, ou seja, as escolas participantes do PEI devem ser multiplicadoras do programa, de forma a transferir tecnologias para a melhoria do ensino na rede estadual.

Na perspectiva do PEI, o monitoramento das ações para melhor otimização do tempo que o aluno permanece na escola, os ciclos de acompanhamento formativo, aliado a formação continuada dos professores e equipe gestora com dedicação exclusiva, proporciona aos jovens alguns diferenciais para auxiliá-los na elaboração do Projeto de Vida e, na percepção desta

pesquisadora, podem minimizar uma série de problemas e insatisfações dos jovens com relação às escolas regulares atualmente.

2.4 Juventude

A definição de juventude é abrangente devido à heterogeneidade do real e as representações deste grupo no imaginário social. Segundo Abramo (1994), dentro de uma série de imagens construídas, é possível identificar algumas definições básicas e generalizadas.

A noção mais usual de juventude refere-se a uma faixa de idade, um período da vida, em que se completa o desenvolvimento físico do individuo e uma série de mudanças psicológicas e sociais ocorre, quando esta abandona a infância para processar a sua entrada no mundo adulto (ABRAMO, 1994, p. 1).

Nesta primeira visão, juventude é uma etapa de transição, como uma fase de preparação para a vida adulta, quando o jovem é apreendido pela sua negatividade, ou seja, não é mais criança e ainda não é adulto.

Essa concepção está muito presente na escola: em nome do “vir a ser” do aluno,

traduzido no diploma e nos possíveis projetos de futuro, tende-se a negar o presente vivido do jovem como espaço válido de formação, bem como as questões existenciais que eles expõem, bem mais amplas do que apenas o futuro. (CARRANO; DAYRELL, 2002, p. 2)

Outra visão é que eles estão à margem da vida social, num tempo de liberdade e prazer, num período de experimentações, marcados por problemas sociais. Constatou-se que essas concepções são homogeneizadoras, pois atribuem aos jovens características, valores, desejos, condições de vida iguais para todo um grupo. São também estigmatizadoras, pois consideram determinados estigmas sobre os jovens inatos e naturais, comuns nesta fase da vida. Dayrell (2003), afirma que se devem questionar estas imagens dos jovens e compreendê- los pelo que são e não pelo modelo de ser jovem apresentado.

Abramo (1994) acrescenta que somente em algumas formações sociais a juventude tem destaque e visibilidade social, concluindo que a compreensão deste período da vida é variável na sociedade e que as categorias de idade são construções históricas. Novaes (2006) ressalta que pensar a juventude brasileira é considerar a diversidade contextual e sociocultural e apreender as marcas geracionais comuns que caracterizam um determinado momento histórico.

Deve-se pensar a juventude como uma etapa da vida, parte de um processo mais amplo de constituição de sujeitos com especificidades próprias.

O Estatuto da Juventude, criado pela Lei 12.852/2013, define como jovens as pessoas com idade entre 15 e 29 anos. No Brasil, cerca de 51 milhões11de brasileiros representam esta população. Entretanto, para analisar o jovem, devem-se levar em consideração os conceitos já apresentados que também são expressos no documento elaborado pelo Ministério da Educação:

Juventude é uma categoria socialmente produzida. Temos de levar em conta que as representações sobre a juventude, os sentidos que se atribuem a esta fase da vida, a posição social dos jovens e o tratamento que lhe é dado ganham contornos particulares em contextos históricos, sociais e culturais distintos (BRASIL, 2013, p. 13).

Ela é também uma construção histórica. Vários autores (ÁRIES, 1981; ELIAS, 1994; PERALVA, 1997; ABRAMO, 1994), citados no documento Formação de Professores do

Ensino Médio, elaborado pela Secretaria da Educação Básica (BRASIL, 2013), apontaram a

juventude como uma categoria social com destaque nas sociedades industriais, resultado das mudanças na família, generalização do trabalho assalariado e surgimento da escola.

A juventude é uma condição social devido a transformações de uma faixa etária e ao mesmo tempo, um tipo de representação por estar relacionada a construções históricas, sociais ligadas a períodos da vida.

A passagem da adolescência para a juventude é marcada por mudanças biológicas, psicológicas e de inserção social, parte de um processo dinâmico de crescimento. É um período determinado e não uma passagem ou preparação para a vida adulta, pois o jovem irá inserir-se na sociedade. Ele precisa descobrir todas as possibilidades de inserção, desde afetivas até profissionais diante da diversidade cultural e condições desiguais de acesso a bens econômicos, culturais e educacionais. No texto de Dayrell e Reis (2007) intitulado

Juventude e Escola: Reflexões sobre o Ensino da Sociologia no Ensino Médio procura

conceituar juventude:

[...] a juventude é uma categoria socialmente construída. Ganha contornos próprios em contexto históricos, sociais distintos, e é marcada pela diversidade nas condições sociais [...], culturais [...], de gênero e até mesmo geográficas, dentre outros aspectos. Além de ser marcada pela diversidade, a juventude é uma categoria dinâmica, transformando-se de acordo com as mutações sociais que vem ocorrendo ao longo da história. Na realidade, não há tanto uma juventude e sim jovens,

enquanto sujeito que a experimentam e sentem segundo determinado contexto sociocultural onde se insere (DAYRELL; REIS, 2007 p. 3).

O artigo A juventude de hoje: (re) invenções da participação social, de Novaes & Vital (2005, p. 109), também aborda a importância de compreender a juventude: “Compreender a juventude de hoje é compreender o mundo de hoje. Os dilemas e perspectivas da juventude contemporânea estão inscritos em um tempo que conjuga um acelerado processo de globalização e crescentes desigualdades sociais”.

As autoras apontam que na sociedade moderna, juventude é compreendida como um tempo de construção de identidades e de definição de projetos de futuro, um período em que os indivíduos processam sua inserção nas diversas dimensões da vida social: responsabilidade com família própria, inserção no mundo do trabalho, exercício pleno de direitos e deveres de cidadania.

Portanto, há uma diversidade de modos de ser jovem. É importante que cada professor possa construir com os jovens, um perfil social, cultural e afetivo com o grupo ao qual convive, de modo que conheça os sujeitos reais que convivem na escola, seu modo de ser, suas necessidades e expectativas.